《Além do Tempo: O Amor que Nunca Terminou》Capítulo 4

PUBLICIDADE

Ela não pegou o cheque, apenas perguntou:

“A mãe do Pedro escolheu a nora durante tanto tempo, apenas para escolher alguém como você?”

Capítulo 7: A resposta de sete anos

“O que você quer dizer com isso?” O sorriso no rosto de Sofia desapareceu instantaneamente, e seu olhar cravou-se em Lívia.

“Nada…” Lívia deu um sorriso autodepreciativo. “Fique com o dinheiro. Não me procure mais.”

Dito isso, ela virou as costas e saiu, ignorando Sofia.

O rosto de Sofia oscilava entre o pálido e o azulado, tomada pela raiva, mas incapaz de impedi-la.

Lívia voltou para casa e sentou-se diante da escrivaninha, perdida em pensamentos.

Após um tempo, ela encontrou um caderno antigo onde guardava uma rosa de papel azul desbotada — a primeira que Pedro fizera à mão no Dia dos Namorados.

Ela acariciou a rosa de papel, dando um sorriso doce e nostálgico.

Mas, logo em seguida, seus olhos se apagaram.

Ela pegou a caneta e escreveu: 2650 dias sem você, estou bem…

Ao guardar o caderno, Lívia recostou-se exausta, com a mente oprimida.

De repente, sua mãe entrou no quarto.

“Mãe, precisa de algo?” perguntou Lívia, confusa.

A mãe aproximou-se, segurou a mão de Lívia e disse: “A Sra. Xu, da limpeza, disse que quer te apresentar um pretendente. Dizem que o rapaz é muito honesto.”

Dizendo isso, a mãe entregou um papel com um contato de rede social: “Você não é mais uma menina, mesmo que seja por conveniência, você precisa se casar…”

Lívia ficou paralisada.

Que palavras terríveis. E o mais terrível é que essas palavras vinham de sua própria mãe.

Ela perguntou, incrédula: “Mãe, aos seus olhos, eu sou tão barata assim?”

Ao ver a surpresa no rosto da mãe, Lívia recuperou a compostura e baixou o tom de voz: “Tenho assuntos a tratar com a Fernanda, vá dormir, não precisa me esperar.”

Dito isso, ela pegou seu casaco e saiu de casa.

Dentro do carro, ligou para Fernanda: “Fernanda, estou te esperando no bar 'Nightlife'.”

No bar.

Lívia bebia taça após taça, mas nem mesmo a dor no estômago conseguia entorpecer sua alma.

Finalmente, ela desmaiou, embriagada.

Lágrimas escorriam incontrolavelmente de seus olhos enquanto ela murmurava, como sempre fazia: “Pedro…”

Fernanda olhava para aquela cena, sentindo o coração partido: “E ainda diz que não o ama, todas as vezes que bebe chora desse jeito.”

Lívia apenas agarrava a mão da amiga, soluçando baixinho.

Fernanda aproximou-se para ouvir: “Ele vai se casar… e com aquela mulher má que me humilhava…”

Fernanda sentiu uma tristeza profunda, sentindo o peito apertar.

Após pensar um pouco, ela encontrou o número de Pedro e ligou.

Assim que ele atendeu, ela disparou: “Venha rápido ao bar, Lívia bebeu demais.”

Dito isso, desligou o telefone.

Lívia já estava de olhos fechados, com lágrimas transbordando, murmurando: “Pedro, estou me sentindo tão mal…”

Só de pensar em perder Pedro para sempre, seu coração doía como se estivesse sendo cortado por uma faca.

PUBLICIDADE

Pouco tempo depois, Pedro chegou apressado.

“Vou deixar a Lívia sob seus cuidados”, disse Fernanda.

Pedro assentiu levemente, colocou Lívia nas costas e saiu do bar.

O peso dela era tão leve que seu coração sofreu um baque. Ele murmurou, irritado: “Porquinha boba, toda a carne que levei tempo para te fazer ganhar sumiu.”

Ao dizer isso, percebeu que realmente haviam se passado sete anos.

Mas, nesses sete anos, ele parecia ter vivido apenas no dia em que a perdera.

A luz dos postes na rua era amarelada, iluminando as figuras solitárias dos transeuntes.

A cada passo, Pedro ouvia Lívia chamar pelo seu nome.

“Pedro… Pedro…”

A cada sussurro dela, Pedro não respondia.

Mas, enquanto caminhava, ele não conseguiu conter o brilho úmido em seus olhos.

Quando estavam quase na entrada do prédio de Lívia, Pedro parou. Ele mudou de ideia de repente.

Após hesitar por um longo momento, Pedro virou-se e levou Lívia para sua própria casa.

Colocou-a cuidadosamente na cama, pegou um copo d’água e, com gestos suaves, segurou-a em seus braços, alimentando-a com pequenos goles, como fazia antigamente.

Após dar-lhe água, Pedro sentou-se calmamente ao lado da cama, contemplando os traços de Lívia.

Ele não sabia o quanto seu olhar era terno e cheio de saudade naquele momento.

Ele apenas desejava, se fosse possível, que o tempo parasse ali para sempre.

Assim, eles nunca mais teriam que se separar.

A pessoa na cama murmurou algo, e Pedro perguntou, com a voz trêmula: “Lívia, você ainda ama o Pedro?”

Capítulo 8: A dignidade do amor

No dia seguinte, Lívia foi acordada pelo som urgente da campainha.

Caminhou até a porta, confusa, mas despertou instantaneamente ao abri-la.

Era a mãe de Pedro!

Um brilho de surpresa cruzou os olhos da mulher, logo substituído por um escárnio profundo: “Eu pensava que, por mais pobre que você fosse, ainda tivesse um pouco de autoestima. Não esperava que agora você nem disso tivesse.”

As palavras cruéis, desprovidas de qualquer gentileza, chicotearam o coração de Lívia, fazendo seu sangue gelar.

Após um tempo, ela conseguiu dizer: “Sra. Mãe de Pedro.”

A mulher recuperou sua elegância costumeira: “Srta. Lívia, não desejo que nada aconteça ao casamento do meu filho. E quanto a você…”

Ela pausou propositalmente, lançando um olhar de desdém para o ventre de Lívia, e continuou: “É melhor aprender a ser esperta. Não engravide antes que a Sofia o faça.”

Dito isso, ela virou as costas e partiu.

Lívia ficou paralisada, a cor de seu rosto esvaindo-se completamente.

Nesse momento, Pedro ouviu o barulho e desceu as escadas.

Lívia virou-se para olhá-lo, e um instante depois, seus olhos ficaram ardentes.

Com o olhar perdido, ela disse apressada: “Eu já vou.”

Dito isso, saiu apressada sem nem trocar os sapatos.

Pedro ficou parado, olhando para a porta fechada. Após um longo tempo, deu um sorriso autodepreciativo: “Eu te causo tanto repúdio assim?”

Caminhando para casa, o vento que soprava parecia congelar sua alma.

PUBLICIDADE

A aparição da mãe de Pedro fez com que ela se lembrasse do que acontecera há sete anos.

Ela lembrava: era o dia seguinte ao Dia dos Namorados.

No dia anterior, Pedro havia lhe dito: “Amanhã vou te levar para casa para conhecer meus pais.”

Naquela época, ela vivia um momento de alegria pura, acreditando que seu amor finalmente daria frutos.

Mas, no segundo dia, a mãe de Pedro apareceu.

Ela não usou ninguém para atacá-la, nem a humilhou. Ela apenas a ‘contratou’.

Naquele dia, Lívia agiu como uma assistente, acompanhando-a por todo o dia.

Ela viu a mulher dar uma gorjeta de cinco mil reais a um recepcionista; viu os membros do conselho escolar bajulá-la com sorrisos; viu-a falar em vários idiomas propositalmente na sua frente…

Seu coração afundava a cada segundo, mas ela resistia.

Até que, à noite, a mãe de Pedro fez questão de deixá-la na porta do barraco onde ela morava.

“Até logo, Sra. Mãe de Pedro.” Lívia estava prestes a sair quando foi chamada.

A mulher tirou uma pilha de notas da bolsa e disse, sorrindo: “Aqui estão dois mil reais. É mais ou menos o salário da sua mãe, não é? Pegue. Obrigada por me acompanhar hoje.”

Naquele instante, todo o sangue no corpo de Lívia esfriou.

Ela amava Pedro.

Amava a ponto de não precisar de autoestima ou orgulho, mas não podia permitir que sua mãe carregasse tal desonra!

Então, no dia seguinte, ela chamou Pedro: “Vamos terminar.”

Naquele momento, seu coração foi despedaçado, mas ela não olhou para trás.

Ao chegar em casa, desabou em prantos no colo da mãe, decidida a vencer na vida.

O vento frio trouxe Lívia de volta ao presente.

Ela levantou a cabeça, respirou fundo e sufocou a frustração e a tristeza.

Agora, ela não podia mais chorar pelo que aconteceu há sete anos. Só podia seguir em frente.

Exausta, ao chegar em casa, trocou de roupa e dirigiu até a empresa.

Mas, ao entrar no setor, sentiu os olhares estranhos ao seu redor.

Eram como espinhos.

Ela não entendeu o motivo, até que, na hora do almoço, ao passar pela porta da copa, ouviu duas vozes rindo sem pudor.

“Quem diria que a Diretora Lívia é uma ‘outra’!”

“Olha só isso. Não é de se admirar que ela tenha virado executiva, vive seduzindo o Pedro, que está prestes a se casar. As aparências enganam!”

Capítulo 9: Mais um reencontro

Lívia empurrou a porta com força e a copa ficou instantaneamente em silêncio.

“Diretora Lívia…” o sorriso no rosto do funcionário tornou-se rígido.

Lívia lançou um olhar frio, estendeu a mão e disse com a voz grave: “Me dê o celular.”

O funcionário, de cabeça baixa, entregou o aparelho a Lívia com o coração batendo na garganta.

Ela olhou sem expressão para o título do post no celular: “Lívia, a amante que subiu na vida vendendo o corpo.”

Quanto mais ela rolava a página, mais gelado ficava seu olhar.

Quando ela estava no segundo ano da faculdade, Sofia já havia usado esse mesmo truque no fórum da universidade.

Ela se lembrava daquele tempo, quando todos os professores a procuravam.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia