Capítulo 1
Alice soube que sua melhor amiga, Clara, estava sendo forçada pela família a se casar com um homem velho para quitar dívidas. Imediatamente, correu para o hotel, querendo salvar a amiga daquele destino cruel.
No entanto, na porta do quarto de hotel, viu seu marido, Bruno, que deveria estar em uma viagem de negócios no exterior, batendo violentamente no tal homem, deixando-o com o rosto desfigurado.
Clara, chorando, abraçou-o pelas costas: "Bruno, pare com isso, eu não vou me casar com ele."
Bruno virou-se e a puxou firmemente para seus braços.
"Clara, por que não me contou quando o problema aconteceu? Se eu não tivesse vindo hoje, você realmente pretendia se entregar a esse lixo? O que você acha que eu sou?"
Clara chorava de forma incontrolável, soluçando a ponto de mal conseguir falar.
"Eu não quero mais viver escondida, e muito menos continuar fazendo algo que magoe a Alice. Nos últimos anos, meu coração tem estado em agonia."
"Bruno, finja hoje que você nunca esteve aqui, está bem?"
Bruno, com o rosto lívido, olhava para a dor de Clara, sentindo uma raiva acumulada que não tinha onde desabafar.
"Clara, como posso ficar tranquilo em relação a você? Se você precisa quitar as dívidas da sua família, então que seja comigo! Eu cuidarei das dívidas, e, de agora em diante, você não terá permissão para me deixar!"
Clara arregalou os olhos em descrença: "Você enlouqueceu? E a Alice, como fica?"
Após um curto e mortal silêncio.
Bruno respondeu: "Vou encontrar uma maneira de me divorciar dela."
"Não pode!"
Clara empurrou Bruno: "Se você se divorciar da Alice, nunca mais vou te ver nesta vida. Você esqueceu o que me prometeu? Nunca devemos machucar a Alice, o que você está fazendo?"
A dor nos olhos de Bruno foi vista por Alice, que estava do lado de fora da porta, sendo amplificada ao infinito.
No momento seguinte, ela ouviu a verdade mais cruel.
"Clara, fiz tudo o que você pediu. No início, eu nem queria me casar com a Alice; foi você quem disse que não queria que ela ficasse triste e me convenceu a não cancelar o casamento."
"Depois de casados, como você não queria traí-la e sempre me evitava, eu aguentei, mas você bem sabe o quanto eu sinto sua falta."
Bruno encurralou Clara contra a parede, ameaçando com voz grave: "Clara, não suporto ficar sem você. Se houver uma próxima vez, eu certamente contarei a verdade para a Alice..."
Clara, assustada, tapou a boca dele, suplicando com os olhos vermelhos para que não falasse mais: "Eu prometo, vou te ouvir, não vou mais te evitar e não vou mencionar nada sobre casar com outro. Não diga essas coisas para a Alice..."
Bruno, perdendo o controle, abaixou a cabeça e a beijou, pegando Clara no colo e caminhando em direção ao quarto.
Alice permaneceu paralisada no lugar.
Em um instante, seu mundo desabou.
Então, Bruno se casou com ela por causa de Clara.
Então, nos três anos de casamento, ele sempre manteve um caso escondido com ela.
Então, o tal trabalho de longa data no exterior era apenas uma desculpa; o verdadeiro objetivo era estar com Clara.
Que absurdo!
Ela, a esposa, parecia ser a "outra" que atrapalhava o romance deles.
Do ensino médio à faculdade, do uniforme escolar ao vestido de noiva, esses foram os dez anos de Alice e Bruno.
Todos sabiam que Alice era o lugar mais terno no coração de Bruno.
Ele rompeu com a família, e ela o acompanhou a começar do zero.
Enquanto ele trabalhava com recepções, ela se ocupava em ajudá-lo a fazer contatos e buscar recursos.
Quando ele estava ocupado demais para comer, ela preparava as três refeições do dia e levava ao escritório, vigiando pessoalmente até que ele terminasse.
Mais tarde, o pedido de casamento de Bruno foi grandioso; sob a confissão de amor feita com drones por todo o céu, ela acenou com lágrimas nos olhos.
Mas quem diria que, menos de meio ano após o casamento, Bruno seria flagrado abraçado e beijando uma mulher estranha em um país estrangeiro.
Quando as fotos chegaram a Alice, ela só viu a silhueta da mulher protegida nos braços de Bruno.
Ela perguntou histericamente o porquê, e ele pediu desculpas e perdão repetidamente. Mais tarde, exausta, e após ele jurar que nunca mais aconteceria, ela finalmente parou de cobrar.
Nos dois anos seguintes, tudo parecia calmo. Bruno interpretava o papel de marido exemplar em casa, tão perfeito que ela não encontrava um defeito sequer.
Alice pensou que ele realmente tinha se redimido; quem diria que ele estava apenas agindo de forma mais discreta.
E menos ainda esperava que a mulher que ele protegia naqueles braços fosse Clara, a quem ela considerava sua melhor amiga.
Alice sempre se lembrava do primeiro ano da faculdade, quando estava triste e sem dormir por estar separada de Bruno.
Foi Clara, que acabara de conhecer, quem ficou ao seu lado e a consolou constantemente, tornando-se, a partir dali, sua melhor amiga com quem compartilhava todos os segredos.
Ela apresentou Clara a Bruno, e muitas vezes o passeio de dois tornou-se um passeio de três, sem que ela nunca visse problema nisso.
Ela ajudou Clara a pagar as dívidas de jogo da mãe e, quando Clara era perseguida por agiotas, foi ela quem a escondeu em casa, dizendo para não ter medo.
Foram essas duas pessoas que ela considerava as mais importantes que, pelas suas costas, se envolveram!
Duas traições, e a mesma pessoa!
Alice cambaleou, usando toda a sua força para se estabilizar. Ela empurrou a porta do quarto e, no momento em que ouviu os suspiros pesados, sentiu um enjoo incontrolável.
Ao perceber a presença de Alice, Bruno exibiu um lampejo de pânico nos olhos e, inconscientemente, protegeu Clara atrás de si.
Capítulo 2
Bruno tentou se explicar para Alice: "Alice, as coisas não são como você está vendo..."
"E como são? Quer me dizer que, para salvar minha melhor amiga, você não conseguiu controlar seus sentimentos?"
Alice estava surpreendentemente calma; até mesmo para enfrentar uma traição, ela já tinha experiência.
Bruno franziu a testa: "Alice, a culpa não é dela. Eu é que fui procurá-la; ela sempre tentou me evitar. Nestes três anos, ela também sofreu muito."
"Não quero esconder de você, eu também quero ser um bom marido, mas simplesmente não consigo controlar meu coração."
"Alice, eu menti para você, fui um canalha. Se quer descontar sua raiva, desconte em mim, não crie problemas para ela."
Mesmo agora, cada palavra e frase dele eram de proteção a Clara.
Alice, com os olhos vermelhos, conteve as lágrimas. Queria muito perguntar a Bruno: se o que ele sentia por Clara era incontrolável, o que ela era para ele?
Clara chorou ao tentar segurar a mão de Alice: "Desculpe, Alice, eu errei, eu não deveria tê-lo encontrado..."
Olhando para Clara, que chorava com tamanha fragilidade, Alice a afastou com força.
"Clara, você teve inúmeras chances de me contar, mas nunca o fez. Agora, está fingindo ser uma vítima?"
Clara caiu no chão e, de repente, bateu a cabeça com força contra a parede: "Alice, vou te pagar o que te devo agora mesmo."
Um som de impacto.
O sangue escorria da testa dela, de forma chocante.
Bruno correu, abraçando Clara com nervosismo, e levantou o olhar para Alice.
"Chega, Alice! Ela já reconheceu o erro; será que precisa causar uma morte para ficar satisfeita?"
Alice olhou para o homem à sua frente e achou tudo aquilo ridículo.
Ela foi casada com ele por três anos, mas, aos olhos dele, ela não valia nada comparada a Clara.
Alice lembrou-se das mudanças de Bruno ao longo dos anos.
Ele sempre teve um paladar suave, mas nos últimos anos começou a gostar de comida picante. Agora, percebia que era porque Clara gostava; ele apenas se adaptava ao gosto dela.
Ele não gostava de doces ou bolos, mas não sabia desde quando, sempre que chegava tarde em casa, trazia bolos, e sempre da mesma marca.
Provavelmente comprava para agradar Clara, e o que dava a Alice era apenas algo que ele já tinha comprado por conveniência.
Ele não gostava de fazer compras, mas Alice gostava. Sempre que ele comprava presentes para ela, sugeria que ela também levasse algo para Clara, alegando que era para manter a amizade entre elas.
Então, tudo, absolutamente tudo, já havia sido revelado em cada pequeno detalhe.
Só que Alice nunca tinha pensado por esse lado.
"Bruno, não brigue com a Alice, eu é que fiz errado, mereço ser punida."
Clara segurava o braço de Bruno, mas, sob ela, o chão era tingido por sangue vermelho.
Bruno mudou de expressão instantaneamente: "O que aconteceu? Clara, você... está grávida?"
Ele não podia acreditar. Ao pegá-la no colo, até seus braços tremiam. Ao passar por Alice, ele a empurrou diretamente.
A poça de sangue vermelho no chão feriu os olhos de Alice.
Alice conteve as lágrimas com o coração em frangalhos. Eles não só a traíam, como também tinham um filho!