Antes que ele pudesse reagir, a mulher avançou e o abraçou com força, uma pressão tão intensa como se quisesse fundi-lo ao seu próprio corpo.
— Mentiroso!
— Você prometeu que me esperaria, por que fugiu sozinho de novo?!
Arthur captou uma palavra específica e perguntou inconscientemente.
— Como assim "de novo"?
A mulher afundou o rosto no pescoço dele e inspirou profundamente, sua voz carregada de uma amargura indescritível.
— Quando você tinha oito anos, veio aqui com sua mãe para me visitar. Quando fui comprar biscoitos de coco para você, você prometeu que me esperaria, mas quando voltei, você já tinha ido embora.
Essas memórias eram muito antigas, mas ela ainda se lembrava de tudo com tanta clareza.
Os olhos de Arthur não puderam evitar se encher de calor.
Shen Nanzhi segurou seus ombros suavemente; seu rosto, habitualmente calmo e frio, mostrava agora uma tensão rara, e sua voz trazia um tremor quase imperceptível.
— Arthur, eu passei todos esses anos esperando.
— Esperando que você voltasse, esperando que se divorciasse, esperando que, ao olhar para trás, você pudesse me notar um pouco mais.
Seus olhos cor de âmbar estavam fixos nele, brilhando como se contivessem todo o céu estrelado.
— Mas hoje, eu não quero mais esperar. Eu quero te dizer...
— Eu gosto de você.
Arthur foi pego de surpresa e assustado pela franqueza dela. Ele desviou o olhar rigidamente e desconversou.
— Eu... eu entendo. Sou seu irmão, que irmã não gosta do próprio irmão?
— Não.
Shen Nanzhi pegou a mão dele e a colocou sobre o peito, dizendo palavra por palavra.
— Não é um gosto de irmã por irmão. É o gosto de uma mulher por um homem, aquele tipo de gosto de quem já escolheu você para a vida toda.
Sentindo o coração dela bater descontroladamente sob sua mão, Arthur não teve como fugir e suspirou.
— Nós somos irmãos...
— Arthur, pare de se enganar.
Shen Nanzhi olhou para ele com obstinação, seu olhar afiado como se pudesse ver através de sua alma.
— Ambos sabemos muito bem que o papai me adotou apenas porque recebeu o pedido do meu pai biológico. Não temos nenhum laço de sangue entre nós.
— Mesmo que nos casássemos agora, ninguém teria nada a dizer!
Arthur estava tão chocado com essas palavras que seus lábios tremiam.
— Mas... mas...
Ao ouvir a recusa, os olhos de Shen Nanzhi brilharam com uma tristeza rara, e eles ficaram úmidos, como os de um filhote de cachorro abandonado.
— Não se apresse em me recusar. Você não pode me dar ao menos uma chance de te conquistar?
Após um silêncio que pareceu interminável.
Ao olhar para aqueles olhos levemente avermelhados, Arthur, como se estivesse sob um feitiço, assentiu.
— Então... vamos tentar?
Quando entrou no carro com Shen Nanzhi.
Arthur lembrou-se do que era importante e a segurou, perguntando apressado.
— O assistente não disse que você tinha uma reunião muito importante hoje? Você veio me buscar, e a empresa, como fica?!
Vendo a ponta do nariz dele avermelhada pela preocupação, Shen Nanzhi curvou levemente os lábios, seus olhos transbordando um sorriso.
— Por que, está preocupado comigo?
— Estou falando sério!
Shen Nanzhi sorriu, apertou sua bochecha e disse com suavidade.
— Não se preocupe. Se não tenho outra coisa, dinheiro eu ainda tenho um pouco. Não vou deixar você sofrer.
— Além disso, uma simples reunião... o que ela significa perto do meu marido?
Dessa forma, os dois seguiram o caminho conversando e rindo.
No meio do caminho, Shen Nanzhi recebeu um telefonema; a empresa tinha uma emergência para resolver.
O motorista os deixou na porta; Arthur desceu do carro e estava prestes a pegar as chaves.
De repente, ouviu passos atrás de si.
— Não acabou de sair? Por que voltou?
Ele presumiu inconscientemente que fosse Shen Nanzhi voltando e virou-se sorrindo.
Mas, ao ver quem estava parado ali, seu sorriso estacou e sua voz ficou presa na garganta.
— Como... é você?!
Capítulo 18
Seis meses sem se ver.
Beatriz parecia outra pessoa; seu cabelo estava desgrenhado, seus olhos estavam fundos, e ela emagrecera visivelmente, parecendo estar em um estado deplorável.
Arthur ficou paralisado por um momento, mas logo fechou a expressão.
— Você não é bem-vinda aqui. Vá embora.
Dito isso, ele não olhou mais para ela e passou direto para entrar.
No entanto, uma força poderosa agarrou seu pulso por trás.
— Não me toque —
Ele gritou quase por reflexo, seu corpo encolhendo-se incontrolavelmente.
Ao ver o desprezo e o ódio profundos nos olhos dele, Beatriz sentiu como se seu peito tivesse sido arrancado, deixando apenas um vazio gelado.
Ela abaixou a cabeça, derrotada, e sua voz soou como uma súplica.
— Arthur, eu não...
— Não o quê?!
Arthur fixou nela um olhar injetado de sangue, com o estômago embrulhado.
— Não foi de propósito que me feriu? Não foi de propósito que me empurrou de volta para aquele inferno da família Huo, ou não foi de propósito que matou meu pai?!
Cada palavra era como uma lâmina afiada, atingindo o peito de Beatriz.
Suas mãos tremiam incontrolavelmente, e sua voz estava rouca.
— Sinto muito, eu estava errada, Arthur.
Lágrimas quentes caíram no chão; o canto de seus olhos estava vermelho-vivo.
— Eu fui uma idiota no passado, fazendo tantas coisas que te feriram.
— Acredite ou não, eu só quero te dizer que assumo tudo o que fiz.
— Mesmo que você me apunhalasse agora, eu não diria uma palavra.
Arthur deu um riso frio, carregado de deboche.
— Beatriz, você continua tão arrogante como sempre?
— Meu pai já morreu. Mesmo que eu te matasse agora, o que mudaria? Meu pai não voltará!
— Além disso, o que você me deve vai muito além disso. Você me enganou por sete anos inteiros! Sete anos! Com o que você vai me pagar?
Beatriz abriu a boca, mas sua garganta parecia bloqueada por algodão; ela não conseguia articular uma única palavra.
Sua mão, caída ao lado do corpo, fechou-se em punho, apenas para se soltar pouco depois, sem forças.
Arthur a observou em silêncio por um tempo, sua voz gélida, sem qualquer emoção.
— Beatriz, o que nos separa não é qualquer coisa; são vidas humanas perdidas. Se você ainda tem um pingo de consciência, deveria saber que não tem o direito de pedir meu perdão.
— Portanto, não me procure mais. Que cada um siga o seu caminho em paz.
Dito isso, ele não olhou mais para ela e entrou direto na mansão.
O som pesado da porta batendo atrás dele despertou o que restava da razão de Beatriz.
Ela levantou os olhos, vermelhos como sangue, fixando-os na luz acesa dentro da casa, e golpeou a parede com o punho.
A pedra afiada cortou sua pele; grandes gotas de sangue rolaram da ferida, tingindo grande parte de sua roupa de vermelho.
Mas ela parecia não sentir. Seu coração estava cheio de remorso; todas as suas entranhas pareciam ter sido devoradas por uma dor lancinante.
A partir daquele dia.
Beatriz nunca mais apareceu na frente de Arthur.
Ela apenas deixava presentes na porta todos os dias e ia embora em silêncio.
Às vezes eram sobremesas que ela mesma aprendera a fazer, às vezes eram rosas búlgaras que ela colhia pessoalmente de manhã, ou cartas de arrependimento que escrevia de próprio punho.
Embora Arthur nem olhasse e mandasse a limpeza jogar tudo no lixo todas as vezes.
Ela não desanimava.
Contanto que não houvesse outra mulher ao lado dele, ela não consideraria isso uma derrota. O tempo é longo; quem sabe um dia Arthur não seria tocado por seu arrependimento.
Até o dia em que Beatriz, carregando mais um presente, preparava-se para deixá-lo na porta.
Ao chegar, viu o casal se beijando no jardim ali perto.
Sua mente explodiu como um estrondo; a caixa de música que segurava caiu no chão, emitindo um barulho alto.
Eram, claramente, Shen Nanzhi e... Arthur.
Mas eles não eram irmãos?!
Uma fúria avassaladora atingiu seu peito; ela cerrou os punhos e avançou a passos largos.
— Seus monstros!
Ela ergueu a mão para esbofetear Shen Nanzhi, mas no segundo seguinte,Arthur bloqueou o ataque, protegendo a mulher atrás de si.
Sua mão parou no ar.
Vendo a vigilância sem reservas nos olhos de Arthur e suas mãos entrelaçadas com as da outra mulher.
Sua respiração parou, e todo o seu sangue pareceu congelar.
Tudo aquilo no passado era claramente dela...
Muito tempo se passou até que ela conseguisse sufocar aquela dor insuportável e lançar um olhar feroz para Shen Nanzhi, atrás dele.
— Arthur é seu irmão de verdade, como você pode —
— Você é mesmo muito ingênua.
Shen Nanzhi ergueu as pálpebras com preguiça e a olhou, sua voz suave, mas carregada de um escárnio impossível de ignorar.
— Eu não passo de uma irmã adotiva no nome; nem a lei encontra falha em nós. E você, uma covarde que não consegue nem controlar seus próprios desejos, que direito tem de vir aqui dizer essas coisas?
Então eles não tinham nenhum laço de sangue...
Sua força vital pareceu drenada instantaneamente. Beatriz abaixou a cabeça, derrotada; o sangue em seus olhos fervia enquanto ela encarava Shen Nanzhi.
— Você se aproveitou da fragilidade dele!
Shen Nanzhi curvou os lábios em um sorriso desdenhoso.
— E se for? Na verdade, deveria te agradecer.
— Se não fosse pela sua cegueira, tratando aquele homem calculista como um tesouro, como eu teria tido a oportunidade de me aproximar de Arthur?
Sua expressão tornou-se séria, cada palavra parecendo ser espremida entre seus dentes.
— Beatriz, pare de fingir que está arrependida. Quando você fingiu sua morte por sete anos, não faltaram pessoas mais qualificadas do que você ou eu para buscar Arthur, mas ele recusou todas sem hesitar por sua causa. E você, como tratou ele? Tudo o que aconteceu hoje é culpa sua.
Boom —
Beatriz sentiu como se tivesse levado uma cacetada; um maremoto de remorso a afogou.
É verdade.
Chegar a esse ponto hoje... não foi tudo culpa dela mesma?
Ela não podia culpar ninguém; só podia culpar a si mesma no passado, que foi tão desumana.
Mas o destino nunca foi generoso com ninguém; o que está feito, está feito, e não há espaço para arrependimentos.
Ela enxugou desesperadamente a umidade de seus olhos e olhou para Huo Arthur por um longo tempo, como se quisesse gravar aquele rosto profundamente em sua memória, sua voz cheia de soluços contidos.
— Arthur, desejo que você seja feliz.
Mesmo que essa felicidade não a inclua mais...
A partir de hoje, mundos distantes. Encontrar-se de novo será como encontrar estranhos.
[FIM DA HISTÓRIA]