Alice estava confusa, vendo Clara novamente fingir inocência diante de Bruno, e o pior era que ele comprava tudo aquilo.
"Não tenha medo, Clara. Desta vez, eu farei justiça por você. Vou fazer com que todos saibam que você não é alguém que possa ser intimidada."
Bruno olhou para Alice com uma fúria reprimida: "Alice, você mandou mensagens para a Clara, fingindo que queria conversar, apenas para armar essa cena? Para deixar que esses lixos a assediassem e a obrigassem a beber?"
Capítulo 5
Alice olhou bruscamente para Clara, soltou um riso frio e virou-se para sair.
Bruno agarrou seu braço violentamente: "Alice, peça desculpas à Clara!"
Uma dor aguda percorreu seu braço. Alice tentou se soltar com força: "Que mensagem? Eu nem sei do que está falando! Não pedi desculpas por algo que não fiz!"
Bruno exibiu o celular na frente dela; era a tela de conversa com Clara, mostrando claramente uma mensagem enviada por Alice há meia hora.
"Saia, vamos conversar."
Acompanhada do endereço do local.
"As evidências são claras, e você ainda ousa dizer que não foi você? Quando você se tornou tão mentirosa? Clara veio aqui com a intenção de fazer as pazes com você; precisava ser tão calculista e tentar prejudicá-la repetidamente?"
Alice, com os olhos avermelhados, encarou Bruno: "Bruno, tente entender uma coisa: se eu realmente quisesse prejudicá-la, eu precisaria usar um método tão idiota?"
Ela sentia um incêndio de fúria sem nome arder em seu peito. O clima na sala estava tenso.
Clara correu subitamente e se ajoelhou diante de Alice.
"Alice, não brigue com o Bruno, não estrague a relação de vocês por minha causa. Eu errei, não vou mais encontrar o Bruno, prometo que vou desaparecer sem deixar rastros..."
A hostilidade nos olhos de Bruno transformou-se instantaneamente em compaixão.
Ele levantou Clara e a trouxe para seus braços: "Clara, quando você vai parar de se preocupar com os outros? A pessoa que errou foi ela, não você, e a pessoa que deveria desaparecer é outra."
Bruno suspirou levemente e, ao se virar para Alice, a fúria em seus olhos era incontrolável.
"Alice, vou perguntar mais uma vez: vai pedir desculpas ou não?"
"Não vou!"
Bruno semicerrou os olhos: "Então você sentirá na pele a dor que a Clara sentiu."
Antes que Alice pudesse reagir, os seguranças avançaram e pressionaram seus ombros, segurando seu queixo enquanto despejavam cerveja gelada em sua boca.
Logo em seguida, vieram baldes de água gelada misturada com álcool, despejados violentamente sobre seus pés feridos.
"Ah —"
O contato do álcool com os ferimentos abertos a fez tremer de dor por todo o corpo.
Ela olhou para Bruno em total descrença, mas ele só tinha olhos para Clara, consolando-a constantemente.
Clara pedia por clemência em nome dela, mas Bruno estava decidido a dar uma lição: "Clara, não tente interceder; cada palavra que você diz em favor dela só a fará sofrer mais."
A visão de Alice escurecia. Ela nunca tinha sofrido uma tortura daquelas. Sem ter feito nada, foi julgada e punida repetidamente por Bruno.
O álcool na boca a impedia de respirar.
Abaixo dela, baldes de água gelada eram derramados deliberadamente sobre suas feridas.
Ela estava encharcada; sangue misturado com cerveja escorria por todo o chão.
Seus pés pareciam inúteis, como se tivessem perdido a sensibilidade. Alice, sem forças para aguentar, murmurou fracamente: "Desculpe..."
Os seguranças soltaram-na imediatamente.
Bruno levantou seu queixo, olhando em seus olhos injetados de sangue: "Alice, lembre-se da dor desta noite. Não incomode mais a Clara."
Alice tentou forçar um sorriso enquanto sua consciência se perdia e ela desmaiou.
Ao acordar, estava no hospital. Seu corpo estava febril e suas pernas, enfaixadas como múmias, estavam imóveis.
A enfermeira disse que seus ferimentos haviam infeccionado por causa do álcool e que, se tivesse chegado um momento mais tarde, as consequências seriam inimagináveis.
Alice fechou os olhos; o pesadelo da noite anterior ainda estava vivo.
Ela passou uma semana no hospital e Bruno não apareceu nem uma vez.
Ele não deu notícias, mas Alice pôde ver nas redes sociais de Clara que eles tinham viajado para um resort em uma ilha.
Clara postou uma foto das mãos de ambos usando alianças; não havia legenda, mas a foto dizia tudo.
Sabendo que Alice veria, ela ainda postou propositalmente. Provavelmente apenas Bruno acreditaria que Clara era "bondosa".
No dia em que Alice teve alta e voltou para casa, Bruno e Clara também retornaram.
"Alice, trouxe um presente para você, veja se gosta!" Clara a cumprimentou calorosamente.
Olhando para a bolsa de gosto duvidoso que Clara segurava, Alice nem se deu ao trabalho de olhar duas vezes.
"Pode ficar com ele. Essas cores bregas combinam perfeitamente com você."
Capítulo 6
Alice estava prestes a subir as escadas quando Bruno a agarrou com força.
"Clara escolheu esse presente com tanto carinho para você, e é assim que você o trata?"
Alice se soltou dele, sem querer dizer mais uma única palavra.
Ela voltou para o quarto de hóspedes e, ao fechar a porta, viu Clara interceptando Bruno.
"Esqueça, ela acabou de sair do hospital, deixe-a descansar. Na verdade, tem um restaurante que eu quero visitar há muito tempo, você poderia me acompanhar?"
Lá embaixo, logo tudo ficou em silêncio.
Alice, exausta, arrumou suas malas. Seu advogado lhe informou que Clara já havia feito Bruno assinar o acordo de divórcio secretamente, e agora só faltavam os documentos finais.
Ela já sabia; Clara fingia ser generosa e compreensiva, recusando-se a roubar o marido dela, mas, na verdade, todas as suas ações, explícitas ou implícitas, mostravam que ela mal podia esperar pelo divórcio.
Assim, Clara poderia subir ao altar legitimamente como a sra. Bruno.
Alice planejava sair dali assim que amanhecesse, mas, de madrugada, um alvoroço começou lá embaixo. Alice desceu, franzindo a testa.
Viu os homens que Bruno havia espancado até a exaustão dias atrás, explicando algo trêmulo para ele.
Quando Alice apareceu, um deles arregalou os olhos e apontou para ela.
"Foi ela quem me subornou, mandando-me usar a desculpa de cobrança de dívidas para levar a Clara. Ela me pediu para levar a Clara para o hotel e abusar dela, disse para filmar tudo, assim a Clara não teria coragem de fugir e obedeceria cegamente ao ficar comigo."
"Sr. Bruno, se não fosse pela garantia da sua esposa, eu jamais teria coragem de tocar em alguém seu. Ela ainda me deu uma quantia em dinheiro, o registro da transferência ainda está lá, vou mostrar ao senhor agora mesmo."
Ao ver as informações de transferência no celular do homem, a expressão de Bruno tornou-se sombria instantaneamente.
"Alice, o que você tem a dizer?"
Alice demorou um instante para entender que havia sido incriminada!
Ela cerrou os dentes e disse com indignação: "Você está mentindo! Eu nem te conheço. Naquela noite, foi a mãe da Clara quem me disse que ela tinha sido levada para o hotel, por isso corri para salvar a vida dela!"
O homem respondeu impotente: "Sra. Bruno, o Sr. Bruno já descobriu. Não adianta mais negar, é melhor confessar."
Alice olhou bruscamente para Clara.
Clara sempre mantinha uma aparência frágil e indefesa; foi essa imagem que convenceu Bruno a sempre favorecê-la.
Alice disse: "Foi você de novo, não foi? O que aconteceu naquela noite também foi uma armação sua, só para que eu descobrisse que vocês estavam se traindo, acertei?"
Bruno finalmente perdeu a paciência: "Alice, você não acha isso absurdo? Como a Clara poderia deixar alguém abusar dela de propósito? Você é capaz de dizer qualquer coisa para se limpar!"
"Bruno! Não fui eu! Não pense que pode me acusar falsamente novamente!" Alice recuou passo a passo, seu corpo enfraquecido começava a tremer.
"Alice, lamento ter sentido culpa por você anteriormente. Jamais imaginei que seu coração fosse tão venenoso, capaz de fazer algo assim!"
Bruno não esperava que aquela noite, que quase destruiu a Clara, tivesse sido arranjada por Alice!
Se ele não tivesse chegado um passo antes,恐怕Clara teria sido realmente destruída para sempre.
"Alice, parece que você não tem nenhum sinal de arrependimento. Já que teve coragem de fazer, deve entender que, uma vez descoberta a verdade, deve arcar com as consequências!"
Bruno pediu que trouxessem uma gaiola de cachorro, onde vivia um feroz mastim tibetano.
"Coloquem a Alice lá dentro, ela ficará trancada aí esta noite."
"Não——" Alice gritou com o coração partido, "Bruno, como pode fazer isso comigo!"
Ele sabia que ela tinha medo de cães, e ainda assim a trancaria em uma gaiola?
Mas Bruno permaneceu indiferente, virou-se e saiu com Clara, deixando Alice chorar histericamente.
A casa inteira ficou tomada apenas pelos gritos de desespero de Alice.
Passada a noite, Alice estava coberta de sangue e ferimentos, sem um centímetro de pele intacto.
Ela praticamente rastejou para fora da gaiola. Jamais, em toda a sua vida, havia sofrido tal humilhação!
Carregando suas feridas e arrastando suas malas, Alice abandonou a casa que dividiu com Bruno por três anos.
O que um dia ela pensou ser o começo da felicidade, tornou-se seu maior pesadelo.