《Entre o Sangue e o Amor: O Dilema de um Especialista》Capítulo 2

PUBLICIDADE

Lucas, amedrontado, posicionou-se atrás de Beatriz e puxou levemente a manga dela.

— Irmã, não passa de um linchamento virtual, eu posso suportar isso. Por favor, não pressione mais o cunhado.

Beatriz, porém, encarou Thiago com um olhar sombrio e, em seguida, pegou o celular e exibiu um vídeo.

— Thi, você não gostaria que o vídeo da sua mãe sendo humilhada se espalhasse por toda a internet, gostaria?

Ao ver o vídeo de sua mãe sendo pressionada contra o chão enquanto gritava, Thiago sentiu como se tivesse caído em um poço de gelo.

— Beatriz, a criança já morreu. Você ainda quer forçar minha mãe até a morte para ficar satisfeita?

Beatriz observou os olhos avermelhados de Thiago com a mesma expressão impassível.

— Thi, isso depende da escolha que você fizer!

Nesse exato momento, o celular de Thiago tocou. Era um amigo.

— Thiago, sua mãe está sofrendo de um transtorno de estresse pós-traumático grave e entrou em depressão profunda. O médico disse que ela não pode sofrer nenhum tipo de estímulo sob hipótese alguma!

Ao ouvir as palavras do outro lado da linha, as mãos de Thiago caíram lentamente. Derrotado e sem esperanças, ele assentiu.

— Tudo bem, eu aceito. Assumirei toda a culpa.

Ao ouvir a resposta que desejava, Beatriz acariciou suavemente o cabelo de Thiago.

— Thi, que obediente!

Assim que ela terminou de falar, o advogado entrou com o acordo de divórcio.

Thiago pegou o documento e entregou a Beatriz.

— Assine! Os cinquenta por cento das ações que você prometeu.

Beatriz assinou o nome no papel sem hesitar.

O advogado pegou o acordo e olhou para Thiago.

— Sr. Thiago, após as assinaturas de ambas as partes, o contrato entrará em vigor em cerca de trinta dias.

Beatriz observou a interação entre Thiago e o advogado e, inexplicavelmente, um lampejo de pânico atravessou seu coração, embora ela o tenha mascarado rapidamente.

Capítulo 3

Logo, Thiago, vestindo roupas de hospital, foi levado ao local da coletiva de imprensa.

Ele já havia estado diante das câmeras muitas vezes, mas desta vez, aparecia aos olhos do público como o criminoso que matou a própria filha.

— Olá a todos, sou Thiago. Foi um erro de julgamento meu que acelerou a explosão da bomba. Fui eu quem matou minha filha!

Thiago cerrou as mãos com força, deixando as unhas cravarem nas palmas; a dor pungente era como uma faca cortando seu coração.

— Thiago, você se diz um gênio, mas matou sua própria filha. Você não merece nenhuma dessas condecorações.

— Que gênio o quê? Para mim, não passa de um lixo. Com certeza só salvou tanta gente antes porque teve sorte.

— Alguém que mata o próprio filho, quem ousaria deixá-lo fazer um resgate? Uma pessoa assim não merece ficar no esquadrão antibombas. Vaza daqui!

As maldições choviam como uma maré.

Ele percebeu que, para cair do pedestal ao abismo, basta um segundo.

PUBLICIDADE

Thiago cerrou os dentes, suportando sozinho aquelas acusações infundadas.

De repente, um ovo foi lançado violentamente contra ele.

— Fora daqui! Gente como você não merece viver neste mundo.

A clara de ovo viscosa escorreu de sua testa, refletindo a sua vida miserável.

Nesse instante, o celular de Thiago tocou. Era seu amigo novamente.

— Thiago, é terrível! Alguém postou o vídeo da sua mãe sendo humilhada na internet. Sua mãe entrou em surto e agora está ameaçando se jogar do prédio.

Thiago sentiu um zumbido ensurdecedor nos ouvidos e saiu correndo, cambaleando.

— Beatriz, você me prometeu! Disse que, se eu assumisse toda a culpa, deixaria minha mãe em paz. Por que as coisas estão assim?

Quando Thiago chegou ao terraço do hospital, a multidão já estava reunida lá embaixo, rindo e escarnecendo de sua mãe.

— Pule logo! Acho que você só está fazendo cena! Uma digna professora universitária que, no privado, é tão promíscua. Deve ter sido você quem tomou a iniciativa de seduzir os outros por não aguentar a solidão, não é?

— Seu filho matou a própria filha, e você, como mãe, vive se envolvendo com vários homens. Que "casa honrada" o quê! Para mim, é uma casa de lixo!

Thiago ouvia as calúnias contra sua mãe e contra si mesmo; a raiva em seu coração era como um vulcão em erupção, prestes a consumi-lo.

Sua mãe estava sentada silenciosamente no terraço, como uma boneca de pano sem alma, prestes a desaparecer diante dele.

— Mãe, desça daí, por favor! Eu te imploro! Eu já perdi a Alice, não posso perder você também.

Sua mãe virou-se para Thiago com um sorriso nos lábios.

— Thi, me desculpe. Se não fosse para me salvar, você não teria desistido de salvar a Alice. Fui eu quem matou a Alice e também destruí você. Sou uma pecadora, não mereço viver neste mundo.

Os olhos sem vida de sua mãe foram como uma lâmina cravada no coração de Thiago.

— Mãe, tudo isso vai passar. Acredite em mim, por favor? Vou te levar para longe e vamos recomeçar, tudo bem?

Sua mãe, porém, levantou-se lentamente e abriu os braços.

— Thi, vou me juntar ao seu pai. Vou buscar o perdão da Alice!

Assim que terminou de falar, ela saltou sem hesitar.

Thiago correu desesperadamente.

— Não!

Thiago viu sua mãe cair como uma rosa murcha, deitada silenciosamente em uma poça de sangue. Ele entrou em colapso total e, quando ia subir no parapeito, um vulto familiar o segurou com força.

— Thi, sua mãe já morreu, você não pode se destruir também!

Thiago olhou para o rosto estranho de Beatriz e cravou os dentes com força no braço dela.

— Não tenho mais família, não tenho mais ninguém!

— Beatriz, por que você fez isso comigo?

Capítulo 4

Thiago não sabia como tinha conseguido voltar para casa. Mal abriu os olhos, foi abraçado com força por Beatriz.

PUBLICIDADE

— Thi, me desculpe. O vídeo foi vazado sem querer, foi apenas um acidente.

Thiago empurrou Beatriz, mantendo o rosto inexpressivo.

— Beatriz, você tem noção de que essa sua palavra leviana, "acidente", custou a vida da minha mãe?

Beatriz olhou para o olhar de ódio de Thiago e, sem saber o porquê, sentiu um aperto no coração. Ela segurou a mão dele.

— Thi, fique tranquilo. Vou providenciar um enterro digno para a Alice e para sua mãe.

No dia seguinte, Thiago queria acompanhar pessoalmente o sepultamento de Alice e de sua mãe.

Assim que desceu as escadas, viu Lucas abraçado a um cão da raça Lulu da Pomerânia, dando-lhe algo para comer.

Ao se aproximar, Thiago sentiu o couro cabeludo formigar e sua voz tremeu.

— O que você está dando para esse cachorro comer?

Lucas apontou para um vaso de porcelana branca ao lado e um sorriso surgiu no canto de seus lábios:

— A irmã sabia que meu cachorrinho estava com falta de cálcio, então mandou triturarem ossos para fazer um suplemento de cálcio para ele.

Ao olhar para aquelas duas urnas de cerâmica branca, Thiago sentiu que estava prestes a enlouquecer!

Ele avançou ferozmente, levantando a mão para atingir Lucas.

— A Alice e minha mãe já morreram por sua causa, e agora você nem sequer poupa as cinzas delas?

Quando o tapa de Thiago estava prestes a atingir Lucas, uma força súbita o empurrou. Thiago caiu com as costas contra a mesa de centro, e a dor lancinante fez seus olhos se encherem de lágrimas.

Beatriz, por outro lado, olhava para ele com frieza.

— Thiago, tenho sido paciente com você por causa do falecimento da sua mãe e da Alice, mas não esperava que você fosse querer ferir o Lucas de forma tão cruel?

Thiago apontou os dedos trêmulos para a urna de cinzas sobre a mesa, olhando para Beatriz com os olhos injetados de sangue.

— Beatriz, olhe nos meus olhos e me diga o que tem dentro daquele vaso.

Lucas, atrás de Beatriz, exibia um olhar de injustiçada inocência.

— Irmã, eu só estava dando comida ao cachorro na sala. Não sei por que o cunhado enlouqueceu querendo me bater.

Beatriz segurou a mão de Lucas com ternura e olhou para Thiago com desprezo.

— Lucas não sabia que aquele vaso continha as cinzas da Alice e da sua mãe, mas sua atitude agressiva está errada. Peça desculpas ao Lucas agora mesmo.

Thiago cerrou os punhos, olhando para Beatriz com teimosia e desespero.

— A pessoa que deveria pedir desculpas não sou eu!

A expressão de Beatriz tornou-se sombria num instante. Ela levantou levemente a mão para trás, com a autoridade inquestionável de quem está no poder.

— Já que o senhor não quer reconhecer o erro, que fique ajoelhado lá fora. Só poderá se levantar quando admitir que errou.

Dois guarda-costas apareceram imediatamente atrás de Thiago e o levantaram.

Thiago olhou para Beatriz, incrédulo.

— Beatriz, você está me forçando a ajoelhar e pedir desculpas por causa de alguém que matou nossa filha e minha mãe?

Beatriz nem sequer olhou para Thiago novamente, segurando a mão de Lucas enquanto subiam as escadas.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia