《Meu Marido Não Existe na Linha do Tempo》PARTE 8

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O silêncio dentro do estacionamento subterrâneo parecia diferente agora. Não era apenas ausência de som. Era como se o próprio espaço tivesse parado de confirmar que o som ainda era necessário.

Isabela ainda estava de frente para Marcos, mas algo nele já parecia mais distante.

As palavras dele ecoavam dentro da cabeça dela como fragmentos quebrados.

“Você não é a primeira pessoa que encontrou esse vídeo… e sobreviveu depois de ver até o final.”

Ela respirou fundo.

“Isso não faz sentido…”

Marcos fechou o notebook com força.

“Faz mais sentido do que você imagina.”

Isabela deu um passo para trás.

“Você está dizendo que isso já aconteceu com outras pessoas?”

Ele hesitou.

“Não exatamente iguais a você.”

Ela franziu a testa.

“Então o quê?”

Marcos olhou ao redor, como se o estacionamento tivesse ouvidos.

“Versões próximas.”

Isabela sentiu um arrepio.

“Versões de quê?”

Ele respondeu baixo:

“Da sua estrutura de identidade.”

Ela ficou imóvel.

“Você está inventando termos agora?”

Marcos negou.

“Não. Isso é o que eles chamam internamente.”

Isabela apertou os punhos.

“Eles quem?”

Marcos não respondeu imediatamente.

Ela pegou o celular de novo.

Tentou novamente buscar Rafael Montenegro Vasconcelos.

Sem resultado.

Tentou em outro banco de dados.

Sem resultado.

Tentou redes sociais, registros empresariais, documentos públicos.

Nada.

Isabela começou a respirar mais rápido.

“Isso não é possível…”

Marcos observava em silêncio.

Ela virou o celular para ele.

“Olha isso. Ele existe. Eu tenho fotos.”

Ela abriu a galeria.

Fotos do casamento.

Fotos na praia.

Fotos no apartamento.

Rafael segurando sua mão.

Rafael sorrindo.

Mas enquanto Marcos olhava…

a imagem distorceu levemente.

Como um ruído digital.

Marcos franziu a testa.

“Essas imagens estão instáveis.”

Isabela levantou a voz.

“São fotos reais!”

Ele respondeu imediatamente.

“Não no nível de registro externo.”

Isabela congelou.

“Como assim?”

Marcos abriu o notebook novamente.

Digitou rapidamente.

“Estou tentando acessar o sistema de cruzamento de dados.”

Isabela ficou olhando.

“E?”

Ele não respondeu por alguns segundos.

A tela carregava.

Depois travou.

Depois reiniciou sozinha.

Marcos franziu a testa.

“Isso não deveria acontecer.”

Isabela ficou tensa.

“O quê?”

Ele apontou para a tela.

“Não há nenhuma instância registrada de Rafael Montenegro Vasconcelos em nenhuma base civil, corporativa ou médica.”

Isabela deu um passo para trás.

“Isso já vimos.”

Marcos continuou.

“Mas tem algo pior.”

Ela engoliu seco.

“O quê?”

Ele virou a tela para ela.

E mostrou.

Um mapa de conexões.

E todas as linhas que deveriam ligar Rafael a qualquer coisa…

estavam cortadas.

Como se tivessem sido removidas cirurgicamente.

Isabela sussurrou:

“Ele foi apagado…”

Marcos respondeu:

“Ele foi sobrescrito.”

De repente, o celular de Isabela vibrou.

Mensagem desconhecida.

“ELE AINDA EXISTE EM CAMADA NÃO SINCRONIZADA.”

Isabela arregalou os olhos.

“Quem está enviando isso?”

Marcos tentou pegar o celular dela.

“Não toca nisso ainda.”

Mas já era tarde.

Uma nova mensagem apareceu.

“ACESSO LOCAL DISPONÍVEL.”

Isabela olhou para Marcos.

“Isso pode ser ele…”

Marcos hesitou.

“Ou uma isca.”

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Isabela não respondeu.

Ela abriu o arquivo.

Um link.

Um local.

Hospital Santa Cecília.

Marcos ficou rígido.

“Não vá lá.”

Isabela levantou a cabeça.

“Você tem uma alternativa melhor?”

Silêncio.

Ele não tinha.

Eles chegaram ao hospital em menos de vinte minutos.

A entrada parecia igual.

Mas Isabela já não confiava mais em nada que parecia igual.

Marcos foi atrás dela.

“Se isso for uma armadilha, você não pode agir sozinha.”

Ela não respondeu.

Entrou direto.

Recepção.

Sorrisos automáticos.

Nada parecia fora do lugar.

Mas Isabela já sabia.

O problema nunca era o que parecia errado.

Era o que parecia normal demais.

“Eu quero acesso aos registros antigos de pacientes.”

A recepcionista digitou.

Franziu a testa.

“Esses dados não estão disponíveis.”

Isabela insistiu.

“Eu preciso do sistema interno.”

A mulher hesitou.

E então olhou para alguém atrás dela.

Um médico.

Isabela reconheceu de imediato.

Dr. Henrique Valença.

Ele apareceu como se já esperasse por ela.

“Isabela.”

Ela respirou fundo.

“Rafael.”

Ele não respondeu diretamente.

“Você está entrando em áreas que não deveriam ser acessadas sem estabilização.”

Marcos ficou atrás dela.

“Isso aqui está cada vez mais suspeito.”

Henrique olhou para ele.

“Você não deveria estar envolvido nisso.”

Marcos respondeu firme:

“Eu já estou envolvido.”

Isabela interrompeu.

“CADÊ ELE?”

Henrique ficou em silêncio.

Longo.

Demorado demais.

Depois disse:

“Você está procurando uma instância que não está sincronizada com este nível de realidade.”

Isabela levantou a voz.

“EU NÃO ENTENDO ESSE JARGÃO!”

Henrique manteve a calma.

“Então vou simplificar.”

Ele olhou diretamente para ela.

“Rafael Montenegro Vasconcelos pode não existir aqui.”

Isabela sentiu o mundo cair.

“Como assim ‘aqui’?”

Henrique respondeu:

“Em outras camadas, ele existe.”

Marcos ficou tenso.

“Camadas de quê?”

Henrique ignorou a pergunta.

“Mas nesta versão… ele nunca foi registrado como entidade estável.”

Isabela começou a tremer.

“Mas eu vi ele…”

Henrique interrompeu.

“Você viu projeções de uma instância anterior.”

Isabela gritou:

“EU NÃO SOU DOIDA!”

O hospital ficou em silêncio por um segundo.

E então algo inesperado aconteceu.

As luzes piscaram.

As telas da recepção mudaram sozinhas.

E todos os sistemas exibiram uma única mensagem:

“CONFLITO DE IDENTIDADE DETECTADO.”

Marcos deu um passo atrás.

“Isso não é normal…”

Henrique ficou imóvel.

E então disse:

“Eles encontraram você.”

Isabela congelou.

“Quem?”

Henrique olhou para o corredor atrás dela.

“Os sistemas de correção.”

De repente, as portas automáticas do hospital começaram a fechar sozinhas.

Uma a uma.

Isabela tentou correr.

“O que está acontecendo?”

Henrique respondeu:

“O sistema está isolando a instância instável.”

Marcos puxou ela.

“Precisamos sair agora!”

Mas as saídas já estavam bloqueadas.

As telas piscavam rapidamente.

E uma nova imagem apareceu no monitor central.

Uma câmera de segurança.

Mostrando o próprio hospital.

E então…

algo impossível.

Rafael Montenegro Vasconcelos.

Em pé no corredor.

Parado.

Real.

Mas ninguém ao redor reagia a ele.

Ninguém o via.

Isabela gritou:

“RAFAEL!”

Mas ele não virou.

Ele simplesmente ficou ali.

Como se estivesse fora da mesma realidade que ela.

E nesse momento, a última mensagem apareceu na tela central do hospital:

“INSTÂNCIA 07 NÃO RECONHECE INSTÂNCIA 09.”

Isabela ficou paralisada.

“Instância… 09?”

E Rafael… continuava ali… sem olhar para ela.

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