《A Traição de Mil Dias: O Fim do Meu Casamento》Capítulo 6

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Viu uma silhueta na cozinha; era idêntica à de Alice.

Alice adorava cozinhar para ele; ele sempre esperava que ela sorrisse ao vê-lo.

"Alice, você voltou?" Bruno olhou fixamente para a cozinha.

No entanto, quando ela se virou, uma decepção avassaladora o trouxe à realidade.

Não era Alice.

Era Clara!

Clara preparou uma mesa farta, mas Bruno não tinha apetite. Pensar que ela o enganou e causou o divórcio com Alice o enojava.

"Bruno, o que foi? Você não parece bem, está doente?"

Clara tentou tocar a testa dele, mas Bruno recuou.

A mão dela ficou no ar.

"Você era tão amiga de Alice, dizia não querer machucá-la, por que fez tantas coisas contra ela?"

"Bruno, do que você está falando?" Clara empalideceu; queria sorrir, mas não conseguiu.

Será que Bruno sabia de algo?

"Você ainda vai continuar fingindo? Seus pais confessaram. Tudo foi encenado por você, inclusive a noite em que Alice descobriu nosso relacionamento, não foi?"

"Você sabia que, se Alice não soubesse do nosso caso, continuaríamos sendo um casal perfeito e você nunca teria chance."

"Para expulsar Alice, você a incriminou repetidamente, deixando-a em pedaços. Clara, você é hipócrita ao extremo."

Clara cerrou os dentes e seus olhos ficaram vermelhos: "Mas fiz tudo isso por amor a você, não foi?"

"Não fale sobre amor; alguém como você não merece mencionar essa palavra."

"Saia daqui agora. Você não tem o direito de entrar nesta casa."

A última gota de paciência de Bruno desapareceu. Ele odiava a si mesmo por não ter reconhecido a face dela antes.

Alice dissera muitas vezes que era inocente, mas Bruno nunca acreditou nela.

Como ele se arrependia!

"Bruno, eu não tinha escolha; se houvesse outra forma, eu nunca escolheria machucar Alice, ela é minha melhor amiga."

Pah!

Bruno deu um tapa no rosto dela: "Você não é amiga dela, e não tem o direito de mencionar o nome dela!"

Clara, cobrindo o rosto, ficou paralisada, olhando para ele com incredulidade.

Ela não esperava que tudo fosse descoberto tão profundamente, mas não queria ter enganado ninguém!

"Bruno, será que não tenho culpa sozinha? Se você não tivesse sido meu cúmplice, eu teria conseguido machucar Alice? Não tente jogar toda a culpa para mim, quem realmente a expulsou foi você!"

"Você escolheu acreditar em mim, você me favoreceu sempre, você claramente gostava de mim; por que agora me trata assim? É porque Alice se foi que você finalmente descobriu as qualidades dela?"

Capítulo 12

Clara avançou e abraçou Bruno com força.

Ela não acreditava que Bruno realmente não tivesse mais nenhum sentimento por ela; ele estava apenas descontrolado porque Alice tinha ido embora.

Bruno a empurrou com nojo, e ela, pega de surpresa, cambaleou e caiu no chão.

"Quando você se casou, você queria cancelar o casamento, você disse que não conseguia me deixar. Você enganou Alice repetidamente dizendo que estava em viagens de negócios, quando na verdade estava comigo. Você feriu Alice por mim, puniu Alice por mim. Você fez tudo isso, ousa dizer que não me ama?"

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Bruno olhou para ela de cima a baixo.

"Clara, eu gosto de você, mas também gosto da Alice. Alice é minha esposa, a pessoa que caminhou comigo desde o fundo do poço. Mesmo quando eu estava com você, nunca pensei em me divorciar dela. Eu já disse, aquela conversa de que era melhor me separar dela era apenas para te agradar. Eu simplesmente não consigo viver sem ela."

"Você está mentindo!" Clara entrou em colapso. Ela não acreditava que aquelas palavras fossem apenas bajulação.

Ela sempre pensou que Bruno fosse diferente dos outros homens, mas não imaginava que ele não fosse nada melhor!

Bruno não queria dizer mais uma palavra e ordenou que os seguranças a expulsassem.

Clara chorou e implorou amargamente: "Bruno, os cobradores de dívidas não vão me deixar em paz, por favor, me salve! Só perto de você eles não ousam me tocar. Pelo que vivemos no passado..."

No entanto, Bruno permaneceu imóvel. Ele olhou para o rosto borrado de lágrimas de Clara, mas riu: "Você também sabe o que é ter medo? Mas quando você trocou o mastim tibetano, Alice não teria medo? Você não sabia que ela tem pavor de cães? Naquela noite, você deixou alguma saída para ela?"

Clara chorou, tremendo, enquanto era impiedosamente lançada para fora pelos seguranças.

Naquela noite, Bruno sentou-se sozinho no quarto, quieto, sem saber o que pensar.

Ele se lembrou de cada detalhe desde que conheceu Alice, de quando se apaixonaram até o casamento, de cada coisa que ela fez por ele. Lembrou-se de como Alice nunca reclamava com ele, mesmo quando era injustiçada, pois temia que ele se preocupasse, guardando tudo para si.

E mesmo assim, Alice sempre fora dedicada a ele de todo o coração.

Ao amanhecer do dia seguinte, a opinião pública já havia engolido Bruno.

Tudo porque alguém vazou na internet que o motivo do divórcio entre Alice e Bruno era a interferência de uma terceira pessoa.

Essa terceira pessoa foi rapidamente identificada como Clara.

Colegas da universidade que as conheciam deixaram comentários.

"Essa Clara é uma verdadeira ingrata. Na época da faculdade, ninguém queria brincar com ela, só a Alice a tratava como melhor amiga, e ela acabou roubando o marido da Alice."

"Que sem vergonha. Ela não tem noção de quanta ajuda recebeu da Alice? Se não fosse pela Alice, ela já teria sido levada pelos cobradores para pagar a dívida com o próprio corpo. Uma pessoa ingrata e vil."

"Não é só ela, o Bruno também não é nada melhor. Quando ele foi expulso da família, foi a Alice quem o ajudou a atravessar o momento mais difícil, e agora, assim que se reergueu, a primeira coisa que faz é cortar a pessoa que o amava."

Bruno tornou-se, instantaneamente, um ingrato. A opinião pública o massacrava onda após onda, sem uma única palavra de apoio.

Já o haviam transformado em um vilão cruel.

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Bruno, no entanto, não se importava; ligava para o número de Alice repetidas vezes, mas aquele telefone nunca mais completava a chamada.

As empresas com as quais colaborava, ao saberem dos fatos, rescindiram seus contratos uma a uma.

No passado, fora Alice quem lutara para fechar esses acordos, mas, no fim, eles também partiram por causa da saída dela.

Bruno riu até que as lágrimas escorressem.

Eles tinham razão: sem Alice, ele não era nada.

Foi Alice quem permitiu seu retorno ao topo, mas ele não soube dar valor.

A porta se abriu e dois policiais apareceram diante de Bruno.

"Sr. Bruno, sobre a denúncia da Srta. Alice, precisamos que o senhor nos acompanhe para prestar esclarecimentos."

Bruno não disse nada. Antes de sair, deu uma última olhada naquela casa.

Esta casa, que era dele e de Alice, agora fora destruída por suas próprias mãos.

Capítulo 13

No dia em que Alice voltou, foi seu irmão, Shen Zhiheng, quem a buscou no aeroporto.

Após três anos sem vê-lo, ela de repente sentiu uma estranheza imensa.

Chovia em Hong Kong. Shen Zhiheng vestia um sobretudo preto e, ao vê-la, deu um sorriso suave: "Por que está parada aí como uma boba? Não vai entrar no carro?"

Alice sentiu um aperto no coração. Ao entrar no carro e sentir o aroma do difusor, o mesmo que ela gostava, seu coração ficou ainda mais inquieto.

"Irmão, o papai e a mamãe sabem que eu voltei?"

Shen Zhiheng ergueu as sobrancelhas: "Claro, no dia em que você me ligou, eles também estavam lá. Eu queria esconder de você, mas sabe como eles são sensíveis. Não se preocupe, passaram-se tantos anos que, mesmo que houvesse muita raiva, ela já quase se dissipou. Além disso, você é a filha deles; que ódio entre familiares dura tanto?"

Embora fosse verdade, na época em que Alice insistiu em se casar com Bruno contra a vontade da família, seus pais disseram apenas: "Se você tiver coragem de se casar com ele hoje, nunca mais volte para esta casa."

Naquele tempo, Alice estava cega pelo amor e só queria se casar com Bruno, negligenciando a família que a criara por tantos anos.

Agora, o quanto ela se arrependia de ter feito algo tão desprezível, ferindo o coração de seus pais.

"Alice, já ouvi sobre o que aconteceu. Seus pais também sabem, eles sentem pena de você. Quando nos encontrarmos mais tarde, não discuta com eles, entendeu?"

Alice acenou com a cabeça amargamente. Que qualificação ela teria agora para discutir? O fato de seus pais a deixarem entrar pela porta já era algo pelo qual ela agradecia profundamente.

Shen Zhiheng entendia a ansiedade da irmã, mas sentia ainda mais pena dela, que sofrera tantas injustiças e agora parecia ter perdido toda a energia vital.

Ele olhava para ela, como se ela tivesse se tornado outra pessoa.

No caminho de volta, Alice acabou dormindo sem perceber; foi o sono mais tranquilo que teve nesse período.

Ao acordar, o carro já estava parado em frente à sua casa.

Estava silencioso no carro; ela estava coberta pelo casaco de Shen Zhiheng, e ele estava do lado de fora, falando ao telefone.

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