《Troca Proibida: Um Corpo, Dois Mundos》Capítulo 3

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Capítulo 3: O Predador na Cadeira do Chefe

Bia respirou fundo enquanto o ar condicionado da sala de reuniões soprava um frio cortante sobre seus ombros. Ela sabia que precisava manter a postura de predador que Lorenzo exibia naturalmente, ou a diretoria a devoraria viva antes do meio-dia.

Beto, o secretário pessoal de Lorenzo, entrou na sala com um tablet em mãos e uma expressão de preocupação contida. Ele parou diante de Bia e baixou levemente a cabeça em sinal de respeito, sem desconfiar que a pessoa ali não era o seu chefe implacável.

"Senhor, os relatórios trimestrais dos investimentos em streaming estão prontos para sua assinatura imediata," disse Beto com a voz baixa e cautelosa.

Bia fixou os olhos no funcionário, tentando projetar a mesma frieza que o CEO usava para intimidar seus subordinados há anos. Ela sentiu uma estranha satisfação ao notar como Beto parecia desconfortável e instável sob o peso daquele olhar autoritário.

"Deixe os documentos sobre a mesa e saia agora," Bia ordenou, usando o tom grave que aprendera a controlar nas últimas horas, exercitando os músculos da garganta de Lorenzo.

Beto hesitou por um segundo antes de obedecer, sentindo claramente que algo estava muito diferente na atitude de seu patrão, talvez uma severidade ainda mais afiada. Bia observou cada movimento dele, percebendo que a autoridade de Lorenzo era quase palpável naquela sala decorada com couro e mogno.

Longe dali, em um estúdio barulhento de São Paulo, Lorenzo sentia o corpo de Bia reclamar de um cansaço físico que ele jamais experimentou. Ele tentava manter a paciência enquanto o maquiador insistia em retocar seus lábios pela terceira vez naquela manhã.

"Pare de se mexer tanto, querida, ou o batom vai ficar borrado e eu terei que começar tudo de novo," reclamou o profissional com um tom de impaciência irritante.

Lorenzo fechou os punhos sob a saia que vestia, sentindo uma vontade incontrolável de exigir um tratamento de diretoria em vez daquele servilismo barato e condescendente.

Ele se conteve, lembrando que qualquer deslize temperamental poderia expor sua identidade naquele ninho de cobras.

"Apenas termine o seu trabalho rapidamente, não temos o dia todo," Lorenzo respondeu, tentando suavizar sua voz para um tom mais feminino e menos ameaçador.

De volta à sede da Montenegro Media, Bia recebia os membros da alta diretoria para uma reunião definitiva sobre o futuro da empresa. Ela sabia que eles estavam ali para testar sua liderança e tentar encontrar fraquezas após o comportamento errático da manhã.

"Nós precisamos de uma resposta clara sobre a aquisição da produtora independente, não podemos mais esperar," um dos diretores iniciou a conversa com um sorriso sarcástico que não alcançava os olhos.

Bia sentiu o suor frio escorrer por suas costas, mas ela se lembrou dos contratos sigilosos que Lorenzo mantinha em seu escritório particular. Ela cruzou os braços com elegância e exibiu um sorriso gélido que aprendera observando o reflexo no espelho.

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"Vocês realmente acreditam que eu não sei quem está lucrando com essa compra ilícita nos bastidores?" Bia perguntou, observando o choque genuíno nos olhos de cada homem à mesa.

O silêncio reinou enquanto ela gesticulava com confiança, sentindo-se cada vez mais dona daquela cadeira de poder. Ela percebeu que a intuição feminina, combinada com o acesso privilegiado aos segredos de Lorenzo, era a arma perfeita para aquele confronto corporativo.

"Se alguém nesta sala deseja continuar empregado, sugiro que me entregue a lista real de envolvidos antes do horário do almoço," ela disse com um tom que não deixava margem para discussões ou desculpas.

Os diretores se entreolharam, sentindo que o predador habitual havia se tornado ainda mais perigoso e imprevisível. Bia sorriu como um verdadeiro predador, sabendo que tinha ganhado aquela rodada de xadrez de luxo.

No estúdio, Lorenzo finalmente conseguiu um momento de folga para usar o celular de Bia escondido atrás de um cenário de papelão. Ele abriu o chat de mensagens e começou a digitar desesperado para sua própria versão, ou melhor, para a mulher que habitava seu corpo.

"Eu preciso que você me envie o código de acesso da conta offshore agora mesmo, é urgente," Lorenzo escreveu rapidamente, sentindo a pressão da situação financeira do grupo.

A resposta chegou segundos depois, mostrando que Bia estava aprendendo a lidar com as responsabilidades que ele jamais imaginou que ela suportaria. Ele leu a mensagem e percebeu, pela primeira vez, que a vida de um CEO não era apenas prazer, mas uma batalha constante pela sobrevivência.

"Já enviei o código para o seu e-mail, mas você precisa parar de dar ordens se quiser que eu resolva os problemas daqui," ela respondeu com uma audácia que o surpreendeu profundamente.

Lorenzo sorriu sozinho no canto escuro do estúdio, sentindo uma pontada de respeito genuíno pela mulher que ocupava seu lugar de direito.

Ele percebeu que, por mais que detestasse aquela troca, estava começando a depender de Bia para manter seu império intacto.

"Tudo bem, faremos do seu jeito por enquanto, mas não cometa erros graves com as ações na bolsa," ele respondeu antes de bloquear a tela do aparelho com rapidez.

Ele se levantou e caminhou em direção ao centro do set, sentindo que precisava entregar uma performance impecável para manter o disfarce de Bia.

Enquanto isso, Bia terminava de assinar os documentos que Beto havia deixado, sentindo o peso daquela cadeira de mogno como algo que agora pertencia inteiramente a ela.

O jogo de poder estava mais equilibrado, e os dois começavam a entender que a sobrevivência de um dependia inteiramente do sucesso do outro.

Lorenzo observou o set com um novo olhar analítico, enquanto Bia começou a planejar seu próximo passo contra os inimigos de seu próprio império emprestado.

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