《Troca Proibida: Um Corpo, Dois Mundos》Capítulo 7

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Capítulo 7: O Contrato da Discórdia

O escritório de Lorenzo, antes um santuário de controle, agora parecia uma zona de guerra fria onde o ar era denso o suficiente para ser cortado. Bia, ainda ocupando o corpo do bilionário, sentia os pelos de seus braços se arrepiarem quando Vitor Montenegro se aproximou, depositando um envelope pardo sobre a mesa de mogno.

"Tudo o que você construiu, meu querido sobrinho, está por um fio se você não assinar isso agora mesmo," Vitor disse com um sorriso que não passava de uma careta predatória.

Bia abriu o envelope, sentindo seus olhos saltarem ao ler as cláusulas de um contrato de transferência total de ativos e poderes para uma subsidiária de fachada controlada pelo tio.

Ela manteve o rosto impenetrável, mas suas mãos, escondidas sob a mesa, apertavam o tecido da calça de alfaiataria em um esforço para não tremer.

"Você acha mesmo que eu sou tão ingênua a ponto de entregar a chave do reino para quem tentou me enterrar vivo?" Bia perguntou, sua voz mantendo a autoridade fria que já se tornara natural naquele corpo.

Vitor avançou, inclinando-se sobre ela com uma ameaça latente, e tentou colocar a mão sobre a dela como se estivesse selando um pacto de sangue.

Bia reagiu instintivamente, afastando a mão dele com um movimento brusco e desdenhoso que ecoou na sala silenciosa.

"Não ouse tocar em mim novamente com essa sua máscara de falsa benevolência, Vitor, porque eu sei exatamente quem você é," ela declarou, levantando-se e caminhando até a janela com o queixo erguido.

Vitor riu, uma risada seca e sem vida que parecia emanar das próprias sombras da mansão enquanto ele se preparava para se retirar.

"A sua arrogância é o seu maior trunfo, mas também será o martelo que vai cravar o último prego no seu caixão, Lorenzo."

Longe dali, em um estúdio de filmagem iluminado por refletores de alta potência, Lorenzo estava vivendo uma experiência completamente diferente, mas igualmente desafiadora.

Ele estava diante de Elena, uma das diretoras mais respeitadas e temidas do cinema nacional, cujo olhar crítico parecia atravessar a alma de qualquer ator.

"Eu preciso que você entregue mais emoção, Bia, eu preciso ver a dor de uma mulher que perdeu tudo, não essa casca vazia que você está apresentando," Elena exigiu, batendo o roteiro contra a palma da mão.

Lorenzo fechou os olhos por um segundo, buscando dentro de si a memória da humilhação que Bia sentia quando era tratada como nada nos testes de elenco.

Quando ele abriu os olhos, uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha e a transformação foi tão real que o set inteiro mergulhou em um silêncio absoluto.

"Eu não perdi tudo, Elena, porque eu nunca tive nada para começar," Lorenzo disse, sua voz embargada de uma emoção tão crua e genuína que fez a diretora recuar um passo.

Elena ficou boquiaberta, esquecendo-se momentaneamente do roteiro enquanto observava uma intensidade na performance que ela nunca imaginara que Bia Lacerda possuía.

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O clima no set mudou de frustração para uma reverência silenciosa, com a equipe técnica trocando olhares de espanto total.

"Isso foi... brilhante, foi algo que eu nunca vi em toda a minha carreira," Elena sussurrou, anotando algo em sua prancheta com as mãos visivelmente trêmulas.

Lorenzo sentiu uma satisfação estranha, percebendo que a dor de Bia era, na verdade, uma fonte infinita de poder artístico que ele mal começava a compreender.

Enquanto ele se limpava, ele pegou seu celular discretamente, enviando uma mensagem curta e urgente para a pessoa que ocupava seu próprio corpo.

"O contrato é uma armadilha, mas eu acabei de conseguir um papel que vai me colocar no centro das atenções de todo o país," ele escreveu, sentindo a adrenalina do sucesso profissional.

Bia leu a mensagem enquanto ainda enfrentava a pressão de Vitor no escritório, e um sorriso quase imperceptível surgiu em seus lábios.

Ela sabia que eles estavam jogando em duas frentes diferentes, mas que o sucesso dele no set era a única coisa que poderia mantê-los protegidos.

"Ignore o contrato, eu vou cuidar de Vitor aqui, apenas certifique-se de ser a melhor versão de mim que o mundo já viu," ela respondeu com uma confiança renovada.

Vitor, ao perceber que não conseguiria a assinatura naquele momento, saiu bufando, mas deixou claro que aquele era apenas o começo da pressão.

Bia sentou-se na cadeira presidencial, sentindo o peso do mundo sobre os ombros de Lorenzo, e decidiu que era hora de virar o jogo de forma permanente.

Ela começou a articular um plano para desviar a atenção dos investidores para os erros financeiros de Vitor, usando o blog de notícias como a ferramenta de sua ruína.

Cada documento que ela lia, cada e-mail que interceptava, se tornava uma bala de prata que ela guardava para o momento do confronto final.

Lorenzo, do outro lado da cidade, sentia uma conexão espiritual com Bia que desafiava a lógica, como se o sucesso dela fosse dele e o brilho dele fosse dela. Eles eram dois mundos colidindo, mas, ao contrário do que previam, a explosão estava criando algo novo e extremamente perigoso para seus inimigos.

Elena aproximou-se de Lorenzo, colocando a mão em seu ombro com um novo respeito, tratando a atriz como a estrela que ela estava destinada a ser.

"Nós temos um filme para fazer, Bia, e eu garanto que amanhã todos saberão o seu nome."

Lorenzo, por um momento, sentiu como se estivesse em casa, não como o bilionário frio, mas como o artista que Bia sempre sonhou ser.

Aquele papel não era apenas uma atuação; era a oportunidade de viver uma vida com alma e propósito, algo que ele sempre negara a si mesmo.

Enquanto a noite avançava, os dois conspiradores mantinham seus papéis, sabendo que cada segundo era uma luta pela sobrevivência em uma selva urbana.

O contrato de discórdia tinha se tornado o contrato de sua libertação, um elo que os unia contra a tirania de um homem que pensava ser o dono do destino.

Vitor, escondido em seu escritório secreto, observava as câmeras de vigilância com um olhar nublado pela raiva e pela confusão. Ele não conseguia entender por que seus peões, antes tão dóceis e fáceis de manipular, tinham se tornado peças tão indomáveis no tabuleiro.

Bia, no corpo de Lorenzo, fechou o computador com um estalo seco, pronta para dar o próximo passo na destruição do império de seu tio. Ela olhou para o próprio reflexo no vidro escuro da janela, vendo não a si mesma nem a Lorenzo, mas a um novo ser que estava nascendo daquela fusão de caos e necessidade.

"Você acha que ganhou, Vitor, mas você esqueceu de uma coisa fundamental sobre o destino," ela murmurou para o vazio da sala. "Ele adora pregar peças naqueles que se acham os mestres do jogo."

Lorenzo deixou o estúdio, sentindo o ar fresco da noite no rosto, sabendo que tinha um aliado mais do que confiável esperando por ele. Eles eram, contra todas as expectativas, a equipe perfeita para derrubar qualquer muro que estivesse em seu caminho.

O contrato continuava lá, uma lembrança física da ameaça de Vitor, mas agora era apenas um papel sem valor diante da aliança que tinham forjado. Eles não eram mais o CEO ou a atriz; eram uma nova força da natureza, disposta a tudo para conquistar a liberdade que lhes fora roubada.

O jogo estava longe de acabar, mas, pela primeira vez em toda aquela provação, o medo tinha se transformado em uma determinação de ferro.

A discórdia que Vitor tentou semear tinha acabado por florescer em algo que ele nunca conseguiria compreender: uma lealdade inabalável entre dois mundos.

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