Mas o tecido pesado inevitavelmente varreu o suporte de metal ao lado.
O suporte pesado perdeu o equilíbrio e caiu diretamente sobre Camila!
O coração de Luna se contraiu e ela correu instintivamente, empurrando Camila para o lado.
Camila caiu pesadamente no chão, e a ponta do suporte de metal cortou o braço de Luna.
O sangue jorrou quase imediatamente.
Em meio à dor aguda, Luna viu Gustavo levantar-se bruscamente, com o olhar fixo nela.
Mas, no instante seguinte, ele correu para o lado de Camila e a ajudou a levantar.
Camila, nos braços dele, começou a chorar rapidamente: "Gustavo, estou bem, vá ver a Luna."
Gustavo não se moveu, apenas olhou para Luna com uma voz que parecia banhada em gelo.
"Por que aquele suporte caiu?"
Luna olhou para ele, confusa: "Quando ela se virou, a cauda do vestido atingiu o suporte..."
Gustavo fechou os olhos: "Você era a única que estava perto o suficiente do suporte. Você pisou na cauda dela de propósito?"
Ela não podia acreditar no que ouvia: "Eu não fiz isso!"
O olhar de Gustavo pousou em seu braço sangrando, carregado de exame e cansaço.
"Eu sei que você não gosta da Camila e não quer que nos casemos."
Ele pegou Camila no colo, com um tom de voz profissional e frio, acompanhado por um aviso claro:
"Mas isso não é motivo para ferir os outros. Luna, suas birras e artimanhas não funcionam mais comigo."
Dito isso, ele saiu da loja carregando Camila e, para o assistente que chegava apressado, disparou:
"Coloque o prejuízo na minha conta. E leve-a ao hospital."
O assistente de Gustavo caminhou até Luna e suspirou.
"Senhorita Luna, marquei uma consulta para você. Vamos."
Luna ficou ali parada, com o sangue escorrendo pelo braço, gota a gota, no chão.
Ela observou as costas de Gustavo, que não olhou para trás, e finalmente compreendeu uma verdade absoluta.
O Gustavo que a protegia incondicionalmente estava partindo completamente de sua vida.
Luna soltou uma risada amarga e seguiu o assistente para fora da loja.
No entanto, ela não sabia que, depois de deixar Camila em casa, Gustavo foi a um bar com seu amigo de infância, Juliano.
Na terceira dose de uísque, Juliano, que ouvia o desabafo de Gustavo há tempos, não aguentou mais:
"Gustavo, você está irritado porque a Camila se machucou antes do casamento, ou está bravo por ter dito atrocidades para a garotinha que você protegeu durante doze anos?"
O copo de Gustavo parou no ar.
A imagem de Luna, com o braço sangrando e olhando para ele, passou por sua mente, e seu peito apertou de dor.
Ele não disse nada, apenas virou o resto do copo.
Quando estava prestes a falar, o celular iluminou-se.
Era uma mensagem de Luna.
【Gustavo, cheguei em casa, o braço está enfaixado, o médico disse que não é grave.】
【Gustavo, descobri qual é o meu terceiro desejo. Quero ver você e a Camila se casando com meus próprios olhos.】
Gustavo encarou as duas mensagens por muito tempo.
Então, ele pegou o celular e digitou algumas palavras:
【Tudo bem. Não me procure mais até o casamento.】
Capítulo 6
Na mansão, Luna encarava a mensagem de resposta de Gustavo; a luz da tela feria seus olhos.
O quarto estava sem luz e, à medida que a tela do celular escurecia, seu mundo também se tornava negro.
Depois de não saber quanto tempo sentada, Luna se levantou arrastando as pernas rígidas.
Na escuridão, tateou até encontrar o diário guardado no fundo da gaveta.
Seus dedos acariciaram a capa em relevo; ela aumentou a pressão, sentindo uma pontada aguda na ponta dos dedos.
"Crráá..."
No instante em que a capa foi rasgada, ela sentiu como se pudesse ouvir doze anos de história se partindo.
Aqueles segredos guardados, vergonhosos, as palavras de paixão que ela escrevera ali, foram transformados em pedaços por ela.
Os papéis caíam como neve. Luna, como se não tivesse mais ossos, ajoelhou-se entre os destroços e cobriu o rosto com força.
Nos dois dias seguintes, Gustavo não voltou para casa, e ela se conteve para não incomodá-lo.
Mas, na manhã do terceiro dia, Camila apareceu.
Ela estava acompanhada por uma equipe de construção; seus saltos altos estalavam no mármore.
Cada som era nítido, como se ela estivesse pisando nos nervos de Luna.
Camila caminhou até Luna com uma pose de dona da casa, rindo com maldade e orgulho.
"Luna, seu tio disse que aqui será minha casa a partir de agora, e que posso mudar o que quiser."
Luna estava parada diante do corrimão do segundo andar, com os olhos calmos como água estagnada: "Entendi."
Camila arqueou as sobrancelhas e apontou casualmente para o enorme mural pintado à mão do céu estrelado na parede.
"Destruam este quadro para mim."
As pupilas de Luna se contraíram. Aquilo fora feito quando ela tinha dezoito anos; Gustavo segurava sua mão, pintando pincelada por pincelada.
Ele dissera: "Luna, este céu estrelado é só seu, vou pendurá-lo para sempre."
Luna deu um passo à frente, com a voz trêmula:
"Camila, isso foi pintado pelo Gustavo e por mim, você não pode mexer nisso!"
Camila apenas lançou-lhe um olhar de desprezo e tirou uma foto para enviar a Gustavo.
"Vamos ver o que o Gustavo dirá sobre isso."
Luna não sabia o que Gustavo respondeu, mas seu celular logo vibrou.
Uma sentença gélida de Gustavo apareceu na tela: 【Deixe-a fazer o que quiser, não interfira.】
Ela ficou paralisada; seu sangue parecia ter congelado instantaneamente.
Lá embaixo, os operários já haviam erguido os marretas e golpeado o céu estrelado com força——
Pá!
A tela rasgou, a moldura desabou, fragmentos de tinta voaram para todos os lados.
Aquele "céu estrelado", que iluminara inúmeras noites de terror de Luna, estava agora completamente obscurecido.
Camila bateu palmas com força, e sua risada ecoou pela sala vazia:
"Luna, agora sim esta casa está limpa, não acha?"
"Quando as fotos do casamento de Gustavo e minha forem penduradas, enviarei as fotos para você ver."
Sua risada de vencedora reverberava nos ouvidos de Luna. Ela cerrou os punhos com tanta força que as unhas cravaram na carne.
"Luna, não se precipite... não torne as coisas difíceis para Gustavo de novo."
Essa frase repetia-se em sua mente, finalmente empurrando de volta a bipolaridade que quase explodia seu peito.
Ela se virou, entrou no quarto e trancou a porta.
Não queria ouvir, não queria ver, não queria lidar com nada.
No entanto, pouco tempo depois, o telefone do assistente de Gustavo tocou.
"Senhorita Luna, os documentos daquela clínica de reabilitação de alto padrão na Suíça já foram traduzidos e enviados para o seu e-mail. Se achar adequado, envie-me uma confirmação depois."
Luna silenciou por dois segundos e disse em voz baixa: "Entendido."
Após desligar, ela se encostou atrás da porta e respirou um pouco.
Inspirou fundo e abriu o e-mail; lá estava a mensagem, silenciosa.
O e-mail detalhava terapias avançadas para transtorno de estresse pós-traumático e atraso no desenvolvimento cognitivo.
Luna ignorou a grande quantidade de termos técnicos e dados, fixando-se na última frase:
"Com base na avaliação, acreditamos que, através de tratamento sistemático, há uma alta probabilidade de ajudar a paciente Luna a recuperar sua idade mental, alcançando sua idade cronológica, permitindo o renascimento cognitivo e emocional..."
"Em termos simples, a paciente tem uma grande chance de se tornar uma adulta real, de vinte e quatro anos, saudável."
"Por isso, sugerimos que a paciente se submeta a um tratamento de isolamento de três anos, em vez do curso originalmente planejado, para garantir a recuperação."
Luna encarou a frase por um longo tempo.
Em seguida, uma emoção estranha, quase dolorosa, subiu, apertando seu peito.
Depois de um tempo, pegou o celular e ligou para o número internacional listado no e-mail.
"Sou a paciente Luna. Decidi aceitar a sugestão de vocês e farei o tratamento de isolamento de três anos."
Após o entusiástico aceite do outro lado, ela enviou uma mensagem ao assistente de Gustavo: 【Concordo em ir.】
Depois de enviar, Luna se cobriu inteira com o edredom, isolando-se de todos os sons.
No silêncio, um pensamento claro e abrasador brotou em seu coração.
A Luna de oito anos tinha Gustavo como o centro de seu mundo, sempre seguindo seus passos.
Mas a Luna de vinte e quatro anos queria sair.
Sair para um mundo vasto, onde Gustavo não existisse mais.
Capítulo 7
Logo chegou a véspera do casamento de Gustavo. Segundo o costume, Camila voltou para sua própria casa.
Luna finalmente pôde sair do quarto para tomar um pouco de ar.
Ao olhar para a decoração desconhecida, ela ficou um tanto atordoada.
Somente quando ouviu o som da fechadura eletrônica na porta é que voltou a si.
Gustavo foi trazido para dentro por Juliano, exalando um forte cheiro de álcool, visivelmente embriagado.
Ao ver o homem que não via há tempos, ela ficou momentaneamente desorientada.
Juliano explicou: "Alguns amigos insistiram em fazer uma despedida de solteiro. Seu tio bebeu demais, me ajude aqui, parceiro."
Gustavo ergueu a cabeça de repente, e seu olhar turvo encontrou o dela.