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《A Cura de um Amor Proibido》Capítulo 6

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"Gustavo!" Camila gritou, correndo atrás dele.

"Escute minha explicação! Foi um impulso momentâneo!"

Ele parou, mas não olhou para trás.

"Casamento cancelado."

As quatro palavras foram ditas com firmeza, causando um alvoroço entre os presentes.

Gustavo caminhou a passos largos para fora do condomínio, abriu a porta do carro e disse ao motorista: "Para a empresa."

Ele pegou o celular e ligou para seu assistente, com a voz rouca: "Quanto tempo faz que Luna partiu? É possível interceptá-la?"

Houve um momento de silêncio do outro lado: "Chefe Gustavo, o voo já decolou."

Gustavo fechou os olhos lentamente.

A tela do celular em sua mão ainda estava acesa; o fórum permanecia na última resposta que ele dera.

Ele encarou a frase "Eu não vou abandoná-la" que ele mesmo escrevera, e seus olhos ficaram avermelhados.

Tarde demais.

Luna já tinha ido embora.

E ele não tinha nem o direito de ir atrás dela.

Quando o avião pousou em Zurique, eram seis horas da manhã, horário local.

O carro da clínica de reabilitação já esperava fora do aeroporto.

Luna entrou no veículo e olhou para a paisagem nevada desconhecida pela janela; sentia-se como se estivesse vazia por dentro.

O carro atravessou vastas planícies nevadas e entrou em um complexo de edifícios isolado do mundo.

O portão de ferro fechou-se lentamente atrás deles, emitindo um som abafado.

Ela foi levada a um escritório, onde uma médica loira e de olhos azuis sorriu e entregou-lhe uma pilha de documentos.

"Senhorita Luna, este é o seu termo de tratamento: três anos de isolamento terapêutico, durante os quais não poderá ter nenhum contato com o mundo exterior, incluindo telefone, internet ou visitas. Você confirma que aceita?"

Ela pegou a caneta e assinou seu nome.

"Além disso, precisamos da assinatura de um familiar."

"Ele não veio." Luna pausou. "Posso assinar eu mesma, tenho vinte e quatro anos."

A médica hesitou, mas acabou concordando.

Depois de vestir o uniforme de paciente, ela foi guiada pelas mãos de uma enfermeira através de um longo corredor.

No fim do corredor, havia uma porta de ferro pesada e branca; atrás dela, ficava a área de tratamento.

No momento em que a enfermeira empurrou a porta, ouviu-se, de repente, passos apressados e a voz alta dos administradores tentando impedir alguém.

"Senhor, o senhor não pode entrar! Esta é uma área de isolamento!"

Luna virou-se bruscamente.

Na outra extremidade do corredor, do outro lado de toda aquela distância, ela viu uma silhueta familiar.

Gustavo.

Ele vestia o mesmo traje de noivo de ontem, a flor vermelha na lapela estava torta, a gravata frouxa, o cabelo despenteado pelo vento e os olhos injetados de sangue.

Dois assistentes o seguiam, debatendo intensamente com os funcionários da clínica.

Ele viu Luna, ficou estático por um instante e, então, correu desesperadamente em sua direção.

"Luna!"

Ele foi barrado por dois seguranças.

"Luna! Você assinou por três anos? Você me escondeu que assinou por três anos?!"

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Sua voz estava tão rouca que mal dava para entender.

Luna permaneceu ali, com as unhas cravadas na palma da mão.

"Senhor Gustavo, por favor, mantenha a calma! Esta é uma área médica!"

A médica loira aproximou-se, com um tom de voz sério.

"A paciente já assinou o protocolo de tratamento de isolamento; visitas são proibidas durante o período terapêutico. Por favor, retire-se."

Gustavo sequer olhou para ela, fixando seus olhos apenas em Luna.

Naqueles olhos, havia um medo que ela nunca vira antes.

"Luna, escute-me. O casamento foi cancelado, eu não me casei com ela, não me casarei com ninguém. Volte comigo, vamos para casa, está bem?"

As lágrimas de Luna brotaram instantaneamente.

Para casa? Para qual casa?

Aquela casa onde Camila destruiu o quadro do céu estrelado? A casa onde ele mesmo disse "não me procure mais antes do casamento"?

"Tio." Ela começou a falar, com uma voz tão calma que parecia estranha até para si mesma. "Pode voltar."

O rosto de Gustavo empalideceu instantaneamente.

"O que você disse?"

"Eu disse para você voltar." Ela repetiu. "Já assinei o protocolo, três anos. Preciso me tratar. Quando eu estiver bem, eu volto."

"Não——" Ele se soltou dos seguranças com força e correu em direção a Luna.

A porta de ferro branca fechou-se lentamente atrás dela.

A enfermeira puxou sua mão e ela entrou; Luna olhou para trás uma última vez.

Gustavo estava sendo contido pelos dois seguranças; ele estendeu a mão para Luna, e suas pontas dos dedos tremiam no ar.

"Luna! Espere por mim! Eu virei ver você! Todo mês, eu virei!"

Através da última fresta da porta de ferro que se fechava, Luna o ouviu gritar——

"Não me abandone!"

Capítulo 10

Do lado de fora da porta, ouvia-se um som de batidas abafadas; uma, depois outra, como punhos batendo contra o metal.

Luna estava do lado de dentro, com as lágrimas deslizando silenciosamente pelo rosto.

Desculpe-me, Gustavo.

Não é que eu não te queira mais, é que preciso primeiro me tornar alguém que mereça estar ao seu lado.

Do outro lado da porta, Gustavo deslizou lentamente até o chão, encostado na superfície de metal. As costas de suas mãos estavam esfoladas, e gotas de sangue brotavam.

Juliano correu pelo corredor, ofegante: "Gustavo, descobri. O isolamento desta clínica proíbe visitas de verdade, nem o diretor consegue autorizar. Mas podemos receber relatórios semanais de progresso..."

Gustavo ergueu a cabeça; seus olhos estavam cheios de vasos sanguíneos estourados.

"O relatório semanal, eu quero cada cópia."

Ele pausou, sua voz tão baixa que mal podia ser ouvida: "E ajude-me a descobrir como fazer com que ela saiba, durante estes três anos, que estou esperando por ela."

Juliano suspirou e curvou-se para ajudá-lo a levantar.

"Levante-se, o chão está gelado."

Gustavo levantou-se e deu uma última olhada na porta de ferro fechada.

Através da pequena janela na porta, via-se apenas um corredor vazio; não havia ninguém.

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Ele se virou e caminhou passo a passo em direção à saída.

Seus sapatos de couro batiam no mármore, um som oco e solitário.

A neve em Zurique caía pesada, acumulando-se em seus ombros e derretendo rapidamente, como se ele nunca tivesse estado ali.

Três anos depois.

Durante esses três anos, Gustavo voava para Zurique no último fim de semana de cada mês.

Às vezes chegava na sexta-feira à noite e partia na madrugada de domingo.

Quando não conseguia escapar, enviava seu assistente.

Mas, não importava o quão ocupado estivesse, ele nunca falhou um mês sequer.

Todas as vezes, ele não conseguia nada além de um relatório impresso sobre o progresso do tratamento.

No primeiro relatório, dizia: 【Paciente Luna. Idade mental estimada: 12 anos. Iniciou o aprendizado de cognição básica e gestão emocional. Progresso bom.】

Ao ler "12 anos", Gustavo ficou em silêncio por muito tempo.

Era a idade que ela tinha quando a conheceu.

Naquela época, Luna não entendia nada, seguia-o timidamente, ousando apenas chamá-lo de "tio".

O relatório do segundo ano: 【Idade mental estimada: 18 anos. A paciente começou a aprender habilidades sociais e raciocínio lógico. Autoconsciência significativamente aumentada.】

Gustavo leu o relatório três vezes.

As palavras "autoconsciência significativamente aumentada" o deixavam confuso, sem saber se sentia alívio ou pavor.

Luna precisava cada vez menos dele.

Quando o relatório do terceiro ano chegou, Gustavo estava em uma reunião.

Ele abriu o envelope na frente de todos os executivos, lendo página por página; sua expressão mudou de tensão para atordoamento e, finalmente, estagnou.

【Idade mental estimada: 24 anos. A paciente atingiu o nível cognitivo de um adulto normal. Sugere-se a avaliação final do tratamento para o fim deste mês; se não houver contratempos, ela poderá receber alta oficial.】

24 anos.

Gustavo encarou a linha, sentindo um nó na garganta.

"Reunião encerrada." Ele deixou as palavras no ar, saiu da sala de conferências e ligou para a clínica.

"Sou familiar da Luna. Quando ela pode receber alta? Eu irei buscá-la."

Do outro lado da linha, uma voz feminina gentil respondeu: "Senhor Gustavo, a avaliação de alta da senhorita Luna está marcada para a próxima quarta-feira."

"Se aprovada, ela poderá sair."

"No entanto, o estado psicológico da paciente é completamente diferente de quando ela partiu. Por favor, prepare-se mentalmente."

Gustavo apertou o celular com força.

"O que você quer dizer?"

"Em termos simples, a senhorita Luna que o senhor conhece é agora uma adulta de 24 anos, independente e saudável. Ela talvez não dependa do senhor, nem busque sua proximidade como antes. Por favor, respeite os limites dela."

Gustavo não respondeu.

Ele estava diante da janela de vidro, observando as luzes da cidade lá fora.

De repente, lembrou-se da garotinha de três anos atrás que se jogou em seus braços gritando: "Gustavo, eu senti tanto a sua falta!"

A garota que escrevia diários em segredo, que preenchia páginas inteiras com o nome dele, que ficava feliz o dia todo por causa de uma única palavra dele.

Será que ela realmente não existia mais?

"Entendido." Ele desligou e virou-se para o assistente: "Reserve passagens para Zurique na próxima quarta-feira, classe executiva, e mais duas para o retorno."

Ele hesitou: "Peça também um buquê de flores, sinos-da-irlanda brancos; ela gostava deles."

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