Sofia riu levemente, um brilho de triunfo passando por seus olhos: "Então até mesmo a senhorita da alta sociedade sabe como pedir favores?"
Ela inclinou a cabeça, piscando os olhos com uma falsa inocência: "Mas o dinheiro não pode tudo. Não quero vender este quadro por enquanto, mas, se você quer tanto assim, ajoelhe-se e me peça, e eu te dou."
A respiração de Alice travou levemente.
Aquele rosto à sua frente, que sempre fingia ser frágil e indefeso diante dos homens, mostrava-se arrogante e repugnante diante dela.
Esse era o motivo pelo qual ela nunca gostou de Sofia, nem na vida passada, nem agora.
Ela ainda não conseguia entender por que os quatro haviam se apaixonado por ela!
Alice cerrou os punhos: "Eu disse, dinheiro não é problema."
"Mas eu só quero ver você ajoelhada", disse Sofia com um sorriso doce. "Caso contrário..."
O olhar de Alice caiu sobre a pintura que Sofia segurava casualmente nas mãos.
Aquela era a última obra de seu mentor, uma lembrança que sua mestra carregava no coração dia e noite. Ao pensar na senhora chorando, o coração de Alice foi apertado por uma mão invisível e implacável.
"Tudo bem, eu me ajoelho!"
Finalmente, ela dobrou os joelhos lentamente, ajoelhando-se diante de todos.
O chão de mármore gelado transmitia um frio cortante através do tecido fino de sua roupa, mas isso não era nada comparado ao frio em seu coração.
Ao se levantar, a voz de Alice era assustadoramente calma: "Pode me entregar agora?"
Sofia, porém, riu de repente, um riso carregado de uma malícia aterrorizante.
Diante de Alice, ela segurou as duas extremidades da moldura com ambas as mãos...
"Rasga!"
O som da tela sendo rasgada foi particularmente estridente no salão de leilões silencioso.
"Você!" A raiva de Alice subiu instantaneamente à sua cabeça, e ela desferiu um tapa.
"Alice!" No segundo seguinte, a voz de Juliano explodiu como um trovão: "O que você está fazendo!"
"Juliano..." Sofia cobriu o rosto, as lágrimas vindo prontamente: "Não culpe a senhorita, a culpa é toda minha, eu não deveria ter vindo ao leilão com você..."
Seus dedos finos agarravam a ponta do terno de Juliano, sua voz engasgada no ponto certo: "A senhorita gosta de você, e é natural que ela fique brava ao ver que você comprou tantas coisas para mim."
"Eu sei que minha presença causa problemas a vocês..." Sofia empurrou Juliano de repente, cambaleando para trás. "Sendo assim, deixem que eu desapareça completamente!"
Sua velocidade ao se virar e correr em direção à janela de vidro foi impressionante.
"Sofia!"
O grito de Juliano ecoou por todo o salão, mas já era tarde —
"Clang!"
O som do vidro quebrando, seguido pelo baque de um corpo atingindo o chão, foi amplificado infinitamente aos ouvidos de Alice.
Ela correu até a janela e viu Sofia, como uma borboleta de asas quebradas, deitada silenciosamente em uma poça de sangue, mas com um sorriso vitorioso e bizarro nos lábios.
Juliano ficou completamente louco.
Com os olhos vermelhos, ele pegou Sofia nos braços no meio do sangue, com uma voz rouca e aterrorizante: "Alguém, leve-a para o hospital agora!"
Ele fixou o olhar em Alice, como se quisesse despedaçá-la: "Alice, é melhor você rezar com devoção. Se algo acontecer com Sofia, eu vou fazer você pagar com a sua vida!"
Sob a luz pálida do corredor do hospital, o tempo parecia congelado.
O médico correu apressado, com pânico na voz: "A paciente está com uma hemorragia grave e precisa de transfusão urgente. Mas ela é do tipo de sangue raro, o estoque do hospital está esgotado..."
Juliano virou-se bruscamente, seu olhar como uma lâmina atingindo Alice, que era mantida pelos seguranças: "Você também tem esse tipo de sangue."
"Não..." Sofia abriu os olhos fracamente na cama: "Toda a culpa é minha, a senhorita é anêmica, por favor, não deixe que ela doe sangue para mim..."
"Em que momento você está, e ainda se preocupa com ela? Sofia, como você pode ser tão bondosa." Juliano segurou a mão dela rapidamente, sua voz incrivelmente suave, como se acalmasse uma criança assustada. Mas, ao se virar para Alice, seu olhar tornou-se frio como o gelo dos polos: "Alguém, prenda-a ali!"
"Juliano, você não se atreveria!"
"Veremos se me atrevo!"
Alice foi rudemente pressionada sobre a mesa de cirurgia, o metal gelado tocando suas costas.
Ela lutou desesperadamente, chutando a estante de instrumentos ao lado, fazendo tudo cair com um estrondo.
"Segurem-na!" Juliano ordenou bruscamente.
Três ou quatro seguranças avançaram, pressionando seus membros com força.
O cabelo de Alice estava desgrenhado, seu vestido rasgado na luta, expondo seus ombros alvos.
"Juliano!" ela gritou seu nome com força total, em um desespero sem precedentes: "Você vai se arrepender..."
"Quem deve se arrepender é você", Juliano zombou, inserindo pessoalmente a agulha em sua veia.
O sangue fluía continuamente pelo tubo, e a consciência de Alice começou a se apagar.
Capítulo 4
Em um delírio, ela parecia ter voltado àquela noite chuvosa em sua vida passada —
Faróis ofuscantes, o som agudo de freios, e do outro lado da rua, o olhar indiferente dos quatro.
Apenas Victor, aquele inimigo mortal que ela odiava desde criança, corria cambaleando pela chuva, abraçando seu corpo ensanguentado com as mãos trêmulas.
"Victor..." As lágrimas de Alice se misturaram ao sangue, florescendo na mesa de cirurgia como flores trágicas. "Quando você vai voltar... eu sinto tanto a sua falta..."
Sua voz foi ficando mais fraca, até desaparecer no ar gelado.
Quando Alice abriu os olhos, a luz branca ofuscante a fez erguer a mão instintivamente para se proteger; os incontáveis pontos de agulha em seu braço eram um lembrete daquele ato brutal de transfusão forçada.
"Alice! Você finalmente acordou!"
Lucas foi o primeiro a correr para o seu lado. Seus olhos, sempre cheios de afeição, transbordavam de "preocupação". Ele estendeu a mão para tocar seu rosto, mas Alice desviou instintivamente.
"Sinto muito, chegamos tarde", disse Henrique, com uma voz tão gentil que poderia derreter o gelo. "Juliano foi longe demais! Como ele pôde te forçar a doar sangue?"
Enzo entregou um copo de água morna: "Descanse bem, nós vamos cobrar satisfação dele agora mesmo."
Alice observava aquela performance desajeitada, sua garganta seca e dolorida.
Ela conhecia bem aquele cenário; na vida passada, cada vez que Juliano a ignorava, esses três apareciam imediatamente, usando palavras doces para preencher seu vazio.
E então? Então eles arranjavam mil desculpas para ir embora e acompanhar a verdadeira paixão.
"Não precisa", disse ela com a voz rouca. "Quero ficar sozinha."
Os três se entreolharam; Lucas levantou-se primeiro: "Tudo bem, descanse um pouco. Nós... voltaremos logo."
Eles saíram às pressas, sem nem fechar a porta direito. Alice encarou a fresta e ouviu uma conversa abafada no corredor:
"Sofia acordou?"
"Juliano está vigiando e não deixa ninguém ver..."
"Vamos comprar aquela sobremesa que ela mais gosta..."
No momento em que a porta do quarto fechou, Alice riu até chorar.
Ela estava tão cansada, cansada a ponto de não ter forças nem para desmascarar as mentiras deles.
Nos dias seguintes, Alice ficou deitada sozinha na cama do hospital.
Toda vez que a enfermeira vinha trocar os curativos, ela olhava para Alice hesitante e terminava soltando um suspiro.
"Senhorita, seus amigos não vieram visitá-la de novo hoje?"
Alice balançou a cabeça, seu olhar caindo sobre o buquê de lírios que começava a murchar na mesa de cabeceira.
Era o que Lucas tinha enviado três dias atrás; as bordas das pétalas já estavam amarelas e enroladas, lembrando muito o cuidado hipócrita deles.
O celular vibrou, era uma mensagem de Henrique: [Alice, houve uma emergência na empresa, precisamos viajar para o exterior. Já contratamos o melhor cuidador para você, não se preocupe.]
Logo depois, uma de Enzo: [Princesinha, quando voltarmos, traremos presentes para você!]
Por fim, Lucas: [Recupere-se bem, quando voltarmos, te levaremos àquele restaurante francês que você tanto gosta.]
Alice jogou o celular de lado.
Ela não se importava se eles vinham ou não, mas o que ela não suportava era a incompetência dos cuidadores contratados por eles.
Água fervente respingou em suas mãos, ninguém percebeu o sangue voltando na seringa, e as gazes eram puxadas com tanta força ao trocar os curativos que ela sentia dor...
No fim, as feridas dela não curaram; pelo contrário, ganhou mais queimaduras e hematomas.
"Quero ter alta."
Alice finalmente não aguentou mais e, sem se importar com os conselhos, deu entrada na alta hospitalar.
Na mesma hora, Lucas, Henrique e Enzo terminaram seus supostos compromissos de trabalho e vieram buscá-la.
Enquanto passavam pelo quarto VIP, uma conversa gentil vazou pela porta entreaberta.
"Beba mais um gole, sim?" A voz de Juliano era profunda e mimada. "O médico disse que você precisa repor nutrientes."
Alice parou os passos e viu, pela fresta da porta, Juliano alimentando Sofia com cuidado, seus dedos finos segurando a colher com uma delicadeza reservada a um tesouro frágil.
"O senhor Juliano está cuidando da senhorita Sofia dia e noite nestes dias", disse uma enfermeira que passava, comentando com a colega. "Até cancelou as reuniões da empresa, que paixão verdadeira."