Capítulo 1
— Alice, falta pouco para o seu aniversário de vinte e dois anos. — Do outro lado da linha, a voz de Dona Helena trazia uma expectativa que ela mal conseguia esconder. — Entre os cinco pretendentes, você já pensou em quem vai escolher?
Alice estava parada diante da janela que ia do chão ao teto, os dedos acariciando a moldura sem que ela percebesse. A luz do sol atravessava o vidro e caía sobre ela, mas não conseguia dissipar o frio que emanava de seu olhar.
— Já pensei — respondeu ela suavemente.
— Eu sabia! — Dona Helena riu. — Você passou a vida inteira correndo atrás de Juliano, com certeza vai escolhê-lo, não é?
— Não. — A voz de Alice era calma. — Eu não vou escolhê-lo.
Houve um silêncio repentino do outro lado da linha.
— Então... — Dona Helena hesitou. — Você vai escolher entre Lucas, Henrique ou Enzo, que são apaixonados por você?
— Eu também não vou escolher nenhum deles.
Dona Helena prendeu a respiração.
— Então só resta o Victor. Mas ele é seu inimigo mortal! Você menos ainda...
— É ele quem eu escolho. — Alice interrompeu a mãe, sua voz soando surpreendentemente firme. — Mãe, eu vou me casar com Victor.
— O quê?! — A voz de Dona Helena subiu uma oitava. — Alice, você e Victor se odeiam desde crianças! Aos cinco anos, você o empurrou na piscina; aos dez, colocou pimenta no bolo de aniversário dele; aos quinze, jogou aquele tênis de edição limitada que ele tanto amava dentro da fonte...
Alice ouvia a mãe listar a "história gloriosa" que ela tinha com Victor, e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
— Há um ano, você dizia que não queria nem vê-lo — continuou Dona Helena —, e acabou fazendo com que ele fosse embora do país. Por que quer se casar com ele agora?
Alice baixou os olhos, os dedos se fechando com força.
Porque foi só depois de renascer que ela descobriu que, entre os cinco noivos, ele era o único que a amava, algo que ela jamais soube.
Na vida passada, ela estava exatamente ali, dizendo à mãe com o coração transbordando de alegria que se casaria com Juliano.
Mas, naquela época, como ela poderia imaginar que aquele herdeiro frio e altivo da família seria capaz de forjar a própria morte para fugir do casamento por causa de outra mulher, deixando-a sofrer por vinte anos?
Ela nasceu na prestigiada família de Alice em uma linhagem poderosa no Rio de Janeiro. Dona Helena e as matriarcas das famílias de Juliano, Lucas, Henrique, Enzo e Victor eram melhores amigas. Quando as seis engravidaram ao mesmo tempo, as outras cinco tiveram meninos, e apenas a família de Alice foi abençoada com uma filha.
No dia em que ela nasceu, as cinco mulheres ficaram tão encantadas que quase brigaram para decidir quem seria a futura sogra.
Dona Helena, sem alternativa, prometeu que, ao completar vinte e dois anos, Alice escolheria um noivo entre as cinco famílias.
Na vida passada, ela não hesitou em escolher Juliano.
O homem que ela perseguiu durante toda a juventude; ela acreditava piamente que alcançaria a felicidade ao lado dele.
Mas, na véspera do casamento, ele sofreu um acidente aéreo e seu corpo nunca foi encontrado.
Ela procurou pelos restos mortais dele como uma louca, sem desistir por vinte anos.
Lucas, Henrique e Enzo ficaram ao seu lado todo esse tempo, gentis e atenciosos, expressando seu amor e tentando ajudá-la a sair daquela sombra.
Ela era grata pelo carinho deles, mas simplesmente não conseguia esquecer Juliano.
Até que, em uma noite chuvosa...
Nas ruas de Londres, ela viu com seus próprios olhos o "falecido" Juliano prensando Sofia contra a parede e a beijando.
Aquela estudante bolsista que ela ajudava agora estava sendo abraçada com força pelo seu noivo.
E Lucas, Henrique e Enzo estavam ali, parados ao lado, esperando que terminassem o beijo para, em seguida, colocarem um casaco nela e oferecerem frutas, com olhares cheios de pena.
— Beijaram tanto que seus lábios ficaram inchados — diziam eles para Sofia, com ternura. — Sofia, não se preocupe, pode ficar tranquila no exterior vivendo esse romance com Juliano. Alice tem a nós para distraí-la, ela nunca vai conseguir encontrar vocês.
Naquele momento, ela entendeu tudo: Juliano sempre estivera apaixonado por Sofia e, para ficar com ela, não hesitou em encenar uma morte forçada.
E os outros três, que ela achava que a amavam, na verdade também amavam Sofia. Eles só fingiam gostar dela para mantê-la ocupada e evitar que ela destruísse a felicidade da amada deles.
Ao descobrir a verdade, ela fugiu em pânico e acabou sofrendo um acidente de carro. E aqueles quatro estavam do outro lado da rua, assistindo friamente à sua morte.
No final, restou apenas Victor.
Aquele que ela odiou durante toda a infância, o homem que ela tratou com desprezo, foi quem recolheu seus restos mortais e chorou diante de seu túmulo.
— Alice? — A voz de Dona Helena a trouxe de volta ao presente. — Você ainda está me ouvindo?
Alice respirou fundo, os dedos tremendo levemente.
— Mãe, eu já decidi. Na festa de aniversário, vou anunciar que escolhi Victor como meu noivo.
— Por favor, avise-o para voltar o mais rápido possível. — Ela fez uma pausa, a voz suave, porém determinada. — Seria melhor que a senhora e o papai fossem pessoalmente até lá, caso contrário, ele provavelmente não vai acreditar.
Dona Helena, embora não entendesse o motivo, mimava a filha o suficiente para suspirar e aceitar:
— Está bem, já que você insiste, voaremos para a Suíça amanhã!
Após desligar, Alice soltou um suspiro de alívio e subiu para o quarto.
Abriu o compartimento secreto do closet, onde quatro caixas finas estavam alinhadas: o colar de diamantes de Juliano, o relógio de edição limitada de Lucas, a pintura de leilão de Henrique e o perfume personalizado de Enzo.
Cada presente custava uma fortuna, e cada um deles carregava as mentiras de sua vida passada.
Ela pegou todas as caixas e saiu, sem olhar para trás.
Ao chegar ao jardim, uma voz conhecida ecoou:
— Juliano... — Sofia soluçava, com os olhos vermelhos. — O aniversário de vinte e dois anos da Alice está chegando. Ela gosta tanto de você, com certeza vai te escolher. Você logo será um homem casado, não posso mais ficar com você. Foi ela quem pagou meus estudos, esconder isso dela enquanto desfruto do seu amor... eu já me sinto culpada demais.
Ela baixou a cabeça, a voz ficando mais fraca:
— Você é o herdeiro da prestigiosa família, e eu sou apenas uma bolsista pobre que só conseguiu estudar por causa deles... Esqueça esse romance que tivemos nesses últimos tempos...
Alice parou seus passos.
Não muito longe dali, os quatro homens cercavam Sofia.
Juliano, com o semblante sombrio, agarrou o pulso de Sofia:
— Sem a minha permissão, quem disse que você pode partir? Mesmo que ela me escolha, eu só amo você.
— Não se preocupe, já preparei tudo. Se ela me escolher, na véspera do casamento, vou forjar um acidente de avião, abandonar tudo e levar você comigo.
— Sofia, não se preocupe — disse Lucas, oferecendo um lenço com gentileza. — Depois que vocês fugirem, nós três vamos ficar na cola da Alice, para garantir que ela nunca encontre vocês.
Henrique acrescentou com um riso sarcástico:
— Exatamente, fique tranquila e viva o seu amor com Juliano.
— Sofia, com a gente aqui, você não precisa ter medo de nada — completou Enzo, carinhoso.
— Mas... — Sofia mordeu os lábios, as lágrimas ameaçando cair —, se a Alice descobrir, ela vai ficar triste.
Os quatro homens disseram em uníssono:
— Nós só nos importamos com você. A vida ou morte da Alice não nos interessa!
Alice, escondida atrás da árvore, sentiu como se seu coração estivesse sendo esmagado por uma mão invisível.
É verdade, a vida dela não importava para eles.
Na vida passada, foi exatamente isso que fizeram.
Ela caminhou sem expressão, segurando as caixas, o som dos seus saltos altos contra as pedras do jardim ecoando de forma nítida.
— Senhorita?! — A expressão de Sofia mudou drasticamente, e ela veio apressada ao encontro de Alice. — Você... o que faz aqui?
Alice nem olhou para ela:
— Jogando lixo fora.
— Eu ajudo a senhora! — Sofia estendeu a mão, querendo pegar as caixas. — A família dela pagou minha faculdade, eu disse que seria capaz de qualquer coisa para retribuir!
— Não precisa.
— Senhorita, não se acanhe...
Enquanto discutiam, Sofia tropeçou de repente.
— Ah!
Ela gritou, agarrando o braço de Alice, e ambas caíram na piscina ao lado.
A água gelada cobriu suas cabeças instantaneamente.
Alice não sabia nadar e debatia-se desesperadamente para subir à superfície:
— Socorro...
Na borda da piscina, os quatro homens pularam simultaneamente.
Mas não para salvar Alice.
Ela viu com seus próprios olhos eles nadando desesperados em direção a Sofia, enquanto ela mesma afundava pouco a pouco.