《Além do Tempo: O Amor que Nunca Terminou》Capítulo 3

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Ela balançou a cabeça suavemente e, olhando para o café, disse: “…Sem sensação.”

Nesse momento, Pedro, que estava sentado atrás delas, teve seu olhar escurecido.

“Como assim?” Fernanda não acreditou. “Você não namorou ninguém nos sete anos em que terminaram. Me diga a verdade, você ainda ama ele?”

Lívia apertou a colher em sua mão e disse em tom contido: “Você não sabe como estou ocupada ultimamente? Onde eu teria tempo para namorar?”

“Vocês eram tão perfeitos… Achei que vocês com certeza se casariam…”

Fernanda suspirou levemente: “Ai, por que exatamente você terminou com o Pedro naquela época?”

Capítulo 5: Você já levou a sério a minha seriedade?

Quando duas pessoas que se amam se separam, que motivo poderia existir?

Lívia ficou atordoada por um tempo. Ela baixou os olhos para as ondulações na xícara de café e disse em voz baixa: “Porque nós não éramos compatíveis.”

Antes que Fernanda pudesse abrir a boca, a voz fria de Pedro soou atrás delas.

“Sete anos depois, você ainda usa essa desculpa.”

Lívia ficou rígida e olhou para Pedro.

Ao encontrar seus olhos, que não escondiam a raiva, ela instintivamente cerrou as mãos.

“…Isso não é uma desculpa.” Ela só pôde responder friamente.

Antes que ele pudesse falar, ela perguntou propositalmente: “Sete anos se passaram, você ainda está obcecado com essa questão. Será que é porque não consegue me esquecer?”

A expressão de Pedro mudou subitamente.

Logo depois, ele riu com desdém: “Não seja convencida. Você acha que é tão importante assim para mim?”

A amargura que subiu prendeu o coração de Lívia.

É verdade. Eles não passavam de ex-namorados. Como ela poderia ter a presunção de ocupar um lugar em seu coração?

Ao se encararem, Lívia desviou o olhar primeiro.

Sete anos… eles já não eram mais como no início.

A forma como Pedro a perseguia não era por outro motivo senão o de não conseguir deixar para trás o próprio orgulho.

Lívia deu um sorriso amargo: “Você tem razão. Eu mesma superestimei esse relacionamento no passado.”

A expressão de Pedro mudou e, justo quando ele ia falar, o sino da porta tocou.

Sofia empurrou a porta e entrou: “Pedro, por que você ainda está aqui?”

Seu olhar passou por Lívia, seu coração afundou, mas ela mantinha um sorriso doce no rosto.

Ao caminhar até Pedro, Sofia tentou segurar sua mão, mas ele se esquivou sem que ela percebesse.

Sem alternativa, ela teve que segurar o braço dele, mantendo o sorriso.

Disse com intimidade: “A mamãe já está nos esperando há muito tempo, combinamos de ir ver as alianças de casamento.”

Ao ouvir sobre as alianças, o mundo de Lívia virou de cabeça para baixo, mas ela teve que fingir que nada acontecia.

Pedro conteve suas emoções, deu um assentimento contido e virou-se para sair do café acompanhado de Sofia.

Ao vê-los partir, Fernanda ficou indignada: “Como essa Sofia consegue ser tão arrogante como antes!”

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Após isso, ela perguntou: “Foi ela que, na época da faculdade, fingiu ser a noiva do Pedro e ainda te difamou no fórum da universidade, dizendo que você era a outra, não foi?”

Lívia baixou os olhos e assentiu levemente.

Não era que ela não quisesse falar, era apenas por medo de que, ao abrir a boca, sua voz tremesse.

Fernanda franziu a testa, irritada: “O Pedro realmente acabou ficando com uma mulher dessas!”

Lívia ficou em silêncio por um longo tempo e finalmente curvou os lábios, com uma ponta de tristeza no olhar.

“É normal. Afinal, eles são pessoas do mesmo mundo.”

Ambos nasceram em berço de ouro, pessoas completamente diferentes dela.

Após o encontro com Fernanda, Lívia voltou para a empresa para fazer hora extra.

Trabalhou por dois dias, exausta, até que na segunda-feira entregou o orçamento refeito nas mãos de Pedro.

Pedro, porém, deu apenas uma olhada rápida e jogou-o sobre a mesa.

“Não estou satisfeito. Refaça.”

Lívia conteve a raiva e disse impotente: “Você não pode parar de ser tão infantil?”

Ao ouvir isso, Pedro levantou os olhos, encarando-a diretamente, sem nenhuma expressão no rosto.

“Isso é ser infantil? E a minha seriedade, você já a levou a sério alguma vez?”

Lívia engasgou, franziu as sobrancelhas e, não conseguindo mais controlar a pressão emocional, disse: “Pedro, isso é trabalho!”

“Você não consegue separar o profissional do pessoal e parar de ser tão irracional?”

Dito isso, ela não olhou mais para a expressão de Pedro, pegou o orçamento sobre a mesa e virou-se para sair.

Mas, antes que ela desse dois passos, uma força segurou seu braço.

Após um giro repentino, Lívia foi pressionada diretamente contra a mesa! O hálito agressivo do homem a envolveu.

Capítulo 6: O dinheiro patético

Lívia ficou atordoada por um instante. Antes que pudesse reagir, o beijo de Pedro desceu sobre ela.

Seu coração pareceu parar de bater naquele exato momento.

Era como há sete anos… não, era ainda mais intenso do que há sete anos. Era um beijo que carregava uma pitada de punição, roubando ferozmente o fôlego de Lívia.

Quando ela finalmente caiu em si, começou a lutar para empurrá-lo, mas só obteve como resposta o aperto de seus braços.

Um sentimento de desolação repentino tomou conta de seu coração.

Após um longo momento, Pedro parou de repente e soltou Lívia.

Ele a olhou com um olhar complexo e sua voz soou tão grave que assustava: “Agora sim, isto pode ser chamado de irracional.”

Dito isso, ele levantou a mão e passou pelo canto do olho de Lívia.

Foi então que ela percebeu que estava chorando.

Levantando-se apressada, ela fugiu do escritório como se sua vida dependesse disso, sem nem se importar com o orçamento que caíra no chão.

Pedro observava as costas de Lívia, e seus olhos ganharam ondulações.

Nesse momento, seu celular sobre a mesa emitiu um zumbido.

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Ao pegá-lo, viu que era uma foto do vestido de noiva enviada por Sofia, com uma frase acompanhando:

“Pedro, qual você acha que é o mais bonito?”

Pedro passou a mensagem de Sofia sem expressão, como se não a tivesse visto, e abriu a interface de chat com outra pessoa.

Ele enviou uma mensagem: “Está tudo pronto?”

Assim que a mensagem foi enviada, a pessoa do outro lado respondeu rapidamente: “Ok. Você tem certeza de que quer fazer isso? Sua mãe vai ficar furiosa.”

Pedro respondeu com três palavras, sem qualquer emoção:

“Não importa.”

Lívia voltou ao escritório, mas não tinha mais ânimo para trabalhar.

Ela não sabia o que Pedro pretendia fazer. Afinal, ele estava prestes a se casar!

Não demorou muito e ela saiu do trabalho mais cedo para buscar sua mãe na Universidade de São Paulo.

Ao chegar ao refeitório, era hora do almoço dos estudantes, então ela ficou de lado, observando a mãe servir as refeições com um sorriso radiante.

Nesse momento, a Sra. Xu, que trabalhava na limpeza, aproximou-se sorrindo: “Não é a Lívia? Veio buscar sua mãe de novo?”

Lívia assentiu e deu um sorriso cortês.

A senhora da limpeza olhou para a mãe de Lívia e depois para ela:

“Quem diria que sua mãe, sendo uma servente de refeitório, criaria uma filha tão bem-sucedida. Seu pai, o professor, também colhe os frutos de ter sido uma boa pessoa…”

Lívia franziu a testa, sem responder.

Às sete da noite, ao ver a mãe sair mancando, Lívia sentiu uma tristeza profunda e dor no coração.

Aproximou-se para ampará-la e tentou convencê-la: “Mãe, você está com dor nas pernas, que tal parar com esse trabalho?”

A mãe de Lívia balançou a cabeça imediatamente, batendo a mão no dorso da mão da filha.

“Como posso? Este trabalho me foi dado pela escola depois que seu pai se foi, porque eles tiveram pena de nós duas. Uma pessoa nunca deve esquecer suas raízes…”

A mãe continuava a resmungar, e Lívia nada disse, apenas sentindo um nó estranho na garganta.

Ao chegar ao pé do prédio onde moravam, Lívia viu um Maserati parado ali.

Pelo vidro do carro, viu Sofia, vestida com itens de luxo.

Depois de deixar a mãe no elevador, Lívia desceu e olhou friamente para Sofia: “Precisa de algo?”

Sofia tirou os óculos escuros, avaliou Lívia de cima a baixo e abriu um sorriso cortês e radiante: “Então você finalmente se mudou daquele barraco caindo aos pedaços? Meus parabéns.”

Lívia sentiu o coração contrair, mas manteve o rosto sem expressão: “Diga o que você quer de mim, sem rodeios.”

Sofia então disse com desdém: “Você não é mais tão jovem. Tentar segurar o Pedro usando o passado só porque não consegue arrumar um marido é simplesmente vergonhoso.”

Dizendo isso, ela tirou um cheque da bolsa e estendeu para Lívia: “Um milhão. Quero que você suma da empresa do Pedro amanhã mesmo.”

Sua atitude era como se fosse algo óbvio, o sorriso em seus lábios não mudou um milímetro, e sua postura superior parecia tratar alguém como um mendigo.

Dinheiro é, de fato, algo poderoso; pode comprar 99% das coisas neste mundo.

Lívia teve vontade de rir, mas sentia algo mais profundo: pena.

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