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《O FILHO PROIBIDO》Capítulo 10

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O prédio do Grupo Vasconcelos, na Avenida Faria Lima, parecia mais frio do que nunca naquela manhã.

Vidros espelhados refletiam o céu cinza de São Paulo, enquanto executivos de alto escalão entravam no edifício com passos apressados e expressões tensas.

Algo havia mudado dentro da empresa.

E não era o mercado.

Era o poder.

No 42º andar, a sala de reuniões principal estava fechada.

Dentro dela, os membros do conselho estavam reunidos em tensão absoluta.

E no centro da mesa… uma única pauta.

Gabriel.

“Isso saiu completamente do controle.” — disse Augusto Saldanha, diretor financeiro do grupo, batendo a mão na mesa.

“Não é mais um caso médico. Virou um fenômeno midiático.” — completou outra executiva.

“Fenômeno não gera lucro se não for controlado.” — respondeu um terceiro, frio.

Silêncio.

Todos olharam para a ponta da mesa.

Onde estava sentada Lúcia Vasconcelos, tia de Henrique e uma das acionistas mais antigas do grupo.

Ela falava com calma.

“Esse menino pode ser o ativo mais valioso que essa empresa já viu.”

Do outro lado da cidade, no hospital Sírio-Libanês, Henrique Vasconcelos assistia a tudo de forma indireta.

Ele não estava fisicamente na reunião.

Mas sabia exatamente o que estava acontecendo.

Renato entrou na sala com uma expressão preocupada.

“Eles convocaram uma reunião extraordinária do conselho sem o senhor.”

Henrique não se surpreendeu.

“Eles sempre esperaram esse momento.”

Renato hesitou.

“Estão discutindo… controle sobre o garoto.”

Henrique virou lentamente o rosto.

“Controle?”

Na Faria Lima, a discussão escalava.

“Podemos transformar isso em tecnologia médica.” — disse um executivo.

“Ou em exclusividade de tratamento internacional.” — disse outro.

“Ou simplesmente… vender a informação para investidores estrangeiros.”

O ar ficou pesado.

Mas então Lúcia bateu a mesa.

“Vocês estão falando como se ele fosse um produto.”

Silêncio.

Ela continuou:

“Ele é a chave.”

No hospital, Henrique apertou o lençol da cama.

“Eles querem ele.” — disse ele.

Renato confirmou.

“E não estão sozinhos.”

Henrique franziu o cenho.

“Quem mais?”

Renato hesitou.

“Alguns investidores externos já fizeram contato. Fundos americanos. Laboratórios suíços. Até grupos militares privados.”

Silêncio.

Henrique fechou os olhos.

“Eles não entendem o que estão mexendo.”

Na sala do conselho, a divisão começou.

“Temos que protegê-lo institucionalmente.” — disse um executivo.

“Não. Temos que registrá-lo como propriedade intelectual médica.” — disse outro.

“Isso é ilegal.” — respondeu alguém.

Lúcia se levantou.

“E vocês acham que isso aqui já não é ilegal desde o começo?”

Silêncio.

Enquanto isso, no hospital, Gabriel estava em uma sala isolada.

Mariana estava com ele.

Ele não estava algemado.

Não estava preso.

Mas estava cercado por médicos e segurança discreta.

Ele parecia calmo.

Mas diferente.

Como se algo dentro dele estivesse mais pesado.

Mariana se aproximou.

“Você não precisa fazer nada que eles mandarem.” — ela disse baixo.

Gabriel respondeu:

“Eles não estão mandando em mim.”

Mariana franziu o cenho.

“Então quem está?”

Gabriel hesitou.

E respondeu:

“O que eles começaram.”

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Na Faria Lima, a reunião atingiu o ponto crítico.

“Precisamos de decisão agora.” — disse Augusto.

“Controle total ou eliminação do risco.”

Silêncio.

Alguém perguntou:

“Eliminação?”

Augusto respondeu frio:

“Se não podemos controlar… não podemos deixar existir fora de nós.”

No hospital, Henrique recebeu a ligação ao vivo.

Renato colocou no viva-voz.

“Senhor Henrique…” — disse a voz de Lúcia.

Henrique respondeu:

“Você abriu o conselho sem mim.”

“E você abriu uma porta que não pode mais fechar.” — ela respondeu.

Silêncio.

“Eles querem transformar ele em ativo.” — disse Henrique.

Lúcia respondeu:

“Ele já é um ativo. A diferença é que você não percebeu isso ainda.”

Henrique ficou imóvel.

“Ele não é propriedade de ninguém.”

Lúcia respondeu:

“Então você vai perder tudo.”

Na sala onde Gabriel estava, a energia mudou.

Os monitores começaram a oscilar.

Os médicos se olharam assustados.

“Isso está acontecendo de novo…” — disse um deles.

Gabriel levou a mão à cabeça.

Mariana ficou em alerta.

“Gabriel?”

Ele respirou fundo.

E disse:

“Eles estão discutindo sobre mim.”

No conselho da empresa, as luzes piscaram.

Alguém comentou:

“Problema elétrico?”

Mas ninguém acreditava nisso.

Porque o ambiente inteiro parecia… instável.

Henrique se levantou da cama pela primeira vez naquele dia.

Renato tentou impedir.

“Senhor, o senhor não deveria…”

Henrique interrompeu.

“Eles estão decidindo sobre uma vida.”

Ele pegou o casaco.

E disse:

“Leve-me até lá.”

Na sala do conselho, a porta se abriu de repente.

Todos se viraram.

Henrique Vasconcelos entrou.

Silêncio imediato.

Mesmo os mais agressivos ficaram quietos.

Porque ele não parecia mais um paciente.

Ele parecia um homem em guerra.

“Acabou.” — disse Henrique.

Augusto se levantou.

“Henrique, isso é uma decisão corporativa.”

Henrique respondeu:

“Ele não é corporativo.”

Lúcia observou em silêncio.

Henrique continuou:

“Vocês estão falando de uma criança como se fosse um produto.”

Augusto respondeu:

“Ele já é um evento global.”

Henrique bateu na mesa.

“Ele é uma criança.”

Silêncio absoluto.

Lúcia falou então:

“E você acha que isso muda o fato dele valer mais que qualquer divisão dessa empresa?”

Henrique virou o olhar para ela.

“Ele não está à venda.”

Augusto respondeu:

“Então você não está mais no controle disso.”

Henrique respirou fundo.

E disse algo que ninguém esperava:

“Então eu saio do controle.”

Silêncio.

Naquele instante, todos os celulares da sala vibraram ao mesmo tempo.

Uma notificação interna do sistema do grupo apareceu:

“ATIVO PRINCIPAL IDENTIFICADO: GABRIEL ALVES”

Henrique congelou.

“Quem fez isso?” — ele perguntou.

Ninguém respondeu.

E então…

as telas de segurança do prédio mudaram automaticamente.

Imagem ao vivo do hospital.

Gabriel.

Ele estava olhando diretamente para a câmera.

E disse:

“Eles estão aqui também.”

Henrique arregalou os olhos.

E percebeu algo terrível:

Gabriel não estava mais apenas no hospital.

Ele estava conectado ao sistema inteiro do grupo.

E antes que alguém pudesse reagir…

todas as telas da sala piscaram juntas.

E uma última mensagem apareceu:

“TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE INICIADA”

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