No dia seguinte, ela se recusou a falar com ele.
“Livi, eu realmente refleti profundamente, por favor, me perdoe.” Pedro segurou sua mão, abandonando sua habitual arrogância.
Lívia não cedeu, puxou a mão e desviou o olhar: “Não precisa me dizer isso, não quero ouvir.”
Pedro ficou ansioso, seu rosto exibindo uma melancolia profunda: “Mas eu realmente não sei como agradar mulheres.”
Como ambos eram o primeiro amor um do outro, eram inexperientes em pedir desculpas.
A virada aconteceu numa noite após o estudo noturno.
Lívia e sua colega de quarto caminhavam com livros nos braços quando um pequeno urso Winnie the Pooh bloqueou seu caminho.
Confusa, ela recebeu do urso as rosas azuis.
Desconfiada de que fosse uma brincadeira, Lívia tentou devolver as flores.
O urso retirou a máscara, revelando Pedro. Como era verão, ele estava suado, mas isso só realçava sua beleza e lhe dava um ar juvenil.
“Pedro? Como é você?” Lívia estava chocada; Pedro era sempre visto como alguém distante e superior.
Pedro aproximou-se como uma criança arrependida, chamando-a suavemente: “Livi…”
Ao ver a expressão dele, a raiva de Lívia evaporou, e ela abraçou as rosas.
“Já está tarde, volte para descansar.”
Ela saiu com sua colega, mas, desta vez, um sorriso de felicidade iluminava seu rosto.
Desde então, sempre que Pedro a deixava brava, ele comprava rosas azuis.
Com o tempo, isso se tornou o compromisso de desculpas entre eles.
Sempre que Pedro dava o primeiro passo, Lívia sempre correspondia.
Refletindo o ditado: quem não desiste, sempre obtém uma resposta.
Capítulo 20: Sobre o amor secreto
“Livi, perdoe o Pedro, se ele continuar repetindo isso, minhas orelhas vão criar calos.”
A voz de Fernanda trouxe Lívia de volta à realidade, e ela aceitou as rosas de Pedro.
Embora seu rosto estivesse inexpressivo, seu coração começou a se abrir.
Para ela, nenhum ressentimento superava as palavras de Pedro:
“Lívia, eu voltei.”
À noite.
A mãe de Lívia insistiu para que Fernanda e Pedro jantassem ali.
Sentaram-se ao redor da mesa quadrada, cada um em um lado.
A mãe de Lívia, emocionada, sentiu os olhos marejarem: “Desde que o pai de Lívia partiu, este é o momento mais alegre que tivemos. Comam, crianças.”
Lívia, ao ver a emoção da mãe, sentiu um aperto no peito.
Desde que começou a trabalhar, ela jantava em casa com menos frequência.
“Tia, se não se importar, virei aqui jantar todo dia,” disse Fernanda com alegria.
A mãe de Lívia sorriu: “Sempre que quiser, seja bem-vinda.”
A conversa fluía entre Fernanda e a mãe, deixando Pedro, com seu título de "ex-namorado", numa posição desconfortavelmente solitária.
Ele não trocou uma única palavra com a mãe de Lívia durante toda a refeição.
Após o jantar, Lívia saiu para se despedir.
Já no carro, Pedro baixou o vidro e disse suavemente: “Já entrei em contato com o hospital. Amanhã te acompanharei na terapia de reabilitação.”
Lívia soube que ele se referia à sua afasia e assentiu com um sorriso.
Pedro subiu o vidro e partiu.
Após saírem da casa da família, Fernanda começou a zombar de Pedro: “Quem diria, um dia você também seria ignorado.”
Pedro dirigia sem expressão, como se não estivesse ouvindo.
Fernanda revirou os olhos: “Ingrato! Eu te ajudei a afastar o Cloud (Cloud/Lucas) enquanto você estava fora.”
Ao ouvir o nome de Cloud (o antigo rival), Pedro mudou o semblante: “O que ele fez?”
“Você não disse que não se importava?” retrucou Fernanda.
Pedro tossiu e disse seriamente: “Só me importo com o que diz respeito à Lívia.”
Fernanda assentiu: “Nada sério, só ouvi dizer que ele planeja pedir Lívia em casamento.”
Pedro freou bruscamente, o olhar ficando sombrio: “Isso é um detalhe?”
Fernanda massageou a testa atingida, soltando um suspiro de dor: “Ei, não precisa me matar! Eu venho te ajudando desde sempre.”
O olhar de Pedro ficou gelado ao pensar em Cloud.
Desde o primeiro ano, ele sabia que não deveria subestimar o rival.
Na universidade, Lívia era sempre a primeira em notas, e ele o segundo. Cloud era o último.
Pedro nunca pensou que teria contato com ele, mas o destino prega peças.
Numa tarde na biblioteca, Lívia pediu a Pedro que buscasse um livro. Ao caminhar entre as estantes, ele esbarrou na mesa de Cloud e derrubou uma folha.
Ao pegar, viu que era um desenho de Lívia.
Percebendo as intenções dele, Pedro disse: “Ela não é alguém que você possa cobiçar.”
Essa foi a primeira frase que trocou com ele.
Cloud deu de ombros e sorriu: “Sei que vocês namoram, mas isso não me impede de gostar dela.”
Pedro bloqueou sua visão: “É interessante cobiçar a namorada dos outros?”
“É sim. Vou esperar. No dia em que terminarem, vou convidar todos para doces de casamento.” Cloud ria sem pudor.
Desde então, toda vez que Pedro saía com Lívia, Cloud aparecia.
Mas, por mais que aparecesse, Pedro nunca permitiu que Lívia sentisse sua presença.
Já que o outro não recuava, ele também não recuaria.
Durante os quatro anos de faculdade, mantiveram esse estado bizarro de relação.
Capítulo 21: Um aniversário especial
Na manhã seguinte, após tomar o café da manhã, Lívia entrou no carro de Pedro rumo ao hospital.
Ao chegarem, o médico realizou um exame completo em Lívia e, após a análise dos resultados, constatou que as cordas vocais estavam intactas.
“Isso tem cura?” Pedro sentiu uma tensão inexplicável, embora seu rosto permanecesse impassível.
O médico ponderou por um momento com o relatório em mãos e suspirou: “O caso da Srta. Lívia é decorrente de pressão psicológica; só pode ser superado com treino lento e contínuo.”
Pedro franziu levemente a testa, com uma expressão descontente.
Lívia, parada ao lado, não se sentiu tão abatida; ela já ouvira essas palavras inúmeras vezes e o fato já a deixava entorpecida.
Ambos saíram do hospital pensativos. Assim que entraram no carro, o telefone de Pedro tocou.
Ele atendeu e perguntou com voz indiferente: “O que foi?”
…
Cerca de dois minutos depois, ele desligou e virou-se para Lívia: “Lívia, vou levá-la para conhecer um amigo.”
Lívia assentiu gentilmente; embora não soubesse quem encontraria, sentia-se feliz.
O carro parou no restaurante Milai, conhecido como o “Jardim Suspenso de Yangcheng” por sua bela ambientação.
Quem frequentava aquele lugar era extremamente rico ou influente, e o restaurante de três andares recebia apenas um cliente por andar.
Guiados pelo garçom, subiram pelo elevador privado até o terceiro andar.
Assim que a porta abriu, Xu Chen correu na direção deles: “Pedro, finalmente você chegou! Se demorasse mais, eu ia embora.”
Pedro respondeu calmamente com apenas duas palavras: “Trânsito congestionado.”
Xu Chen não se importou e olhou com curiosidade para Lívia, que estava atrás de Pedro, não conseguindo esconder uma pontada de admiração.
“Nada mal, Pedro. Você sabe esconder bem as coisas.”
Pedro lançou um olhar gélido, bloqueando sutilmente a visão de Xu Chen, que, sendo astuto, parou de comentar.
Durante a refeição, Pedro apresentou Xu Chen a Lívia: “A família dele é amiga da minha há gerações. Você deve ter ouvido falar da família Xu.”
Lívia parou de cortar o bife e olhou para Xu Chen.
A família Xu era a maior linhagem de médicos de Yangcheng, acumuladora de dois prêmios Nobel na medicina. E seu herdeiro era conhecido no mundo como um gênio da medicina, uma raridade centenária.
Entretanto, as notícias sobre o herdeiro na internet eram escassas, sob o pretexto de que ele sofria de ansiedade social e não participava de eventos públicos.
Vendo Xu Chen cortar a carne com tamanha descontração, Lívia teve dificuldade em associar o rapaz diante de si ao prodígio reservado das notícias.
Perdida em pensamentos, ela foi surpreendida por Xu Chen, que levantou a cabeça e sorriu de forma brincalhona:
“Cunhada, você também acha que sou mais bonito do que o Pedro?”
Lívia desviou o olhar rapidamente, buscando ajuda com Pedro.
Pedro entendeu o gesto e olhou para Xu Chen: “Não assuste sua cunhada; ela é tímida. Ainda tenho um assunto sério para você resolver.”
A expressão de Xu Chen desmoronou, transformando-se em uma careta: “Comendo comida de casal e ainda tenho que trabalhar? Um capitalista ouviria isso e choraria.”
Pedro respondeu friamente: “Eu sou o capitalista.”
Primeiro round: Xu Chen, derrota total!
Após o jantar, Xu Chen partiu sozinho no carro, deixando Pedro e Lívia caminharem pela margem do rio.
Vendo Lívia inquieta, Pedro perguntou: “Você está curiosa sobre o porquê de Xu Chen ser tão diferente do que dizem lá fora, não está?”
Lívia assentiu; ela realmente notara algo estranho: Xu Chen tomara um comprimido branco antes e depois da refeição.
Pedro parou de caminhar e suspirou, contando a história de Xu Chen.
“Quando Xu Chen nasceu, seu avô previu que ele não viveria até os vinte anos devido a um defeito genético congênito que poderia tirar sua vida a qualquer momento.”
Lívia paralisou, tomada pela tristeza; ser sentenciado à morte ao nascer era uma crueldade inimaginável.
Pedro continuou: “Por isso ele sempre tentou provar seu valor para a família, e hoje é, precisamente, seu vigésimo aniversário.”