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《A Mulher Que Voltou da Morte》PARTE 10

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O amanhecer em São Paulo chegou cinzento, mas dentro do Grupo Monteiro ninguém parecia perceber a luz do dia.

Tudo estava focado em um único ponto: uma decisão que poderia destruir ou salvar o império da família.

No centro jurídico do prédio, uma reunião fechada havia sido convocada com urgência.

E pela primeira vez em anos, os nomes Monteiro estavam sob ameaça interna.

“Precisamos de um teste de DNA imediato”, disse o advogado principal, empurrando uma pasta sobre a mesa.

Rafael Monteiro Vasconcelos franziu a testa.

“De quem?”, perguntou ele.

O advogado hesitou.

“De Helena Duarte.”

O silêncio caiu como uma pedra na sala.

Camila Ribeiro, sentada ao lado de Dona Mercedes, cruzou as mãos lentamente.

“Isso é absurdo”, ela disse imediatamente.

Mas sua voz não carregava surpresa.

Carregava controle.

“Ela é apenas uma funcionária”, continuou Camila. “Não há base legal para esse tipo de solicitação.”

O advogado respondeu com calma:

“Há evidências suficientes de conexão com o caso Isabela Monteiro Vasconcelos.”

Rafael levantou os olhos.

“Que evidências?”

O advogado abriu outra pasta.

Relatórios do hospital.

Logs do sistema.

E fragmentos de vídeo restaurados.

“Há inconsistências graves no registro de óbito”, ele explicou. “E a funcionária Helena Duarte foi vista em áreas restritas ligadas ao antigo setor médico.”

Camila respirou fundo.

Mas por dentro, algo já estava em movimento.

Rápido.

Perigoso.

Enquanto isso, no subsolo do hospital parceiro, um técnico conectava um novo dispositivo ao servidor antigo.

“Estamos fazendo backup forçado”, disse ele.

“O sistema pode não aguentar”, respondeu outro.

“Temos ordens diretas.”

Na tela, dados antigos começaram a reaparecer.

Registros apagados.

Logs médicos.

E uma linha específica que chamou atenção:

AMOSTRA BIOLÓGICA – ISABELA MONTEIRO VASCONCELOS

“Isso não deveria existir”, disse o técnico.

Mas existia.

E estava sendo acessado novamente.

Na sala do Grupo Monteiro, Rafael se levantou.

“Eu quero esse teste”, disse ele com firmeza.

Camila virou-se rapidamente.

“Você não pode decidir isso sozinho.”

Ele a olhou diretamente.

“Eu posso quando envolve a pessoa que pode estar ligada à morte dela.”

Dona Mercedes finalmente interveio.

“Chega.”

A palavra foi suficiente para silenciar a sala.

Mas não resolveu nada.

Mais tarde, Camila entrou sozinha em uma sala privada do prédio.

Fechou a porta.

E pegou o celular.

“Agora”, disse ela.

“Sem falhas.”

Do outro lado da linha, uma voz respondeu:

“O material já está sendo preparado.”

Camila fechou os olhos por um instante.

“Não pode haver erro”, ela disse.

“Não haverá.”

No mesmo momento, Helena Duarte estava no setor antigo do prédio.

Arquivos físicos.

Caixas empoeiradas.

Silêncio absoluto.

Mas dentro dela, nada estava em silêncio.

Ela abriu uma caixa marcada com o código interno do hospital.

Dentro, documentos antigos.

E uma ficha médica parcialmente rasgada.

Helena tocou o papel.

E imediatamente parou.

Imagens surgiram.

Uma sala branca.

Um médico nervoso.

Uma assinatura forçada.

E uma voz repetindo:

“Ela não pode lembrar quem é.”

Helena recuou.

“Não… isso de novo não…”

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Mas algo diferente aconteceu.

Dessa vez, a memória não desapareceu.

Ela ficou.

Helena caiu de joelhos.

Respirando forte.

E pela primeira vez, não tentou bloquear.

No andar superior, Rafael estava em seu escritório quando recebeu uma notificação urgente.

“Resultado parcial do sistema de identificação genética disponível.”

Ele abriu imediatamente.

O documento carregou lentamente.

Muito lentamente.

Enquanto isso, Camila já estava no laboratório privado do grupo.

Observando o processo.

Sem piscar.

“O resultado final vai sair em minutos”, disse o técnico.

Camila respondeu:

“Não pode haver margem de erro.”

No escritório, Rafael finalmente viu o resultado parcial.

E sua respiração parou.

“Compatibilidade genética… 98,7%…”

Ele ficou imóvel.

“Isso não faz sentido…”, ele murmurou.

Helena, no setor antigo, ainda estava no chão.

Mas agora estava diferente.

Ela não estava apenas confusa.

Estava consciente de algo maior.

Ela se levantou lentamente.

E olhou para a própria mão.

“Quem sou eu… de verdade?”, ela sussurrou.

No mesmo instante, o sistema do laboratório piscou.

Erro temporário.

A tela congelou.

Camila franziu a testa.

“O que aconteceu?”

O técnico tentou reiniciar.

“Estamos perdendo conexão com o servidor central…”

No escritório, Rafael continuava olhando o resultado.

Quando ouviu passos apressados na porta.

Um segurança entrou.

“Senhor Rafael… o documento foi retirado do sistema.”

Ele levantou o olhar imediatamente.

“O quê?”

“Alguém apagou o acesso ao resultado.”

Rafael pegou o relatório físico rapidamente.

“Eu tenho aqui.”

Mas antes que pudesse terminar a frase…

A porta abriu bruscamente.

Um braço entrou.

E arrancou o documento da mão dele.

“Isso não deveria estar com você”, disse uma voz.

Rafael se virou imediatamente.

Mas já era tarde.

O relatório havia desaparecido.

E a pessoa que o levou já estava saindo.

Rafael ficou imóvel.

Respirando pesado.

E pela primeira vez…

ele entendeu que não era apenas uma investigação.

Era uma guerra pela verdade.

E em algum lugar do prédio…

Helena levantou a cabeça lentamente.

Como se tivesse sentido algo.

E disse em voz baixa:

“Eles estão escondendo isso de mim…”

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