Após essas palavras, as expressões dos quatro diretores mudaram, cada um fazendo seus próprios cálculos.
Após a reunião, a mãe de Pedro foi direto à sala da presidência.
Sofia, sentada no sofá, levantou-se rapidamente e entrelaçou seu braço no da sogra.
“Tia, conseguiu resolver?”
A mãe de Pedro curvou os lábios, vitoriosa, entregando três contratos de transferência de ações: “Vá falar com seu pai para transferir o dinheiro para esses três velhos, assim param de me causar problemas.”
Sofia folheou os documentos e seus olhos brilharam: “Tia, você é incrível. Foi uma jogada sábia se casar com a família Pedro lá atrás.”
A mulher bufou: “Pedro Zheng era um tolo, mas não esperava que o filho fosse tão inteligente, quase arruinou meus planos.”
Dito isso, seus olhos ainda carregavam um pouco de ódio.
“Por mais inteligente que ele fosse, não acabou morto após o acidente que você planejou? Então, não se irrite mais, tia.”
Sofia massageava os ombros da sogra com gestos de bajulação.
Ouvindo aquilo, o sorriso da mãe de Pedro tornou-se ainda mais largo: “Você tem uma língua doce, sempre sabe como me agradar.”
Sofia balançou a cabeça repetidamente: “É claro que é porque a senhora é inteligente que colocou o grupo sob seu controle. Vou para casa agora contar a boa notícia ao meu pai.”
“Você é muito impulsiva, tenha cuidado ao dirigir, o clima está tenso ultimamente.”
Sofia sorriu docemente: “Eu sei, tia. Cuide bem da saúde.”
Dito isso, pegou sua bolsa e saiu da sala.
No instante em que atravessou a porta, porém, o sorriso de Sofia desapareceu completamente.
Após o acidente, Lívia frequentava constantemente a biblioteca da Universidade Jinghua.
Às vezes, passava o dia inteiro ali.
Aquele era o lugar com a maioria de suas memórias, o lugar ao qual ela desejava voltar em seus sonhos.
Além da universidade, o segundo lugar que ela mais amava era o café “Lembranças”.
Toda semana, Lívia enviava uma mensagem para Fernanda para se encontrarem ali.
Mas, na maior parte do tempo, ela gostava de ficar olhando para fora da janela, e, após muito tempo, seus olhos ficavam inexplicavelmente vermelhos.
“Livi, você sempre gosta de ficar olhando para o vazio. Não sei o que há lá fora que vale tanto a pena olhar.”
Fernanda resmungou, confusa.
Ao ouvir isso, Lívia virou a cabeça e deu um sorriso suave para a amiga.
Até agora, ela ainda não conseguia dizer uma única palavra.
Dizem os livros que as pessoas só desenvolvem afasia quando passam por uma grande alegria ou uma grande tragédia.
Doenças da alma precisam de remédios da alma; talvez, nesta vida, ela nunca encontrasse o seu.
Justo quando Lívia estava absorta em pensamentos, Fernanda mordeu o lábio e disse: “Na verdade, Pedro talvez te amasse mais do que você imagina.”
Lívia paralisou, olhando para Fernanda com perplexidade; ela não entendia o que isso significava.
Após respirar fundo várias vezes, Fernanda continuou: “Naquela vez em que você ficou bêbada, Pedro já previa que esse dia chegaria, por isso me pediu para cuidar bem de você.”
Ela fez uma pausa, então olhou profundamente nos olhos de Lívia, falando palavra por palavra:
“Você pode me xingar por dizer isso, mas, durante esses sete anos, Pedro me procurava todos os dias para saber como estava a sua vida.”
Capítulo 14: Cada um para o seu lado
Lívia paralisou, em choque.
Sete anos. Ela pensava que entre eles tudo havia acabado de forma definitiva, mas nunca imaginou que ele continuaria a observá-la à sua própria maneira.
Fernanda, ao ver a expressão de surpresa de Lívia, sorriu levemente: “Você não consegue acreditar, certo? Mas esses sete anos foram reais.”
“Livi, durante esses sete anos, Pedro nunca deixou de se importar com você um único dia.”
Como alguém que amou de verdade conseguiria cortar os laços de vez?
Na verdade, tudo não passava de uma repressão à saudade, uma forma oculta de saber das alegrias e tristezas do outro.
“Admita, Livi, você também sempre amou Pedro. Vocês dois nunca foram capazes de esquecer um ao outro.”
As palavras de Fernanda derrubaram todas as defesas de Lívia.
O amor que ela mantinha guardado no lugar mais profundo do coração transformou-se em lágrimas naquele instante.
Uma voz dentro dela gritava incessantemente.
Admita, Lívia, você nunca o esqueceu. Admita que o único homem que você amou foi Pedro.
Lívia forçou-se a ignorar essas vozes, mas a saudade era um tormento; ela acabou não conseguindo escapar.
De todas as palavras no mundo, a palavra “amor” é a que mais dói.
Não sei quanto tempo ela chorou. Quando Lívia finalmente se acalmou, o crepúsculo já havia caído.
Ela olhou para Fernanda com um pedido de desculpas no olhar.
Fernanda acenou com a mão, sentindo a dor da amiga: “Não me olhe assim. Chorar faz bem. Você andava tão silenciosa e apática ultimamente, por isso contei tudo isso.”
Ela temia que, se não falasse, Lívia adoecesse de verdade.
Estar sob repressão por tanto tempo não ajudava em nada na recuperação da afasia.
Embora não pudesse falar, Lívia olhou para Fernanda com imensa gratidão. Ela frequentemente se sentia sortuda por ter uma amiga assim para puxá-la para cima quando chegava ao fundo do poço.
Se não era o antídoto, era pelo menos o analgésico.
Ao chegar em casa à noite, Lívia viu uma figura alta parada no pé do prédio.
A posição onde ele estava coincidia exatamente com a direção de seu quarto.
Uma onda de irritação subiu à cabeça. Lívia, sem dizer uma palavra, tirou uma foto às escondidas para usar como prova no dia seguinte, quando falaria com o porteiro.
Infelizmente, no momento em que pressionou o obturador, o flash disparou.
Ao ser notado, o vulto correu rapidamente para a escuridão.
Lívia não perseguiu a figura e entrou no prédio.
Após lavar-se, deitou-se na cama e abriu a galeria de fotos do celular, olhando para a imagem borrada.
A foto estava tão desfocada que não era possível distinguir os traços, apenas um vislumbre do perfil.
Ao ampliar a imagem, Lívia sentiu uma familiaridade inexplicável, mas não conseguia lembrar quem era.
Com essa dúvida, ela acabou caindo no sono.
Na calada da noite, duas figuras apareceram no pé do prédio.
“Pedro, isso é humilhante demais, não acha? Quer ver a esposa no meio da noite e ainda me arrasta junto?” Xu Chen bocejou, confuso.
Pedro observou o quarto de Lívia e só desviou o olhar depois de ver a luz dela ser apagada.
“Não é conveniente que eu apareça publicamente agora, e não quero que aquela gente a coloque na mira.”
Xu Chen interessou-se e curvou os lábios: “Isso é raro. Pedro, conhecido como o ‘homem de ouro’ nos negócios, agora preocupado com uma mulher?”
Pedro lançou um olhar indiferente para Xu Chen e virou as costas para partir.
Xu Chen o perseguiu.
“Pedro, me espere! No meio da noite, eu ainda tenho um pouco de medo!”
Xu Chen não temia o céu nem a terra, o que mais temia era a escuridão quando estava sozinho.
Ouvindo o lamento de Xu Chen atrás de si, Pedro permanecia inexpressivo, mas apressou o passo.
Capítulo 15: Rogando a Buda
Erguer a cabeça para olhar o céu estrelado e fazer um pedido. Será que você consegue ouvir o meu chamado?
Esta é uma frase que Lívia leu em um livro, e desde que Pedro faleceu, ela senta-se todas as noites diante da janela para observar as estrelas.
Se a saudade realmente tivesse som, Pedro provavelmente já estaria ensurdecido com o barulho.
Infelizmente, a saudade é silenciosa, e a única que restou para trás foi ela, sozinha.
Durante sete anos, o que ela mais temeu foram as madrugadas solitárias, pois elas a faziam recordar cada detalhe vivido com Pedro.
Após retirar uma antiga caixa de recordações do guarda-roupa, Lívia sentou-se diante da janela do chão ao teto, abraçando-a.
Ao abrir a caixa, lá dentro estavam flores de papel azul — dobradas pessoalmente por Pedro para ela.
Ela as guardava há oito anos e lembrava-se de como Pedro sempre agia com uma arrogância fingida ao lhe dar presentes.
“Eu só as dobrei por diversão, não foi especificamente para você”, dizia ele, enfatizando propositalmente a segunda parte da frase.
Lívia, confusa, aceitou a caixa: “O que tem aqui dentro?”
“Abra quando chegar em casa e saberá.” Pedro desviou o olhar, evitando fitá-la.
Lívia sorriu docemente, seus olhos curvando-se como uma meia-lua: “Tudo bem.”
Ao chegar ao dormitório e abrir a caixa, ela viu que metade do espaço estava ocupado por delicadas rosas de papel.
Sobre elas, repousava um anel feminino.
Lívia retirou-o e colocou-o no dedo; o tamanho era perfeito.
Assim como a relação deles na época, era exatamente como deveria ser.
Cada rosa de papel escondia todo o amor e os segredos inconfessáveis daquele jovem.
Enquanto Lívia relembrava esses detalhes, batidas na porta trouxeram sua mente de volta ao presente.
“Livi, você acordou?” perguntou a mãe de Lívia suavemente do lado de fora.
Lívia puxou o cobertor, levantou-se e abriu a porta.
Vendo a mãe parada ali apenas de pijama, Lívia apressou-se em puxá-la para dentro do quarto.