《A Herdeira Que Foi Humilhada no Altar》PARTE 10

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O silêncio dentro do apartamento no Brás parecia diferente naquela manhã.

Não era apenas ausência de som.

Era uma espera.

Isabela Monteiro Vasconcelos estava sentada na cama, olhando fixamente para o envelope que Lucas trouxera no dia anterior. Os documentos do Hospital Santa Cecília ainda estavam espalhados sobre a mesa improvisada.

Mas algo havia mudado.

O medo agora tinha um novo formato.

Não era mais só sobre o que haviam feito com ela.

Era sobre o que ainda poderiam fazer.

Lucas estava encostado na parede, observando o celular.

A expressão dele ficou mais dura a cada segundo.

“Eles começaram”, ele disse.

Isabela levantou o olhar.

“O quê?”

Ele virou a tela para ela.

As notícias já estavam em todos os portais de São Paulo.

“Isabela Monteiro Vasconcelos apresenta comportamento instável após escândalo”

“Fontes afirmam possível distúrbio emocional da ex-noiva expulsa”

“Família avalia medidas médicas e legais”

Isabela sentiu o corpo gelar.

“Não…”, ela sussurrou.

Lucas fechou o celular.

“Eles estão te chamando de desequilibrada.”

O telefone de Lucas vibrou.

Número desconhecido.

Ele atendeu.

Silêncio.

Depois uma voz masculina:

“Ela precisa parar de aparecer em público.”

Lucas franziu o cenho.

“Quem é?”

A voz respondeu calma:

“Departamento jurídico do grupo Albuquerque.”

E desligou.

Isabela se levantou rapidamente.

“Eles estão me destruindo de novo”, ela disse, a voz tremendo. “Agora é minha mente… depois vai ser o quê?”

Lucas respirou fundo.

“Isso é estratégia.”

“Estratégia?” ela repetiu.

“Eles não podem te negar sozinha”, ele respondeu. “Então estão tentando te invalidar.”

Naquele mesmo instante, do outro lado da cidade, Patrícia Albuquerque estava em uma sala de reuniões privada no Itaim Bibi.

Três advogados estavam à sua frente.

Um deles falava:

“Precisamos formalizar a narrativa de instabilidade emocional. Isso protege a família juridicamente.”

Patrícia cruzou as pernas.

“Façam.”

Sem hesitação.

Sem emoção.

“E o advogado novo?” outro perguntou.

Patrícia sorriu.

“Ricardo Mendes está começando a ser um problema.”

O nome ficou no ar.

“Então resolvam isso”, ela disse calmamente.

Enquanto isso, Ricardo Mendes estava em seu escritório, analisando tudo o que tinha reunido até aquele momento.

Ele não dormira.

Não comera direito.

Mas agora havia algo novo.

Um padrão.

E esse padrão apontava diretamente para uma coisa:

o caso Isabela não era defesa de família.

Era encobrimento.

Ele abriu o laptop.

E viu outra mensagem anônima.

“Você está se aproximando demais do arquivo original.”

Ricardo ficou imóvel.

E respondeu:

“Então ele existe.”

Silêncio.

Depois a resposta:

“Algumas verdades não foram feitas para serem recuperadas.”

Ricardo fechou o laptop.

Pegou o casaco.

E saiu.

Na pensão do Brás, Isabela caminhava de um lado para o outro.

“Eles estão me transformando em uma pessoa doente”, ela disse.

Lucas respondeu:

“Porque se você for ‘doente’, ninguém precisa te ouvir.”

Ela parou.

E respirou fundo.

“Então é isso? Eles vão me apagar assim?”

Lucas olhou para ela.

“Não se você provar que estão mentindo primeiro.”

Isabela ficou em silêncio por alguns segundos.

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Depois falou baixo:

“Eu quero ver eles dizendo isso na minha cara.”

Lucas franziu o cenho.

“Isso é perigoso.”

Ela virou o olhar para ele.

“Minha vida já acabou uma vez em público. Não pode acabar duas vezes escondida.”

Naquela noite, Lucas recebeu uma mensagem de Ricardo Mendes.

“Preciso falar com vocês. Hoje.”

Lucas hesitou.

Mostrou para Isabela.

Ela leu.

E respondeu imediatamente:

“Vamos.”

O encontro aconteceu em um estacionamento subterrâneo perto da Avenida Paulista.

Pouca luz.

Muito eco.

Ricardo já estava lá.

Encostado em um carro.

Ele não sorriu.

Nem cumprimentou de forma leve.

“Eles começaram a agir contra você”, ele disse para Isabela.

Ela respondeu:

“Estão dizendo que eu sou louca.”

Ricardo assentiu.

“Isso é o primeiro passo.”

Lucas ficou tenso.

“Primeiro passo para quê?”

Ricardo olhou para ele.

“Para retirar sua credibilidade completamente.”

Isabela cruzou os braços.

“Por quê fariam isso comigo?”

Ricardo hesitou.

E então respondeu:

“Porque você não deveria estar questionando nada disso.”

Silêncio.

Ele abriu uma pasta.

E colocou sobre o carro.

“Eu encontrei algo novo.”

Isabela se aproximou.

Lucas também.

Dentro havia um relatório antigo do hospital.

E uma anotação manuscrita.

Ricardo apontou.

“Isso aqui foi inserido depois do registro oficial.”

Isabela leu.

E congelou.

“Paciente não deve ser localizada em ambiente social. Risco de exposição do caso.”

Ela levantou os olhos.

“O que isso significa?”

Ricardo respondeu sério:

“Significa que alguém, lá atrás, já sabia que você não deveria ser encontrada.”

Lucas ficou imóvel.

“Então não foi só uma troca de identidade…”

Ricardo assentiu lentamente.

“Foi contenção.”

Isabela deu um passo para trás.

“Contenção de quê?”

Ricardo não respondeu imediatamente.

E esse silêncio foi mais pesado do que qualquer palavra.

De repente, um celular vibrou no bolso de Lucas.

Mensagem desconhecida.

Ele abriu.

E leu.

Seu rosto mudou imediatamente.

Isabela percebeu.

“O que foi?”

Lucas olhou para ela.

E disse baixo:

“Eles sabem que estamos com o advogado.”

Ricardo levantou a cabeça.

E olhou ao redor do estacionamento.

Pela primeira vez naquela noite, sua expressão mudou.

“Não devíamos estar aqui.”

Isabela respirou fundo.

“Então o que fazemos?”

Ricardo respondeu rapidamente:

“Saímos agora.”

Mas antes que pudessem se mover…

as luzes do estacionamento começaram a piscar.

Uma a uma.

Até restar apenas a escuridão parcial.

E no silêncio que se seguiu, uma única coisa ficou clara para todos ali:

alguém já tinha chegado antes deles.

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