localização atual: Novela Mágica Moderno Entre a Vida e o Mar PARTE 3

《Entre a Vida e o Mar》PARTE 3

PUBLICIDADE

“O acidente não foi um acidente”

O amanhecer em Angra dos Reis trouxe uma névoa estranha sobre o mar.

Não era apenas vapor natural.

Era como se o oceano estivesse escondendo algo.

Algo que não queria ser visto.

Na delegacia marítima, o ambiente era diferente do hospital. Não havia monitores, nem alarmes. Mas havia tensão. Uma tensão mais silenciosa, mais política.

O caso de Caio Valente Nogueira já tinha saído das mãos da emergência médica e entrado em outro território.

Investigação.

E isso sempre significava uma coisa no Brasil:

verdades sendo negociadas.

O delegado Eduardo Sampaio jogou a pasta sobre a mesa.

“Acidente de lancha de alta velocidade… encerrado como colisão operacional simples.”

Ele leu em voz alta, com desprezo.

“Simples? Um atleta de elite perde a perna em mar aberto e isso é simples?”

Do outro lado da mesa, o investigador respondeu sem emoção:

“Foi o relatório oficial da Capitania dos Portos.”

Eduardo fechou os olhos por um segundo.

Algo não fechava.

E ele sabia disso antes mesmo de abrir o inquérito.

No mesmo instante, em um prédio corporativo no centro do Rio de Janeiro, uma reunião acontecia em silêncio absoluto.

A empresa “Albuquerque Marine Group” ocupava metade de um andar inteiro de vidro e aço.

Rafael Albuquerque estava sentado à cabeceira da mesa.

Executivo jovem.

Olhar frio.

Controle absoluto.

Na tela atrás dele, imagens do acidente ainda circulavam.

Mas não eram as originais.

Eram versões editadas.

Simplificadas.

Controladas.

“Quem liberou isso?” Rafael perguntou sem levantar a voz.

Ninguém respondeu imediatamente.

Até que um dos assessores falou:

“Foi processado pelo sistema da Capitania. Versão final automatizada.”

Rafael inclinou a cabeça levemente.

“Automatizada…” ele repetiu.

E sorriu.

Mas não era um sorriso humano.

Era um sorriso de quem entende exatamente como o sistema funciona… porque ele mesmo ajudou a construí-lo.

Na delegacia marítima, Eduardo abriu o arquivo técnico do acidente.

E então percebeu o primeiro problema.

Faltavam dados.

Não pequenos detalhes.

Dados inteiros.

“Cadê o registro bruto da câmera da boia 7?” ele perguntou.

“O sistema não salvou.”

“E o GPS da lancha de apoio?”

“Corrompido.”

“E o áudio da equipe de resgate?”

“Não disponível.”

Eduardo levantou lentamente o olhar.

“Vocês estão me dizendo que… tudo que poderia mostrar o momento exato do impacto… desapareceu?”

Silêncio.

A resposta já era a resposta.

Enquanto isso, no Hospital Copa D’Or, Helena Monteiro Vasconcelos revisava novamente o caso de Caio.

Ela não tinha dormido.

Nem tentado.

Porque havia algo naquele paciente que não permitia descanso mental.

Ela abriu o prontuário digital.

E encontrou algo novo.

Um campo que não estava lá antes.

“ALTERAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO: ACIDENTE OPERACIONAL → INCIDENTE NÃO-INVESTIGÁVEL”

Helena franziu a testa.

“Isso não existe…” ela disse.

E clicou.

O sistema pediu autenticação de nível superior.

Ela não tinha acesso.

Mas alguém tinha.

E alguém tinha alterado o caso enquanto o paciente ainda estava vivo.

No leito da UTI, Caio começou a reagir de forma estranha.

PUBLICIDADE

Não era convulsão.

Não era dor.

Era algo mais interno.

Como se o cérebro estivesse tentando reorganizar algo perdido.

Ele abriu os olhos por um segundo.

E viu.

Não o hospital.

Não a luz branca.

Mas o mar.

Outra vez.

O som da colisão voltou como um eco dentro da mente.

“Não…”

A palavra saiu fraca, quebrada.

Helena percebeu imediatamente.

“Caio? Você está me ouvindo?”

Mas ele não olhou para ela.

Ele olhou através dela.

Como se estivesse vendo outra camada da realidade.

E então aconteceu o primeiro flash.

???? FLASH DE MEMÓRIA

Velocidade.

Metal.

Um som de motor diferente do normal.

Não era apenas uma lancha comum.

Era mais pesada.

Mais silenciosa antes do impacto.

E alguém… no convés.

Alguém observando.

Caio respirou de forma irregular.

“Tem… alguém…” ele murmurou.

Helena se aproximou.

“O que você disse?”

Mas ele já tinha voltado.

Na sala de monitoramento do hospital, o técnico de TI recebeu um e-mail sem remetente.

Assunto: “ENCERRAR O CASO”

Anexo: arquivo de sistema.

Ele abriu.

E viu uma única linha de comando:

“CONFIRMAR SOBESCRITA DO REGISTRO ORIGINAL DO ACIDENTE – SIM/NÃO”

Ele congelou.

Isso não era rotina hospitalar.

Isso não era procedimento médico.

Isso era outra coisa.

Ele hesitou.

Mas antes de conseguir pensar…

O sistema confirmou sozinho.

“SIM.”

No mesmo instante, em Angra dos Reis, a equipe de investigação encontrou algo físico.

Um fragmento da lancha envolvida no acidente.

Eduardo se aproximou.

“Isso não foi inspeccionado ainda?”

“Não.”

Ele tocou o metal.

E franziu o rosto.

Não era dano comum de colisão.

Era corte.

Preciso.

Quase cirúrgico.

Como se algo tivesse sido removido antes do impacto.

“Isso aqui não bate com relatório nenhum…” ele disse.

E naquele momento, o telefone dele tocou.

Número restrito.

Ele atendeu.

Silêncio do outro lado.

Depois uma voz masculina.

Calma.

Controlada.

“Delegado Eduardo… sugiro encerrar esse caso enquanto ainda é possível.”

Eduardo apertou o telefone.

“Quem está falando?”

“Alguém que está te poupando de problemas maiores.”

“Isso é ameaça?”

Do outro lado, uma leve pausa.

E então:

“É conselho.”

A ligação caiu.

Helena entrou na sala administrativa do hospital sem bater.

Ela colocou os relatórios na mesa.

“Alguém alterou o diagnóstico oficial do acidente.”

O diretor olhou sem emoção.

“Isso não é sua área, doutora.”

“Um paciente foi quase apagado do sistema enquanto estava vivo.”

“Você está cansada.”

Helena deu um passo à frente.

“Não. Eu estou sendo ignorada.”

Silêncio.

O diretor fechou a pasta.

“Helena… alguns casos não devem ser aprofundados.”

Ela encarou ele.

“Por quê?”

Ele não respondeu.

E isso respondeu tudo.

Na UTI, Caio voltou a abrir os olhos.

Mas agora havia algo diferente.

Não era apenas lembrança.

Era reconhecimento.

Ele virou lentamente o rosto.

E encarou o teto.

“Eu vi…” ele disse.

Helena se aproximou rapidamente.

“O que você viu?”

Caio respirou fundo.

E então falou algo que fez o ambiente inteiro mudar de temperatura.

“Eles não estavam tentando evitar o acidente…”

Silêncio.

Helena prendeu a respiração.

“Então o que estavam fazendo?”

Caio piscou lentamente.

E respondeu:

“Eles estavam garantindo que ele acontecesse do jeito certo.”

O monitor cardíaco disparou.

Helena olhou imediatamente.

“Caio, fica comigo!”

Mas ele não estava mais totalmente ali.

Ele estava outra vez entre dois lugares.

E dessa vez… ele viu mais.

???? SEGUNDO FLASH

Uma reunião.

Um mapa marítimo.

Uma rota desenhada previamente.

E o ponto exato do impacto marcado.

Antes do acidente.

Antes do treino.

Antes de qualquer coisa.

Caio sussurrou:

“Foi planejado…”

E então seu corpo reagiu violentamente.

Os alarmes dispararam.

“Ele está entrando em instabilidade!”

“Pressão caindo!”

“Preparem reanimação!”

Helena segurou firme.

“Não agora… não agora…”

Mas enquanto tentavam estabilizá-lo…

Na tela do sistema hospitalar…

Um novo aviso apareceu sozinho:

“PACIENTE: INTERFERÊNCIA EXTERNA DETECTADA”

E abaixo:

“ACESSO AO PRÓXIMO NÍVEL DE MEMÓRIA EM ANDAMENTO”

Helena congelou.

“Isso não é médico…” ela sussurrou.

E quando olhou para Caio novamente…

Ele estava olhando diretamente para ela.

Mas não como paciente.

Como alguém que tinha acabado de lembrar de algo que não deveria existir.

E então ele disse, quase sem voz:

“Rafael Albuquerque… estava lá.”

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia