O carro parou embaixo do prédio de Luna.
Gustavo a acompanhou até a porta e beijou sua testa.
"Durma cedo."
"Você não pode ficar hoje?"
Ele olhou para Luna, seu pomo de Adão movendo-se.
"Você tem certeza?"
Luna o puxou para dentro.
Naquela noite, ele ficou.
Não como "tio", mas como "noivo".
O alvoroço das notícias durou quase duas semanas antes de diminuir.
A equipe jurídica de Gustavo foi eficiente.
As contas de Camila nas redes sociais foram bloqueadas, as postagens apagadas e dizem que ela está sendo investigada criminalmente.
Aqueles que antes insultavam mais duramente nos comentários, muitos sendo robôs ou pessoas movidas pela opinião alheia, começaram a mudar o discurso à medida que a verdade vinha à tona.
【Olhando bem para a coletiva, eles realmente não fizeram nada de errado.】
【Não há laços sanguíneos e eles só ficaram juntos depois que ela era maior de idade, como isso é perversão?】
【Aquela Camila claramente agiu por vingança; ela dizia que o diário era prova, que ridículo, diário serve como prova?】
Luna ainda olhava o fórum todos os dias, mas já não se importava tanto.
Gustavo tinha razão: as pessoas falam o que querem, mas a vida é sua.
Na empresa, ela não pediu demissão.
Gustavo perguntou se ela queria mudar de ambiente, mas ela disse que não.
Ela trabalhava com o próprio mérito, sem roubar nem trapacear, sem medo do que os outros diziam.
A atitude do supervisor Zhao em relação a Luna também mudou.
Talvez por seu desempenho brilhante no projeto, ele começou a delegar tarefas analíticas importantes para ela.
"Luna, acompanhe o plano daquele projeto."
Ele jogou uma pasta na mesa dela: "O relatório é na semana que vem, não estrague tudo."
"Tudo bem."
Capítulo 26
O projeto era grande, envolvendo quase duzentos milhões.
Luna mergulhou em pilhas de dados por três dias, fazendo hora extra até tarde da noite.
Gustavo ficava angustiado e trazia lanches noturnos todos os dias, sendo mandado embora por ela várias vezes.
"Você não pode descansar um pouco?", Gustavo estava parado na porta do escritório dela, segurando uma marmita e franzindo a testa.
"Vou descansar assim que terminar este plano."
"Você disse a mesma coisa da última vez."
"A última vez foi a última vez."
Ele suspirou, colocou a marmita na mesa e abriu; era sopa de tâmara vermelha e longan.
"Beba antes de continuar."
Luna bebeu obedientemente.
No dia da apresentação do relatório, Gustavo também estava na sala de reunião.
Como presidente, ele não precisava participar desse nível de reunião, mas estava lá, sentado no fundo, em silêncio.
Luna ficou diante da tela de projeção, apresentando o esforço de três dias.
Dados, gráficos, sugestões estratégicas; cada ponto foi explicado com clareza.
Ao final, o vice-presidente da outra empresa liderou os aplausos.
"Presidente Gu, essa moça do seu departamento de marketing é ótima, com pensamento claro e dados sólidos."
Gustavo olhou para ela, com um leve sorriso no canto da boca.
"Ela é realmente ótima."
Após a reunião, ele a encurralou no canto do corredor.
"Hoje foi incrível."
"Obrigada pelo elogio, tio."
Ele beliscou o rosto dela: "Ainda me chamando de tio?"
"…Gustavo."
"Muito bem."
À noite, Gustavo a levou para um jantar especial para comemorar.
"Luna, quero te perguntar uma coisa", disse ele, servindo-lhe um pedaço de peixe.
"Hum?"
"Você disse antes que, quando os três desejos fossem realizados, eu não ficaria tão cansado."
Gustavo a encarou: "Você se lembra?"
Luna hesitou e assentiu.
"Naquela época, você sentia que me sobrecarregava."
"Sim."
"E agora?"
Luna pousou os hashis e olhou para ele seriamente.
"Agora sei que não sou eu quem te sobrecarrega, é você quem precisa de mim."
Ele sorriu.
"Sim, eu preciso de você."
Naquela noite, ao voltar para o apartamento, Luna abriu o fórum e viu que a postagem de Gustavo havia sido atualizada.
【Ela me ajudou muito no trabalho hoje. Ela realmente cresceu, não é mais a criança que precisa da minha proteção.】
【Na verdade, ela nunca foi criança; eu é que a tratava como tal.】
【Mas hoje, ela é minha parceira.】
Ela encarou a palavra "parceira", sentindo o coração aquecido.
O celular tocou; era uma mensagem de Gustavo.
【Amanhã é fim de semana, vou te levar a um lugar.】
【Aonde de novo?】
【Ao parque de diversões.】
【Não fomos lá da última vez?】
【Daquela vez você sentiu que eu não te queria mais. Desta vez é diferente.】
Desta vez — você é verdadeiramente minha.
O carrossel do parque de diversões ainda estava no mesmo lugar, as luzes mais brilhantes do que quatro anos atrás.
Na tarde de sábado, havia poucos visitantes e o sol estava lindo.
Gustavo comprou dois ingressos e puxou Luna para perto do carrossel.
A última vez que estiveram ali foi há quatro anos.
Gustavo, de terno, ficava ao lado de um cavalo preto observando-a, enquanto ela, sentada no cavalo de madeira, espiava Gustavo, cheia de pânico pensando que "ele não me quer mais".
Desta vez, eles subiram juntos.
"Você quer sentar fora ou dentro?", ele perguntou.
"Dentro."
Gustavo sentou-se no cavalo branco ao lado de Luna, virando a cabeça para olhar para ela com um sorriso.
A música começou e o carrossel girou.
As luzes não eram tão óbvias sob o sol, mas ainda assim eram belas.
Círculo após círculo, subindo e descendo.
Luna virou a cabeça para olhá-lo, e Gustavo estava olhando para ela.
"O que está olhando?", ela perguntou.
"Olhando como você é bonita."
"Você me imitou."
Ele riu e estendeu a mão para segurar a de Luna.
Algumas crianças por perto riram ao vê-los de mãos dadas.
Luna não soltou, e ele também não.
O carrossel parou, Gustavo a ajudou a descer e agachou-se para amarrar o cadarço dela —
O cadarço tinha desamarrado e ela nem tinha notado.
"Você sempre consegue notar coisas que eu não vejo", disse Luna.
"Porque você sempre olha para frente, não para os pés", ele se levantou. "Vamos, vamos na roda-gigante."
Capítulo 27
A roda-gigante ficava no ponto mais profundo do parque, bem alta, de onde se podia ver toda a cidade.
Eles entraram na cabine, a porta se fechou e ela começou a subir lentamente.
"Gustavo, você tem medo de altura?"
"Não."
"Então do que você tem medo?"
Ele pensou um pouco: "De que você chore."
Luna sorriu.
Quando a roda-gigante atingiu o ponto mais alto, Gustavo levantou-se de repente e foi até ela.
"Sabe de uma coisa? Há uma frase no seu diário."
O coração de Luna perdeu uma batida.
Gustavo agachou-se, ficando ao nível dos olhos dela: "Você disse que 'as pessoas que se beijam no ponto mais alto da roda-gigante ficarão juntas para sempre'."
Ela escondeu o rosto nas mãos, morrendo de vergonha, querendo desaparecer.
"Luna, você queria me beijar há tanto tempo?"
"Pare de falar!"
Ele riu, afastou as mãos de Luna e segurou seu rosto.
"Então, vamos compensar."
Gustavo a beijou.
No ponto mais alto da roda-gigante.
A luz do sol entrava pela janela, brilhante e quente.
A roda-gigante descia lentamente; ele abraçava Luna, com o queixo apoiado sobre o topo da cabeça dela.
"Luna, vamos vir aqui todo ano, está bem?"
"Está bem."
"Vamos andar no carrossel todo ano, andar na roda-gigante todo ano."
"E nos beijar todo ano?"
Gustavo abaixou a cabeça para olhá-la: "Nos beijar todo ano. Nos beijar todos os dias."
Ao saírem do parque, já estava quase escurecendo.
Os dois foram comer um pequeno wonton à beira da estrada. A dona da barraca, ao ver as roupas de grife de Gustavo, hesitou um pouco.
"Vocês... querem sentar lá fora?"
"Vamos sentar lá fora mesmo." Ele puxou Luna para sentar. "Dois pratos de wonton, um com pimenta e o outro sem."
Enquanto esperavam, ela deu uma olhada no fórum.
A postagem de Gustavo havia sido atualizada:
【Hoje a levei para andar na roda-gigante. O que ela queria fazer na juventude, só fizemos aos vinte e quatro anos. Um pouco tarde, mas na hora certa.】
Nos comentários, alguém dizia: 【Autor, quando você vai casar com ela? Estamos esperando para beber em sua festa de casamento!】
Ele respondeu: 【Em breve.】
Luna olhou para ele; ele estava olhando para o celular, com um sorriso no canto da boca.
"Você postou de novo, não foi?"
"Como você sabe?"
"Adivinhei."
Gustavo guardou o celular e segurou a mão dela.
"Luna, dia dezoito do mês que vem. Um bom dia."
"Que bom dia?"
"O dia do nosso casamento."
O wonton foi servido, o vapor embaçando o rosto dele.
Mas Luna via claramente: ele estava sorrindo.
O casamento foi marcado para o dia dezoito de novembro, na igreja mais antiga da cidade.
Não era grande, contando com menos de cem convidados.
Zhou Jiangjin era o mestre de cerimônias, vestido de forma mais extravagante que o noivo, recebendo vários olhares de reprovação de Gustavo.
Luna usava um vestido de noiva branco, parada na entrada da igreja.
O vestido foi feito sob medida a pedido de Gustavo, estilo sereia, com pequenas pérolas bordadas na cauda, fazendo um som suave ao caminhar.
O buquê era de lisianthus brancas, as mesmas da primeira flor que Gustavo lhe dera.