Naquele momento, parecia que seu coração havia sido rasgado ao meio.
Lívia cerrou os punhos e levantou os lábios em um sorriso: “Sr. Pedro, as pessoas sempre mudam.”
Essa mesma frase ela lhe dissera sete anos atrás, quando terminaram.
Eles se encararam em um silêncio pesado e opressor.
A pressão da mão de Pedro em seu ombro aumentava. Quando ela estava prestes a soltar um gemido de dor, o celular de Pedro tocou.
Ele a soltou abruptamente, virou de costas e atendeu a ligação.
Lívia o ouviu dizer: “Já estou descendo, espere por mim.”
No tom de voz dele, Lívia percebeu uma pitada de ternura.
Pedro desligou o telefone e, sem olhar mais para Lívia, virou-se e saiu.
Como se estivesse hipnotizada, Lívia o seguiu.
Na entrada do hotel, um Porsche de edição limitada estava estacionado.
Lívia assistiu, impotente, enquanto Sofia descia do carro, corria para os braços de Pedro e o beijava no rosto.
Às vezes, somos cruéis conosco mesmos, insistindo em esclarecer as coisas e enxergar a verdade.
E a realidade é, de fato, a coisa mais dolorosa deste mundo.
Capítulo 3: A pessoa daquela época
O sangue drenou completamente do rosto de Lívia.
No momento em que ela estava distraída, uma voz masculina contendo uma ponta de surpresa soou de repente: “Lívia?”
Lívia virou a cabeça ao ouvir o chamado e, ao ver quem era, sentiu-se um tanto confusa.
Lucas, por outro lado, mal conseguia esconder a surpresa no rosto. Ele se aproximou, e em sua face bonita surgiu um ar de timidez, quase como a de um rapaz jovem.
“Sou eu, é o Lucas. Você… você ainda se lembra de mim?”
Aquele nome peculiar despertou as memórias de Lívia.
“É você?” disse ela, surpresa.
Ela se lembrou. Afinal, se uma pessoa passa os três anos do ensino médio sempre no último lugar do ranking de notas, mantendo uma distância abismal do seu primeiro lugar, era impossível não se lembrar.
Lívia conteve suas emoções e sorriu levemente: “Quanto tempo, Lucas.”
“Faz muito tempo mesmo, não nos víamos desde a formatura.” Lucas assentiu, mas seu olhar permanecia fixo em Lívia.
Ele disse de forma um tanto ansiosa: “Nós… será que podemos trocar contatos?”
Lívia achou um pouco estranho, mas ainda assim tirou o celular.
Ao lado do carro.
Pedro observava de soslaio o gesto dos dois na entrada, seu olhar tornando-se cada vez mais profundo.
Sofia perguntou com doçura: “Pedro, o que você está olhando?”
Pedro recuperou a compostura e respondeu de forma contida: “Nada.”
Dito isso, ele entrou no carro.
No dia seguinte.
Assim que Lívia chegou ao escritório, encontrou uma caixa de remédio para o estômago sobre sua mesa.
Ela hesitou por um momento, sentindo um vazio súbito no coração.
…Nos últimos vinte e oito anos, a única pessoa que já lhe comprara remédios para o estômago fora Pedro.
Ela mordeu o lábio e saiu da sala, apenas para encontrar Júlia, do administrativo, carregando várias caixas do mesmo remédio.
Lívia parou, perguntando baixinho: “Esse remédio?”
“Vocês não foram beber ontem? Por isso comprei remédios para todos os executivos.”
Júlia sorriu e seguiu em direção à sala da presidência.
Lívia baixou o olhar, sentindo-se um tanto ridícula.
Na sala da presidência.
Júlia entregou os remédios a Pedro e perguntou: “Sr. Pedro, realmente não precisa enviar para a Gerente Sofia?”
Pedro levantou os olhos e lançou-lhe um olhar. Júlia baixou a cabeça imediatamente e disse: “Certo, entendi.”
À tarde, Lívia entregou o orçamento de exportação nas mãos de Pedro.
Era o maior contrato de exportação para a Europa da empresa naquele ano, por isso ela dava tanta importância.
Pedro folheou o documento casualmente e seus lábios se curvaram: “Não esperava menos da primeira colocada do departamento de Comércio Exterior de São Paulo…”
Enquanto ele falava, Lívia viu seu prontuário sob as mãos de Pedro e sentiu o coração apertar inexplicavelmente.
A voz de Pedro continuava a soar em seus ouvidos:
“Levou apenas sete anos para passar de funcionária comum a executiva da sede. Com um salário anual de um milhão, pode-se dizer que você realizou seu sonho.”
Lívia percebeu o sarcasmo em suas palavras, baixou os olhos e disse apenas: “Se não houver mais perguntas, vou me retirar, Sr. Pedro.”
Justo quando ela se preparava para sair, Pedro disse: “Há, sim.”
Após abrir o orçamento em suas mãos e dar uma olhada, ele o jogou de lado: “Acho a taxa de retorno muito baixa. Refaça a cotação para mim.”
Uma onda de raiva subiu rapidamente, mas Lívia a conteve logo em seguida.
Ela respondeu apenas: “Tudo bem, Sr. Pedro.”
Dito isso, sem olhar para ele, pegou o orçamento e saiu da sala.
Assim que a porta se fechou, Pedro, com o rosto frio, jogou a caneta que segurava no chão!
Para recalcular o orçamento, Lívia fez hora extra até as nove da noite, e as luzes da sala de Pedro também permaneciam acesas.
Nesse momento, lá embaixo, no saguão da empresa, Lucas entrou vestindo um sobretudo preto e carregando rosas.
As mulheres que passavam por ele olhavam constantemente, comentando entre si.
“Quem é ele? Que bonito!”
“E está segurando rosas, não sei para quem ele veio.”
…
Na copa.
Enquanto preparava café, Lívia encontrou Pedro.
Ela estava prestes a sair quando o ouviu perguntar: “Qual é a sua relação agora com aquele tal de Lucas?”
Ao ouvir isso, Lívia parou o movimento e perguntou confusa: “Do que você está falando?”
Justo quando Pedro queria perguntar mais alguma coisa, um tumulto surgiu do lado de fora.
Ambos viraram-se e viram Lucas, segurando um enorme buquê de rosas, finalmente encontrando Lívia.
Com uma expressão extremamente terna, ele disse: “Lívia, seja minha namorada.”
Capítulo 4: O motivo da separação
“Uau!”
O grupo de pessoas atrás de Lucas começou a zombar.
Lívia, por outro lado, sentiu-se completamente confusa e extremamente constrangida. Ela forçou uma resposta: “Sinto muito, não posso aceitar.”
Ao ouvir isso, Lucas olhou para Pedro: “É por causa dele?”
Lívia hesitou e balançou a cabeça: “Não tem nada a ver com ninguém. Por favor, leve as flores de volta.”
Dito isso, ela saiu apressadamente da copa.
Restaram apenas Lucas e Pedro no local, os dois se encarando, enquanto a pressão atmosférica ao redor caía alguns graus.
Pedro olhou de soslaio para as rosas vermelhas nos braços de Lucas e curvou os lábios com desdém extremo: “Parece que você nem sabe de que tipo de flores ela gosta.”
Uma veia saltou na testa de Lucas, e ele retrucou sem recuar: “E daí? Você conhece ela tão bem e mesmo assim terminaram!”
A expressão de Pedro tornou-se sombria instantaneamente.
Ele não deu mais atenção a Lucas e saiu caminhando.
A voz de Lucas, cheia de determinação, soou atrás dele: “Um dia, ela verá o quanto eu sou bom para ela.”
Pedro não parou de caminhar e ordenou friamente ao segurança: “Expulse-o daqui!”
À noite, Lívia chegou em casa com o humor inexplicavelmente abatido e, ao entrar, viu uma mesa farta.
Ela forçou um sorriso e entrou na cozinha: “Mãe, que dia é hoje?”
A mãe de Lívia tirou o avental e saiu da cozinha mancando, fingindo estar ofendida: “Menina, você tem trabalhado tanto que até esqueceu o aniversário do seu pai.”
Lívia só então percebeu, caminhou imediatamente até a sala e acendeu um incenso diante da foto do pai.
Ao olhar para o retrato, um sentimento de amargura invadiu seu coração.
Quando ela tinha cinco anos, seu pai se sacrificou para salvar outra pessoa; desde então, ela e a mãe dependiam uma da outra.
Após prestar a homenagem, Lívia voltou à cozinha e abraçou a mãe suavemente.
A mãe deu-lhe tapinhas reconfortantes. Ela escondeu o rosto nas costas da mãe e, após um longo tempo, sussurrou: “Mãe, só sobrou você para mim.”
Além de sua mãe, ela não tinha mais nada.
O dia seguinte era sábado.
Lívia acordou cedo e estava prestes a voltar para a empresa para continuar o orçamento quando recebeu uma ligação de sua melhor amiga, Fernanda.
“Livi, venha logo ao café 'Lembranças', já estou te esperando aqui.”
Dito isso, Fernanda desligou.
Olhando para a tela do celular, Lívia sentiu-se impotente.
A natureza impulsiva de Fernanda era assim desde a faculdade, e provavelmente ela nunca mudaria.
Sem escolha, Lívia desistiu de voltar para a empresa.
Ao chegar apressadamente ao café, assim que Lívia entrou, ouviu a voz calorosa da dona: “Bom dia, Livi.”
Lívia sorriu levemente e assentiu: “Bom dia, Sra. Ning.”
Aquele fora o lugar onde ela trabalhara como estudante e onde tivera seu primeiro encontro com Pedro.
Ao entrar, Fernanda segurou a mão de Lívia e sentaram-se.
Seus olhos brilhavam com curiosidade e ela perguntou misteriosamente: “Você encontrou o Pedro?”
Lívia hesitou e fingiu não entender: “O quê?”
Fernanda bufou: “Eu já sabia, você não faz ideia de como minhas fontes são boas.”
Lívia mordeu o lábio e não respondeu.
“Conta logo, qual foi a sensação de vê-lo depois de sete anos?” O olhar de Fernanda brilhava ainda mais.
O olhar de Lívia parou por um instante. O coração, que estava vazio desde sete anos atrás, tremeu com o sopro do vento.