《A Traição de Mil Dias: O Fim do Meu Casamento》Capítulo 2

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O nó na garganta foi diminuindo pouco a pouco. Alice voltou para casa em um estado de torpor e, logo, adoeceu.

No meio da noite, entre o sonho e a vigília, a porta do quarto foi subitamente chutada.

Alice foi puxada da cama por uma força bruta, encontrando o olhar gelado de Bruno.

"O bebê da Clara morreu. Agora você está satisfeita? É tudo culpa sua, você fez a Clara sofrer tanto. Venha comigo ao hospital e peça desculpas a ela."

A palavra "desculpas" atingiu o limite de Alice.

Ela se soltou da mão de Bruno com força e disse com desprezo:

"Ela é uma amante que não tem dignidade, por que eu deveria pedir desculpas?"

"Ela me enganou por três anos, dormindo com meu marido pelas minhas costas; deveria ser ela a se ajoelhar na minha frente implorando por perdão!"

"Ter esse destino é o castigo de vocês dois!"

Capítulo 3

Bruno reprimiu sua raiva, e um frio inegável transparecia em seu tom.

"Alice, ouse chamar a Clara de amante mais uma vez para você ver."

"E você, por acaso é melhor do que ela? Quem não sabe as coisas sem vergonha que você fez lá fora para conseguir contatos e subir na vida? Aquelas pessoas comentam pelas costas que você é uma socialite barata, não vai me dizer que acha que isso é um elogio, vai?"

"Você não é nada mais limpa que ela!"

As palavras gélidas foram como marretas despedaçando o coração de Alice.

Em suas lembranças, ela se lembrava de todas as vezes em que bebeu até ter uma hemorragia estomacal por causa dele, para que Bruno não fosse reprimido pela família e pudesse se reerguer.

Por causa de um contrato ou de um projeto, ela se dispôs a suportar o nojo e acompanhar o outro lado em jantares.

Naquela época, Bruno sentia pena de todo o esforço que ela fazia por ele.

"Alice, as coisas não são mais como antes. Você não precisa mais se humilhar por minha causa; de agora em diante, o que você não quiser fazer, não fará. Aqui comigo, você sempre terá o direito de ser livre."

Alice ainda se lembra da expressão dele ao dizer essas palavras; era uma ternura que vinha da alma, nada parecido com o momento atual, em que ele a xinga de ser sem vergonha.

Naquela época mais difícil, ela manobrou nos bastidores para ele, apenas para receber em troca o rótulo de "socialite barata".

Então era assim que ele a via.

Tudo o que ela fez por ele foi para beneficiar outra pessoa, enquanto ele aceitava tudo com naturalidade, chegando até a achar... que ela era suja.

Pah.

Alice usou todas as suas forças para dar um tapa nele.

Bruno passou a língua pelos lábios secos, sem se importar nem um pouco. Ele agarrou o pulso de Alice e a arrastou rudemente para o carro.

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Ela pensou que ele a levaria ao hospital, mas o carro seguiu em direção às montanhas.

De repente, com uma freada brusca, Bruno a jogou para fora do veículo, com o olhar frio e severo: "Agora você pode escolher: ou vai pedir desculpas à Clara, ou fica aqui para clarear as ideias."

Ela cambaleou, e a sola de seus pés foi perfurada, começando a sangrar.

"Bruno, você enlouqueceu?"

No meio da noite, ele a trouxe para uma montanha deserta; ela estava descalça, sem dinheiro e sem celular. Se quisesse voltar, teria que obedecer.

O tom de Bruno era indiferente: "Parece que você ainda não quer baixar a guarda, então caminhe daqui até em casa. Quero ver o quão dura é a sua espinha."

Ao vê-lo realmente abandoná-la ali e partir, Alice sentiu os olhos arderem de raiva.

"Bruno, seu mentiroso!"

Ele jurou que passaria a vida amando apenas a ela!

Mas, no fim das contas, não havia uma palavra de verdade em sua boca!

Alice, tremendo no frio intenso, cerrou os dentes e caminhou um passo de cada vez. Ninguém passava por ali durante o dia, muito menos no meio da noite.

A sola dos pés já estava esfolada pelo chão áspero, sangrando profusamente. A dor lancinante percorria todo o seu corpo, mas ela se abraçava com força, sem deixar as lágrimas caírem.

Já na segunda metade da noite, começou uma tempestade.

Alice enfrentou o vendaval e a chuva torrencial, chegando em casa descalça apenas ao meio-dia do dia seguinte.

No momento em que abriu a porta, ouviu a voz de Clara lá dentro.

"Bruno, onde você deixou a Alice? Não quero que ela tenha um mal-entendido ainda maior sobre mim. Você poderia ser mais gentil com ela daqui para frente?"

O tom de Bruno esfriou subitamente: "Clara, você é bondosa demais. Você se preocupa tanto com ela, mas ela nem sempre está disposta a conviver bem com você. Mas ouvirei você e tentarei controlar meu temperamento."

Alice soltou um riso irônico e entrou, pisando na lama por todo o chão.

Ela tremia de frio e seus pés estavam cobertos de sangue.

Ao vê-la, Clara correu imediatamente em sua direção e, sem dizer nada, ajoelhou-se para limpar os pés de Alice.

Mas Bruno, tomado por uma fúria repentina, puxou Clara para cima: "Não precisa se humilhar tanto diante dela. Foi ela quem te prejudicou; a única pessoa aqui que deveria ter peso na consciência é ela."

Capítulo 4

Alice sentiu um enjoo profundo ao olhar para os dois.

Ela afastou Clara e subiu as escadas, mas parou no meio do caminho.

Vi que todas as suas coisas haviam sido empacotadas e jogadas no corredor, e os empregados estavam esvaziando o quarto para decorá-lo de acordo com o gosto de Clara.

Alice parou na escada e olhou bruscamente para Bruno: "O que significa isso?"

"Clara sofreu um aborto espontâneo agora pouco, não estou tranquilo deixando-a sozinha. Ela virá morar aqui por um tempo. Não se preocupe, em quinze dias ela vai embora."

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Clara mantinha aquela expressão de medo e submissão, como se Alice tivesse cometido o crime mais atroz contra ela.

Um empregado carregava aquela grande caixa de recordações e pediu orientações a Alice: "Patroa, como devemos descartar estes itens?"

Alice olhou; ali estavam todos os presentes que Bruno lhe dera ao longo dos anos, valiosos ou não, ela guardava tudo com carinho.

"Jogue fora. E as fotos do nosso casamento no quarto, queime tudo."

Após dizer isso, Alice pegou suas coisas e entrou no quarto de hóspedes.

Foi naquele momento que ela decidiu se divorciar. Já que Bruno nunca quis se casar com ela, ela o libertaria.

Alice ligou para seu advogado: "Prepare um acordo de divórcio e traga-o para mim, o quanto antes."

Depois de organizar tudo, ela tomou um banho, trocou de roupa e se preparou para sair.

No entanto, viu Bruno e Clara na cozinha; ele, preocupado que Clara estivesse cansada, a empurrou para fora e ficou sozinho ocupado no preparo dos alimentos.

Os olhos de Alice arderam.

Bruno nunca tinha entrado na cozinha por ela. Ela nem sabia que ele sabia cozinhar.

Clara virou-se e deu de cara com Alice. O sorriso em seu rosto congelou: "Alice, onde você vai? Já passou remédio nos ferimentos dos pés?"

Alice a ignorou e saiu sem olhar para trás.

Ela foi a um bar e bebeu sem limites. Amigos em comum, ao saberem de sua situação, xingaram Clara por sua ingratidão.

"Ela esqueceu que, se não fosse por você, ela já estaria na miséria? E ainda tem a coragem de roubar seu marido, que sem vergonha!"

"Alice, você vai deixar por isso mesmo? Vai deixar que ela suba em cima de você?"

Alice riu com desdém: "Bruno acha que meu esforço lá fora em busca de investimentos e projetos o envergonhava, então vamos ver o que essa 'flor de lótus' que só sabe fingir fragilidade terá a oferecer a ele."

Antes mesmo de chegar ao bar, Alice já havia entrado em contato com todas as empresas que tinham negócios com Bruno.

Assim que os contratos terminassem, não seria mais necessário manter parcerias apenas por consideração a ela.

Seu amigo ainda lamentava: "Se não fosse por você, ele teria capital para se reerguer? Bruno e Clara são dois ingratos, e honestamente, eles formam um par perfeito."

Entre taças e conversas, Alice sorria com desleixo. Até poucos dias atrás, ela jamais imaginaria que seu casamento com Bruno terminaria dessa forma.

A porta da sala reservada foi chutada de repente.

O coração de Alice disparou ao ver Bruno invadir o local e segurar seu pulso com força.

"Eu sabia que você não ficaria quieta. Por que trouxe a Clara para um lugar desses? Você sabia que ela teve um aborto recente e a forçou a beber cerveja gelada? Seu coração é podre?"

A força de Bruno era excessiva, fazendo seu pulso doer.

Ela foi rapidamente arrastada para a sala ao lado. Clara, com a voz embargada pelo choro, atirou-se nos braços de Bruno.

"Bruno, está tudo bem, fui eu mesma que me confundi e entrei na sala errada, a culpa não é da Alice."

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