Ela não queria dinheiro, ela só queria que quem a machucou pagasse pelo que fez.
Mas, aparentemente, aos olhos de quem tem poder e influência, ela ainda não é digna disso.
Capítulo 7
Após a saída de Mateo, seu assistente chegou rapidamente.
Com uma atitude respeitosa e palavras sinceras, ele disse:
“Sra. Bianca, não leve tudo tanto a peito. O Sr. Mateo... na verdade, é uma pessoa muito focada em lealdade e afeto.”
“Se não fosse pela senhora e pela Srta. Lívia, o Sr. Mateo certamente estaria do seu lado.”
“Ele sente culpa por dentro em relação à senhora. Estes suplementos, ele mesmo me pediu pessoalmente para buscar, são muito bons para a sua recuperação.”
Bianca apenas olhou com indiferença para aquelas caixas de presente primorosamente embaladas e curvou o canto da boca:
“É mesmo? Lealdade e afeto. Então, agradeça ao Sr. Mateo por essa ‘lealdade e afeto’ em meu nome.”
O assistente ficou um pouco sem jeito, mas esforçou-se para manter o sorriso:
“Fique tranquila, o que o Sr. Mateo prometeu à senhora, ele certamente cumprirá. Quanto àquele terreno, depois do banquete de aniversário, certamente não haverá problema. Durante esse período... peço que tenha um pouco mais de paciência.”
Paciência?
Paciência com a sua frieza e injustiça, paciência com a sua ingratidão, paciência com o fato de ele ajudar Lívia a humilhá-la, paciência com seus tapas e difamações pelas costas?
Bianca achou isso extremamente ridículo, mas não disse mais nada.
Em pouco tempo, ela conseguiria aquele terreno e eles não teriam mais relação alguma.
No dia seguinte, Lívia entrou sozinha no quarto do hospital.
Ela dispensou o cuidador com um gesto.
“Bianca, você acha que Mateo ainda se importa minimamente com você?”
Bianca não disse nada; ela realmente não queria dizer uma palavra a mais para aquela louca, Lívia.
Lívia também não pretendia deixar Bianca falar e continuou:
“Eu e Mateo somos amigos de infância, ele sempre me coloca em primeiro lugar em tudo. Se não fosse por aquela velha, Mateo e eu já estaríamos juntos há muito tempo.”
“Pensei que a avó escolheria uma moça de família nobre para Mateo, nunca imaginei que seria você, uma pessoa tão inferior.”
“Eu odeio! Não posso fazer nada contra aquela velha, mas atingir você é muito fácil.”
Bianca abriu os olhos e olhou para Lívia, que exibia um rosto distorcido.
“Lívia, agindo assim, não tem medo de que a avó de Mateo descubra? E que ela impeça ainda mais você e Mateo?”
Lívia caiu na gargalhada: “Uma velha moribunda, quantos anos mais ela pode viver? Quantos anos mais ela pode me impedir?”
“Lívia, ela é a avó de Mateo. Você a desrespeita assim, não teme que Mateo sinta nojo de você?”
“Ha-ha”, Lívia riu novamente.
“Nojo de mim? Mateo é meu cão. Mesmo que eu não o prenda pela coleira, ele virá atrás de mim. Bianca, cuide bem da sua saúde. Mais tarde, ainda tenho um grande presente para lhe dar.”
Após a saída de Lívia, um pânico tomou conta de Bianca.
Ela não sabia que tipo de loucura Lívia ainda faria, nem como a trataria.
Ela ligou para Mateo.
Mas suas chamadas foram todas rejeitadas.
Ela quis ligar para os pais.
Mas, no final, conteve-se.
Não podia deixar seus pais preocupados.
Bianca recebeu alta do hospital com o coração na mão.
Lívia não causou mais confusão, o que a deixou um pouco mais aliviada.
Amanhã era o banquete de aniversário da Sra. Qin.
Após o banquete, assim que ela conseguisse o que queria, poderia se afastar desse casal de loucos.
No dia do banquete, Mateo finalmente apareceu.
Bianca abriu a porta do carro e sentou-se no banco do carona, como de costume.
Ela brincou com um sorriso:
“Sr. Mateo, fique tranquilo, cumprirei meu dever até o fim, não preciso da sua supervisão.”
O tom de brincadeira era como nos últimos três anos.
Nesses dias, ela percebeu uma coisa.
O braço não vence a coxa.
Em vez de se lamentar, era melhor viver feliz a cada dia.
Ela esperava que sua atitude habitual pudesse fazer Mateo relembrar um pouco do passado.
Se Lívia voltasse a atacá-la, talvez ele pudesse protegê-la um pouco.
Ao ouvir suas palavras, Mateo ficou momentaneamente em transe.
Inconscientemente, um leve sorriso surgiu em seu rosto.
Ele entregou uma caixa para ela.
“Use isto.”
Bianca pegou e abriu; dentro havia um colar de safira, brilhando intensamente sob a luz do sol.
Ela devolveu a caixa: “Não é necessário. Afinal, depois de hoje, não serei mais a Sra. Qin.”
Mateo não aceitou: “Use-o, considere... como um presente pelo seu último dia de serviço.”
Bianca finalmente colocou o colar.
Amanhã ela estaria livre, não havia necessidade de irritar Mateo.
O banquete foi realizado no hotel pertencente à família Qin.
Quase todas as celebridades da cidade estavam presentes, e havia dezenas de meios de comunicação.
Bianca segurava o braço de Mateo, conversando educadamente com os convidados.
Sua performance era impecável; ninguém diria que aquela Sra. Qin, elegante e apropriada, tinha acabado de levar um tapa há poucos dias e sido atropelada e hospitalizada.
A Sra. Qin estava muito feliz e não soltava a mão de Bianca: “Ran-ran, você está tão linda hoje.”
“Feliz aniversário, vovó.” Bianca entregou seu presente — um mapa da longevidade bordado à mão, no qual ela gastou três meses.
Talvez não se vissem nunca mais, então ela queria retribuir o carinho daquela velha senhora que a tratou bem.
A Sra. Qin ficou emocionada, com os olhos lacrimejando: “Boa menina, este é o presente que a vovó mais gosta.”
No banquete, Bianca viu Lívia.
Um vestido branco, como uma flor de lótus pura, de pé ao lado do pai de Lívia, conversando alegremente com os convidados.
Os olhares das duas se encontraram no ar, e Lívia lhe lançou um sorriso cheio de significado.
Bianca desviou o olhar; no futuro, ela ficaria bem longe daquela louca.
Na metade do banquete, Bianca sentiu uma tontura.
“Vou retocar a maquiagem”, disse ela a Mateo.
Mateo assentiu: “Volte logo. Não deixe a vovó preocupada.”
O corredor do segundo andar era muito silencioso, em contraste com a agitação do salão principal.
Assim que Bianca entrou no banheiro, sentiu tudo girar e teve que se apoiar na pia para se firmar.
“Está se sentindo mal?” A voz de uma mulher soou atrás dela.
Bianca olhou para trás; era Lívia.
Ela imediatamente ficou alerta.
“O que você vai fazer? Lívia, este é o banquete da avó de Mateo, se algo der errado, Mateo ficará furioso!”
“Furioso? Bianca, você acha que eu tenho medo?”
Lívia deu um passo à frente, aproximando-se de Bianca.
“Mesmo que eu faça a velha morrer de raiva, você acredita que Mateo ficará do meu lado?”
Bianca quis afastá-la, mas percebeu que seu corpo estava sem forças.
“Você...” ela percebeu que algo estava errado, “o que você quer fazer?”
Lívia sorriu, um sorriso doce e maligno:
“Nada demais. Eu, uma pessoa tão maravilhosa, como faria a velha morrer de raiva? Apenas você, essa vadia, faria a velha morrer de raiva.”
Dito isso, ela acenou com a mão, e um homem apareceu de repente.
Bianca tentou gritar, mas o homem tapou sua boca.
Lívia caminhou até Bianca e começou a dar tapinhas em seu rosto.
“Bianca, a partir de hoje, todos saberão que você é uma prostituta, todos saberão que você estava traindo e fez a velha Sra. Qin morrer de raiva. Ha-ha.”
Lívia virou-se e saiu.
E Bianca, com o corpo fraco, foi arrastada pelo homem para um quarto.
O homem esfregava as mãos, puxando lascivamente as alças do vestido de Bianca.
“Minha linda, não tenha medo, o mano vai cuidar bem de você...”
“Eu sou a Sra. Qin, se você ousar tocar em mim, a família Qin não vai te deixar barato...” Bianca estava sem forças, mas ainda tentava lutar por si mesma.
“Ha-ha”, o homem riu alto, “uma mulher com AIDS, como ainda pode ser a Sra. Qin...”
Bianca não esperava que Lívia fosse tão cruel, a ponto de usar um doente para destruí-la.
Sem querer, ela viu a câmera instalada no quarto e um suor frio percorreu seu corpo.
Ela não queria apenas destruí-la, queria expô-la publicamente, caso a avó Qin visse suas cenas libertinas.
Bianca não ousava imaginar o que aconteceria com a saúde da velha senhora.
Não era de se espantar que Lívia dissesse que ela faria a Sra. Qin morrer de raiva.
Mateo sabia ou não que a mulher que ele amava era tão cruel?
Capaz de querer a vida da própria avó.
O homem rasgava suas roupas desordenadamente, fazendo-a sentir náuseas.
Ela não queria, ela não queria.
Ela queria que alguém a salvasse?
Se Mateo descobrisse que ela não voltava há tanto tempo, ele viria procurá-la?
Afinal, ela ainda era, nominalmente, esposa de Mateo.
Ela tentou resistir, gritou com força.
Mas não havia som algum na porta.
Ela precisava se salvar.
Não podia deixar Lívia ter sucesso.
Ela se esforçou para alcançar o vaso de flores na cabeceira da cama — se não pudesse matar o homem, mataria a si mesma, usando toda a força na artéria carótida.