《Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio.》Capítulo 11

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Capítulo 11: Segredos de Família

O silêncio que se instalou no escritório trancado após a partida de Dominic era pesado, estéril e sufocante, quebrado apenas pelo tique-taque aristocrático do relógio de parede.

Sentada sobre a imensa mesa de mogno, o calor do crime consumado evaporava da minha pele, sendo substituído por um calafrio de pura repulsa moral.

Ajeitei o roupão de seda branca ao redor do meu corpo marcado, sentindo o perfume de cedro dele impregnado em cada poro como uma marca de propriedade definitiva.

Meus olhos, no entanto, afastaram-se da desordem dos lençóis e focaram nas gavetas trancadas daquela escrivaninha monumental que guardava os segredos do meu carcereiro.

Uma necessidade desesperada de reaver qualquer controle sobre a minha própria existência inflamou o meu peito, fazendo-me saltar da mesa com as pernas ainda trêmulas.

Vasculhei a última gaveta entreaberta, encontrando uma pequena chave dourada esquecida sob um bloco de receituários médicos do hospital privatizado de alta performance.

A chave encaixou perfeitamente no arquivo de aço escuro camuflado atrás dos painéis de madeira de lei, abrindo as gavetas com um deslizar suave e silencioso.

Ali dentro, organizados com uma precisão cirúrgica milimétrica e doentia, repousavam os históricos de pacientes históricos e arquivos médicos antigos que remontavam a quase uma década.

Meus dedos manchados de suor frio folhearam as pastas de couro até travarem em uma etiqueta específica que fez meu coração errar a batida: Gael Ruiz.

O nome do meu falecido pai estava impresso em letras garrafais, encabeçando um calhamaço de relatórios financeiros, auditorias bancárias confidenciais e laudos psicológicos detalhados.

À medida que meus olhos varriam as linhas datadas de quatro anos atrás, o chão sob os meus pés pareceu desaparecer em um abismo de horror puro. O choque da traição foi tão violento que precisei me apoiar na estrutura de aço para não desabar no mármore polido do escritório.

Os documentos revelavam que a falência financeira e a ruína moral do meu pai não haviam sido causadas apenas por seu vício descontrolado em jogos de azar.

Cada dívida bilionária, cada promissória executada por Moretti e cada perda patrimonial haviam sido arquitetadas, financiadas e direcionadas secretamente por empresas de fachada do Dr. Dominic.

Ele havia cercado Gael Ruiz como um enxadrista que estuda os movimentos de um peão indefeso, asfixiando os negócios da nossa família até não restar saída.

O médico manipulou a ruína do meu pai com o único objetivo doentio de forçar a assinatura daquele contrato de tutela legal exclusiva.

"Não foi por desespero... ele nos destruiu de propósito", sussurrei para as paredes vazias, sentindo uma onda de nojo avassalador subir pela minha garganta. A entrega absoluta daquela madrugada e a paixão culposa que eu começara a sentir transformaram-se instantaneamente em cinzas de puro ódio e repulsa.

A confiança recém-construída na escuridão da febre foi pulverizada pela verdade nua e crua: eu nunca fui protegida por um tutor caridoso; fui caçada por um psicopata.

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O espírito de vingança e a rebeldia que ele acreditava ter domado sobre o mogno retornaram com a força destrutiva de um vulcão adormecido.

Aprofundando a investigação naquela caixa de pandora, encontrei o diário clínico pessoal de Dominic, um caderno de couro preto preenchido com suas anotações mais íntimas.

Folheei as páginas amareladas até que um pedaço de papel fotográfico antigo deslizou de entre as folhas, caindo virado para cima no chão.

Prendi a respiração ao recolher a imagem, sentindo o ar congelar definitivamente nos meus pulmões diante da prova material daquela loucura silenciosa. Era uma fotografia minha tirada de longe, aos dezesseis anos de idade, saindo do colégio interno, com anotações médicas de Dominic sobre o meu desenvolvimento físico.

A obsessão doentia do neurocirurgião não havia nascido no dia da morte do meu pai; ela vinha sendo alimentada nas sombras durante anos de espreita. Eu havia sido uma jogada de xadrez meticulosa, um prêmio planejado muito antes de eu ter idade suficiente para compreender a maldade humana.

O som metálico e característico do elevador privativo ecoou pelo hall da cobertura, anunciando o retorno antecipado e triunfal do monstro ao seu ninho. Dominic estava voltando do hospital, certamente confiante de que encontraria uma mulher totalmente submissa, domada e quebrada pelo prazer daquela manhã de pecado.

O pânico misturou-se à adrenalina pura enquanto eu tentava fechar o arquivo de aço sem deixar vestígios da minha invasão desesperada. Juntei as promissórias antigas, os relatórios de falência e a fotografia reveladora, segurando-os contra o peito como armas de uma guerra que estava apenas começando.

Corri em direção ao quarto de hóspedes com passos leves e audíveis apenas para o meu próprio coração, que galopava de forma frenética.

Deslizei os papéis comprometedores para baixo do colchão desfeito, ajeitando o lençol às pressas segundos antes de ouvir os passos imponentes dele no corredor.

Enfiei-me debaixo das cobertas e fechei os olhos, fingindo a mesma exaustão febril da madrugada para camuflar o tremor de puro ódio que sacudia o meu corpo.

A porta do quarto se abriu devagar, e a presença monumental de Dominic preencheu o espaço, trazendo consigo o cheiro sufocante de sua vitória ilusória.

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