《Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio.》Capítulo 15

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Capítulo 15: O Diagnóstico Final

A luz suave e dourada do entardecer paulistano entrava suavemente pelas imensas vidraças da sala, mas a cobertura já não ostentava aquela antiga frieza estéril de uma clínica cirúrgica.

Vasos de porcelana repletos de gardênias frescas e telas vibrantes com respingos abstratos de tinta a óleo traziam cor e calor aos painéis de mogno que antes testemunhavam apenas o medo.

As trancas eletrônicas e os complexos alarmes perimetrais que cercavam o apartamento haviam sido completamente removidos por ordem expressa de Dominic no mês passado.

As portas agora estavam escancaradas para o mundo exterior, restando apenas a liberdade real e a escolha voluntária que ele tanto cobiçara desde o primeiro dia de tutela.

Antonia observava com os dedos trêmulos a própria assinatura dourada impressa no catálogo de sua primeira exposição de arte, considerada um sucesso absoluto pela crítica. Ela havia conquistado o mercado cultural e sua tão sonhada autonomia financeira, mas escolhera retornar para os braços daquela cobertura ao fim de cada jornada.

"A imprensa especializada não para de tecer elogios e comentar sobre o mistério fascinante por trás de suas pinceladas, minha querida", Dominic comentou, aproximando-se com passos calmos.

Ele vestia apenas uma camisa de linho claro com as mangas dobradas, completamente despido da habitual armadura de neurocirurgião que sempre o afastava das pessoas.

"Eles tentam desesperadamente decifrar através de teorias acadêmicas o que jamais compreenderão sobre a nossa real natureza", ela respondeu, virando-se para ele com um sorriso sereno.

Sua antiga rebeldia cega e infantil havia se transformado na força madura de uma mulher consciente do seu próprio poder sobre o homem mais temido.

Dominic envolveu a cintura dela com seus braços longos e protetores, puxando-a para o peito rígido com a possessividade consensual que agora definia a rotina de ambos.

A dinâmica obsessiva que os unira na escuridão daquela tempestade havia encontrado o seu ponto de equilíbrio perfeito através da verdade nua e crua compartilhada.

"Venha comigo até o antigo escritório, preciso lhe mostrar uma nova criação antes que o sol se ponha completamente no horizonte", ela pediu, segurando a mão dele.

Antonia conduziu o médico até o centro do cômodo de madeira de lei, onde um cavalete alto de madeira estava coberto por um tecido pesado de veludo escuro.

Com um movimento leve e gracioso, ela puxou o pano e revelou a sua mais nova e secreta obra de arte para os olhos atentos do tutor. A pintura retratava com um realismo bruto e impactante a mesma criatura predatória e monumental dos seus antigos pesadelos de infância que a assombravam no colégio.

No entanto, em vez de expressar apenas fúria e destruição mística, a criatura mítica na tela agora exibia olhos profundamente humanos e carregados de uma dor protetora.

"O monstro implacável da minha infância finalmente ganhou uma alma salvadora nas minhas memórias", sussurrou ela, revelando a transformação visceral provocada por aquele sentimento distorcido.

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Dominic fixou o olhar magnético na tela por longos minutos, o peito subindo e descendo enquanto engolia em seco diante daquela declaração artística tão avassaladora.

"Você me despiu por completo diante do meu próprio espelho, Antonia... não me restou nenhuma máscara de gelo para esconder minha fraqueza", ele confessou de forma sincera.

"Nós dois somos feitos da mesma escuridão, Dominic, e não há mais motivos para tentarmos nos esconder daquilo que nos salvou da ruína", ela respondeu, acariciando o rosto dele.

O médico fechou os olhos sob o toque suave de suas mãos, entregando-se àquela absolvição que ele passara anos tentando conquistar através do controle absoluto.

Horas mais tarde, a penumbra acolhedora e silenciosa da suíte master envolveu os dois amantes sob os lençóis de linho que agora pareciam macios e quentes. Dominic inclinou o corpo monumental sobre o dela com extrema lentidão, colando o ouvido diretamente contra o lado esquerdo do peito de Antonia para escutar sua anatomia.

Sem o auxílio mecânico de qualquer estetoscópio ou aparelho clínico do hospital, o médico concentrou-se apenas na pulsação natural que ecoava sob a pele jovem e bem cuidada. Ele sorriu no escuro do quarto ao constatar o veredito final de seu exame: a arritmia cardíaca severa que a acompanhava desde a tragédia familiar fora curada.

O ritmo do coração dela era constante, forte e perfeitamente compassado pelo amor absoluto e doentio que eles haviam construído sobre os escombros do passado de Gael.

Aquela gaiola de luxo que antes a sufocava transformara-se, por ironia do destino, no único lar seguro que sua alma traumatizada desejava habitar por livre arbítrio.

"Você é o meu diagnóstico mais perfeito e a minha cura mais dolorosa", ele murmurou contra a pele dela, sentindo os dedos de Antonia se cravarem em seus cabelos.

"Eu passei a vida inteira estudando a mente humana, mas foi o seu coração que me ensinou as regras da minha própria existência."

"Você me salvou do inferno que meu pai havia desenhado para mim, Dominic, mesmo que tenha precisado se passar por demônio para conseguir isso", ela sussurrou de volta.

Suas mãos subiram pelas costas largas do médico, puxando-o para mais perto enquanto aceitava o peso reconfortante daquela possessividade que outrora a assustava tanto.

Dominic ergueu a cabeça lentamente, os olhos brilhando com uma devoção quase mística que beirava a adoração na penumbra silenciosa daquela madrugada pacífica. Ele segurou a mão delicada de Antonia com cuidado e depositou um beijo demorado sobre a pequena cicatriz do pulso dela, um lembrete físico do sofrimento superado.

"O mundo exterior nunca entenderá o que aconteceu entre nós dentro destas paredes, e eu não me importo com o julgamento deles", ele declarou, olhando-a nos olhos.

"Tudo o que eu fiz, cada linha daquele contrato e cada mentira contada, foi para garantir que este momento exato se tornasse a nossa única realidade."

Afastando-se por apenas alguns segundos da cama de casal, o médico caminhou descalço até a entrada principal da suíte master com passos firmes, silenciosos e elegantes.

Dominic estendeu os dedos longos em direção à maçaneta dourada e, com um movimento decidido, girou a tranca da porta do quarto pelo lado de dentro.

O clique seco, metálico e definitivo da fechadura eletrônica ecoou no silêncio cúmplice da noite, selando o destino de ambos naquela luxuosa e eterna prisão consensual.

O caçador havia trancado o próprio mundo de forma voluntária, entregue ao amor soberano da presa que agora ditava com soberania as regras daquela bela obsessão.

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