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《A NOIVA QUE NÃO MORREU》PARTE 7

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O Hospital Santa Aurora já não parecia mais um hospital comum.

As luzes dos corredores estavam mais frias do que o normal, os acessos haviam sido restringidos e a circulação de funcionários estava sendo controlada como em uma zona de contenção.

Era como se o prédio inteiro estivesse com medo de algo.

Ou de alguém.

No centro de controle médico, o Dr. Eduardo Barros encarava a tela principal com expressão rígida.

Os relatórios de Isabela Monteiro Vasconcelos estavam abertos.

Mas não eram mais apenas relatórios.

Eram contradições.

“Isso está fora de padrão…” murmurou um técnico ao lado.

Eduardo não respondeu.

Ele apenas observava.

Porque, pela primeira vez, o sistema não estava obedecendo completamente às correções manuais.

No necrotério, Clara Nogueira estava ajoelhada ao lado da maca metálica.

Isabela ainda estava lá.

Mas agora havia algo impossível de ignorar.

A respiração estava clara.

O peito subia lentamente.

E o monitor improvisado mostrava batimentos consistentes.

Clara levou as mãos ao rosto, sem conseguir conter o choque.

“Você não estava morta…”

Isabela não respondeu.

Mas moveu levemente os lábios.

Clara se aproximou.

“Você consegue me ouvir?”

Um silêncio longo.

E então, um movimento mínimo da cabeça.

Sim.

Clara recuou, completamente em choque.

“Meu Deus… isso não é possível…”

No mesmo instante, no sistema hospitalar, um novo conjunto de dados foi aberto automaticamente.

Sem comando humano.

Sem autorização.

ANÁLISE FORENSE BIOLÓGICA INICIADA

Os arquivos de Isabela começaram a ser reprocessados em tempo real.

O Dr. Henrique Duarte apareceu na sala de controle segundos depois.

“Quem iniciou isso?” ele perguntou.

Ninguém respondeu.

Bruno Siqueira olhou para a tela e franziu a testa.

“Não fui eu.”

Henrique se aproximou.

“Então foi o sistema.”

Bruno negou.

“O sistema não inicia esse tipo de análise sozinho.”

Silêncio.

E isso foi o suficiente para deixar todos tensos.

Na mansão Vasconcelos, Rafael Almeida Vasconcelos estava sentado em frente à lareira apagada.

Helena Vasconcelos entrou novamente na sala.

“Você está obcecado com isso”, ela disse.

Rafael não levantou o olhar.

“Ela está viva.”

Helena parou por um segundo.

“Isso é impossível.”

Ele finalmente se levantou.

“Então me explica isso.”

Ele jogou o celular na mesa.

Uma imagem congelada do vídeo da injeção apareceu novamente.

Helena olhou.

E dessa vez não respondeu imediatamente.

Rafael deu um passo à frente.

“Quem é essa pessoa?”

Helena desviou o olhar.

“Eu não sei.”

“MENTIRA.”

A palavra ecoou pela sala.

Helena respirou fundo.

“Rafael, você precisa entender que nem tudo tem explicação simples.”

Ele se aproximou ainda mais.

“Minha esposa foi declarada morta no altar. Depois aparece uma injeção misteriosa. E agora o hospital está em colapso interno.”

Ele apontou para ela.

“E você quer que eu aceite silêncio?”

Helena sustentou o olhar.

Mas havia algo diferente nela agora.

Algo mais duro.

Mais frio.

“Você não sabe o que está mexendo”, ela disse finalmente.

Rafael ficou imóvel.

No necrotério, Clara tentava manter Isabela estável.

Mas o corpo reagia de forma estranha.

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Não era uma recuperação normal.

Era irregular.

Como se o organismo estivesse lutando contra algo que ainda estava dentro dele.

Clara observou os monitores.

“Isso não é só parada cardíaca revertida…”

Ela analisou o padrão.

E então percebeu.

“Isso foi induzido…”

Clara abriu um armário de emergência e começou a revisar ampolas antigas.

“Se isso foi induzido… então tem substância envolvida…”

Ela encontrou um frasco sem identificação clara.

Mas havia um código parcial.

Ela digitou no sistema interno offline.

E o resultado fez seu corpo gelar.

“Relaxante neuromuscular de ação prolongada…”

Clara arregalou os olhos.

“Isso não causa morte… isso simula morte…”

Ela recuou lentamente.

“Isso não foi um óbito…”

Ela olhou para Isabela.

“Foi um estado de morte artificial.”

No hospital, o Dr. Eduardo Barros recebeu a atualização automática.

E pela primeira vez, sua expressão mudou completamente.

“Isso não pode sair daqui”, ele disse.

O técnico ao lado dele perguntou:

“O que o senhor quer fazer?”

Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois respondeu:

“Bloqueiem todos os acessos ao caso Vasconcelos.”

Bruno entrou na sala nesse momento.

“Já estão tentando acessar o histórico completo.”

Eduardo virou rapidamente.

“Quem?”

Bruno hesitou.

“Sistema externo… e interno.”

Eduardo ficou rígido.

“Isso não deveria ser possível.”

Bruno deu um passo à frente.

“Doutor… o padrão indica que alguém com alto nível de autorização médica pode ter iniciado isso.”

O silêncio caiu pesado.

Eduardo lentamente se virou para a tela.

E murmurou:

“Isso significa que alguém daqui… sabe exatamente o que aconteceu.”

No necrotério, Clara conseguiu estabilizar parcialmente Isabela com equipamentos manuais.

Mas enquanto ajustava os parâmetros, algo chamou sua atenção.

Um padrão no sangue.

Ela franziu a testa.

“Isso não é apenas sedação…”

Ela analisou novamente.

E o resultado foi ainda mais perturbador.

“Isso foi combinado com outro agente…”

Clara respirou fundo.

“Dois compostos diferentes…”

Ela largou os papéis.

“Isso foi planejado.”

No hospital, o sistema finalmente revelou a inconsistência principal.

Uma linha de registro piscou em vermelho:

“CAUSA REAL DA PARADA BIOLÓGICA: SUBSTÂNCIA NÃO IDENTIFICADA ADMINISTRADA POR VIA INTRAVENOSA”

Henrique leu em voz baixa.

“Então não foi morte natural…”

Bruno completou:

“Foi induzida.”

Henrique ficou em silêncio.

E então perguntou a pergunta que ninguém queria responder:

“Por quem?”

O sistema começou a cruzar acessos.

E, após alguns segundos, uma nova linha apareceu na tela.

“ACESSO AO MEDICAMENTO: HOSPITAL SANTA AURORA — SETOR MÉDICO SUPERIOR”

Bruno leu lentamente.

E então olhou para Henrique.

“Isso vem de dentro.”

Henrique engoliu seco.

“Quem exatamente?”

A tela atualizou mais uma vez.

E revelou apenas uma coisa.

Um nome parcialmente mascarado.

Mas claramente pertencente à hierarquia médica mais alta do hospital.

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