《VOCÊ HUMILHOU A HERDEIRA ERRADA》PARTE 7

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A cidade de São Paulo já estava completamente acordada, mas dentro dos prédios de vidro da Vila Olímpia, tudo parecia funcionar em outra frequência.

Telas, servidores, sistemas invisíveis controlando fluxos que ninguém nas ruas imaginava existir. Era um mundo paralelo, onde decisões eram tomadas sem barulho e consequências eram distribuídas sem aviso.

Lucas Henrique Almeida estava sentado em uma sala escura, iluminada apenas por monitores azuis. Ele não vestia mais a imagem do entregador naquele momento. Ali, não havia mochila térmica, nem capacete, nem moto estacionada lá fora.

Havia apenas dados.

E silêncio.

“Quero o relatório completo da rede de entregas associada à região dos Jardins”, ele disse.

Um dos analistas hesitou.

“Isso já foi parcialmente enviado ontem, senhor…”

Lucas interrompeu.

“Eu não pedi parcialmente.”

Silêncio.

O analista virou a tela.

Os dados começaram a aparecer.

Cancelamentos repetidos.

Acessos internos não autorizados.

Requisições bloqueadas manualmente em horários específicos.

Lucas estreitou os olhos.

“Isso não é erro de sistema”, ele murmurou.

Um segundo analista se aproximou com cautela.

“Senhor… tem algo mais.”

Lucas virou o olhar lentamente.

“Fala.”

O analista engoliu seco.

“Esses bloqueios estão ligados a contas com nível de autorização alto demais para operações comuns.”

Lucas ficou imóvel.

“Quão alto?”

O analista hesitou.

“nível administrativo corporativo.”

Silêncio pesado.

Lucas se levantou devagar.

Caminhou até a tela principal.

E ampliou o sistema.

Um padrão apareceu.

Mansão Vasconcelos.

Repetidamente.

“De novo essa casa”, ele disse baixo.

Do outro lado da cidade, na mansão, Isabela ainda estava acordada.

O documento do hospital estava agora dobrado dentro de um livro antigo escondido sob a cama.

Mas ela não conseguia parar de pensar.

“Encaminhamento especial – família Vasconcelos.”

A frase repetia dentro da cabeça dela como um eco que não queria desaparecer.

Ela levantou da cama e caminhou até o pequeno espelho do quarto de serviço.

Olhou para si mesma.

Uniforme simples.

Rosto cansado.

Olhos confusos.

“Quem eu sou… de verdade?”, ela perguntou em voz baixa.

Mas não havia resposta.

Na cozinha superior da mansão, Patrícia Vasconcelos conversava com um homem de terno escuro.

“Os registros antigos precisam permanecer inacessíveis”, ela disse.

O homem assentiu.

“Já estamos lidando com isso.”

Patrícia cruzou os braços.

“Não quero surpresas.”

Helena apareceu na porta.

“Você está mais nervosa do que o normal”, ela disse.

Patrícia respondeu rápido demais.

“Não estou nervosa.”

Helena observou.

“Algo aconteceu?”

Patrícia hesitou meio segundo.

“Não.”

Mas não era convincente.

Na sala de tecnologia, Lucas continuava analisando os dados.

“Quero acesso ao histórico interno da família Vasconcelos”, ele disse.

O sistema respondeu com uma barreira de restrição.

ACESSO NEGADO.

Lucas respirou fundo.

“Então alguém está escondendo isso de propósito.”

O analista observou.

“Senhor… isso ultrapassa dados de logística.”

Lucas virou o rosto.

“Eu já percebi isso.”

Ele abriu um novo módulo do sistema.

Registros de contratos antigos começaram a aparecer.

Empresas associadas.

Fundos de investimento.

Doações hospitalares.

E nomes apagados parcialmente.

Um deles chamou atenção imediatamente.

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Registro de nascimento vinculado ao Hospital Santa Cecília.

Data aproximada ao mesmo período dos arquivos que Isabela havia encontrado.

Lucas ficou em silêncio por alguns segundos.

“Isso não é aleatório”, ele disse.

Na mansão, Isabela estava agora na lavanderia, dobrando lençóis sem realmente prestar atenção no que fazia.

Uma das funcionárias mais antigas se aproximou.

“Você está estranha hoje”, ela disse.

Isabela tentou sorrir.

“Só cansada.”

Mas a mulher olhou para ela de forma mais profunda.

“Você nunca perguntou sobre sua família?”

Isabela parou.

“Por que está dizendo isso?”

A mulher hesitou.

“Esquece. Não é meu lugar falar.”

E saiu.

Isabela ficou parada.

A frase ficou mais pesada do que deveria.

“Família…”

No prédio corporativo, Lucas abriu um arquivo específico.

Arquivo interno marcado:

“CEO – STATUS: AUSENTE / CLASSIFICAÇÃO: NÃO CONFIRMADO”

Ele franziu a testa.

“CEO ausente?”, ele repetiu.

O analista respondeu baixo:

“Existe um rumor interno… nunca confirmado oficialmente.”

Lucas virou lentamente.

“Que rumor?”

Silêncio.

O analista finalmente disse:

“Que o verdadeiro CEO desse sistema… desapareceu há anos.”

Lucas ficou imóvel.

“E quem está operando no lugar dele?”, ele perguntou.

O analista hesitou.

“Isso nunca foi oficialmente identificado.”

Lucas voltou os olhos para a tela.

E então viu algo que fez o ambiente parecer diferente.

Um identificador interno parcial.

Código de autenticação antiga.

Reconhecido apenas em sistemas internos de alto nível.

E o sistema não conseguia atribuir aquele código a ninguém ativo.

Lucas se aproximou mais da tela.

“Esse sistema ainda está rodando sob controle de alguém.”

O analista engoliu seco.

“Sim… mas ninguém sabe quem.”

Lucas ficou em silêncio por alguns segundos.

E então disse:

“Ou alguém sabe… e está escondendo isso muito bem.”

Na mansão, Isabela estava novamente sozinha.

Mas agora ela não conseguia mais ignorar o que estava sentindo.

Como se sua vida inteira fosse uma pergunta sem resposta completa.

No outro lado da cidade, Lucas fechava o sistema lentamente.

Mas antes de encerrar, algo apareceu por um segundo na tela.

Uma linha de conexão ativa.

Entre o sistema corporativo e um endereço privado.

Mansão Vasconcelos.

Lucas ficou parado.

E pela primeira vez, a investigação não parecia mais externa.

Parecia pessoal.

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