localização atual: Novela Mágica Moderno A MENINA QUE NUNCA EXISTIU PARTE 10

《A MENINA QUE NUNCA EXISTIU》PARTE 10

PUBLICIDADE

Naquela madrugada, São Paulo parecia diferente.

Não mais silenciosa.

Mas exposta.

Como se algo escondido por anos tivesse finalmente perdido sua cobertura.

Na Mansão Vasconcelos, todas as telas estavam ligadas ao mesmo tempo.

Relatórios médicos.

Arquivos empresariais.

Bases de dados hospitalares.

E uma única palavra se repetia em todas elas:

Santa Clara

Eduardo Vasconcelos estava em pé no meio do escritório, imóvel, olhando para as informações que surgiam em cascata.

Ele não piscava.

Não respirava direito.

“Isso não pode ser real…”, ele murmurou.

Na tela principal, o sistema exibiu um documento consolidado.

Título:

“PROJETO SANTA CLARA — INTERVENÇÃO EM TRAUMA INFANTIL E SUPRESSÃO DE MEMÓRIA EMOCIONAL”

Eduardo deu um passo para trás.

“Supressão de memória…?”

Ao lado dele, o médico da família, Dr. Henrique Lacerda, estava pálido.

“Senhor… isso não é tratamento.”

Eduardo virou o rosto lentamente.

“Então o que é?”

O médico hesitou.

“É reprogramação comportamental.”

Silêncio absoluto.

Na tela, novos arquivos surgiram automaticamente.

Listas de crianças.

Registros clínicos.

E padrões de resposta emocional.

Eduardo sentiu o estômago se contrair.

“Eles estavam mexendo com crianças…”

No mesmo momento, no Jardim Ângela, Téo Ribeiro estava sentado no chão do abrigo.

Júlia Farias observava os documentos ao lado dele.

“Seu nome aparece ligado a múltiplos protocolos”, ela disse.

Téo respondeu sem olhar:

“Eu não sou o problema.”

Júlia hesitou.

“Então quem é?”

Téo levantou os olhos.

“Quem apagou minha mãe.”

Na sede do Grupo Vasconcelos, o caos já era visível.

Jornalistas na entrada.

Vazamentos nas redes.

Ações despencando em tempo real.

Otávio Vasconcelos caminhava rapidamente pelos corredores.

Ele não parecia mais confiante.

“Eles já divulgaram?”, ele perguntou.

Um assessor respondeu nervoso:

“Sim. O nome Santa Clara já está sendo associado ao grupo.”

Otávio apertou os dentes.

“Isso não deveria ter saído.”

No escritório da empresa, Camila Braga assistia à destruição pública em tempo real.

Mas seu rosto não mostrava surpresa.

Apenas cansaço.

Eduardo entrou na sala.

“Você sabia disso desde o começo?”, ele perguntou.

Camila não respondeu imediatamente.

“Eu sabia que existia”, ela disse.

“Não sabia até onde tinha chegado.”

Eduardo se aproximou.

“Até onde?”

Camila hesitou.

“Até crianças sendo usadas como base de dados emocionais vivos.”

Silêncio.

Na mansão, Sofia estava de pé.

Imóvel.

Olhos fixos na parede.

Mas algo estava diferente.

Ela não parecia mais perdida.

Parecia conectada.

De repente, ela pegou um papel.

Escreveu uma frase inteira.

Eduardo recebeu a mensagem ao mesmo tempo.

“EU LEMBRO AGORA.”

Ele congelou.

“Sofia…?”, ele sussurrou.

No sistema, um novo módulo foi aberto automaticamente.

“REGISTRO DE MEMÓRIA REATIVADA — PACIENTE S.V.”

No abrigo, Téo também recebeu uma notificação no celular de Júlia.

“ATUALIZAÇÃO CRÍTICA DE REGISTRO: LUCÍLIA RIBEIRO”

Ele pegou o aparelho imediatamente.

“Eles estão mexendo de novo…”

Na tela da empresa, novos arquivos surgiram.

Mas agora eram piores.

Vídeos.

Crianças em salas brancas.

Reações emocionais sendo medidas.

E vozes adultas dizendo:

“estímulo negativo aplicado”

“memória bloqueada com sucesso”

Eduardo recuou.

“Isso é uma fábrica de trauma…”

Camila fechou os olhos.

“Não era só pesquisa”, ela disse.

“Era sistema.”

No mesmo instante, Otávio entrou em uma sala privada.

Sem câmeras.

Sem testemunhas.

Ele abriu uma mala.

Dentro: documentos físicos.

E uma identidade falsa.

Um passaporte.

Ele respirou fundo.

“Eles vão me destruir com isso…”

Na mansão, Sofia começou a tremer.

Eduardo correu até ela.

“Sofia!”

Mas ela não estava mais apenas ali.

Ela estava olhando para algo que não existia no espaço físico.

E então disse algo novamente.

Mais claro.

Mais forte.

“FOI ELES.”

Eduardo congelou.

“Quem foram eles?”, ele perguntou.

Sofia apontou para a tela do computador.

E depois para o próprio pai.

Na empresa, Camila recebeu um alerta final.

“EXPOSIÇÃO GLOBAL ATIVA”

Otávio, em outro ponto da cidade, entrou em um carro.

Sem motorista.

Sem destino declarado.

“Levem-me para fora antes que fechem tudo”, ele disse.

No sistema central, todos os arquivos do Santa Clara estavam sendo espelhados em servidores públicos.

Sem controle.

Sem reversão.

Eduardo encarava Sofia.

E pela primeira vez, percebeu algo assustador.

Ela não estava apenas lembrando.

Ela estava reconstruindo o passado em tempo real.

E então Sofia falou novamente.

Mas agora não era frase simples.

Era uma afirmação completa.

“EU ESTIVE LÁ.”

Silêncio total.

Eduardo não conseguiu responder.

No abrigo, Téo caiu sentado ao ver os novos dados.

“Minha mãe não desapareceu…”

Ele respirou fundo.

“Ela foi parte disso…”

No sistema, um último alerta apareceu.

“IDENTIDADE ORIGINAL CONFIRMADA: LUCÍLIA RIBEIRO — STATUS: TESTEMUNHA DO PROJETO”

E no meio da cidade, Otávio Vasconcelos acelerava o carro sem olhar para trás.

O celular tocou.

Ele ignorou.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia