"Tio, me solte."
Capítulo 13
Gustavo não soltou; pelo contrário, segurou com mais força.
"Envie-me o endereço da casa", disse ele com a voz rouca. "Caso contrário, não deixarei você sair."
Luna baixou os olhos para os dedos dele, de articulações proeminentes, e de repente sentiu um nó na garganta.
Três anos atrás, ele disse: "Não me procure mais antes do casamento".
Três anos atrás, ele deixou Camila destruir o quadro do céu estrelado dela.
Três anos atrás, ele disse a Camila: "Antes do casamento, farei com que ela se mude".
Agora, Gustavo não a deixava mais ir embora?
Luna respirou fundo e, dedo por dedo, abriu a mão dele.
"Tio, cuidarei bem de mim. Sua empresa não me arranjou um cargo? Irei trabalhar pontualmente. Quanto a isto aqui..." Ela olhou ao redor, seu olhar varrendo aquela decoração desconhecida, "Isto já não é mais a minha casa."
Dito isso, ela puxou a mala e saiu sem olhar para trás.
Atrás dela, ouviu-se o som de algo quebrado sendo varrido do chão.
Parecia uma xícara de café.
Luna não olhou para trás.
Mas, no momento em que entrou no táxi, as lágrimas caíram.
Luna, você fez a coisa certa. Não pode olhar para trás, não pode ser fraca.
Você já não é mais aquela criança de oito anos que não conseguia viver sem ele.
O carro deu partida e o celular vibrou.
Gustavo enviou uma mensagem: 【Envie-me o endereço, ou irei atrás de você agora mesmo.】
Luna encarou aquela linha de texto, com a ponta dos dedos pairando sobre o teclado, mas, no final, não respondeu.
"Motorista, para a Baía de Jade."
Era seu novo apartamento, um quarto e sala, pequeno, mas o suficiente para viver sozinha.
Ao chegar, ela arrumou a bagagem, tomou um banho e deitou-se na cama.
O teto era muito branco, sem aqueles lustres complexos da casa de Gustavo.
Era tão silencioso que ela conseguia ouvir apenas o próprio batimento cardíaco.
Luna pegou o celular e abriu aquele tópico no fórum novamente.
A página atualizou e ela viu que o autor tinha postado um novo conteúdo há duas horas — logo após ela sair da casa de Gustavo.
【Ela voltou, mas quer se mudar. Ela é muito educada comigo, como se fosse uma estranha.】
【Ela disse: "Tio, tenho vinte e quatro anos". Ela nunca me chamou de tio antes.】
【Queria tanto dizer a ela que não quero mais ser seu tio. Mas não tenho coragem; se ela me rejeitar, não terei sequer um motivo para estar ao lado dela.】
【Alguém pode me dizer o que devo fazer?】
Na seção de comentários, algumas pessoas consolavam, outras davam conselhos, outras o chamavam de merecedor daquela situação.
Luna encarou o "não tenho coragem" e as lágrimas caíram novamente.
Gustavo, do que você tem tanto medo?
E do que eu temo, quanto você sabe?
Ela estava prestes a fechar o tópico quando viu uma resposta nova, com a foto de perfil de uma mulher desconhecida——
【Autor, você é Gustavo, não é? Sou Camila. Você acha que, se não se casar comigo, poderá ficar com Luna? Sonha. Aqueles pensamentos sórdidos dela, eu guardei todos para você.】
O sangue de Luna congelou instantaneamente.
Camila sabe deste tópico?
Ela sentou-se bruscamente, o celular quase caindo no chão.
Abaixo da postagem, algumas pessoas já haviam começado a perguntar: 【Que pensamentos sórdidos? Explique-se!】
Camila não respondeu.
Mas Luna já estava tremendo dos pés à cabeça.
Será que Camila ainda tinha capturas de tela do diário?
Luna estava prestes a rolar a página quando a tela do celular mudou para a interface de chamadas.
Um número desconhecido.
Ela hesitou, mas atendeu.
"Luna, há quanto tempo."
Do outro lado da linha, a voz de Camila era risonha. "Leu o tópico, não foi? Aquele que seu tio publicou."
"O que você quer?"
"Nada." Ela deu uma risadinha. "Só queria te dizer que, nesses três anos em que você ficou fora, Gustavo ia te ver na Suíça todo mês. Achou que eu não sabia? Vou te dizer uma coisa: não vou deixar vocês ficarem juntos."
"Você..."
"Ah, e sobre aquele diário, eu tirei fotos, viu?"
Sua voz era venenosa como a de uma cobra. "Diga-me, o que aconteceria se eu publicasse aqueles conteúdos na internet para que todos vissem que o presidente do Grupo Gu criou uma 'pequena louca' que nutria pensamentos sórdidos por ele?"
Luna sentia-se gelada, incapaz de dizer uma palavra sequer.
"Se não quiser ter sua reputação destruída, fique longe de Gustavo."
A ligação foi encerrada.
Ela desabou no chão, tremendo.
Três anos se passaram, e Luna achou que tinha se tornado forte e independente o suficiente.
Mas, assim que a voz de Camila soou, o medo voltou.
O que ela temia não era Camila, eram aqueles diários.
Eram aqueles segredos que ela escrevera, pincelada por pincelada, dos doze aos vinte e quatro anos, segredos que não podiam ver a luz do dia.
Capítulo 14
O celular vibrou novamente.
Desta vez, não era Camila, era Gustavo.
【Luna, chegou em casa? Pode me responder? Por favor. Eu te imploro.】
Luna encarou a palavra "imploro", e suas lágrimas embaçaram sua visão.
Ela queria responder a Gustavo que "chegou", mas o aviso de Camila parecia um espinho fincado em seu cérebro.
No final, ela não respondeu.
Jogou o celular de lado, encolheu-se sob a coberta e chorou silenciosamente a noite toda.
O luar lá fora era muito frio, tão frio quanto na Suíça.
Mas ela não podia mais voltar para a Suíça.
Lá não havia Camila, nem Gustavo.
Havia apenas ela mesma.
Uma Luna de vinte e quatro anos que fingia ser forte, mas que ainda estava apavorada.
No terceiro dia morando na Baía de Jade, Luna ainda não tinha se adaptado totalmente à vida sozinha.
Às sete da manhã, o despertador tocou.
Ela levantou, escovou os dentes, aqueceu o leite e torrou o pão, com movimentos mecânicos, como se cumprisse um programa.
Nos três anos na Suíça, ela aprendeu todas as habilidades de vida, menos uma: como não pensar em Gustavo.
A tela do celular iluminou-se; era uma mensagem de Gustavo.
【Hoje é seu primeiro dia oficial de trabalho, não se atrase. Estou de passagem, vou te buscar.】
Luna mordia o pão e seus dedos ficaram parados sobre o teclado por um longo tempo, até que ela digitou: 【Não precisa, tio, vou pegar um táxi.】
Assim que enviou, colocou o celular sobre a mesa com o visor para baixo, como se temesse que Gustavo pudesse ver sua insegurança através da tela.
Naquela manhã, ela não pegou um táxi, mas viajou uma hora de metrô.
O metrô estava muito lotado e Luna era empurrada pela multidão, mas sentia-se mais à vontade ali do que no banco do passageiro ao lado de Gustavo.
Pelo menos ali, ninguém a olhava com aquele olhar complexo.
O edifício do Grupo Gu ficava no centro da cidade, com oitenta e oito andares, e o prédio inteiro pertencia à família Gu.
Ela chegou exatamente às oito e cinquenta e nove.
A recepcionista viu-a, hesitou por um momento e, sorrindo, apontou para o elevador: "Senhorita Luna, o departamento de marketing fica no quadragésimo segundo andar. O Sr. Gustavo deu ordens para que a senhorita subisse diretamente."
O Sr. Gustavo deu ordens.
Essas cinco palavras foram como um balde de água fria, apagando metade da coragem que Luna havia reunido.
Ela não queria que os outros achassem que ela tinha entrado por pistolão, mas, claramente, Gustavo já havia pavimentado seu caminho.
O gerente do departamento de marketing chamava-se Zhao, tinha cerca de quarenta anos, usava óculos de aro dourado e olhava para ela com um olhar de avaliação evidente.
Ele folheou o currículo de Luna e franziu a testa: "Luna, vinte e quatro anos, reabilitação em clínica na Suíça?"
O gerente Zhao levantou a cabeça para olhá-la: "Você não tem diploma universitário?"
"Concluí cursos de educação para adultos na Suíça e tenho o certificado GED."
Luna entregou os materiais preparados. "Além disso, trabalhei como assistente na clínica por dois anos, cuidando de tarefas administrativas e análise de dados."
O gerente Zhao murmurou um "humpf" sem emitir opinião e apontou para uma mesa no canto: "Sente-se ali por enquanto, o Xiao Zhou a ajudará. A empresa está negociando uma parceria com o Grupo Hengtai, ajude a organizar os dados."
"Tudo bem."
Xiao Zhou era uma garota de vinte e poucos anos, com voz baixa e suave. Enquanto ensinava o sistema a Luna, ela baixou o tom de voz e perguntou: "Irmã Luna, o que você é do Sr. Gustavo?"
"Ele é meu tio", respondeu Luna calmamente.
"Ah..." ela prolongou a entonação, com os olhos brilhando. "Então por que você não tem o sobrenome Gu?"
"Meus pais faleceram e fui adotada pela família Gu."
Luna foi breve; não queria conversar muito sobre isso.
Mas ela sabia que aquelas informações logo se espalhariam por todo o departamento.
E foi exatamente como ela previu. Quando foi buscar água na copa ao meio-dia, Luna ouviu cochichos.
"É ela? Aquela que o Sr. Gustavo criou por mais de dez anos?"