Após receber curativos simples no hospital, ela embarcou no voo de volta para casa.
Ela estava errada; nunca deveria ter rompido com sua família por causa de Bruno.
E menos ainda deveria ter pensado que ele era tudo em sua vida.
O avião cortou o céu azul, e Alice fechou os olhos com dor.
Tudo acabou.
Mas ela garantiria que Bruno e Clara pagassem o preço!
Capítulo 7
Clara se agarrou a Bruno durante toda a noite e, não querendo desistir, ficou com ele no hotel por mais três dias inteiros.
Bruno a tratava muito bem, satisfazia todos os seus caprichos e quase nunca lhe dizia uma palavra dura.
Clara observava atentamente a atitude de Bruno em relação a Alice e sentia-se secretamente jubilante pela forma como ele a favorecia.
O som da água no chuveiro parou de repente.
Bruno saiu devidamente vestido e, vendo-a distraída, sorriu e apertou seu rosto: "No que está pensando?"
Clara perguntou de repente: "Bruno, se um dia a Alice pedisse o divórcio, você aceitaria?"
Bruno negou sem pensar duas vezes: "Impossível. Naquela época, ela preferiu romper com a família para ficar comigo e sofreu muito no início da minha carreira. Ela não teria coragem de me deixar."
"E você? Lembro que você disse uma vez que encontraria uma maneira de se divorciar dela..."
Clara lembrou-se das palavras de Bruno naquela noite, cheia de expectativas.
Mas a voz de Bruno caiu como um balde de água fria sobre ela.
"Clara, eu só disse aquilo para acalmar seus ânimos. Na verdade, meus interesses estão muito vinculados aos da Alice, é difícil fazer uma separação completa."
"Sei que você se sente injustiçada, mas, nas circunstâncias atuais, só posso pedir que suporte isso um pouco mais."
"Não se preocupe com ela, eu vou te proteger. Mas o título de 'Sra. Bruno', temo que não possa te dar por enquanto."
Clara já esperava por isso.
Ela reprimiu sua frustração e voltou a sorrir para Bruno: "Eu sei. Afinal, você e Alice compartilham tantos anos de história, passaram por altos e baixos juntos, o laço é profundo. Não sei como a Alice está agora... ela tem tanto medo de cães."
O olhar de Bruno escureceu. Em sua mente, surgiu a expressão de Alice ao olhar para ele pela última vez, e o grito de "Eu te odeio", carregado de dor e desespero, ainda ecoava em seu coração.
Sempre que pensava naquelas três palavras, ele sentia um medo e uma inquietação inexplicáveis.
Após dez anos ao lado de Alice, Bruno achava que a conhecia perfeitamente, mas, naquele momento, sentia-se inseguro.
"Vou para a empresa. Por enquanto, não vá para casa, temo que vocês entrem em conflito novamente."
Clara assentiu, ajeitou a gravata de Bruno como de costume e o acompanhou até a porta.
Assim que ele se afastou, ela desfez o sorriso e mordeu os dentes de frustração.
Por que, mesmo após tanto esforço, ela ainda não conseguia roubar Bruno de Alice?
Ele claramente disse que poderia se divorciar, quem diria que era apenas um truque para manipulá-la!
Mas não importava; afinal, ela já o tinha feito assinar o acordo de divórcio, e o posto de Sra. Bruno já estava em suas mãos.
Durante todo o dia, Bruno sentiu um aperto no peito, seu coração batia descompassado, sentindo como se algo terrível tivesse acontecido.
Ele pegou o celular e viu que já se passavam quatro dias; Alice não o procurara nenhuma vez.
Naquela noite, ela foi trancada com o mastim tibetano; ele não sabia como ela estava.
Após terminar o trabalho, Bruno ligou para casa e foi atendido pela empregada.
"Onde está a patroa?"
A empregada respondeu cautelosamente: "A patroa saiu bem cedo há quatro dias e ainda não voltou."
Os dedos de Bruno pararam de repente: "Ela não disse para onde ia?"
"Provavelmente ao hospital. A patroa estava gravemente ferida e coberta de sangue. Talvez o hospital a tenha mantido lá para tratamento, não é?"
"Como ela pode estar gravemente ferida? Aquele cão é treinado, ele não ataca humanos!" Bruno explodiu em fúria, soltando a gravata com irritação.
Ele só queria assustar Alice; selecionou um mastim menos agressivo, como poderia ter causado tal ferimento?
Ele nem ousava imaginar o quão desesperada e apavorada ela devia estar, trancada em uma gaiola minúscula, sem ter para onde fugir!
Bruno quis largar o trabalho e ir para casa na hora, mas recebeu uma ligação de Clara.
"Bruno, me salve! Meu pai está tentando me levar para quitar dívidas, eu não tenho mais para onde ir..."
A expressão de Bruno mudou instantaneamente; ele deu meia-volta e dirigiu para a casa de Clara.
Quando chegou, o pai de Clara a arrastava violentamente para vendê-la: "Eu te criei até agora, é justo que você consiga algum dinheiro para o seu pai!"
Bang!
Bruno derrubou o pai de Clara com um chute e abraçou a aterrorizada Clara.
Clara, com o rosto banhado em lágrimas, escondeu-se tremendo nos braços de Bruno: "Bruno, você finalmente chegou, estou tão assustada..."
Capítulo 8
Ao ver Clara chorar daquela maneira, o coração de Bruno se apertou.
O pai de Clara gritou: "Outra vez você! Não se meta nos assuntos da nossa família! Não pense que não sei que você só a usa como um brinquedo."
"Você, um homem casado, vive enganando-a sem dar um centavo. Se tem coragem, case-se com ela de verdade! Qual a diferença entre você e aqueles que pagam por prostitutas lá fora?"
Bruno ficou cada vez mais frio e perdeu a paciência: "Se ousar encostar nela novamente, garanto que você nunca mais a verá."
Assim que ele saiu com Clara, vários seguranças entraram e deram uma lição no pai dela.
Gritos agoniantes podiam ser ouvidos do andar de cima.
Clara hesitou por um momento, querendo pedir clemência: "Bruno, não importa o quê, ele ainda é meu pai, não seja tão agressivo..."
"Relaxe, vou deixar ele vivo. Clara, você poderia parar de se preocupar tanto com os outros? Deveria pensar um pouco em si mesma."
"Que tal eu te enviar para o exterior? Você pode fazer o que quiser lá, e eles nunca mais te encontrarão. Você não precisará mais viver com medo."
Clara olhou para cima: "Você viria comigo?"
Bruno ficou em silêncio por um longo tempo.
Naquela época, ele mentira para Alice sobre expandir os negócios no exterior e morar lá por um tempo, apenas para que ela não o procurasse constantemente, permitindo que ele tivesse tempo e espaço para ficar com Clara.
Mas agora, o casamento deles estava em crise, e ele seria suspeito se ficasse fora de casa por muito tempo.
"Clara, você vai primeiro, farei o possível para encontrar tempo e te visitar."
Clara chorou em silêncio: "Bruno, você também acha que sou um fardo e quer se livrar de mim?"
"Como pode pensar assim? Não imagine coisas. Eu só lamento que você tenha se ferido. Se não quer ir, então não vá, farei o que você quiser."
Após acalmar Clara, já era tarde da noite.
Bruno voltou para casa; estava tudo como sempre, nada havia mudado, exceto a ausência de Alice.
Não sabia por quê, mas começou a sentir muita falta dela.
Ele procurou quarto por quarto, mas não a encontrou.
Sentindo-se cada vez mais inquieto, parou na porta do quarto principal.
Alice não entrava lá há algum tempo, e o ambiente não era mais o mesmo.
Desde que trouxera Clara, tudo havia mudado para os tons que ela preferia.
As fotos do casamento na parede tinham sumido, as fotos na mesa de cabeceira também, até mesmo o álbum que Alice costumava folhear havia desaparecido.
Ele lembrou-se, de repente, do dia em que ela pediu aos empregados que queimassem tudo.
As coisas de Alice foram movidas para o quarto de hóspedes, mas quando Bruno viu o quarto vazio, ele congelou completamente.
A casa inteira parecia limpa, como se Alice nunca tivesse vivido ali.
Ele franziu a testa e ligou para Alice, mas ninguém atendeu.
Bruno finalmente digitou uma mensagem irritado: "Não tente essa jogada de sair de casa; é infantil e estúpido. Você sabe que odeio joguinhos de mente."
Ele não acreditava que ela fosse embora. Ela o perdoou uma vez, e o que acontece uma vez, acontece duas.
Bastaria ela se acalmar; se ele se desculpasse com sinceridade, como antes, ela voltaria a ceder.
Essa cena de sair de casa não passava de um teatro para fazê-lo ir buscá-la.
Bruno estava confiante. Alice já tinha brigado com a própria família; se ela o deixasse, para onde iria?
Uma semana se passou, e ainda nenhuma notícia de Alice.
Bruno começou a entrar em pânico.
Foi então que sua assistente entrou apressada no escritório.
"Sr. Bruno, vários projetos tiveram problemas e as empresas desistiram da parceria."
"O que houve? Onde estão os responsáveis pelos projetos? São todos incompetentes?" Bruno estava de mau humor e explodiu.
A assistente explicou cautelosamente: "Eles disseram que... assinaram conosco por consideração à Sra. Bruno. Mas agora, ela declarou que não tem mais nada a ver com o senhor, e eles naturalmente não renovarão..."