《Instinto Proibido: Sim, Doutor. Não, Tio.》Capítulo 1

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Capítulo 1: O Pulso da Febre

O cheiro de antisséptico e aço inoxidável agredia minhas narinas com uma violência quase física, tornando a náusea daquela febre ainda mais insuportável. Minhas pálpebras pesavam toneladas, queimando por causa da temperatura alta que transformava o mundo ao meu redor em um borrão distorcido de luzes fluorescentes.

Eu mal conseguia me lembrar de como havia chegado ali, restando apenas fragmentos confusos de uma noite de excessos, música ensurdecedora e o desespero de tentar esquecer a ruína da minha família. Sentia o tecido áspero do lençol hospitalar sob minhas mãos trêmulas enquanto tentava fixar o olhar em um ponto qualquer da parede cinzenta.

A voz rígida da enfermeira Marta ecoou como um zumbido distante e irritante na antessala, quebrando o silêncio pesado que se instalava no ambiente. "Fique quieta, menina, o Dr. Dominic já vai atendê-la."

Marta Silveira ajeitou os óculos de armação grossa com uma precisão mecânica, sua expressão severa de quarenta e cinco anos moldada por décadas de uma devoção cega ao médico-chefe da clínica.

Para ela, e para todo o conselho do hospital, aquele homem era um santo intocável da neurocirurgia, uma mente brilhante e desprovida de falhas.

Ela não tinha a menor ideia da escuridão possessiva que ele escondia sob o jaleco impecavelmente branco e bem cortado.

Quando a porta de correr da sala cirúrgica finalmente se abriu, o som metálico do trilho fez meu corpo inteiro se tencionar instantaneamente, como se eu estivesse diante de um predador.

Dominic entrou com sua elegância predatória habitual, os ombros largos preenchendo o batente da porta e os olhos cinzentos varrendo o ambiente antes de pousarem sobre mim.

Ele não disse uma palavra de imediato; simplesmente caminhou até a saída, dispensou a enfermeira com um aceno imperceptível e fechou o espaço.

Com um clique seco e definitivo, ele girou a tranca da porta pesada, um som que pareceu ecoar diretamente dentro do meu peito.

O som do ferrolho se encaixando no batente determinou o fim de qualquer rota de fuga, isolando-os completamente do resto do hospital e do mundo exterior.

O silêncio que se seguiu era tão denso que eu podia ouvir perfeitamente o zumbido do sistema de refrigeração industrial e o ritmo totalmente descompassado da minha própria respiração.

Dominic permaneceu estático por alguns segundos, apenas me observando com uma frieza calculista que fazia minha espinha congelar apesar do calor da febre.

"Você não deveria ter saído ontem à noite, Antonia", ele disse finalmente, sua voz em um tom de barítono calmo, pausado e cortante que não carregava nenhuma urgência médica real.

"Olhe para o estado deplorável em que você se encontra neste momento."

Ele deu os primeiros passos em minha direção, movendo-se com uma lentidão calculada que só aumentava a atmosfera claustrofóbica daquela sala de exames.

Dominic parou a poucos centímetros da maca, sua presença monumental bloqueando a luz do teto e lançando uma shadow longa e fria sobre o meu colo.

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Com movimentos deliberados, ele puxou um par de luvas de látex do suporte fixado na parede e as vestiu uma de cada vez.

O estalo do material elástico contra os seus pulsos ecoou no silêncio como uma promessa silenciosa de contenção e domínio absoluto sobre mim.

Tentei recuar, colando minhas costas contra a parede de azulejos frios da sala, mas a debilidade extrema da febre reduziu meus movimentos a um tremor patético e inútil.

"Eu não preciso de um sermão, Dominic, só me dê um antitérmico para que eu possa ir embora daqui."

Minha voz saiu fraca, uma casca vazia e desprovida da audácia que eu costumava ostentar para tentar me defender da autoridade dele.

Dominic soltou uma risada curta e sombria que não chegou aos seus olhos de pedra, aproximando-se ainda mais até que sua silhueta bloqueasse qualquer visão.

Sem pedir permissão ou dar qualquer aviso, ele estendeu a mão enluvada e segurou meu pulso esquerdo com uma firmeza que beirava a dor real. O choque térmico foi imediato e devastador quando os dedos gélidos dele pressionaram com força a minha pele ardente e suada.

Um arquejo involuntário escapou dos meus lábios enquanto ele mantinha os olhos cinzentos fixos na linha febril do meu pescoço, onde a artéria pulsa de forma frenética.

A pressão dos seus dedos na minha pele parecia queimar, deixando uma marca invisível que despertava cada terminação nervosa do meu corpo.

Ele não estava apenas medindo minha frequência cardíaca ou fazendo um diagnóstico clínico de rotina; ele estava desenterrando o segredo que tentamos ignorar.

A lembrança vívida do beijo proibido no corredor escuro da minha antiga casa invadiu a sala de exames como um gás asfixiante e incontrolável.

Eu ainda conseguia sentir a pressão daqueles lábios cruéis contra os meus, o gosto amargo do perigo e a forma possessiva como ele havia reivindicado minha boca.

Agora, sob a fachada inquestionável de uma consulta médica, a tensão sexual atingia o seu ápice absoluto e sufocante naquele espaço confinado.

Minha mente gritava em pânico para eu me soltar e correr para longe dele, mas meu corpo traidor reagia ao toque com uma queimação culposa.

Eu odiava a minha própria fraqueza diante daquela figura imponente, odiava o fato de que a proximidade dele fazia meu sangue ferver ainda mais.

"O seu pulso está terrivelmente acelerado, Antonia", ele sussurrou, inclinando o rosto até que eu sentisse seu aroma característico de cedro e antisséptico.

"Mas a sua arritmia não é um sintoma da infecção ou da febre."

Ele deslizou o polegar lentamente pela parte interna do meu pulso, traçando a linha da veia com uma lentidão torturante que me despiu de qualquer defesa. "Isso é puramente emocional, pois você sabe exatamente o que o meu toque faz com o seu corpo e não consegue esconder."

Prendi a respiração diante daquela constatação cruel e verdadeira, sentindo as lágrimas de frustração e exaustão embaçam a minha visão já enfraquecida. Ele se deliciava visivelmente com a minha incapacidade de mascarar a atração destrutiva que eu sentia por ele e que me consumia.

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Dominic soltou meu braço devagar, mas antes que eu pudesse esboçar qualquer alívio, sua mão subiu para a minha bochecha com uma possessividade violenta. As pontas dos dedos enluvados contornaram a minha mandíbula, obrigando-me a erguer o queixo e olhar diretamente para aquelas órbitas cinzentas e implacáveis.

"A sua liberdade acabou ontem à noite, no momento em que você me deixou provar o seu gosto e se entregou", ele declarou com uma voz sombria.

"Você não vai mais se destruir em festas sem sentido ou permitir que os erros do seu pai a arrastem para a sarjeta."

A voz dele desceu para um registro áspero, dominador e terrivelmente seguro de si que fez o meu estômago dar voltas completas de puro pânico.

Aquela afirmação não parecia um aviso ou um conselho de tutor, mas sim a execução de um plano que ele vinha traçando há muito tempo.

Afastei o rosto com um solavanco brusco, quebrando o contato físico e tentando recuperar o mínimo de dignidade e autonomia que ainda me restava naquelas condições.

Dominic simplesmente deu um passo para trás, sem parecer minimamente afetado pelo meu pequeno ato de rebeldia, e ajeitou as mangas do seu jaleco.

O silêncio pesado retornou à sala cirúrgica, quebrado apenas pelo tilintar metálico dos instrumentos que ele começou a organizar metodicamente sobre a bandeja auxiliar. Eu observava seus movimentos precisos, sentindo uma pontada de desespero ao perceber que estava completamente encurralada em seu território.

"Você vai me dar alta agora?", perguntei com um fio de voz, segurando o lençol descartável da maca com os dedos trêmulos e frios. Sentia o suor escorrer pelas minhas costelas, misturando-se à humilhação de estar naquela posição de total vulnerabilidade diante do meu tutor.

Dominic não respondeu imediatamente, mantendo as costas viradas para mim enquanto terminava de organizar os frascos de medicamentos sobre a mesa de aço. Ele caminhou lentamente até a lixeira hospitalar de pedal posicionada no canto escuro da sala, sem pressa alguma de aliviar a minha agonia.

Com um movimento seco, preciso e definitivo, ele estalou as luvas de látex para fora das mãos, jogando-as no lixo com um desdém soberano.

O som do plástico atingindo o fundo do recipiente ecoou como uma sentença de tribunal inapelável pelo ambiente gélido e cinzento da clínica.

He se virou para mim com os olhos brilhando em uma determinação implacável e possessiva enquanto o sistema da tranca eletrônica da porta emitia um bipe.

O som agudo indicava que o bloqueio principal havia sido acionado remotamente, trancando-nos ainda mais naquele casulo de alta segurança.

"Não haverá alta para a sua antiga vida, Antonia", ele decretou friamente, cruzando os braços sobre o peito imponente e adotando uma postura de julgamento.

"Suas coisas já foram retiradas da sua antiga casa e, a partir de hoje, você se mudará definitivamente para a minha cobertura."

Eu quis gritar, xingar e avançar contra ele, mas a exaustão física esmagadora e o peso sufocante do seu olhar extinguiram qualquer protesto na minha garganta.

Dominic caminhou até a porta e a abriu, indicando o corredor com um gesto aristocrático que deixava claro que meu destino já estava selado.

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