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《A Mãe Esquecida》PARTE 12

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O quarto do Hospital Santa Cecília estava silencioso, mas Juliana não conseguia mais sentir aquele silêncio como antes. Agora ele parecia diferente — mais pesado, quase invasivo, como se carregasse palavras não ditas dentro dele.

Ela estava sentada na cama.

Olhos fixos na parede branca.

Respiração curta.

Desde que o nome “Maria Aparecida de Souza” apareceu, algo dentro dela vinha se quebrando em pedaços pequenos demais para serem ignorados.

Mas também grandes demais para serem aceitos.

A porta se abriu lentamente.

Dr. Henrique entrou.

“Juliana, precisamos conversar.”

Ela não respondeu imediatamente.

Depois de alguns segundos:

“Eu já ouvi isso antes.”

Ele fechou a porta atrás dele.

E ficou parado.

“Desta vez é diferente.”

Juliana riu de forma seca.

“Todo mundo diz isso aqui.”

Ele se aproximou.

Colocou uma pasta sobre a mesa.

“Esses são registros recuperados do sistema antigo do hospital.”

Ela olhou sem entender.

“E o que isso tem a ver comigo?”

Dr. Henrique hesitou.

“Tudo.”

O silêncio caiu imediatamente.

Ele abriu a pasta.

Mostrou os documentos.

Juliana olhou.

Primeiro com desinteresse.

Depois com confusão.

E então… com desconforto.

“Isso é mentira,” ela disse rapidamente.

Dr. Henrique manteve a calma.

“Não é.”

Ele virou outra página.

“Esse aqui é seu registro de nascimento hospitalar.”

Juliana franziu a testa.

“Eu tenho meus documentos. Isso não muda nada.”

Ele respirou fundo.

“Juliana… sua mãe biológica é Maria Aparecida de Souza.”

A frase caiu no quarto como um impacto físico.

Juliana ficou imóvel.

Depois, balançou a cabeça lentamente.

“Não.”

Mais forte:

“Não, não, não.”

Ela começou a respirar mais rápido.

“Minha mãe morreu quando eu era criança. Eu sei disso.”

Dr. Henrique respondeu com cuidado.

“Você foi criada por outra família após um período de internação e perda de memória parcial.”

Juliana levantou da cama bruscamente.

“Para de falar isso!”

A voz dela ecoou pelo quarto.

“Isso não é verdade!”

Dr. Henrique não recuou.

“Você tem direito de não aceitar agora. Mas isso não muda o que aconteceu.”

Juliana começou a tremer.

“Isso é absurdo…”

Ela levou as mãos à cabeça.

“Vocês estão tentando me confundir!”

Do outro lado da cidade, na mansão Ribeiro Valente, Maria estava na cozinha quando sentiu um arrepio forte percorrer o corpo.

Ela parou imediatamente.

A colher caiu da mão.

“Juliana…”

Ela não sabia por que tinha dito aquele nome naquele momento.

Mas saiu automaticamente.

A governanta passou atrás dela.

“Maria, o que está fazendo parada aí?”

Maria piscou.

Voltando à realidade.

“Desculpe…”

Mas algo dentro dela estava fora do lugar.

No hospital, Juliana agora andava de um lado para o outro no quarto.

“Isso é um erro.”

Ela apontava para os papéis.

“Esses documentos podem ser falsos!”

Dr. Henrique respondeu:

“Não são.”

Juliana parou.

Olhou para ele diretamente.

“Por que você está fazendo isso comigo?”

Ele respirou fundo.

“Porque você precisa saber a verdade antes que seja tarde demais.”

Ela riu nervosamente.

“Verdade? Qual verdade?”

Ele hesitou.

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E então disse:

“A mulher que você chama de funcionária da sua casa… não é uma estranha para você.”

Juliana franziu a testa.

“Do que você está falando?”

Dr. Henrique abriu outra página.

E mostrou uma foto antiga.

Juliana viu.

E congelou.

Uma mulher.

Mais velha.

Mas com os mesmos olhos.

Maria.

O ar no quarto pareceu desaparecer por um segundo.

Juliana deu um passo para trás.

“Isso… isso não significa nada.”

Mas sua voz já não era firme.

Dr. Henrique falou baixo:

“Ela é sua mãe, Juliana.”

O silêncio seguinte foi absoluto.

Juliana fechou os olhos com força.

E então explodiu:

“Não!”

“Ela NÃO é minha mãe!”

Ela jogou os papéis no chão.

“Minha mãe não é uma empregada!”

Dr. Henrique ficou em silêncio.

Juliana respirava rápido.

Desorganizada.

“Vocês estão mentindo pra mim!”

Ela apontou para a porta.

“SAIA!”

Na mansão, Maria estava agora sozinha na lavanderia.

Ela segurava uma peça de roupa quando, de repente, suas mãos começaram a tremer.

Uma imagem veio.

Rápida.

Incompleta.

Uma criança.

Chamando.

“Juliana…”

Maria caiu de joelhos.

“De novo isso…”

Ela tentou respirar.

Mas o peito estava apertado.

E então, sem aviso, uma lembrança atravessou sua mente com força.

Um hospital.

Uma cama.

E uma mão pequena segurando a dela.

“Eu não quero te perder…”

Maria começou a chorar sem entender por quê.

No hospital, Juliana ficou sozinha.

Ela estava sentada no chão.

Os olhos vazios.

“Não é verdade…”

Mas sua voz não tinha mais certeza.

Ela olhou para a foto novamente.

E algo dentro dela hesitou.

Não era lembrança.

Não ainda.

Era apenas… uma sensação impossível de ignorar.

E naquele instante, pela primeira vez, a mente de Juliana não conseguiu mais proteger a versão da realidade que ela tinha construído.

Mas do lado de fora do hospital, alguém já estava observando a situação mudar — e entendendo que, se aquela verdade continuasse avançando…

nada mais ficaria no lugar.

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