《Após a Traição: Levei meu Filho e me Casei com o Magnata》Capítulo 4

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Capítulo 04: Memórias de Sangue

A noite estava envolta em uma névoa densa, mas o frio que Valentina sentia não vinha da janela aberta do escritório.

Ele emanava das páginas de um documento confidencial que ela acabara de interceptar, um dossiê detalhado que Alexandre preparara com o auxílio de advogados inescrupulosos.

O plano era simples, cruel e devastador: Alexandre pretendia forjar um histórico de instabilidade psicológica contra ela.

Com laudos médicos comprados e testemunhas falsas, ele planejava declará-la incapaz, garantindo a guarda exclusiva de Leo e o controle total sobre todos os ativos da família.

"Como ele ousa tentar tirar o meu filho de mim?", murmurou ela para o vazio da sala, enquanto o papel tremia levemente entre seus dedos.

O choque inicial deu lugar a um gelo profundo, uma clareza absoluta que ela nunca experimentara antes em seus seis anos de casamento.

A última gota de compaixão, aquele resto de humanidade que ela guardava pelo homem que um dia acreditara amar, evaporou instantaneamente.

Valentina percebeu que, contra um monstro que visava o que ela tinha de mais precioso, não haveria espaço para a diplomacia ou para o perdão.

"Se você quer guerra, Alexandre, eu vou te dar a destruição total", declarou ela, sua voz soando estranhamente calma em meio ao turbilhão de emoções que tentava conter. Ela sabia que cada segundo a partir dali deveria ser milimetricamente calculado para evitar qualquer contra-ataque.

Ela caminhou até o cofre atrás da estante de livros, digitando a combinação que descobrira semanas antes e retirando de lá o celular criptografado que reservara para comunicações de risco.

Valentina não precisava mais de segredos menores; ela precisava de uma aliança com o único homem que Alexandre temia.

Seus dedos deslizaram sobre a tela, encontrando o número de Marco Fontes, um contato que ela cultivara com paciência e discrição nos bastidores de grandes eventos. Ela não tinha certeza se ele atenderia, mas a urgência da situação não lhe permitia hesitar por um único momento.

"É agora ou nunca", pensou, enquanto o sinal de chamada preenchia o silêncio da casa, uma nota grave que parecia o prenúncio de uma tempestade.

O telefone tocou três vezes antes de um som abafado, quase imperceptível, indicar que a conexão fora estabelecida com sucesso.

Do outro lado, o telefone de Marco vibrou na mesa de cabeceira em sua cobertura isolada, rompendo a paz de uma madrugada silenciosa.

Ele acordou instantaneamente, seu treinamento militar e seu instinto de negócios garantindo que ele estivesse alerta antes mesmo que seus olhos se abrissem totalmente.

"Quem está falando a esta hora?", perguntou Marco, sua voz rouca e baixa, carregando uma autoridade que faria qualquer um hesitar, exceto Valentina. Ele esperava chamadas de seus associados sobre crises financeiras, mas a voz feminina que respondeu trouxe uma centelha de interesse genuíno.

"Sou eu, Valentina De Luca", ela respondeu, sem qualquer tremor em sua voz, mantendo um tom firme que demonstrava que não era um pedido de socorro, mas uma proposta de negócios.

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"O seu inimigo comum acaba de cometer o maior erro da vida dele ao tentar atingir o que é meu."

Houve um breve silêncio na linha, o tempo necessário para que Marco processasse a identidade da mulher que, até então, ele via apenas como uma observadora astuta nas festas da elite.

"Você tem minha atenção absoluta, Valentina, então diga-me exatamente o que aconteceu para você me ligar agora."

"Alexandre está preparando o terreno para uma batalha judicial onde ele pretende me destruir e tirar o meu filho", ela continuou, cada palavra sendo uma sentença contra o marido.

"Ele não sabe que eu tenho os arquivos, as provas e a determinação necessária para reduzi-lo a nada, mas preciso do seu alcance para finalizar o trabalho."

Marco soltou um riso curto, um som de puro entretenimento diante da ousadia daquela mulher que ele sempre suspeitou ser mais letal do que aparentava.

"Você está me propondo uma parceria para destruir o império De Luca, e isso é algo que eu esperava há muito tempo, mas não vindo de você."

"Não estou pedindo favores, estou oferecendo a oportunidade de você tomar o mercado que ele negligenciou com a própria corrupção", respondeu ela, seus olhos fixos em um ponto distante enquanto visualizava o fim de tudo o que Alexandre construíra.

"Encontre-me amanhã ao meio-dia, no local que você escolher, e traremos a ruína para o lugar dele."

"Você é muito mais perigosa do que Alexandre jamais poderia sonhar, Valentina, e isso me deixa muito curioso sobre o que mais você guarda na manga", comentou ele, antes de desligar com a promessa tácita de que o encontro aconteceria.

Valentina guardou o celular e sentiu, pela primeira vez, que o controle do jogo estava em suas mãos.

Ela caminhou até a lareira, que estava apagada havia dias, e pegou o pesado porta-retratos de prata que exibiam o casal no dia do casamento.

Naquela foto, eles pareciam felizes, um par de ouro na sociedade, mas agora ela só via a mentira estampada no rosto de Alexandre.

Com um gesto firme, ela removeu a fotografia do vidro e a jogou sobre a base fria da lareira, acendendo um fósforo com uma precisão gelada.

A chama saltou rapidamente, consumindo o rosto de Alexandre em línguas de fogo que dançavam com uma violência silenciosa diante dela.

O papel escureceu e se desfez em cinzas, um rito de passagem para a mulher que ela estava deixando para trás. Não havia mais espaço para o afeto ou para as memórias de um tempo em que ela acreditava que sua vida ali teria algum valor além da conveniência.

Enquanto as brasas morriam lentamente na lareira, Valentina observou o vazio que restara, um espaço em branco onde antes existia uma farsa. Ela sabia que a partir do amanhecer não haveria retorno, e a transformação exigiria que ela fosse implacável com todos aqueles que a subestimaram.

O medo pelo seu filho continuava ali, uma pulsação constante em seu peito, mas agora esse medo não a paralisava; ele a impulsionava.

Cada ameaça de Alexandre contra ela era agora um combustível para a sua vingança, uma razão a mais para garantir que ele nunca mais tivesse qualquer tipo de poder.

Ela subiu as escadas em direção ao quarto de Leo, observando-o dormir profundamente, a imagem de pureza que ela precisava proteger a qualquer custo.

"Eu vou garantir que você tenha um futuro, meu filho, custe o que custar para eles", sussurrou ela, beijando a testa do menino.

Valentina voltou ao escritório, o ambiente onde agora se sentia em casa, e começou a organizar os últimos documentos para o encontro com Marco.

O plano de Alexandre de torná-la incapaz seria sua própria cova, pois ela usaria todos os recursos dele para destruir sua estrutura jurídica.

O relógio marcava as três da manhã, mas o sono parecia uma promessa distante, algo irrelevante diante da magnitude do que estava por vir.

Ela estava pronta para a guerra, armada com a verdade e com a frieza de quem já não tinha nada a perder.

O destino dos De Luca estava selado, não pela justiça comum ou pela sorte, mas pela mulher que eles tiveram a arrogância de tratar como uma sombra.

O sol subiria em algumas horas, trazendo não apenas um novo dia, mas a queda de um império que jamais deveria ter sido erguido.

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