Sob o céu estrelado, Pedro olhou diretamente para Lívia com olhos profundos e magnéticos.
“Por isso, Lívia, você também precisa ser forte. Eu quero ouvir, com meus próprios ouvidos, que você também me ama.”
Capítulo 22: Apagão
Lívia paralisou e assentiu.
O que ela não esperava era que, na manhã seguinte, Pedro a levasse para trabalhar no escritório com ele!
Lívia jurou a si mesma que, se soubesse, nunca teria aceitado aquele convite. Mas era óbvio que Pedro já tinha tudo planejado.
“Estes são os livros de leitura infantil com melhor aceitação no mercado. Pratique aqui; quando eu terminar o trabalho, ficarei com você.”
Lívia olhou para a pilha de livros, franziu a testa e digitou rapidamente no celular:
“Vou atrapalhar o seu trabalho. É melhor eu ir para casa praticar.”
Pedro leu a mensagem, sorriu de forma sedutora e olhou para ela:
“Se não quer sentar no sofá para praticar, pode sentar no meu colo. Assim posso supervisioná-la melhor.”
Lívia balançou a cabeça rapidamente e pegou um livro para começar a ler.
Pedro ficou satisfeito e voltou para sua mesa para lidar com os documentos.
Lendo as sílabas, Lívia sentiu vontade de chorar, mas, respirando fundo, começou a exercitar sua voz.
Assim, no escritório espaçoso, ouvia-se apenas o som das assinaturas de Pedro e a voz rouca de Lívia a praticar.
No horário de almoço, Pedro pediu que trouxessem a mesa de jantar para dentro do escritório, e Lívia viu apenas diversos pratos cozidos.
“Isso faz bem para a sua garganta, coma bastante.”
Lívia franziu a testa, sem tocar nos talheres. Naquele momento, ela sentiu uma falta imensa dos tempos de faculdade, quando comia hot pot com Pedro.
Vendo sua relutância, Pedro ameaçou: “Se não comer, vou ter que alimentá-la eu mesmo.”
Ao ouvir isso, Lívia pegou a colher e começou a beber a sopa, embora não sentisse gosto de nada.
Após o almoço, ela voltou ao sofá para praticar, mas, exausta, acabou adormecendo.
Pedro olhou para o rosto sereno da jovem e sentiu que tudo ao seu redor se tornava belo.
Cobriu-a com o casaco, ajustou a temperatura do ar-condicionado e, ao voltar para sua mesa, enviou uma mensagem ao secretário:
“Notifique a todos: ninguém tem permissão para entrar na minha sala hoje.”
Ele respirou fundo e mergulhou no trabalho.
Lívia foi despertada pelo alarme e, ao abrir os olhos, percebeu que já estava escuro — dez da noite.
Vendo as inúmeras chamadas perdidas de sua mãe, sentiu um pânico infantil, como se tivesse feito algo errado.
Pedro aproximou-se com o casaco: “Acordou? Vamos, vou levar você para casa.”
Eles saíram do escritório. Todo o prédio estava apagado.
No escuro, Lívia instintivamente segurou o braço de Pedro.
No instante do contato físico, ambos pararam. A cena era um espelho do apagão que enfrentaram na faculdade, anos atrás.
Naquela época, eles ficaram presos no prédio escolar porque a fechadura eletrônica não funcionava.
“Liguei para o professor, mas a energia não deve voltar tão cedo”, disse Pedro com voz neutra.
Lívia assentiu: “Tudo bem. Pelo menos não estou sozinha, não é tão assustador.”
“Você conhece a história sobre este prédio?” Pedro perguntou subitamente.
O coração de Lívia gelou.
“Não diga nada, não quero ouvir!” ela recusou.
Mas Pedro continuou: “Dizem que uma veterana…”
Antes que terminasse, a luz acendeu.
Lívia gritou de susto, abraçando o pescoço de Pedro e tremendo. A distância entre eles tornou-se zero, e Pedro esboçou um sorriso.
Ao perceber sua atitude, Lívia soltou-o, mas Pedro agarrou-a pela cintura, puxando-a para seus braços.
Capítulo 23: Despedir-se bem
Lívia estacou, com o coração disparado.
A voz magnética de Pedro soou ao seu ouvido: “Lívia, não me solte. Tenho medo de não conseguir mais te encontrar.”
Naquele momento, o vazio no coração de Lívia foi preenchido por um calor reconfortante.
Forçando a garganta, ela pronunciou lentamente uma palavra: “Tudo bem.”
Pedro congelou, incapaz de acreditar: “Você falou agora há pouco?”
Lívia limpou a garganta rouca e disse: “Sim.”
Embora fosse apenas uma palavra, Pedro ficou em êxtase e girou Lívia nos braços. Ao ver o sorriso dele, Lívia também riu, com os olhos marejados.
No dia seguinte, ao acordar, Lívia praticou diante do espelho. Embora ainda rouca, já conseguia se comunicar.
Quando abriu a porta para dar a notícia à mãe, encontrou uma cena bizarra na sala.
“Não precisa ajudar, sente-se, a Lívia já vai acordar”, dizia a mãe, segurando o esfregão.
Pedro, por outro lado, empunhava uma vassoura: “Tia, eu limpo muito bem, não se preocupe.”
A mãe suspirou: “Rapaz, eu sei sobre vocês dois, mas se terminaram, cada um deve seguir sua vida.”
Pedro explicou apressado: “Não terminamos, tia. Foi erro meu, e estou aqui para compensar.”
O interfone tocou. Pedro correu para atender, mas, ao abrir a porta, deu de cara com Cloud.
Pedro tentou fechar a porta, mas Cloud gritou: “Tia Shi! Você está aí? Vim te visitar!”
A mãe de Lívia veio logo atrás: “É o pequeno Cloud! Entre!”
Pedro ficou parado na porta, com o rosto sombrio.
Na sala, Lívia viu o contraste entre a recepção calorosa que a mãe dava a Cloud e a hostilidade que Pedro enfrentava.
Quando ia até Pedro, Cloud entrou em sua frente, olhando-a intensamente: “Lívia, por que não me cumprimentou primeiro?”
Lívia deu um sorriso educado, acenou e passou direto por ele até Pedro: “Pedro.”
Pedro esqueceu sua irritação, com os olhos brilhando: “Como você me chamou? Pode repetir?”
Lívia repetiu o nome várias vezes, e Pedro abraçou-a apertado.
Cloud, ao lado, sentiu uma dor aguda, mas a escondeu rapidamente.
“Tia, deixe-me ajudar,” disse Cloud, saindo da sala.
Como Pedro e Cloud continuavam a disputar as tarefas da casa, a mãe de Lívia enviou os dois para capinar a horta no quintal.
Sozinhas, a mãe segurou a mão de Lívia: “Quem de vocês dois você prefere? A mamãe pode te ajudar a decidir.”
Lívia corou e baixou o olhar, calada.
Mas, em seu coração, o nome já estava decidido. Ela amava Pedro; sempre amou.
A mãe de Lívia, assumindo que a filha concordava com sua preferência, sorriu, aliviada por imaginar que sua filha se casaria com Cloud.
“Deixe isso comigo, o que você quer é o que eu desejo.”
Lívia ficou atônita, mas não disse nada.
Capítulo 24: A Linha Limítrofe
Horta.
Assim que chegaram à horta, Cloud pegou um pedaço de madeira e traçou uma linha no meio do terreno.
Pedro franziu a testa, sem entender: “O que significa isso?”
Cloud jogou fora o pedaço de pau e apontou para a linha: “Esta é a nossa linha divisória. Que tal se cada um cuidar do seu lado e não interferirmos na vida um do outro?”
Pedro estava prestes a aceitar, mas ao lembrar da expressão vitoriosa de Cloud ao entrar na casa, mudou de ideia.
Sem hesitar, ele passou por cima da linha e a apagou com o pé.
Ao ver que não restavam mais vestígios do risco, Pedro sentiu-se um pouco melhor. Pegou a foice e começou a capinar, concentrado.
Cloud, roído de inveja, pegou uma pequena pá e começou a cavar, jogando terra propositalmente nas roupas de Pedro.
Ele sabia que Pedro tinha um TOC severo com limpeza.
Dito e feito, pouco tempo depois, a voz gélida de Pedro soou às suas costas:
“Cloud, não abuse da minha paciência.”
Cloud fez um bico, desdenhoso: “Já não aguenta? Você é tão esquentado. Tenho medo que a Lívia sofra violência doméstica se se casar com você.”
Pedro jogou a foice no chão, levantou-se e caminhou até Cloud, olhando-o de cima.
“Cloud, não importa o que você pretenda fazer, só lhe direi uma coisa: Lívia não é alguém que você possa cobiçar.”
Cloud riu friamente e levantou-se para encarar Pedro: “De novo essa frase? Minha resposta continua sendo a mesma: vou esperar vocês terminarem.”
No instante em que seus olhares se cruzaram, faíscas invisíveis surgiram e duas correntes de ar incompatíveis colidiram.
Nesse momento, a voz de Lívia interrompeu o impasse.
“Vocês dois pretendem começar uma briga aqui?”
Pedro e Cloud viraram-se imediatamente, voltando cada um para o seu posto e mergulhando no trabalho.
Lívia ficou no meio, agindo como “supervisora”.
Cloud capinava enquanto resmungava: “Isso é uma desumanidade! Fazem a gente de escravo e nem sequer dão um gole de água.”
“Ei, você não está capinando nem há dois minutos! Não foi isso que você prometeu à minha mãe agora há pouco?” Lívia observou Cloud, achando graça.
Pedro, logo atrás, deu o golpe de misericórdia com sua voz fria: “Se não quer trabalhar, não procure desculpas.”
Cloud calou-se imediatamente e começou a arrancar o mato com força, contendo o fôlego.
O que normalmente levaria um dia inteiro para ser capinado, foi terminado às quatro da tarde.
No caminho de volta, Pedro e Cloud ainda trocavam olhares de desprezo.
Lívia, presa no meio, sentia-se deslocada. Ela limpou a garganta, tentando aliviar o clima constrangedor:
“Afinal, vocês não têm uma inimizade tão profunda, não há necessidade de deixar o clima tão pesado.”
Cloud bufou: “Quem ousaria ter alguma rixa com o Sr. Pedro? Provavelmente ele viria me bater no meio da noite.”