《Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio.》Capítulo 14

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Capítulo 14: Anatomia da Rendição

O som mecânico das travas blindadas da cobertura ecoou no hall como o veredito de uma sentença de prisão perpétua. Antonia deu dois passos trôpegos para dentro da sala de estar vazia, deixando um rastro de água suja da chuva e asfalto sobre o piso de mármore italiano.

Dominic postou-se diante dela como uma muralha de ébano, com a camisa preta colada ao corpo rígido pela tempestade e os olhos cinzentos faiscando em uma calmaria perigosa.

"Você quase se entregou à morte na calçada, Antonia", ele disparou, a voz de barítono vibrando com uma autoridade que parecia cortar o ar.

"A morte na rua seria mais digna do que continuar respirando o mesmo ar que você, Dominic!", ela gritou de volta, a voz falhando pelo cansaço e pelo frio que a fazia quebrar por dentro.

"Eu sei de tudo. Eu abri o arquivo de aço do seu escritório e vi as provas da falência do meu pai!"

O silêncio que se instalou na sala foi tão denso que o tique-taque do relógio pareceu parar na parede minimalista.

Antonia deu um passo à frente, ignorando o próprio tremor das pernas, e cravou as unhas no peito encharcado da camisa dele, cuspindo cada palavra com um ódio que queimava sua garganta.

"Você planejou a ruína de Gael Ruiz por anos! Comprou as dívidas dele, usou Moretti como um fantoche e nos sufocou financeiramente apenas para me ter como prêmio!", ela acusou, as lágrimas quentes finalmente vencendo a barreira de seus olhos e se misturando à água da chuva em seu rosto.

"Você não é um tutor, você é um psicopata calculista que destruiu a minha família por puro capricho e luxúria!"

A máscara clínica de gelo que Dominic ostentava diante do mundo rachou de cima a baixo, os olhos cinzentos arregalando-se em um misto de agonia e fúria primitiva.

Ele segurou os pulsos dela com uma força esmagadora, mas, em vez de revidar com o habitual tom de comando arrogante, sua respiração se tornou um arquejo desarticulado.

"Você acha mesmo que a mente de Gael Ruiz era brilhante o suficiente para mantê-la segura, Antonia?", ele rugiu, o peito monumental subindo e descendo enquanto sua barreira emocional desabava por completo pela primeira vez.

"Eu destruí o império daquele homem porque ele já havia assinado a sua sentença de morte nos bastidores daquele submundo!"

Antonia piscou, o choque daquela declaração interrompendo momentaneamente o fluxo de suas palavras de acusação.

"Do que você está falando? Você está mentindo para tentar se justificar!", ela rebateu em um sussurro trêmulo, tentando puxar os braços de volta, mas ele a manteve presa contra si.

"Gael estava afogado em uma dívida irremediável com os associados de Moretti e ia vender você para homens infinitamente piores do que eu para salvar a própria pele!", confessou ele, as veias de seu pescoço saltando enquanto despia sua vulnerabilidade monstruosa.

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"Eles já tinham o seu itinerário do colégio interno, as suas fotos e o preço do seu corpo fixado em uma mesa de apostas!"

O impacto daquela verdade distorcida atingiu o peito de Antonia com a força de um golpe físico, fazendo seus lábios se entreabrirem em puro horror. Ela cambaleou para trás quando ele finalmente soltou seus pulsos, olhando para o homem diante dela e percebendo a escuridão protetora que o havia guiado durante anos.

"Eu gastei milhões, manipulei as contas dele e forcei aquele contrato de tutela porque era a única forma legal de arrancar você das mãos daqueles animais!", Dominic continuou, a voz embargada por um sentimento maníaco, doentio e terrivelmente real.

"Eu fiz tudo por você! Aceitei o papel de monstro, de manipulador e de carrasco apenas para garantir que ninguém tocasse em um único fio do seu cabelo!"

Ele deu um passo na direção dela, mas parou abruptamente, as mãos trêmulas subindo até o bolso da calça escura em um gesto rápido e desesperado. Dominic puxou um estojo cirúrgico de couro e, com um clique seco, retirou dali de dentro um bisturi de aço brilhante, cuja lâmina refletia a luz vermelha do painel de segurança.

Com um movimento que beirava a loucura civilizada, ele caminhou até Antonia e forçou o cabo de metal texturizado contra os dedos frios da garota, fechando a mão dela ao redor da arma.

Ele deu dois passos para trás e, em um ato que quebrou todo o seu orgulho aristocrático, caiu de joelhos sobre o mármore molhado, bem aos pés de sua presa.

"Se você realmente acredita que a minha proteção é pior do que o inferno que a esperava lá fora, termine com isso agora", ele desafiou, erguendo o rosto esculpido e expondo a linha de sua carótida ao gume afiado do aço.

"Crave essa lâmina no meu pescoço, Antonia... eu entrego a minha própria vida nas suas mãos se o seu ódio por mim for maior do que o laço que nos une."

O gancho daquela entrega absoluta paralisou os sentidos de Antonia, que observava o neurocirurgião intocável ajoelhado diante dela, despido de qualquer defesa ou controle.

A lâmina do bisturi tremia milímetros acima da pele dele, e ela percebeu que ele falava a verdade: ele preferia morrer ali do que viver em um mundo onde ela o odiasse genuinamente.

Seu coração galopava contra as costelas enquanto o peso da revelação triturava os resquícios de seu espírito de vingança puro.

Dominic havia sido o vilão da história de seu pai, mas havia se tornado o monstro por um amor doentio e obsessivo que a havia mantido viva e intacta no meio da tempestade.

A mão de Antonia fraquejou, os dedos perdendo a aderência no metal texturizado do cabo sob o peso daquela terrível constatação emocional. O bisturi escapou de suas falanges e caiu sobre o mármore, produzindo um tilintar metálico e agudo que ecoou pelas paredes vazias da imensa sala de estar da cobertura.

No segundo seguinte, as forças de Antonia se esvaíram por completo, e suas pernas cederam ao esgotamento físico e psicológico de uma caçada que havia destruído sua alma. Ela desabou para a frente, e Dominic a amparou em sua queda, impedindo que seu corpo batesse contra a pedra fria do piso com os braços longos.

Os dois corpos encharcados desabaram juntos sobre o mármore coberto de água da chuva, unindo o predador e a presa em uma colisão de fraquezas compartilhadas.

Dominic enterrou o rosto no pescoço dela, soltando um pranto sufocado e rouco que ele havia guardado por anos de vigilância silenciosa nas sombras.

Antonia não recuou e nem tentou esmurrá-lo; em vez disso, seus braços circularam os ombros largos dele, apertando-o contra si enquanto suas próprias lágrimas lavavam a camisa preta do médico.

Envolvidos pelo cheiro de chuva e pelo calor febril que renascia entre eles, os dois choravam e se abraçavam no chão molhado, selando o pacto mais sombrio de suas vidas.

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