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《A Cura de um Amor Proibido》Capítulo 2

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Essas palavras, como uma agulha em brasa, perfuraram os nervos confusos, porém sensíveis, de Luna, fazendo-a perder o controle e ferir-se.

Ela se lembrava de Gustavo correndo em sua direção com o rosto pálido, pressionando seu pulso sangrante com tanta força que suas mãos tremiam.

No caminho para o hospital, Gustavo a segurou firme, repetindo em seu ouvido inúmeras vezes:

"Luna, não me deixe. Eu estou aqui, eu sempre estarei aqui."

Aquela foi a primeira vez que ele não se referiu a si mesmo como "tio" na frente dela.

Mais tarde, Gustavo dispensou aquela pretendente e passou a tratar com frieza todas as mulheres que tentavam se aproximar dele.

Ele construiu para Luna um mundo hermético, onde existiam apenas os dois.

Ela acreditava que aquilo seria para sempre.

Mas agora, aquele que dizia que estaria sempre presente estava prestes a mandá-la para longe com as próprias mãos.

"Luna, o jantar está pronto."

A voz de Gustavo trouxe Luna de volta de suas lembranças geladas.

A comida estava posta à mesa, soltando vapor.

Costelinha ao molho agridoce, camarões salteados, ovos cozidos no vapor; tudo o que ela mais gostava.

Gustavo serviu o arroz e sentou-se à sua frente, dizendo baixinho: "Seu primeiro desejo foi realizado."

Luna sentiu o nariz arder. Ela pegou a tigela e começou a empurrar a comida para a boca mecanicamente.

O que ela sentia era apenas um amargor salgado, mas ela mastigava com força e engolia grandes porções.

Como se isso pudesse tapar o buraco que se abria em seu peito.

Não sei quanto tempo se passou, mas de repente Gustavo pressionou a mão sobre sua tigela, impedindo-a de continuar.

Ele franziu as sobrancelhas: "Antes você ficava satisfeita com meia tigela. O que aconteceu hoje? Se comer demais, vai ficar com o estômago pesado à noite."

Luna obedeceu e largou a tigela: "Está bem, então não vou mais comer."

Gustavo respondeu com um "hum", chamou os empregados para limpar a mesa e a levou para passear pelo caminho arborizado no jardim para digerir a refeição.

Mas, não tinham andado muito quando o celular dele tocou.

Duas palavras piscavam na tela: Camila.

Gustavo parou de caminhar e lançou um olhar para Luna: "Fique aqui, não saia do lugar. Vou atender um telefonema."

Ela esperou silenciosamente onde estava, mas o vento ainda trazia as palavras de Gustavo até os ouvidos de Luna.

"…Quem disse que a Luna tem que se casar? Eu posso cuidar dela para o resto da vida."

"Luna é a pessoa mais importante para mim, eu já te disse isso várias vezes…"

"Está bem. Antes do casamento, eu farei com que ela se mude."

O silêncio tomou conta do ambiente ao redor.

Luna ergueu os olhos para o brilho do pôr do sol no horizonte e contou nos dedos.

A data do casamento de Gustavo e Camila estava marcada para o dia três do próximo mês. Faltavam nove dias.

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Capítulo 3

Gustavo demorou muito para voltar depois de atender o telefonema.

Luna virou o rosto para ele e curvou levemente os lábios: "Gustavo, estou com um pouco de frio."

Gustavo ficou paralisado por um instante, mas logo, sem hesitar, tirou o casaco e o colocou sobre os ombros dela.

Ele acariciou a cabeça dela: "Desculpe, eu não percebi. Vou caminhar mais um pouco com você."

O casaco dele tinha um cheiro leve de cigarro, um aroma que, misturado à comida que ela engoliu à força durante o jantar, parecia entalado em seu estômago.

Era uma sensação pesada que, com o sopro do vento noturno, deixava um travo ácido e gélido.

Gustavo, por quanto tempo mais você ainda conseguirá caminhar ao meu lado?

Luna não conseguia fazer essa pergunta, apenas o acompanhava enquanto caminhavam pelas ruas silenciosas do condomínio.

Até que a noite estivesse completamente escura, Gustavo, calculando que o tempo já era suficiente, a levou de volta.

Depois de se lavar, Luna abriu a porta do quarto e o viu sentado no sofá ao lado.

"Luna, é hora de pensar no segundo desejo."

Ela teve um sobressalto e respondeu em voz baixa: "Está bem."

Gustavo se levantou e caminhou para fora com passos pesados.

De repente, ela o ouviu dizer: "Luna, não guarde rancor do seu tio."

A porta se fechou suavemente, e suas lágrimas brotaram silenciosas, escorrendo pelas têmporas, geladas.

Gustavo, como eu poderia te odiar...

Eu apenas serei como um cachorrinho abandonado na rua, esperando por você, perdido, até que não consiga mais esperar.

Luna baixou a cabeça, abriu a gaveta trancada, tirou um diário com capa de arco-íris e o abriu delicadamente.

【Hoje Gustavo sorriu porque fiz um desenho. O sorriso dele é como o sol, quero olhar para ele para sempre.】

【As mãos de Gustavo são tão quentes. Fingi ter um pesadelo para dormir segurando a mão dele; ele não me afastou.】

【Dizem que Gustavo vai se casar e ter filhos. E eu, como fico? Quero que ele seja só meu.】

【Dizem que quem se beija no ponto mais alto da roda-gigante fica junto para sempre. Seria maravilhoso se eu pudesse ir com o Gustavo.】

Desde a caligrafia infantil até a mais firme, tudo ali eram segredos que Luna não podia revelar à luz do dia.

Ela não sabe como adormeceu, mas quando foi acordada por batidas na porta, o dia já havia amanhecido.

A voz de Camila ecoou suavemente lá fora: "Luna, já acordou?"

Ela despertou completamente, abriu a porta e perguntou com hostilidade: "Por que você está aqui?"

Antes que Camila pudesse responder, o tom gélido de Gustavo atingiu Luna como uma descarga elétrica.

"Luna, é assim que você trata seus mais velhos?"

Luna ficou atônita ao perceber que Gustavo estava parado logo atrás.

Camila sorriu para ela e disse docemente: "Sou psicóloga. Gustavo me pediu especialmente para vir cuidar do seu quadro clínico."

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"Este é o leite que o Gustavo acabou de esquentar. Quer que eu leve para você?"

Luna não queria que ela entrasse no quarto e esticou a mão: "Dê aqui."

Mas Camila soltou a xícara antes da hora. O som do vidro estilhaçando e o grito de dor dela ecoaram quase ao mesmo tempo.

Gustavo deu passos largos em direção a elas e, ao ver a perna de Camila marcada pela queimadura, falou com severidade:

"Luna, pare com esse comportamento! Camila não tem obrigação de tolerar o seu gênio."

Camila deu leves tapinhas nele: "Fui eu que não segurei direito, não brigue com ela."

Luna tentou se defender, mas ao ver o olhar gélido de Gustavo, não conseguiu dizer mais nada.

Gustavo gosta de Camila, Gustavo não a quer mais; não adiantava dizer nada.

Luna apenas baixou os olhos e disse de forma apática: "Entendi."

Gustavo examinava seu rosto excessivamente calmo e suas mãos cerradas, e, nas profundezas de seu olhar, uma emoção parecia borbulhar.

Por fim, ele apenas disse: "Comporte-se. Tenho uma reunião pela manhã. Camila ficará em casa com você, seja obediente."

Luna acenou mecanicamente, observando o vulto dele saindo, com um impulso instintivo de persegui-lo.

Mas foi impedida pelo braço de Camila, que a segurou com força.

"Fique aí! Você vai fingir que está louca de novo para seduzir o Gustavo, não vai?"

Luna soltou-se violentamente: "Solte-me! Se você continuar assim, vou contar tudo ao Gustavo!"

Camila soltou uma risada debochada.

"Se você realmente tivesse coragem, por que é uma covarde quando te xingo no aplicativo de mensagens?"

Ela abaixou a voz, cada palavra soando como uma agulha venenosa: "Se Gustavo realmente se importasse com você, ele a enviaria para o exterior para viver ou morrer por conta própria?"

"Luna, Gustavo disse com as próprias palavras: esses anos foram exaustivos demais, ele não aguenta mais!"

Mesmo que Luna já soubesse que Gustavo pretendia mandá-la embora, quando Camila escancarou a realidade diante dela, aquela dor aguda agarrou seu coração, deixando-a quase sem fôlego.

Luna encostou-se na porta, balançando a cabeça em negação: "Não, o Gustavo não faria isso..."

Lágrimas inundaram seus olhos, rompendo as barreiras de sua sanidade.

Ela empurrou Camila com força e saiu correndo.

Ela não sabia para onde fugia, apenas corria sem parar, tentando esquecer as palavras de Camila.

O céu mudou de azul para um breu profundo, e sua garganta estava cheia do gosto metálico de sangue.

Luna ainda não parava de correr, correndo sem rumo, até que uma silhueta familiar surgiu à sua frente.

Era Gustavo. Como ele poderia estar ali?

Ao vê-la, os olhos de Gustavo brilharam intensamente.

Luna suspeitou ser uma alucinação e, por um momento, não teve coragem de se aproximar.

Mas, no instante seguinte, Gustavo correu até ela e a envolveu em um abraço.

A força era tamanha que parecia querer fundir Luna aos seus ossos.

Sua voz rouca soou ao ouvido dela: "Luna, você quer acabar com a minha vida, não quer?"

O coração de Luna finalmente se acalmou, e ela abraçou Gustavo com toda a sua força.

Não sei quanto tempo passou até que ele a levantasse nos braços: "Vamos, vamos para casa."

Quando entraram, Camila estava de pé na escada caracol.

Pá!

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