“O show de fogos vai começar, vamos logo!”
Com o anúncio, a multidão ficou inquieta. Uma criança correu e acabou empurrando Fernanda.
No momento em que ela achou que se encontraria com o chão, um braço envolveu sua cintura.
Após um giro e se equilibrar, Fernanda viu que a pessoa à sua frente era Xu Chen.
Suas bochechas queimaram instantaneamente, fazendo-a baixar a cabeça e sussurrar um “obrigada”.
Xu Chen soltou-a e deu alguns passos para trás, mantendo distância: “Não foi nada, contanto que você esteja bem.”
Dito isso, ele se virou e começou a recolher as antiguidades que haviam caído no chão.
Fernanda mordeu os lábios e, silenciosamente, também se abaixou para ajudar a recolher os objetos.
No portão sul.
“Ainda não consegue falar com eles?” Lívia estava preocupada.
Pedro balançou a cabeça. Ele já havia ligado mais de dez vezes para Xu Chen e Fernanda, mas nenhuma ligação completava.
“Será que eles se perderam? Quer que a gente procure?”
“Deixa para lá, são adultos.” Dito isso, Pedro segurou a mão de Lívia e caminhou até a ponte.
Nesse momento, a ponte estava lotada, sem espaço nem para ficar de pé.
Pouco tempo depois, o céu noturno foi preenchido por sons de “pum, pum”, e fogos coloridos desabrocharam como flores gigantes.
Ao observar a cena, Lívia lembrou-se do passado e não pôde deixar de suspirar:
“Lembro que a última vez que vi fogos com você foi no dia da nossa formatura. Ainda bem que você está aqui comigo, ainda bem que nos amamos.”
O barulho ensurdecedor dos fogos abafou sua voz; Pedro não ouviu as palavras de Lívia.
Mas, no momento em que um fogo explodiu, ele se aproximou, inclinou-se levemente e sussurrou em seu ouvido: “Eu te amo.”
Não importava o que o mundo se tornasse, ele a amaria com firmeza.
Amá-la até o fim do mundo, até que os mares secassem e as rochas se dissolvessem, até que não restasse vestígio de suas existências neste mundo.
No dia seguinte, Pedro trouxe Lívia oficialmente para a sede do Grupo Pedro como sua secretária pessoal.
Desde o primeiro dia, Lívia passava o tempo todo no escritório, familiarizando-se com os processos. Com o tempo, tornou-se cada vez mais eficiente, tornando-se o braço direito de Pedro.
No escritório da presidência.
“Há mais algum compromisso à tarde?” Pedro folheava documentos sem levantar a cabeça.
Lívia, parada diante da mesa, respondeu com firmeza: “Assinar o contrato de fornecimento de matéria-prima com a empresa Nine.”
Pedro assentiu levemente, sua mão ágil assinando um documento após o outro.
Como acabara de assumir o grupo, precisava lidar com uma pilha de documentos pendentes. O grupo do conselho administrativo, embora não dissesse nada abertamente, tramava pelas costas.
Ao pensar que a equipe de gestão fora substituída por contatos da família Shi pela madrasta de Pedro, as sobrancelhas dele se contraíram.
Embora o Grupo Pedro ainda fosse um gigante no mercado, internamente já estava sendo esvaziado pelo tal conselho administrativo.
Pedro parou a caneta, levantou os olhos para Lívia e perguntou: “Quem é o responsável pelo projeto do subúrbio sul?”
“Antes era o Diretor Liu, do departamento de vendas, mas depois ele foi substituído por Shi Qing, o filho mais velho dos Shi.”
Ao ouvir o nome da família Shi, o rosto de Pedro fechou-se instantaneamente, e um frio profundo surgiu em seu olhar.
Parecia que sua madrasta realmente lhe deixara muitos “talentos”.
“Substitua Shi Qing pelo Diretor Liu original e providencie para mim o histórico de todos os executivos dos outros projetos.”
Lívia anotou rapidamente: “Entendido, Sr. Pedro.”
Já eram dez e meia da noite quando saíram. Pedro olhou para o relógio e perguntou: “Quer comer algo?”
Lívia ficou surpresa: “Comer o quê?”
“Você vai ver, vamos.” Dito isso, Pedro dirigiu e levou Lívia embora.
Por fim, chegaram a uma loja de hot pot perto da universidade Jinghua. O local estava agitado e cheio de vida. Esta era a mesma loja que frequentavam na época da faculdade.
“Chefe, um pote duplo, por favor.” Após pedir, Pedro levou Lívia para uma sala privada no segundo andar.
Da janela, podia-se ver o movimento da pequena rua gastronômica.
Ao observar os rostos jovens na rua, Lívia suspirou: “Como é bom ser jovem.”
O tempo voara; já se passavam sete anos desde que deixaram a faculdade.
Pedro largou os hashis e olhou fixamente para Lívia: “Mas nós também estamos muito bem agora.”
Lívia desviou o olhar, confusa: “Como assim?”
Pedro curvou os lábios levemente e respondeu devagar: “Porque esta é a idade perfeita para nos casarmos, Sra. Pedro.”
Capítulo 28: O atropelamento
Lívia paralisou, seu coração disparado: “O que você disse?”
Pedro fechou a mão em punho, estendeu-a para ela e começou uma contagem regressiva:
“Três, dois, um!”
Ao abrir a mão, um colar com um anel de diamante apareceu diante de Lívia.
O diamante azul brilhava intensamente sob a luz morna, e na banda do anel estavam gravadas delicadas rosas.
“Dizem que o diamante azul é raro, então o uso para presentear minha amada inigualável.”
A voz magnética de Pedro carregava uma ternura infinita, fazendo com que Lívia se rendesse completamente.
Lívia estava engasgada, com os olhos lacrimejando: “Eu…”
Pedro limpou suavemente as lágrimas dela com o polegar: “Sua boba, você não fica bonita quando chora.”
A frase fez Lívia rir: “Como você é mandão! Nem me deixa chorar de emoção?”
“Está bem, está bem, você tem razão.” Pedro rendeu-se.
Sempre que Lívia baixava um pouco a guarda, ele se rendia sem condições.
“Lívia! Lívia! Lívia! Por que ela? Uma bastarda sem pai, que direito ela tem de disputar Pedro comigo?”
Em um canto discreto, Sofia assistia às costas de Pedro e Lívia se afastarem, cerrando os dentes e com o rosto distorcido.
Ao lembrar de tudo o que vira nos dias em que a seguia, a flor do mal em seu coração desabrochou em silêncio.
“Lívia, eu farei você provar o que é perder a pessoa mais importante da sua vida.”
Sofia sorria de forma sinistra, com veneno nos olhos.
Na quarta-feira à tarde, Lívia estava em sua reabilitação quando seu telefone vibrou. Era uma chamada do hospital.
Estranho, um acompanhamento? Lívia atendeu com dúvida.
Após a ligação, ela ficou pálida e tremeu, quase caindo.
Pedro a amparou: “Lívia? O que houve?”
Lívia olhou para Pedro, urgente: “Pedro, o hospital diz que minha mãe está na emergência, corre risco de vida, preciso ir agora!”
Pedro não perdeu tempo; levou-a até o estacionamento e dirigiu ao hospital.
Hospital Municipal.
Ao chegarem, encontraram uma enfermeira prestes a entrar na emergência. Lívia a interceptou:
“Como está minha mãe?”
Antes que a enfermeira respondesse, a porta se abriu e um médico coberto de sangue saiu com um papel.
“Quem é o familiar de Wen Lan?”
Lívia correu até ele: “Sou eu, sou a filha dela.”
“Sua mãe está em estado crítico. A decisão sobre o tratamento depende dos familiares.” O médico entregou o papel.
Lívia viu o título: “Notificação de Risco de Morte”.
“Doutor, qualquer custo, qualquer método, por favor, salve minha mãe!”
O médico respondeu solenemente: “Faremos o possível.”
Pedro confortou Lívia: “A tia vai ficar bem, ela tem sorte.”
Lívia não respondeu, apenas juntou as mãos, orando.
Meia hora depois.
“Senhorita, pode entrar. Sua mãe quer falar com você.”
Lívia entrou correndo e viu a mãe na cama, sem cor, com uma máscara de oxigênio.
Ela segurou a mão da mãe, que estava fria, sem vida.
“Lívia, durante todos esses anos não te dei uma vida material boa, tudo dependeu do seu esforço. Você me culpa?” A mãe abriu os olhos com esforço, cheia de culpa.
“Claro que não, mãe. Você se esforçou tanto para me criar…”
“Eu sei que você vive cansada e não queria largar meu emprego para não ser um fardo. Tinha medo que você ficasse sozinha no futuro, por isso insisti tanto no casamento.”
Lívia chorava compulsivamente.
“Não diga mais nada, mãe, você vai ficar bem.”
O rosto pálido da mãe de repente corou, e ela colocou a outra mão sobre a de Lívia.
“Que mãe não deseja a felicidade da filha? Pena que eu não verei esse dia. Cuide bem de si mesma.”
Dito isso, o monitor cardíaco emitiu um longo “piiiii”.
Capítulo 29: O culpado
“Mãe —”
Lívia gritava de forma dilacerante, mas apenas as máquinas respondiam.
Pedro correu para dentro ao ouvir o choro e encontrou Lívia prostrada ao lado da cama.
“Lívia, não há como trazer os mortos de volta. Seja forte. A tia ficaria triste se te visse assim.” Pedro a abraçou com força.
Lívia, encontrando apoio, agarrou as roupas de Pedro e chorou desabafadamente.
Depois de um tempo, o médico explicou:
“Sua mãe sofreu uma ruptura de órgãos internos devido a um acidente de trânsito. Usamos todo o estoque de sangue possível, mas não resistiu.”
Lívia ergueu o rosto, com a voz rouca: “E o motorista? Onde está?”
“O motorista fugiu. Se tivesse sido encontrada cinco minutos antes…”
Lívia sabia o significado. Se não tivesse fugido, ela não teria morrido.
“A culpa é minha…” Lívia soluçava, agarrando o lençol branco. Ela não conseguia acreditar que a mãe que preparara seu café da manhã estava ali.