localização atual: Novela Mágica Moderno A Mãe Esquecida PARTE 4

《A Mãe Esquecida》PARTE 4

PUBLICIDADE

A manhã em São Paulo começou com uma luz pálida atravessando as janelas altas da mansão Ribeiro Valente. Dentro da casa, o silêncio era organizado, quase cruel, como se até o ar tivesse medo de fazer barulho.

Maria Aparecida de Souza já estava no andar superior, ajoelhada no chão frio do quarto principal, limpando cuidadosamente cada detalhe do piso de madeira nobre.

Era ali que Juliana dormia.

Era ali que Juliana vivia.

E agora… era ali que Maria limpava.

Ela passou o pano lentamente perto da cama, evitando olhar demais para os objetos pessoais espalhados: bolsas caras, sapatos italianos, roupas dobradas com precisão quase militar. Cada coisa naquele quarto parecia gritar uma vida que Maria não conseguia alcançar.

Mas o que mais chamava sua atenção não eram os objetos.

Era o cheiro.

Um cheiro familiar demais.

Ela parou por um segundo.

Fechou os olhos.

“Isso… não deveria me parecer familiar…”

Mas a sensação sumiu antes de virar pensamento.

Na escada, Juliana apareceu de repente, já pronta para sair.

“Você ainda não terminou esse quarto?” perguntou sem emoção.

Maria se levantou rapidamente.

“Estou quase acabando, senhora.”

Juliana franziu o rosto.

“Eu já disse para não me chamar assim.”

Maria hesitou.

“Desculpa… Juliana.”

O nome saiu baixo.

Mais baixo do que deveria.

Juliana entrou no quarto sem olhar para ela direito, pegando um par de sapatos de salto alto.

“Preciso desses limpos para hoje à noite.”

Maria assentiu.

“Sim, eu posso fazer isso agora.”

Juliana jogou os sapatos no chão, perto dela.

Não foi um gesto agressivo.

Mas também não foi gentil.

Foi automático.

Como se Maria fosse parte do ambiente.

Maria se abaixou lentamente.

Pegou os sapatos.

E ficou alguns segundos olhando para eles.

Sapatos caros.

Elegantes.

Vivos de uma forma estranha.

E algo dentro dela apertou de novo.

Não dor.

Reconhecimento.

Ela começou a limpar.

Com cuidado demais.

Como se aqueles sapatos tivessem algum significado que ela não conseguia explicar.

Juliana estava no celular, andando pelo quarto enquanto falava com alguém.

“Sim, reunião hoje à noite no Itaim. Não posso me atrasar.”

Ela passou perto de Maria sem olhar.

Muito perto.

Perto demais.

E por um segundo…

Maria sentiu o corpo congelar.

O cheiro.

A voz.

A presença.

Tudo ao mesmo tempo.

“Juliana…”

A palavra saiu sem permissão.

Juliana parou.

“Sim?”

Maria levantou o olhar.

E quase falou.

Quase.

“Você já… esteve aqui antes comigo?”

O silêncio caiu imediatamente.

Juliana franziu a testa.

“Do que você está falando?”

Maria piscou.

O coração acelerado.

“Não é nada… desculpa.”

Juliana soltou o ar, impaciente.

“Você é muito estranha.”

E saiu do quarto.

Maria ficou sozinha.

Segurando os sapatos.

Com as mãos levemente tremendo.

Na cozinha, mais tarde, as outras funcionárias comentavam baixo.

“Ela é sempre assim?”

“Dizem que trabalha demais porque precisa do dinheiro.”

Maria fingiu não ouvir.

Mas cada palavra entrava nela como pequenas facas invisíveis.

Renata apareceu no corredor, observando de longe.

PUBLICIDADE

“Você está demorando demais com tarefas simples.”

Maria respondeu rápido.

“Estou terminando, senhora.”

Renata se aproximou.

“Não quero distrações nessa casa. Principalmente perto da Juliana.”

Maria levantou o olhar.

“Eu não estou distraindo ninguém.”

Renata sorriu levemente.

Mas não havia calor naquele sorriso.

“Houve relatos de você falando demais com ela.”

Maria ficou rígida.

“Eu não falei nada demais.”

Renata inclinou a cabeça.

“Então evite falar qualquer coisa.”

Maria abaixou o olhar.

Mas dentro dela, algo começou a pesar mais forte.

Não era medo.

Era contenção.

Como segurar algo que queria sair.

Mais tarde naquele dia, Juliana voltou ao quarto para se arrumar.

Maria ainda estava lá, organizando roupas.

Juliana entrou tirando o blazer.

“Deixa isso aqui e sai depois.”

Maria hesitou.

“Posso terminar de organizar antes…”

Juliana interrompeu.

“Só sai.”

Maria parou.

Respirou fundo.

E tentou sair.

Mas antes de sair, olhou para Juliana novamente.

Longo demais.

Profundo demais.

Juliana percebeu.

“Por que você me olha assim o tempo todo?”

Maria congelou.

A pergunta era simples.

Mas destruiu algo dentro dela.

“Eu só acho você…”

Ela parou.

Não conseguiu continuar.

Juliana se virou completamente agora.

“Você acha o quê?”

Silêncio.

Maria apertou as mãos.

E quase disse.

Quase.

“Você me lembra alguém.”

Juliana riu sem humor.

“Eu não lembro de você.”

Essa frase caiu como pedra.

Maria baixou o olhar imediatamente.

“Desculpa. Eu não quis incomodar.”

Juliana pegou uma bolsa.

“Não incomoda. Só não existe diferença entre você e o resto aqui.”

Maria ficou parada.

Sem resposta.

Naquela tarde, enquanto limpava o closet de Juliana, Maria encontrou uma gaveta aberta.

Dentro havia fotos antigas.

Ela não deveria olhar.

Mas olhou.

Uma delas caiu no chão.

Maria pegou.

E ficou imóvel.

Era Juliana pequena.

Sorrindo.

Segurando um colar azul.

O mesmo colar.

O mesmo que Maria tinha escondido em sua bolsa.

As mãos dela começaram a tremer mais forte.

“Não… isso…”

Ela levou a foto mais perto do rosto.

O peito apertou.

A respiração falhou por um segundo.

E então…

Passos.

Renata entrou rapidamente.

“O que você está fazendo?”

Maria soltou a foto imediatamente.

“Eu só… caiu e eu…”

Renata pegou a foto do chão.

Olhou.

E seu rosto mudou.

Frio novamente.

“Você não toca nisso.”

Maria tentou falar.

“Essa menina…”

Renata interrompeu.

“Esqueça tudo o que você acha que viu.”

Maria ficou parada.

Sem conseguir responder.

Quando Juliana entrou logo depois, viu a cena.

“Está tudo bem aqui?”

Renata respondeu antes.

“Sim. Só um mal-entendido.”

Juliana olhou para Maria.

“Você terminou o quarto?”

Maria respondeu automaticamente.

“Sim…”

Mas sua voz estava diferente.

Menos firme.

Mais quebrada.

Juliana passou por ela.

E, por um segundo…

Parou.

Como se algo tivesse tocado sua memória.

Mas ela ignorou.

E seguiu.

Maria ficou sozinha no quarto novamente.

Segurando o pano de limpeza.

O corpo parado.

Mas dentro dela…

Algo já não estava mais quieto.

E naquela casa silenciosa, pela primeira vez, o passado parecia não aceitar mais ficar enterrado.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia