Capítulo 12: Máscaras de Gelo
O aroma opulento do risoto de trufas brancas flutuava pelo ambiente minimalista da sala de jantar, contrastando com o cheiro invisível de poeira que ainda parecia impregnar minhas mãos após revirar os arquivos secretos.
Sentada à mesa com um vestido de seda cinza que Dominic havia escolhido, forcei os músculos da minha face a desenharem o sorriso mais dócil, submisso e perfeito que consegui arquitetar.
Dominic me observava do outro lado da imensa mesa de jacarandá, seus olhos cinzentos brilhando com a autocomplacência de um caçador veterano que acredita piamente ter domesticado sua presa mais valiosa.
Ele saboreava o vinho tinto com uma lentidão aristocrática e irritante, totalmente alheio ao vulcão de puro ódio e repulsa que rugia silenciosamente sob a superfície da minha pele.
"Fico imensamente satisfeito em ver que a sua rebeldia infantil finalmente deu lugar à sensatez e ao pragmatismo, Antonia", ele comentou, sua voz de barítono preenchendo o espaço claustrofóbico da cobertura.
"O seu comportamento sereno de hoje reflete a maturidade que eu sempre soube que você possuía, escondida sob aquela casca de orgulho ferido."
"Eu apenas compreendi, depois de muito refletir, que lutar contra o seu poder e a sua inteligência é uma completa perda de tempo, Dominic", respondi em um tom de voz suave, baixando os olhos com uma falsa timidez milimetricamente calculada.
"Você tinha total razão sobre a crueldade do mundo exterior, e agora vejo que o meu lugar seguro é realmente aqui, sob a sua asa e ao seu lado."
O orgulho cego e a luxúria há muito reprimida nublaram a mente sempre tão analítica e cirúrgica do neurocirurgião, fazendo-o aceitar a minha capitulação repentina sem levantar qualquer suspeita ou questionamento.
Levantei-me da cadeira com movimentos deliberadamente sinuosos, arrastando a seda cinza pelo chão de mármore enquanto caminhava pacientemente até o lado da mesa onde ele estava postado.
Pousei minhas mãos, que lutavam internamente para não tremer de nojo, sobre os ombros rígidos do seu paletó italiano de corte impecável. Inclinei-me lentamente até que meus lábios roçassem a linha angular de sua mandíbula bárbara, inalando o perfume de cedro que agora me causava repulsa profunda.
Senti os músculos do corpo monumental dele se tensionarem instantaneamente sob o efeito magnético daquela sedução inesperada, provando que ele estava vulnerável ao próprio desejo doentio.
Minhas unhas arranharam de leve a nuca dele em uma carícia ensaiada, enquanto minha mente chorava lágrimas de sangue ao lembrar que aquele homem havia arquitetado meticulosamente a ruína e o sofrimento do meu pai.
"A cobertura me parece um pouco sufocante e abafada hoje, Dominic... por que você não desliga temporariamente o alarme do corredor para que eu possa respirar o ar da varanda?", sussurrei bem próximo ao ouvido dele, deixando minha respiração quente brincar com a pele de seu pescoço.
Minhas mãos deslizaram suavemente pelo peito dele, subindo pelas lapelas do terno com um carinho fingido que mascarava o meu desejo real de cravar uma lâmina em seu coração.
Dominic soltou uma respiração pesada e audível, completamente dominado pelo poder biológico que acreditava piamente ter estabelecido sobre mim após a nossa manhã de pecado consumado sobre o mogno.
Ele se levantou da cadeira com um olhar faminto, segurando-me pela cintura com uma força possessiva que me esmagou contra o seu tórax rígido, antes de me conduzir até o painel digital de segurança.
"Você tem total direito de desfrutar da varanda, minha querida, mas as regras de monitoramento desta casa continuam sendo rigidamente inalteradas para o seu próprio bem", ele murmurou, estendendo os dedos longos e firmes em direção à tela de cristal líquido embutida na parede.
Mantive o meu queixo apoiado de forma manhosa no ombro dele, fixando os meus olhos com uma atenção maníaca e fotográfica em cada movimento de suas falanges precisas.
Gravei mentalmente a sequência numérica de seis dígitos conforme ele pressionava os botões virtuais do visor, sentindo uma onda passageira de triunfo e adrenalina estourar no fundo do meu peito.
No entanto, o meu sangue congelou no milésimo de segundo seguinte, quando um aviso luminoso e discreto piscou na parte inferior esquerda do visor eletrônico.
O painel indicava em letras miúdas que o último dígito do código de segurança sofria uma alteração algorítmica rotativa a cada sessenta minutos, baseada diretamente no relógio central do sistema.
Minha mente analítica trabalhou freneticamente no escuro daquela revelação, percebendo com horror que a senha que eu acabara de decorar seria perfeitamente inútil na hora em que eu tentasse executar a minha fuga.
"Pronto, o acesso externo está temporariamente liberado para você", Dominic anunciou com um tom de voz vitorioso, virando o meu corpo de frente para a sua estrutura monumental e colando seus lábios nos meus com uma urgência violenta.
Suportei o toque invasivo, a umidade e a possessividade daquela boca sem recuar um único milímetro, transformando o asco profundo que sentia em uma atuação teatral digna de aplausos.
Ele me carregou nos braços de volta para a suíte principal, deitando-me sobre os lençóis de linho egípcio com a autoridade absoluta de quem se sentia o senhor e dono do meu destino.
Deixei que ele usasse o meu corpo como uma distração para o seu próprio ego, mantendo os meus pensamentos focados exclusivamente na contagem regressiva para a minha liberdade e na destruição futura do seu império.
Horas mais tarde, a escuridão densa da madrugada envolveu o quarto principal enquanto a respiração de Dominic tornava-se finalmente pesada, profunda e compassada, indicando o início do seu sono real.
Encurralada pelo braço pesado e possessivo dele que circundava a minha cintura, engoli o choro entalado e a repulsa violenta que ameaçavam rasgar a minha garganta a cada segundo.
Simulei o sono perfeito e tranquilo sob o peito do monstro, mantendo os meus olhos bem abertos e fixos na penumbra do teto enquanto as primeiras lágrimas silenciosas de humilhação finalmente molhavam o travesseiro de seda.
Segurei o pranto com uma firmeza desesperada, sabendo que suportar o calor daquele coração gelado era o preço amargo que eu precisava pagar para planejar a sua ruína definitiva.