《Amor que Machuca: A Fugitiva do Capitão》Capítulo 3

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Do lado de fora, Sabrina viu Ricardo sair vestindo apenas uma camiseta. Ela fechou os punhos, e um brilho sombrio passou por seus olhos.

Não fiz cena. Vesti o casaco e fui direto para o quarto do hospital, onde, por sorte, o médico responsável estava presente.

"A paciente sofreu um trauma grave na parte posterior da cabeça. Vamos observar por um tempo; se ela não acordar em uma semana, teremos que levá-la ao Hospital Geral da Zona Leste para consultar o Dr. Xie Simiao. Ele é um dos principais especialistas médicos do país e tem mais experiência em neurocirurgia."

O médico saiu, e eu demorei a processar a informação.

Sentei-me sozinha ao lado da cama, observando minha mãe com a cabeça envolta em uma espessa camada de gaze, com o coração partido.

"Mãe, você consegue me ouvir?"

"Mãe, vamos nos esforçar, está bem? Eu vou me esforçar para ganhar dinheiro, e você... se esforce para me dar uma chance de te proporcionar uma vida melhor..."

"Mãe..."

Ricardo voltou após pagar as despesas médicas e ficou parado à porta do 302 por um bom tempo, sem que eu percebesse.

Eu estava sentada em silêncio, sem chorar, apenas conversando como se estivéssemos em casa, o que, sem motivo, deixou o peito dele apertado.

Ricardo não me interrompeu; deixou uma sacola e saiu silenciosamente.

Só notei que ele estivera ali quando a enfermeira veio trocar o soro e me entregou a sacola.

Abri-a e encontrei várias mudas de roupa, até mesmo as peças íntimas mais modernas da época.

Havia também um bilhete:

【Para Clara.】

Era a caligrafia de Ricardo.

Não entendi por que Ricardo de repente se preocupou, mas não seria estúpida a ponto de achar que ele estava começando a gostar de mim.

As lições do amor, que sofri na vida passada, já foram suficientes.

Não toquei nas roupas. Em vez disso, pedi um kit de costura à enfermeira, remendei minha própria blusa e lavei o casaco de Ricardo.

Depois disso, fiquei cuidando de Helena no hospital.

Durante esse tempo, a polícia apareceu uma vez, e não sei se Beto ficou com medo, mas ele não voltou para causar problemas.

Três dias depois, quando o casaco secou, peguei a sacola e voltei à mansão da família para devolvê-lo.

Não havia ninguém em casa.

Suspirei aliviada e deixei as roupas do lado de fora do quarto de Ricardo.

Quando me virei para sair, senti uma dor súbita na nuca e, logo em seguida, tudo ficou preto. Perdi a consciência.

Que dor de cabeça.

Não sei quanto tempo se passou.

A dor excruciante me forçou a abrir os olhos. Tentei me levantar, mas descobri que estava dormindo na cama de Ricardo, e ainda por cima, nua!

Droga.

Se alguém visse isso, não haveria explicação possível.

Procurei por roupas em toda parte, mas não encontrei nada, então não tive escolha a não ser me cobrir com o edredom e descer da cama.

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A porta foi aberta de repente, seguida por um grito de Sabrina: "Clara, você perdeu o juízo! Como você pode estar na cama do Ricardo, completamente nua!"

Capítulo 6

No momento em que Sabrina entrou, entendi tudo: fora ela quem armara aquilo.

Que virtude e pureza o quê?

Sabrina era a pessoa mais astuta de todas.

"Clara! O tio e a tia tiveram a bondade de nos adotar, e você continua tentando seduzir o Ricardo! Como todos podem ficar tranquilos sabendo que você continua aqui?"

"É melhor você se desculpar com ele agora mesmo."

Atrás de Sabrina, como sempre, estava Ricardo.

Embora ele não tivesse dito nada, sua postura gélida deixava claro que concordava com ela.

Eu realmente não queria continuar ouvindo aquelas bobagens sobre sedução e perseguição, então os expulsei calmamente: "Se já terminaram de falar, saiam. Preciso me vestir."

Não havia roupas no quarto. Assim que saíram, enrolei-me no edredom e voltei para o meu quarto.

Depois de vestir minhas roupas, comecei a arrumar minha mala em silêncio.

Sabrina queria ser a única filha daquela casa? Pois que fosse.

De qualquer forma, por mais que eu me esforçasse para explicar, minhas palavras nunca valiam tanto quanto as dela.

Nesta vida, não quero mais ser o "contraponto" de ninguém.

Saí com minha bagagem, mas, para minha surpresa, Ricardo estava parado do lado de fora.

Pensei que ele tivesse vindo para me expulsar, então disse: "Capitão, agradeço pelos cuidados neste período. O dinheiro que gastou comigo e com minha mãe, eu trabalharei para devolver. Pessoas como eu realmente não se encaixam nesta casa."

"Fique tranquilo, estou indo embora por vontade própria. Não é jogo de cena, não é estratégia de 'fazer doce' para chamar sua atenção. Depois que eu sair, nunca mais voltarei e jamais voltarei a importuná-lo."

A sequência de negativas fez com que Ricardo fechasse os punhos subconscientemente: "Eu não perguntei nada. O que é isso?"

Ele parecia irritado: "Confessando-se sem ser questionada?"

Eu ri: "Escute o que você mesmo diz, Ricardo. 'Confessando-se'? Você já partiu de um pré-julgamento. Se eu tentasse me defender dizendo que foi a Sabrina quem me armou, você acreditaria?"

Ricardo franziu a testa: "Sabrina está lendo na biblioteca desde cedo; ela não teria como descer para te prejudicar. Você não pode mentir descaradamente só por causa de suposições razoáveis dela."

Olhei para ele com um sorriso irônico.

Viu? Eu sabia que, mesmo se explicasse, ele só acreditaria em Sabrina.

"Pense o que quiser."

Continuei meu caminho, ignorando o olhar penetrante do homem atrás de mim.

Ao chegar ao hospital, logo após virar a esquina, vi meu padrasto Beto segurando um cachimbo, saindo do quarto de Helena praguejando.

"Droga, mil pratas em três dias! Essa velha é um traste, uma perda de dinheiro! Vou dar alta para essa desgraçada esta tarde. Duvido que eles não devolvam o dinheiro se ela não estiver mais aqui!"

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Ele cuspiu no chão enquanto falava.

Meu coração apertou. Aquele velho cafajeste!

Como sabia que ninguém o vira batendo nela, ele não temia a polícia e ainda ousava vir atormentar a nós duas.

Mas, contra um canalha, não há como lutar de igual para igual.

Se não posso vencê-lo, só me resta fugir.

Se ele levar minha mãe, não haverá outro destino senão a morte, exatamente como na vida passada! Não posso ficar aqui, temos que ir agora!

Tomei minha decisão e fui imediatamente consultar o médico sobre a alta e a transferência.

Ao saber que ela era familiar de um mártir, o médico gentilmente me ajudou a contatar um hospital em outra cidade e até me ajudou a comprar as passagens.

A eficiência do hospital foi notável. Uma hora depois, eu estava no trem com Helena.

Observando a paisagem que passava rapidamente pela janela, abracei minha mãe, que permanecia inconsciente.

Com os olhos vermelhos, mas com o olhar cada vez mais firme, sussurrei: "Mãe, sinto muito. Vou levá-la para um lugar muito longe agora, e talvez passemos por dificuldades... Mas, enquanto houver vida, há esperança, não é?"

"Não se preocupe. Nesta vida, farei o meu melhor para cuidar da senhora."

"Quanto à capital... nunca mais voltaremos."

Capítulo 7

Três dias depois.

Ricardo voltou para casa após concluir uma missão, mas sentia-se inquieto pelo caminho. Durante todos esses dias, a imagem de Clara não saía de sua cabeça.

Ao sair da base militar, ele dirigiu diretamente para o hospital.

Durante todo o trajeto, ele manteve as mãos no volante, com a testa franzida.

Sempre que pensava em Clara, lembrava-se daquela atitude indiferente que ela tivera:

【Pense o que quiser】

Aquilo o deixava enfurecido, mas, inesperadamente, ele não conseguia sentir raiva de verdade.

Ele já a vira preocupada com Helena; aquele amor filial era genuíno. Como alguém que se preocupava tanto com a mãe, mesmo enquanto ela estava em coma, pensaria em se oferecer para um homem?

Hoje, ele precisava colocar tudo em pratos limpos.

"Não importa como Clara seja, ela e sua mãe são dependentes de um mártir. Deixar as coisas claras é algo que só farei depois que ela estiver recuperada."

Tendo se convencido disso, Ricardo soltou um suspiro pesado, mas ainda sentia um aperto angustiante no peito.

O carro parou bruscamente na entrada do hospital.

Ele caminhou apressado, mas, pelo canto do olho, avistou uma figura familiar na sombra do prédio.

"O padrasto da Clara? O que ele faz aqui de novo?"

A cena de Beto rasgando as roupas de Clara veio à sua mente. Seus punhos se fecharam instintivamente, e ele se aproximou furtivamente, diminuindo os passos.

Ao chegar perto, ouviu a voz de Sabrina, cheia de irritação: "Clara fugiu, por que vocês me procuram? Como eu poderia encontrá-la?"

Beto respondeu com naturalidade: "Se não é com você, é com quem? Não foi você quem nos mandou segui-la, dizendo que iríamos arrancar dinheiro da família do Ricardo usando aquela garota e depois levá-la de volta para casar com meu filho?"

"Ôôô, casar! Esposa, beijinho..."

Embora fosse a voz de um adulto, soava infantil e tola. Um homem grande, de mais de um metro e oitenta, pulava e abraçava Sabrina, confundindo-a com Clara e insistindo em beijá-la.

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