Embora sorrisse, seus olhos transbordavam provocação.
— Como compensação, fui consultar médicos pessoalmente. Eles disseram que pacientes em estado vegetativo precisam de estímulos para ter chance de despertar. O que achou? Meu método não é excelente?
Ao ver o pai ser insultado como um brinquedo descartável.
Arthur tremia de ódio, seus dentes rangiam e ele gritou quase rasgando a garganta.
— Gosta de estímulos, não é?
— Então vou te dar uma boa dose de estímulos também!
Dito isso, ele estendeu a mão com força para rasgar a roupa de Tiago.
Mas, no segundo seguinte, uma força poderosa em seu ombro o derrubou violentamente no chão!
Com um estrondo ensurdecedor!
Ele foi empurrado e colidiu pesadamente contra uma escultura humana de dois metros de altura atrás dele!
Crack!
Ele ouviu claramente o som de seus próprios ossos se partindo, e desabou no chão, sem forças nem para pedir ajuda.
Beatriz abraçou Tiago com extrema delicadeza, seus olhos cheios de uma angústia profunda que nada poderia apagar.
Contudo, ao olhar para Arthur, sua expressão era de um gelo gélido e cortante.
— Arthur, esta é a quantas vezes já? Por que você simplesmente não consegue ser obediente?!
Arthur queria se explicar, mas ao ver o desprezo e a desilusão sem filtro nos olhos dela, sentiu um nó na garganta.
— Faça o que quiser, se tem coragem, me mate.
— Caso contrário, nunca deixarei essa vadia chamada Tiago em paz por toda a minha vida!
— Já chega!
Beatriz gritou friamente, uma aura sinistra emanando de todo o seu ser.
— Arthur, você se aproveita do fato de que eu não tenho coragem de te ferir para agir assim, mas hoje eu vou te dar uma lição que você não vai esquecer!
Antes que Arthur pudesse reagir, ela agarrou seu pulso e arrancou o relógio de seu braço com brutalidade.
— Este senhor roubou em público um objeto de valor inestimável meu, chamem a polícia.
Arthur sentiu como se tivesse sido atingido por um raio; sua mente ficou em branco.
Todos diziam que a herdeira Beatriz era implacável e cruel.
Apenas diante dele, ela raramente demonstrava um pouco de ternura.
Antes, ele acreditava fielmente que seria sempre a exceção.
Mas até este momento, quando ela usou contra ele as mesmas táticas detestáveis que usava contra seus inimigos.
Esquecendo-se completamente de que, quando ela mesma colocou este relógio personalizado em seu pulso, prometeu sob juramento que nunca o trairia.
A polícia chegou rapidamente.
No momento em que era algemado, Beatriz o chamou, sua voz carregada de uma condescendência impotente.
— Arthur, não me culpe. Faço tudo isso para o seu próprio bem.
— Quando você sair, não direi uma única palavra sobre como você quiser desabafar.
Arthur não respondeu, apenas sorriu com amargura.
Um amor que te dá um tapa e depois um doce... ele sentia nojo disso.
Tarde da noite, ele acabara de arrumar sua cama e se preparava para dormir.
Subitamente, sentiu algo viscoso e gélido deslizar sob seu corpo!
Arthur abriu os olhos violentamente e percebeu que, de repente, várias cobras peçonhentas sibilando haviam surgido dentro de suas cobertas!
Capítulo 7
— Aaaah!
Apavorado e pálido, ele levantou-se apressadamente para escapar.
Mas foi empurrado com força e pisoteado contra o chão, incapaz de se mover.
— Fique quieto, seu merda!
A mulher que liderava o grupo cuspiu nele com desprezo, o tom carregado de escárnio.
— Estamos apenas fazendo o trabalho pelo qual fomos pagas. Alguém pagou uma fortuna para que te déssemos uma bela lição, e nós não temos escolha!
Arthur sentiu o fôlego faltar. Após um longo tempo, um riso rouco saiu de sua garganta, e as lágrimas caíram silenciosamente pelo seu rosto.
Beatriz... ó Beatriz, seu coração é realmente cruel...
Nos dias que se seguiram, aquelas mulheres usaram todo tipo de tortura contra ele.
Forçavam-no a comer sobras de comida azeda, a beber a água suja do vaso sanitário e o impediam de dormir a noite inteira.
Quando finalmente foi solto.
Arthur estava tão magro que mal parecia humano, coberto de hematomas e feridas.
Mas ele não tinha tempo para lamentar, nem tempo para odiar; só queria levar o pai embora dali o mais rápido possível.
Ele pegou um táxi e correu até o hospital.
Mas, assim que entrou no quarto, viu vários funcionários da equipe médica se preparando para levar seu pai para fora.
— O que vocês estão fazendo?!
Arthur, ignorando tudo o mais, correu para dentro.
Uma enfermeira o olhou de cima a baixo com desprezo e ironizou.
— Querendo receber alta sem pagar a conta do hospital? Acha que o hospital é sua casa? Quanta cara de pau!
Contas pendentes...
A mente de Arthur apagou, incapaz de entender o que estava acontecendo.
Nesse momento, o assistente do pai de Arthur entrou com uma expressão fria.
— Jovem mestre, o vídeo da sua discussão com o Sr. Tiago na galeria de arte vazou na internet. Algumas declarações inadequadas que você fez no passado foram desenterradas, e agora toda a rede está chamando o Sr. Tiago de amante.
— A patroa deu ordens: a conta do hospital do seu pai só será paga quando você fizer uma retratação pública.
— Você está sonhando!
Arthur tremia de ódio, sua voz não parava de oscilar.
— A patroa disse que você pode se recusar.
A expressão do assistente permaneceu gélida, mas sua voz carregava uma ameaça impossível de ignorar.
— Mas você sabe bem como está o estado do seu pai; se ele for retirado desses aparelhos, não resistirá nem cinco minutos.
— A decisão de salvá-lo ou não é sua.
Arthur não olhou mais para ele, apenas tirou seu próprio cartão e o entregou à enfermeira.
— Eu tenho dinheiro, ainda posso salvar meu pai.
Mas, após tentar passar o cartão mais de dez vezes, a funcionária o olhava com uma expressão de constrangimento.
— Desculpe, Sr. Arthur, todos os cartões em seu nome foram bloqueados. Agora, não é possível sacar um único centavo...
O coração de Arthur parecia ser apertado por garras mortais, seus nós dos dedos que seguravam o cartão ficaram brancos.
O assistente levantou a mão para chamar os seguranças.
— Peguem-no!
Ao ver seu pai prestes a ser jogado para fora como lixo.
Os punhos cerrados de Arthur se abriram, exaustos, e ele respirou fundo.
— Eu aceito.
Ele foi, em um estado quase autômato, até o local da coletiva de imprensa, sua voz rouca como se tivesse sido lixada.
— Tiago não é um amante; foi o meu ciúme e a minha ganância por bens materiais que me fizeram inventar esses rumores.
— Tudo foi culpa minha...
Ele se curvava e se ajoelhava mecânica e inexpressivamente, repetidas vezes.
Abaixo do palco, a multidão estava furiosa; pessoas mais exaltadas pegavam restos de vegetais podres e ovos estragados e os atiravam contra ele.
Arthur permanecia parado, imóvel, sem desviar e sem se defender.
Ele repetia a si mesmo em sua mente.
Suporte por mais um momento, só mais um momento, e tudo isso acabará de vez.
Mas, no meio do caos, uma mulher obesa e bêbada riu com um brilho lascivo nos olhos.
— Para lidar com esse tipo de vadia sem escrúpulos, é preciso algo diferente!
Assim que terminou a frase, ela estendeu suas mãos gordurentas para tocar em Arthur.
As pupilas de Arthur se dilataram, sem tempo de escapar.
No meio da confusão, uma força poderosa o puxou e o protegeu atrás de si.
Capítulo 8
Ao levantar os olhos, ele encontrou o olhar tenso e trêmulo de Beatriz.
Ela examinou-o cuidadosamente para confirmar que ele estava bem, só então soltando um suspiro de alívio, e estendeu a mão para limpar suavemente a umidade no canto de seus olhos, sua voz ainda carregada com o tremor de um susto que não passara.
— Arthur, estou aqui. Não tenha mais medo.
Dito isso, ela ordenou que os seguranças chutassem a mulher gorda para longe, seus olhos transbordando com uma aura sanguinária e cruel.
— Ousar tocar no meu marido, está cansada de viver?
— Alguém, leve essa mulher e a faça despertar de vez!
A multidão, apavorada com a cena, dispersou-se instantaneamente.
No saguão, restavam apenas ele e Beatriz.
Arthur apoiou-se para levantar, pretendendo voltar ao hospital para ver o pai.
Mas, atrás de si, ouviu uma voz destituída de qualquer calor.
— Arthur, na verdade, fui eu quem sugeriu à sua mãe usar as despesas médicas do seu sogro para te ameaçar, e também fui eu quem cortou o acesso aos seus cartões bancários.
— Até mesmo aquela mulher que tentou te molestar agora pouco fui eu quem contratei.
O corpo de Arthur travou bruscamente, mal conseguindo acreditar no que ouvia. Seus membros pareciam cheios de gelo, e a frieza penetrava até a medula de seus ossos.
Após um longo tempo, ele ouviu a própria voz, trêmula e rouca.
— Por quê?
Beatriz suspirou, sua voz carregada de um certo desamparo.
— Embora o sequestro da criança na última vez não tenha tido nada a ver com você, seu temperamento é intenso demais. Quem poderia garantir que você não faria algo assim no futuro? Tiago e as crianças não podem correr esse risco, então eu só tive que amansar o seu gênio...