Um bando de guarda-costas em ternos padronizados entrou e cercou Yuan Ming.
Diante daquela ostentação, Yuan Ming não se abalou; fechou a tampa da caneta e, diante da mãe de Pedro, rasgou o contrato de transferência em pedaços.
A mãe de Pedro arregalou os olhos de fúria e gritou: “Velho, vejo que você se cansou de viver!”
Em seguida, ela deu um sinal aos guarda-costas.
Três brutamontes avançaram sobre Yuan Ming, mas, no momento em que sacaram as facas, a porta da sala de reuniões foi escancarada.
A mãe de Pedro estava prestes a xingar quem quer que fosse o intruso, mas, ao levantar a cabeça, viu que era Pedro!
Pedro lançou um olhar frio aos guarda-costas que cercavam Yuan Ming: “Vocês se cansaram de viver?”
Os guarda-costas paralisaram, tremendo diante do frio nos olhos de Pedro; guardaram as facas sem hesitar e recuaram para o lado.
No instante em que Pedro apareceu, a pressão na sala de reuniões caiu para um nível congelante.
A mãe de Pedro estabilizou-se antes de encontrar o olhar de Pedro: “Não me importa se você é um fantasma ou um humano agora, aqui não é lugar para você falar.”
O belo rosto de Pedro carregava uma camada de geada, e um sorriso irônico curvou seus lábios.
“Você é realmente a madrasta mais descarada que já vi.”
O rosto da mãe de Pedro endureceu, e ela olhou para ele com um sorriso forçado: “Diga o que quiser, mas agora, por favor, desapareça.”
Dito isso, ela levantou a mão para os guarda-costas.
Pedro não se deu ao trabalho de responder; jogou o comprovante de ações na mesa, com um olhar gélido.
“Até onde eu sei, todos os diretores aqui presentes juntaram-se ao grupo acompanhando meu pai, e o tio Yuan é um veterano que esteve ao lado do meu avô.”
Após a fala, apenas Yuan Ming manteve a postura ereta; embora tivesse mais de cinquenta anos, nada escondia a sabedoria em seus olhos.
Os outros três diretores abaixaram a cabeça em silêncio.
Pedro percorreu com o olhar os diretores que mantinham a cabeça baixa: “O Grupo Pedro cresceu graças ao esforço de todos. Não estou forçando ninguém a ficar, mas espero que cada um saiba o que faz.”
Os diretores que transferiram as ações pegaram seus documentos, levantaram-se em silêncio e saíram da sala.
A mãe de Pedro olhou furiosa para ele: “Não pense que esses 20% das ações que você tem podem me enfrentar.”
Dito isso, ela pegou sua bolsa, pronta para sair.
Quando ela chegou à porta, Pedro riu levemente, com uma voz desprovida de emoção.
“Você realmente acha que eu não preparei nada durante todos esses anos?”
Capítulo 18: O tapa
A mãe de Pedro ficou com o rosto sombrio e, virando a cabeça, estreitou os olhos.
“O que você quer dizer com isso?”
Pedro ignorou a pergunta, puxou a cadeira principal e sentou-se.
A mãe de Pedro soltou um bufo frio e virou o rosto, visivelmente furiosa.
Após sua saída, Yuan Ming levantou-se e aproximou-se de Pedro, retirando do peito um pingente de jade trabalhado.
Ao ver o padrão esculpido na peça, Pedro sentiu um leve sobressalto; ele só tinha visto aquele pingente nas mãos de seu avô quando era jovem.
Seu pai frequentemente perdia a paciência com o avô para tentar obter a peça, mas, após a morte do velho, ninguém conseguira encontrá-la.
“Tio Yuan… este pingente é aquele que pertencia ao meu avô?” Pedro hesitou.
Yuan Ming assentiu e explicou: “Você acertou, este pingente foi entregue a mim pelo próprio velho senhor.”
Pedro escureceu o olhar, permanecendo em silêncio.
Não era de se espantar que seu pai nunca o tivesse encontrado, não importava o quanto procurasse.
“Este pingente representa os 20% das ações ocultas do Grupo Pedro. O velho senhor já previa que este dia chegaria, por isso ordenou que eu lhe entregasse no momento crucial.”
Pedro franziu os lábios, seus traços profundos carregando um ar de reflexão: “Posso fazer uma pergunta ao Tio Yuan?”
Yuan Ming assentiu: “Claro.”
“Se eu tivesse realmente morrido desta vez, o que você faria com este pingente e as ações que tem em mãos?”
Pedro não se esquivou e foi direto ao ponto.
O tio Yuan olhou diretamente para Pedro, com expressão firme: “Se esse dia tivesse chegado, eu não me aliaria a ninguém; levaria essas coisas direto para o caixão para entregá-las ao velho senhor.”
A retidão de Yuan Ming era algo que Pedro já notara há muito tempo; ele era fiel apenas ao avô e à família Pedro.
Após tratar dos assuntos dos acionistas, Pedro ligou para Xu Chen.
Assim que a ligação foi atendida, ouviu-se o lamento de Xu Chen.
“Pedro, melhor você vir resolver isso pessoalmente. Eu estava brincando com a sua esposa, dizendo que era você, e ela me expulsou com uma vassoura.”
Pedro massageou as têmporas, sem palavras.
Ele finalmente entendeu o que é ter um companheiro que ama flertar com o perigo.
“Volte logo.”
Dito isso, Pedro desligou, pegou o casaco e saiu da empresa.
No caminho, sua aparição surpreendeu muitos funcionários.
Pedro ignorou todos os olhares, foi até a garagem privada, pegou o carro e dirigiu em direção à casa da família de Lívia.
No meio do trajeto, parou em uma floricultura. Ao entrar, perguntou à proprietária: “Tem rosas azuis?”
A dona da floricultura era uma mulher fascinante, com dedos longos e um olhar que parecia enxergar através das almas.
“Para quem é? Um grande amor?”
Pedro não respondeu.
A dona, sem insistir para não ser inoportuna, foi até os fundos e trouxe nove rosas azuis.
Nove rosas azuis representam: “Meu amor por você dura uma vida inteira e não mudará com o passar do tempo.”
Após a compra, Pedro retornou ao carro e seguiu viagem.
Casa da família de Lívia.
Lívia andava de um lado para o outro no quarto, tentando conter as batidas aceleradas de seu coração.
Fernanda, sentada ao lado, rendeu-se: “Livi, pare de andar de um lado para o outro, você está me deixando tonta.”
Lívia deu um sorriso desculpando-se e sentou-se ao lado da amiga, segurando sua mão.
Justo quando Fernanda ia brincar com ela, a campainha tocou.
Lívia levantou-se, radiante, e correu para abrir a porta. Quando pensou que quem estava do outro lado era Pedro…
Ao levantar a cabeça, surpreendeu-se ao ver Sofia.
Em um instante, o sangue de Lívia gelou e ela tentou fechar a porta.
Mas Sofia segurou a maçaneta antes: “Sua muda maldita, ainda tem a coragem de fechar a porta na minha cara!”
Dito isso, Sofia levantou a mão e desferiu um tapa no rosto de Lívia.
“Pá!” O som estalou e o rosto de Lívia inchou instantaneamente.
“Sua muda, quer brigar comigo? Você é tão nojenta quanto sua mãe mendiga!” Sofia bufou com desdém.
Ao ouvir as risadas de Sofia, uma força subitamente despertou no peito de Lívia, levando-a a levantar a mão e desferir um tapa com toda a sua força no rosto de Sofia.
“Pá!”
O som do tapa foi claro; o rosto de Sofia virou para o lado, e um pouco de sangue escorreu do canto de sua boca.
“Sua louca!” Sofia virou a cabeça, furiosa, e levantou a mão para repetir o gesto.
Mas Lívia segurou seu braço primeiro, encarando-a com olhos frios.
Nesse momento, pelo canto do olho, ela viu um Bentley preto se aproximar.
Através do vidro, vislumbrou o rosto de Pedro e, por um instante, Lívia sentiu como se o gelo em seu coração estivesse derretendo.
Assim que viu Pedro sair do carro, Lívia soltou o braço de Sofia, com os olhos lacrimejando, parecendo extremamente injustiçada.
Sofia sacudiu a mão dolorida, prestes a xingar, quando a voz furiosa de Pedro ecoou atrás dela:
“O que você pensa que está fazendo?”
Capítulo 19: Flores como compromisso
Sofia congelou, com a mão suspensa no ar.
Lívia, com os olhos vermelhos, olhava para Pedro com um ar patético, incapaz de conter a mágoa.
Ela apenas queria parecer fragilizada, mas toda a repressão que sentia veio à tona no momento em que ele apareceu.
Pedro, ao ver Lívia chorando incessantemente, sentiu o coração suavizar; puxou-a para seus braços e a confortou suavemente.
“Está tudo bem agora. Eu voltei.”
Sentindo o perfume de Pedro, Lívia teve a certeza de que ele estava mesmo de volta.
O Pedro que ela amava tinha retornado.
Sofia, cheia de ódio, pegou sua bolsa e saiu dirigindo desajeitadamente.
Quando Lívia parou de chorar, seu semblante estava muito mais calmo; ela afastou Pedro e entrou em casa.
Pedro ficou ali, desamparado no vento.
“Livi, lembro-me de você ter dito que, não importa o quão brava estivesse, se eu lhe desse rosas azuis, você me perdoaria.”
Pedro colocou o buquê de rosas azuis diante dela.
“Agora, esse compromisso ainda é válido?”
Lívia parou, seu olhar pousando nas rosas.
O compromisso com as rosas azuis começara no primeiro ano da faculdade, quando Pedro quebrara uma promessa e a deixara esperando à toa na quadra de basquete por uma tarde inteira.