O homem ficou nervoso ao ver as lágrimas dela e entregou o aparelho sem dizer nada.
Lívia discou o número de Pedro, rezando para ouvir a voz dele.
Mas o que ouviu foi apenas o aviso de que o número não podia ser contatado.
O aviso sonoro do aeroporto anunciou: “Passageiros do voo Airbus A15, por favor, preparem seus pertences e dirijam-se ao portão 9 com seus cartões de embarque.”
Ao ouvir o anúncio de que o voo partiria em breve, Lívia jogou o cartão de embarque no chão sem hesitar.
Ela virou-se e correu para fora do aeroporto, parando um táxi.
“Motorista, eu vou…” as palavras de Lívia ficaram entaladas na garganta.
O motorista virou-se: “Senhorita, para onde você vai?”
Lívia ficou paralisada, sentindo um desamparo absoluto.
É verdade. Onde ela encontraria Pedro?
“Senhorita, para onde você vai afinal? Não me faça perder tempo.” O motorista estava ficando impaciente.
Lívia permaneceu em silêncio por um longo tempo, até que ouviu o som de uma ambulância ao longe.
“Ti-tão, ti-tão—”
Ao ouvir a sirene, o coração de Lívia disparou: “Motorista, o que aconteceu ali na frente?”
“Ali? Acabou de acontecer um acidente de carro com explosão. O dono do Maybach morreu no local.”
Ao ouvir a palavra “Maybach”, o coração de Lívia se contraiu violentamente.
Não, não pode ser. Não é só Pedro que dirige um Maybach naquela cidade. Não pode ser ele.
Ela negava repetidamente, mas seu coração entrava em pânico, fora de controle.
“Motorista… por favor, me leve até o local do acidente.” A voz de Lívia tremia incontrolavelmente ao dizer isso.
O motorista a observou com estranheza: “Tem certeza, senhorita? A cena de um acidente é muito sangrenta.”
Lívia assentiu com firmeza, sem responder.
O motorista não disse mais nada e arrancou com o carro.
A dez metros do local, o motorista parou: “Senhorita, não consigo passar daqui. Você terá que seguir a pé.”
Lívia, com o rosto pálido, pagou a corrida e desceu.
À frente, ela viu uma multidão aglomerada. O barulho das vozes impedia que ela entendesse qualquer coisa.
Apesar da curta distância, cada passo parecia pesar toneladas.
Quando conseguiu se espremer entre a multidão, ela viu peças de carro espalhadas por todo o lado. O carro que causou o acidente estava distorcido, e do Maybach, restavam apenas destroços carbonizados.
“A identidade da vítima foi confirmada?” perguntou um policial veterano.
“Na carteira, só encontramos uma foto rasgada ao meio. A parte do homem foi queimada, só dá para ver a mulher.”
O policial mais jovem entregou o saco com a foto ao veterano.
Lívia estava ao lado deles. No momento em que viu a foto, seu mundo inteiro pareceu apertar o botão de pausa.
Aquela era a foto dela com Pedro no dia da formatura!
Seu coração virou de cabeça para baixo naquele instante, atingido por uma tempestade violenta que estilhaçou tudo o que ela era.
Lívia segurou a mão do policial, com os olhos vermelhos e as emoções fora de controle.
Ela abriu a boca, mas não conseguiu emitir um único som.
Essa sensação mergulhou Lívia em um desespero ainda mais profundo. Ela apenas apontou para a foto e depois para si mesma.
O policial veterano franziu a testa, olhou para a foto e depois para Lívia: “Você está dizendo que é a pessoa na foto?”
Lívia assentiu rapidamente, com os olhos marejados.
Após a confirmação dos policiais, Lívia foi levada à delegacia para prestar depoimento.
Como não conseguia falar, ela escreveu uma frase no papel.
“Por favor, ele ainda não foi encontrado?”
Ao entregar o papel ao policial, ele suspirou com expressão grave.
“Senhorita, não há nenhuma possibilidade de sobrevivência para o Sr. Pedro. Só podemos fazer o possível para encontrar seus restos mortais.”
Capítulo 12: Afasia
A cor sumiu por completo do rosto de Lívia, suas pupilas se dilataram e todo o seu corpo começou a tremer.
Sem nenhuma possibilidade de sobrevivência.
Essas palavras soaram como um trovão ensurdecedor, forçando-a a cobrir os ouvidos.
Um gosto amargo e metálico subiu por sua garganta. A consciência de Lívia vacilou e ela desabou pesadamente no chão.
Quando Lívia recuperou a consciência, já estava deitada em um quarto de hospital.
O quarto vazio emanava uma frieza cortante.
No momento em que ela se esforçou para se levantar, a porta foi subitamente aberta por Fernanda.
Por um instante, o brilho voltou aos olhos opacos de Lívia.
Ela tentou abrir a boca para perguntar sobre Pedro, mas, por mais que se esforçasse, não conseguia emitir um único som.
No final, Lívia só pôde fitar Fernanda com um olhar fixo.
Ao ver a expectativa nos olhos de Lívia, Fernanda, pela primeira vez, não soube como responder.
Ela não sabia como revelar a verdade cruel de forma tão crua.
“Coma alguma coisa primeiro, Livi. O médico disse que isso é uma afasia temporária e que você vai melhorar”, disse Fernanda, tentando parecer casual enquanto servia uma tigela de canja e se aproximava da cama.
Lívia balançou a cabeça. Quanto mais Fernanda evitava a pergunta, mais o coração de Lívia entrava em pânico.
Fernanda suspirou, impotente, com as sobrancelhas franzidas: “Livi… não pergunte mais nada.”
Observando o olhar esquivo de Fernanda, Lívia já tinha adivinhado a maior parte da verdade.
Ainda assim, não desistindo, ela segurou a mão de Fernanda com força, os olhos brilhando com lágrimas.
Por fim, Fernanda cedeu. Após vários suspiros profundos, ela finalmente falou: “A polícia já encontrou o corpo do Pedro…”
Dito isso, Fernanda abaixou a cabeça, incapaz de encarar Lívia.
Lívia paralisou. A dor parecia ter rasgado seu coração vivo, fazendo lágrimas escorrerem sem parar.
Ela desejava liberar todo o sofrimento que sentia, mas, agora, nem mesmo um choro conseguia escapar de sua garganta. Só lhe restava bater desesperadamente no próprio peito com as mãos.
Somente assim ela sentia que a dor poderia diminuir.
Para Lívia, um mundo sem Pedro era um mundo sem vida.
Yangcheng, para ela, já era uma cidade morta.
À noite.
Deitada na cama do hospital, Lívia passava o tempo todo online, procurando notícias sobre Pedro.
Ela esperava, esperava que ele aparecesse para desmentir tudo, que ele próprio dissesse que estava vivo.
Mas, no fim, tudo o que Lívia obteve foi a notícia do funeral de Pedro.
Cemitério de Chengnan.
Vestida de preto, Lívia permanecia silenciosa em um canto pouco visível.
Ela esperava. Esperava a partida da mãe de Pedro e de seu grupo.
Lívia observava a mãe de Pedro chorar alto diante da lápide, com uma demonstração de emoção excessiva.
“Meu filho… Pedro, como você pôde ser tão cruel a ponto de deixar sua mãe e partir?”
Lívia continuou onde estava, fixando o olhar na mulher.
O estranho era que, apesar de a mãe de Pedro chorar mais alto que qualquer um, Lívia não viu uma única lágrima em seu rosto.
A mulher permanecia elegante e luxuosa, com sua maquiagem intacta.
Dez minutos depois, amparada por Sofia, a mãe de Pedro levantou-se. As duas saíram do cemitério de braços dados, seguidas por uma multidão de guarda-costas.
Só quando teve certeza de que não havia ninguém por perto, Lívia aproximou-se da lápide.
Ao fitar o sorriso imponente de Pedro na foto, ela sentiu os olhos arderem novamente.
Como foi cruel… usou cada tática para forçá-la a ceder, derrubou suas defesas passo a passo, apenas para deixá-la sozinha neste mundo ao final.
Dizem que, quando dois amantes se separam, aquele que fica é sempre quem sofre a solidão mais profunda.
Lívia tornou-se essa pessoa.
Ela permaneceu ali, diante da lápide, com as lágrimas encharcando seu rosto sem cessar.
Só quando o céu começou a chover é que Lívia se afastou lentamente. Cada passo parecia carregar o peso de mil quilos.
Lívia não voltou ao hospital; foi para casa.
Ao abrir a porta, viu as luzes da sala acesas e sua mãe curvada, limpando os móveis.
Vendo a figura ocupada da mãe, Lívia aproximou-se e abraçou-a suavemente.
A mãe parou, surpreendida, mas relaxou ao ver que era a filha: “Uma moça grande como você, por que está agindo como se fosse criança de novo?”
Lívia fungou, balançando a cabeça com os olhos vermelhos.
Aquela noite parecia-se com a noite da separação, há sete anos, quando ela chorava nos braços da mãe.
A única diferença é que, naquela época, tratava-se de um término; desta vez, era a separação definitiva entre a vida e a morte.
Capítulo 13: A chegada tardia
A morte de Pedro causou um alvoroço em Yangcheng.
As pessoas especulavam sobre o futuro do Grupo Pedro após perder seu único herdeiro.
Diferente das especulações externas, a reunião de acionistas da empresa era um caos.
“Agora que o Pedro morreu, você quer chutar a escada? Nem pense nisso!”
Um diretor jogou o contrato de transferência de ações no chão, olhando ferozmente para a mãe de Pedro.
Ela sorriu, imperturbável: “A harmonia é que traz lucro. Por que se esforçar tanto?”
Ao dizer isso, ela pausou propositalmente, percorrendo os outros diretores com o olhar, antes de exibir um sorriso radiante.
“Além disso, não estou forçando ninguém a vender ações. Todos sabem que as ações do Grupo Pedro despencaram. O Grupo Shi está disposto a comprar por um preço alto agora, não seria isso uma boa notícia?”