localização atual: Novela Mágica Moderno Você Vai Morrer às 15:10 PARTE 11

《Você Vai Morrer às 15:10》PARTE 11

PUBLICIDADE

O céu de São Paulo estava pesado naquela manhã, como se a cidade tivesse esquecido como respirar.

Isabela Monteiro Vasconcelos estava sentada dentro de uma sala de contenção no Instituto Chronos, agora sem janelas, sem relógios visíveis, sem qualquer referência clara de tempo. Apenas paredes brancas e uma mesa metálica no centro.

Rafael Albuquerque permanecia de pé ao lado da porta, imóvel.

Helena Prado observava de fora, através de um vidro escuro.

Ninguém falava há quase dois minutos.

Mas o silêncio não era vazio.

Era cheio demais.

Isabela finalmente quebrou.

“Chega… eu quero a verdade inteira agora.”

Rafael olhou para ela, mas não respondeu.

Helena ativou um sistema remoto.

A luz da sala diminuiu.

E uma projeção apareceu no ar, como se o espaço tivesse sido substituído por dados vivos.

Uma linha do tempo.

Mas não era uma linha.

Era um nó.

Várias versões do mesmo ponto.

Isabela se levantou imediatamente.

“Isso é o quê?!”

Helena respondeu calmamente:

“Isso é você.”

Isabela deu um passo para trás.

“Não… isso não sou eu.”

A projeção mostrou um marcador central.

“SUBJETO: ISABELA MONTEIRO VASCONCELOS”

E múltiplas ramificações ao redor.

Rafael finalmente falou.

“Chronos não prevê o futuro.”

Ele pausou.

“Ele reconstrói versões falhas dele.”

Isabela olhou para ele com raiva.

“Você já disse isso antes!”

Rafael assentiu.

“Mas não dessa forma.”

Ele caminhou até a projeção.

“Cada vez que uma sequência de eventos termina em colapso extremo — morte crítica, instabilidade sistêmica, ruptura de previsibilidade — o sistema reinicia o ponto de origem.”

Isabela gritou:

“EU NÃO SOU UM EXPERIMENTO!”

Helena respondeu imediatamente:

“Você é um ponto de correção.”

Isabela virou para ela.

“Para de me tratar como objeto!”

Helena manteve a calma.

“Não é uma questão emocional.”

Ela apontou para a projeção.

“É estrutural.”

A imagem mudou.

Agora mostrava três versões da mesma Isabela.

Uma caída em um hospital.

Outra na praia.

Outra no metrô.

Isabela começou a tremer.

“Isso não pode ser real…”

Rafael se aproximou.

“Cada uma dessas versões representa uma linha temporal diferente.”

Isabela olhou para ele, desesperada.

“Então quantas vezes isso já aconteceu comigo?!”

Silêncio.

Rafael hesitou.

E respondeu:

“Pelo menos três ciclos confirmados.”

Isabela sentiu o chão desaparecer.

“Três… vidas?”

Helena corrigiu:

“Três execuções do mesmo cenário.”

Isabela começou a rir de forma descontrolada.

“Execução?! Vocês estão falando de mim como se eu fosse um código!”

Rafael respondeu baixo:

“Porque você é tratada como um.”

Silêncio pesado.

A projeção mudou novamente.

Agora mostrava algo diferente.

Um núcleo central pulsando.

E conectado a ele… Isabela.

Mas não apenas uma.

Múltiplas Isabelas.

Todas ligadas ao mesmo ponto.

Isabela sussurrou:

“Isso… isso não faz sentido…”

Helena falou:

“Chronos não é um sistema de previsão.”

Ela pausou.

“É um sistema de reescrita de falhas temporais.”

Isabela olhou para ela.

“Falhas…?”

Rafael completou:

“Eventos que não deveriam acontecer, mas acontecem.”

Helena continuou:

“E você é o maior ponto de falha identificado.”

PUBLICIDADE

Isabela deu um passo para trás.

“Então por que eu?”

Rafael respirou fundo.

E respondeu:

“Porque você sempre morre no mesmo ponto crítico.”

Silêncio.

Isabela congelou.

“15:10…”

Rafael assentiu.

“Exato.”

A projeção mostrou o horário piscando.

15:10.

15:10.

15:10.

Isabela começou a perder o equilíbrio emocional.

“Então tudo isso… as mensagens… o Rafael… o instituto…”

Ela olhou para ele.

“Você já sabia que isso ia acontecer?”

Rafael desviou o olhar.

“Eu participei da primeira versão do Chronos.”

Isabela arregalou os olhos.

“O quê?!”

Helena completou:

“Ele não apenas participou.”

Ela pausou.

“Ele foi responsável pela ativação inicial do sistema.”

Isabela virou lentamente para Rafael.

O ar da sala ficou impossível de respirar.

“Você… criou isso?”

Rafael fechou os olhos por um segundo.

“Eu tentei impedir uma sequência de mortes em massa.”

Isabela deu um passo à frente.

“E me colocou no meio disso?!”

Rafael respondeu:

“Você já estava no centro.”

Silêncio.

A projeção mudou novamente.

Agora mostrava algo ainda mais perturbador.

Uma frase simples:

“ISABELA = ÂNCORA DE RESTAURAÇÃO TEMPORAL”

Isabela sussurrou:

“Âncora…”

Helena confirmou:

“Sem você, o sistema não consegue estabilizar uma linha temporal após falhas críticas.”

Isabela começou a tremer.

“Então toda vez que eu morro… vocês resetam tudo?”

Rafael respondeu com dificuldade:

“Sim.”

Isabela gritou:

“EU NÃO SOU UM BOTÃO DE RESET!”

A luz da sala piscou.

Por um segundo.

E então voltou.

Mas algo tinha mudado.

A projeção havia alterado sozinha.

E agora havia uma nova linha ativa.

“CICLO ATUAL: INSTÁVEL”

Helena franziu a testa pela primeira vez.

“Isso não deveria aparecer assim…”

Rafael se aproximou.

“Qual é o status?”

Helena analisou os dados.

E ficou em silêncio por um instante mais longo.

Então respondeu:

“O sistema está tentando iniciar um novo reset… sem comando humano.”

Isabela ficou imóvel.

“Reset… agora?”

Rafael virou para ela imediatamente.

“Isabela… isso não deveria estar acontecendo ainda.”

Mas antes que alguém pudesse reagir, todas as luzes da sala apagaram de uma vez.

E no escuro absoluto, uma última frase apareceu na projeção:

“ISABELA NÃO É MAIS O PONTO DE CORREÇÃO.”

Silêncio.

E então:

“ISABELA AGORA É A ORIGEM DO COLAPSO.”

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia