Do lado de fora da sala de emergência, Fernanda estava sentada na cadeira, pálida, com as mãos juntas, sua voz tremia: “Lívia… ele vai ficar bem, não vai? Com certeza vai.”
Ela repetia as mesmas palavras, mas seu coração permanecia tenso.
Lívia dava tapinhas suaves nas costas de Fernanda, confortando-a: “Ele ficará bem, Fernanda, não tenha medo.”
Pedro estava ao lado, com as sobrancelhas franzidas.
Momentos depois, um velho de cabelos brancos vestindo uma túnica chinesa, apoiado em uma bengala, aproximou-se rapidamente, seguido por vários guarda-costas.
Ao vê-lo, Pedro cumprimentou educadamente: “Sr. Xu.”
O Sr. Xu era o avô de Xu Chen e o patriarca da família Xu.
Com expressão solene e voz rouca, ele disse: “Se eu não estivesse me tratando neste hospital, você teria escondido isso de mim, não teria?”
Pedro escureceu o olhar: “O Sr. Xu é o avô de Chen; você deveria conhecer melhor a personalidade dele.”
O Sr. Xu silenciou. Sim, ao longo dos anos, Xu Chen se afastou da família justamente por causa de seu espírito rebelde.
Após um tempo, o Sr. Xu olhou para Fernanda e aproximou-se.
“Você é a namorada de Chen, não é?”
Fernanda levantou seus olhos inchados, olhando para ele com dúvida: “Sou, e o senhor seria?”
O Sr. Xu acariciou sua barba branca, observou Fernanda sem deixar transparecer nada e riu: “Quem diria que aquele garoto tem bom gosto.”
Fernanda ficou ainda mais confusa. Antes que pudesse dizer algo, o Sr. Xu a interrompeu.
“Pare de chorar. Ele não corre risco de vida agora.”
Dito isso, o Sr. Xu virou-se e afastou-se lentamente, apoiado em sua bengala.
Capítulo 37: O espião interno
Pouco tempo depois, a luz da porta da emergência mudou de vermelho para verde. O médico saiu.
Fernanda correu e segurou a mão do médico: “Doutor, como está meu namorado?”
O médico tirou a máscara: “O estado do paciente está basicamente estável. Basta ficar internado alguns dias para observação.”
“Obrigada! Muito obrigada, doutor!” Fernanda chorou de alegria.
O médico acenou e partiu. Quando Xu Chen foi transferido para um quarto de luxo, todos relaxaram.
À noite, Fernanda vigiava ao lado da cama de Xu Chen, observando seu rosto adormecido. Ela não sabia desde quando começou a se importar tanto com aquele homem.
Como se estivesse hipnotizada, estendeu a mão para tocar suas sobrancelhas, tentando suavizar a ruga de preocupação.
Justo quando ia retirar a mão, foi segurada por uma força.
Fernanda se assustou e viu que Xu Chen já estava acordado, olhando para ela.
“Por que acordou e não disse nada?” Fernanda fez um bico, ressentida.
Um sorriso leve surgiu no rosto elegante de Xu Chen: “Isso é o caso de 'o oficial pode incendiar, mas o povo não pode acender a lanterna'.”
Fernanda bufou: “Eu fiz isso?”
Dito isso, uma força a pressionou para baixo, e Xu Chen a beijou. O beijo foi suave, como o toque de uma libélula na água.
Se perguntarem o que o casamento trouxe para a mulher, Lívia diria que é ter um Pedro super grudento ao seu lado.
Toda manhã, Pedro acordava com um rosto irresistivelmente bonito e dizia suavemente para Lívia:
“Esposa, me dá um beijo.”
Lívia protegia o peito com as mãos, em alerta: “O que você quer? Estou realmente exausta e com dores nas costas, não tenho forças.”
Ao ver o sorriso malicioso de Pedro, ela percebeu que tinha acabado de dizer algo ambíguo.
“Só queria que minha esposa me desse forças antes de ir trabalhar, isso é errado?” Pedro fez uma cara de quem foi ferido. Aquela expressão em seu rosto era um crime.
Lívia rendeu-se, levantou-se e abraçou o pescoço dele, dando-lhe um beijo. As mãos de Pedro envolveram a cintura de Lívia, e sua respiração tornou-se instável.
Quando faíscas estavam prestes a voar, Lívia empurrou Pedro e se escondeu debaixo do edredom, cobrindo a cabeça. Pedro sorriu, ajeitou a gravata e desceu para o andar de baixo.
Como o casamento foi no exterior, a maioria das pessoas não sabia. Portanto, Lívia e Pedro iam ao trabalho em horários diferentes. Lívia não era mais secretária, agora era a diretora de relações públicas.
Os dias seguiam tranquilamente até que, em uma manhã, a calma foi quebrada. Um subordinado entrou na sala ofegante:
“Sr. Pedro, algo terrível aconteceu. Um projeto nosso no norte da Europa foi roubado pelo Grupo Shi.”
Pedro franziu a testa. Aquele projeto levaria meses de preparação; como poderia ter sido roubado tão subitamente?
“O Grupo Shi não estava com problemas de liquidez? Como têm dinheiro para tal projeto?”
“Um investidor misterioso injetou dinheiro neles.”
Pedro acenou para o subordinado: “Entendido. Chame a secretária.”
Logo, Lívia entrou com uma pilha de documentos:
“Pedro, verifiquei. O plano do Grupo Shi para o projeto no norte da Europa é muito similar ao nosso.”
Pedro examinou os dados: o plano, a data do contrato, o investidor misterioso. Tantas coincidências só podiam ser obra humana.
“Parece que há um traidor em nossa alta administração”, disse Pedro calmamente.
“Não vamos agir agora. Como há outros projetos chegando, vamos ver se o espião tentará algo de novo.”
Capítulo 38: Aquele dia
Três dias depois, Shi Qing encontrou-se frente a frente com Pedro.
“Quem diria que o invencível Grupo Pedro passaria por isso.” Shi Qing zombou. Pedro permaneceu em silêncio.
“Heh, o Grupo Pedro, nada demais.” Shi Qing saiu satisfeito.
Pedro tinha uma suspeita sobre o autor intelectual. Ele lançou vários outros projetos, e o Grupo Shi, como esperado, arrematou todos. Pedro reduziu o círculo de pessoas envolvidas para identificar o traidor. Quando percebeu que o peixe havia mordido a isca, ele fechou a rede.
O Grupo Shi venceu um projeto de comércio exterior na América do Sul, mas ele exigia uma quantia massiva de dinheiro, quase toda a liquidez disponível da empresa. Shi Qing desconfiou da facilidade no início, mas pensou que, como o projeto estava relacionado aos outros, não havia problema. Sentindo-se vitorioso, ele apostou tudo.
“Quando este projeto for um sucesso, superarei Pedro e me tornarei o bilionário mais jovem.” Shi Qing sorriu cruelmente, ansioso para ver a derrota de Pedro.
Um mês depois.
“Pedro! Como você ousou me armar isso!” Shi Qing estava irreconhecível, com barba por fazer e olhos injetados.
“Pá! Estrondo!” Barulhos de destruição vinham da sala do conselho. Quando o silêncio finalmente voltou, os gestores entraram.
“Sr. Shi, aqui está meu pedido de demissão.”
“O meu também.”
“O meu também…”
A sala tornou-se um caos. Shi Qing olhou para as cartas de demissão e as rasgou. “Acabou, tudo acabou.” Ele desabou na cadeira com olhos vazios.
9 de setembro, Tribunal de Yangcheng.
“Réu Shi Qing, o veredito por contrabando e violação de segredos comerciais é de prisão perpétua, além de uma multa de 315 milhões de yuans.”
“Réu Yang Ming, culpado por violação de segredos comerciais, condenado a três anos.”
“Foi o Pedro que me armou! Eu não fiz nada disso!” Shi Qing gritava enquanto era levado.
Fora do tribunal, Lívia suspirou ao olhar para o céu: “Quem diria que ele chegaria a ponto de contrabandear.”
“Foi uma armadilha. Sem isso, não conseguiríamos derrubar o Grupo Shi apenas com o caso de segredos comerciais”, disse Pedro, sentindo-se vitorioso. Ele não apenas derrubou as ações do Grupo Shi para adquiri-lo a baixo custo, como também eliminou seu maior obstáculo ao mandar Shi Qing e o diretor executivo Yang Ming para a prisão.
Após resolver os assuntos da empresa, Lívia sentiu-se finalmente aliviada. Após o expediente, ela encontrou Pedro: “Pedro, vamos ao supermercado hoje?”
Pedro assentiu: “Claro. Quer comprar algo?”
Lívia pensou um pouco: “Nada em especial. Só vi nas redes sociais que a Fernanda postou um vídeo sendo alimentada pelo Xu Chen.”
Pedro riu baixinho e segurou a mão de Lívia:
“Se você quiser, nós também postaremos todos os dias.”
Lívia mordeu o lábio inferior, com os olhos formando luas.
Quando iam saindo, o assistente bateu à porta:
“Sr. Pedro, o Sr. Yun, do Grupo Starfish, pediu especificamente para ver a Diretora Lívia.”
Capítulo 39: Esperando por alguém
A expressão de Pedro escureceu instantaneamente.
Ele respondeu friamente com duas palavras: “Não verei.”
O assistente paralisou e olhou para Lívia em busca de ajuda: “Diretora Lívia…”
Aquele grupo era o maior fornecedor de matéria-prima atual, e ofendê-los não seria uma boa ideia.
“Vá na frente e leve-o à sala de recepção. Estarei lá em instantes.”
Após Lívia falar, o assistente lançou-lhe um olhar de gratidão e saiu apressado da sala.
Quando o assistente saiu, Lívia suavizou o tom e olhou para Pedro: “Você está bravo?”
Pedro desviou o olhar. Embora estivesse irritado, mantinha sua frieza habitual: “Não.”
Lívia sorriu levemente, levantou-se na ponta dos pés e beijou os lábios levemente frios de Pedro: “Seja bonzinho, volto logo.”
Pedro franziu os lábios. O beijo havia extinguido a chama de sua irritação, mas acendeu outro tipo de fogo dentro dele.
Ele conteve sua agitação e a garganta oscilou: “Dez minutos.”
Lívia assentiu e concordou.
Sala de recepção.
Assim que Lívia entrou, viu Yun Chunnian olhando fixamente para uma folha de papel: “O que você quer comigo?”