《Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio.》Capítulo 13

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Capítulo 13: A Linha de Fuga

O lençol de linho egípcio deslizou pelo peito de Dominic quando ele estendeu a mão esquerda na penumbra da madrugada. Sua palma encontrou apenas o vazio gélido e o travesseiro perfeitamente intacto ao seu lado na cama de casal.

Seus olhos cinzentos se abriram instantaneamente, abandonando o sombrio torpor do sono no mesmo milésimo de segundo. O relógio digital na cabeceira marcava exatamente três e quarenta da manhã quando o verdadeiro caos se instalou na cobertura.

Um sinal sonoro, agudo e incessante, cortou o silêncio sepulcral da residência de forma violenta e assustadora. As luzes vermelhas embutidas no teto começaram a piscar, indicando a violação do alarme perimetral da área técnica.

O neurocirurgião saltou da cama e cruzou o quarto em direção ao painel de controle da parede de mogno com os dentes cravados de fúria. A tela de cristal líquido exibia em letras escarlates a mensagem de abertura forçada da pesada saída de serviço dos funcionários.

"Maldita hora em que subestimei a sua capacidade, Antonia", rosnou ele para as paredes vazias, com os punhos cerrados. A tela revelava que ela havia quebrado o algoritmo rotativo usando os dados do prontuário médico de Gael Ruiz.

Aquela sequência numérica complexa, que ele guardava como um troféu de sua vitória corporativa, fora a chave-mestra para a liberdade dela. Uma fúria assassina, misturada ao pânico real de perdê-la, obliterou qualquer resquício de sua sanidade civilizada.

Sem perder tempo com vestimentas formais, Dominic vestiu apenas uma calça escura e correu em direção ao elevador de serviço do condomínio. "Você não vai a lugar nenhum", sibilou entre dentes, vendo o indicador digital marcar a descida rápida do cubículo metálico.

Sua mente cirúrgica trabalhava em alta velocidade, calculando o tempo exato de vantagem que a garota havia conquistado nos lances de escada. Ele cerrava os punhos no escuro do poço, prometendo a si mesmo que o castigo pela audácia da protegida seria absolutamente definitivo.

Trinta andares abaixo, Antonia empurrava com o peso do próprio corpo a pesada porta corta-fogo de metal que dava acesso à base.

A tempestade violenta que desabava sobre a noite paulistana atingiu seu corpo como um choque térmico instantâneo, impiedoso e congelante.

"Eu consegui... eu finalmente quebrei as correntes dele", murmurou ela para si mesma, sentindo as gotas frias lavarem o suor do seu rosto. A enxurrada torrencial encharcou o moletom escuro que ela vestia e colou os fios de cabelo em sua pele pálida.

Seus pés batiam contra os degraus de concreto molhado da escadaria de emergência externa com uma velocidade frenética e perigosa.

A adrenalina pura corria por suas veias como fogo líquido, agindo como um anestésico temporário contra a fadiga muscular que começava a surgir.

"Mais um pouco, Antonia, só mais alguns metros e você estará longe daquele monstro", repetia em um sussurro ofegante, lutando contra o vento.

Cada lufada de ar frio e cortante que entrava em seus pulmões parecia uma vitória monumental contra o confinamento asfixiante de sua rotina.

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Ela descia os degraus escorregadios sob a chuva que cegava sua visão, segurando firmemente as cópias dos arquivos secretos contra o peito. Sua única meta era alcançar o portão de ferro que dava acesso à calçada pública antes que os primeiros alarmes soassem na guarita.

No segundo subsolo do edifício, o motor V8 biturbo do carro blindado de Dominic rugiu como uma besta faminta acordada no meio da noite.

O cantar violento dos pneus sobre o piso de epóxi ecoou pelo ambiente subterrâneo antes de o veículo disparar pela rampa de concreto.

"Abra essa porcaria de portão agora!", gritou Dominic pelo rádio interno, assustando o segurança da guarita com o tom de voz assassino. Ele acelerou sem qualquer hesitação, estraçalhando a barreira de alumínio com a frente imponente do veículo preto.

O neurocirurgião manobrava o volante com uma precisão maníaca, os olhos fixos nas telas digitais que mapeavam o quadrante residencial de São Paulo. Foi nesse instante de pura tensão que o pânico de Dominic se transformou em uma constatação sombria: se Antonia chegasse à avenida, ela morreria.

"Os homens de Moretti vão estraçalhar você antes que perceba o que aconteceu, sua idiota!", rugiu ele sozinho, golpeando o volante.

Os capangas remanescentes da máfia ainda patrulhavam a região, famintos por vingança contra qualquer um que carregasse o sobrenome Ruiz.

Se a garota caísse nas mãos daqueles homens violentos, o destino dela seria um inferno pior do que qualquer confinamento doméstico na cobertura.

Dominic pisou fundo no acelerador, fazendo o monstro de duas toneladas cortar as poças d'água da rua deserta como um míssil teleguiado.

Antonia finalmente alcançou a calçada escorregadia da rua lateral, sentindo o impacto doloroso do asfalto molhado contra suas articulações exaustas pelo esforço. "Só preciso chegar à avenida principal... lá haverá pessoas, haverá táxis", pensava alto, a voz falhando pelo cansaço extremo.

As sombras distorcidas projetadas nas paredes dos casarões vizinhos alimentavam o seu pavor crescente de ser capturada antes de encontrar ajuda. Ela olhou para trás por um breve segundo, ouvindo o som característico de um motor de alta performance se aproximando na escuridão.

O reflexo dos pneus cortando a enxurrada na sarjeta denunciava que o predador havia rastreado seus passos muito mais rápido do que o previsto.

A iluminação pública da rua oscilou e falhou completamente quando o veículo blindado de Dominic apontou com violência extrema na esquina anterior.

Os faróis de xenônio do carro cortaram a cortina espessa de chuva com uma intensidade cegante, banhando a silhueta trêmula de Antonia.

"Não, não, por favor, me deixa ir!", gritou ela em vão, a voz sendo abafada pelo barulho do motor que avançava como um predador.

A garota tentou acelerar o passo, ignorando a dor aguda nos pulmões, mas seu corpo começou a falhar diante da aproximação rápida do monstro. Dominic jogou a lateral do veículo sobre o meio-fio com precisão destrutiva, bloqueando o único vetor de fuga restante no asfalto molhado.

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O parachoque dianteiro do carro parou a escassos centímetros dos joelhos de Antonia, prendendo seu corpo esgotado contra o muro alto de concreto.

O motor continuava a vibrar de forma ameaçadora e contida, enquanto a água escorria pelo para-brisa escurecido, ocultando as feições do motorista.

A porta se abriu com um estalo seco que pareceu um tiro de advertência no silêncio daquela rua escura e totalmente deserta.

A silhueta monumental de Dominic emergiu sob a tempestade implacável, exibindo uma fúria primitiva que nenhuma postura civilizada seria capaz de conter.

"Me solta! Me deixa em paz, Dominic! Eu sei o que você fez com o meu pai!", gritou Antonia, batendo as costas contra o muro áspero. Ela ergueu os arquivos médicos molhados entre os dois, usando-os como um escudo inútil contra a aproximação dele.

"Você não sabe absolutamente nada sobre a podridão deste mundo, Antonia!", rebateu ele, a voz ecoando mais forte que os trovões no céu. Seus olhos cinzentos, brilhando como duas lâminas de aço sob o reflexo dos faróis acesos, fixaram-se na garota encurralada.

Ele caminhou em sua direção com passadas lentas e pesadas, a chuva lavando o sangue de seus nós dos dedos feridos na pressa da garagem. Antonia soltou um soluço desesperado, sentindo o ar congelar nos pulmões ao perceber que sua liberdade havia durado apenas alguns minutos.

"Você planejou tudo... cada centavo que meu pai perdeu foi culpa sua!", acusou ela, as lágrimas se misturando à água da tempestade que caía.

"Você é pior do que os cobradores de dívidas, você é um monstro calculista!"

"Eu salvei a sua vida da lama onde seu pai a jogou, e é assim que você me agradece? Fugindo para os braços dos assassinos dele?", ele rosnou, parando a um passo de distância. Dominic não hesitou; estendeu os braços longos e a envolveu com uma força esmagadora, suspendendo seu corpo do chão frio.

"Me solta! Eu odeio você! Eu prefiro morrer na rua a voltar para aquela maldita cobertura!", gritava Antonia, esmurrando o peito rígido dele com os punhos fracos. Seus protestos foram inúteis contra a força bruta e possessiva do homem que a mantinha presa em seus braços.

"Você vai voltar comigo agora, e vai aprender a me obedecer de uma vez por todas", sentenciou Dominic, a voz rouca de pura fúria e alívio doentio. Seus dedos cravaram-se na cintura dela com uma firmeza maníaca que selou definitivamente o fim daquela breve e violenta linha de fuga.

"Você achou mesmo que poderia fugir do homem que desenhou o seu mundo, Antonia?", sussurrou ele contra o seu ouvido encharcado, arrancando os papéis de suas mãos.

O tom autoritário decretou o retorno imediato da presa ao cativeiro de onde ela nunca deveria ter tentado sair.

Dominic a jogou no banco de couro do veículo, batendo a porta com força enquanto o motor V8 rugia pronto para retornar à cobertura.

"Acabou o jogo, minha querida", concluiu ele ao assumir o volante, travando as portas blindadas enquanto a trancava novamente em seu destino.

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