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《Você Vai Morrer às 15:10》PARTE 2

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O barulho do metrô na estação Brigadeiro parecia mais alto do que deveria naquela manhã.

Isabela Monteiro Vasconcelos estava parada na plataforma, mãos frias segurando o celular como se ele pudesse escapar a qualquer momento.

O fluxo de pessoas ao redor era normal demais para o caos que ainda ecoava dentro dela. São Paulo continuava viva, indiferente, como se nada tivesse acontecido.

Mas tinha acontecido.

“Você vai morrer hoje às 15:10.”

A frase ainda queimava na sua mente.

Ela olhou o relógio da estação: 13:41.

Faltava pouco.

Muito pouco.

Isabela respirou fundo e tentou se convencer de que aquilo era absurdo. Uma ameaça sem rosto. Um jogo psicológico. Algum tipo de golpe digital sofisticado. Mas o corpo não obedecia a lógica da mente. Cada som ao redor parecia levemente distorcido, como se a realidade tivesse um atraso.

Ela apertou o celular.

Nenhuma nova mensagem.

Silêncio.

E esse silêncio era pior.

Ela decidiu fazer o oposto do que estava implícito na mensagem.

Se o destino dizia que ela estaria na estação às 13:48, então ela sairia dali.

Agora.

Isabela virou-se e começou a andar rápido em direção à saída.

O coração batia mais forte a cada passo.

“Eu não vou ficar aqui esperando algo acontecer comigo”, ela sussurrou.

A escada rolante parecia mais longa do que o normal. Pessoas subindo e descendo sem olhar para ela. Uma mulher esbarrou no ombro de Isabela, mas nem pediu desculpas.

Tudo era normal demais.

E isso a deixava pior.

Ela saiu para a rua e foi atingida pelo calor leve da tarde paulistana. O sol batia entre os prédios da Avenida Paulista, criando reflexos quase cegos no vidro dos carros.

Isabela começou a andar sem direção.

Seu plano era simples: fugir do ponto indicado.

Evitar o local.

Evitar o horário.

Evitar a morte.

Mas então o celular vibrou.

Ela parou imediatamente.

O som da vibração parecia mais alto do que o trânsito inteiro.

Mensagem nova.

“Boa tentativa.”

Isabela congelou.

O mundo pareceu perder o foco por um segundo.

“Quem está fazendo isso comigo?”, ela disse entre os dentes, olhando ao redor como se pudesse encontrar alguém observando.

Mas não havia ninguém evidente.

Apenas a multidão.

Ela abriu a mensagem.

Outra linha apareceu sozinha, como se estivesse sendo digitada naquele exato instante.

“Você mudou o lugar. Isso muda o método.”

Isabela sentiu um frio no estômago.

“Método?”, ela repetiu em voz alta.

Ela começou a andar mais rápido. Agora não era mais uma caminhada. Era fuga.

Ela entrou em uma rua lateral, menos movimentada, tentando se afastar da avenida principal. O som dos carros ficou mais distante. O ambiente mais estreito, mais sufocante.

O celular vibrou novamente.

“14:02 — você não estará mais na estação. Você estará na Rua Vergueiro.”

Isabela parou no meio da calçada.

Rua Vergueiro.

Ela lembrou da mensagem do dia anterior.

O corpo inteiro reagiu antes da mente.

“Isso não é possível…”, ela disse.

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Mas antes que pudesse pensar mais, um ônibus passou rápido demais na esquina.

E quase a atingiu.

O vento forte do veículo bateu contra seu corpo, fazendo-a dar um passo para trás.

Um passo a mais.

E ela teria sido atingida.

Isabela levou a mão à boca.

“Isso… isso foi…”

Ela não terminou a frase.

Porque percebeu algo pior.

A mensagem não estava apenas prevendo.

Estava ajustando.

Como se estivesse reagindo a cada movimento dela.

Ela começou a correr.

Sem direção.

Sem plano.

Apenas fuga.

O celular vibrou de novo enquanto ela corria.

“Você entendeu agora. Você está tentando escapar do ponto fixo. Mas o ponto fixo é você.”

Isabela parou ofegante em frente a um prédio comercial na Avenida Paulista.

Suor frio nas mãos.

Respiração descompassada.

“Isso não faz sentido… isso não faz sentido nenhum…”, ela repetia para si mesma.

Foi então que viu algo estranho.

Um homem do outro lado da rua.

Imóvel.

Olhando diretamente para ela.

Ele não parecia curioso. Nem distraído.

Ele parecia… esperando.

Isabela desviou o olhar rapidamente, mas quando olhou de novo, o homem ainda estava lá.

E então ele fez algo simples.

Levou a mão ao bolso.

E mostrou o celular.

Isabela sentiu o coração parar por meio segundo.

O homem virou o celular na direção dela.

Ela não conseguia ver a tela claramente.

Mas viu o suficiente.

Uma frase.

Curta.

Idêntica à que ela havia recebido mais cedo.

“Você hoje às 15:10.”

Isabela deu um passo para trás.

“Não… não…”, ela murmurou.

Quando piscou, o homem já não estava mais lá.

Desaparecido.

Como se nunca tivesse existido.

Ela olhou em volta, desesperada.

“Isso não é real… isso não é real…”

Mas o celular vibrou novamente.

“14:37 — você vai correr até o metrô de novo. Isso é previsível.”

Isabela fechou os olhos por um segundo.

E quando abriu, estava correndo.

Sem perceber.

Seu próprio corpo já tinha escolhido o caminho.

Ela não sabia quando começou a correr.

Só sabia que agora estava descendo escadas.

Entrando novamente no sistema do metrô.

Ana Rosa.

A estação proibida.

O aviso.

Ela parou na entrada da estação, ofegante.

As pessoas passavam por ela sem notar nada.

Como sempre.

Mas para Isabela, tudo parecia mais pesado.

Mais lento.

Mais inevitável.

O relógio digital acima da escada marcava:

14:41.

Ela engoliu seco.

“Eu não devia estar aqui…”, ela disse.

Mas os pés não se moviam.

Era como se algo invisível tivesse puxado ela de volta.

O celular vibrou uma última vez antes de ela descer.

“Você não está mudando o futuro.”

“Você está entrando nele.”

Isabela sentiu o corpo inteiro tremer.

E deu o primeiro passo para dentro da estação.

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