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《O FILHO PROIBIDO》Capítulo 9

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O Hospital Sírio-Libanês estava em silêncio absoluto naquela madrugada.

Mas não era um silêncio normal.

Era o tipo de silêncio que antecede uma revelação.

Henrique Vasconcelos estava sentado na cama, imóvel, olhando para o teto como se tentasse reorganizar a própria memória.

As luzes frias da UTI VIP refletiam em seu rosto pálido.

E pela primeira vez desde que tudo começou…

ele não estava pensando em Gabriel.

Ele estava pensando no passado.

Renato entrou na sala com passos cautelosos.

“Senhor… conseguimos acesso aos arquivos antigos do grupo.”

Henrique não virou o rosto.

“Abre.”

Renato hesitou por um segundo.

E então colocou o tablet na frente dele.

O arquivo se abriu.

Título:

“RELATÓRIO INTERNO — INCIDENTE VASCONCELOS 2016”

O ar mudou instantaneamente.

Henrique franziu o cenho.

“Isso não existe publicamente.” — ele disse.

Renato respondeu baixo:

“Agora existe.”

A tela mostrou imagens antigas.

Um laboratório.

Equipamentos médicos.

Crianças.

E o nome de um projeto.

“Neuro Genesis – Fase Experimental.”

Henrique sentiu um aperto no peito.

“Isso foi encerrado.” — ele disse.

Renato negou.

“Não oficialmente.”

Henrique respirou fundo.

E então viu algo que o fez congelar.

Um relatório clínico.

Nome do paciente:

“SUBJETO G-01”

Henrique aproximou o rosto da tela.

E leu em voz baixa:

“Resposta neural anômala… regeneração espontânea… instabilidade eletromagnética corporal…”

Ele parou.

“Eletromagnética?” — ele repetiu.

Renato assentiu.

“Eles não conseguiram explicar o fenômeno.”

Henrique sentiu algo estranho no estômago.

“Isso não é medicina.” — ele disse.

Renato respondeu:

“Nunca foi só medicina.”

E então veio a página seguinte.

Um vídeo.

Henrique abriu.

E o mundo dele desabou.

Na tela, uma criança pequena estava deitada em uma maca.

Fios conectados ao corpo.

E ao lado…

uma mulher.

Mariana Alves.

Mais jovem.

De jaleco.

Trabalhando no sistema.

Henrique arregalou os olhos.

“Ela estava lá…” — ele murmurou.

Renato confirmou.

“Ela era parte da equipe principal.”

Henrique ficou imóvel.

E pela primeira vez…

ele entendeu.

Mariana não era apenas a mãe de Gabriel.

Ela era parte do nascimento do projeto.

Na favela, Mariana estava de pé, olhando pela janela.

Gabriel estava sentado atrás dela.

Silencioso.

Mas inquieto.

“Eles abriram os arquivos.” — ela disse.

Gabriel respondeu:

“Eu senti.”

Mariana virou devagar.

“Isso não deveria ter acontecido.”

Gabriel olhou para ela.

“Mas aconteceu.”

No hospital, Henrique continuava olhando o vídeo.

E então viu o momento exato.

O incidente.

No laboratório, uma falha.

Alarmes.

Energia instável.

E a criança — Gabriel — abrindo os olhos.

Mas algo estava errado.

Os equipamentos explodiam ao redor.

Os sistemas desligavam.

E todos corriam.

Henrique apertou a tela.

“Para… isso não acabou assim…” — ele disse.

Renato ficou em silêncio.

O vídeo continuou.

E então…

um apagão.

E gritos.

Renato falou baixo:

“Eles nunca divulgaram o final disso.”

Henrique respirou fundo.

“Porque ele desapareceu.”

Na favela, Gabriel colocou a mão na cabeça.

E disse:

“Eu não desapareci.”

Mariana ficou tensa.

“Você foi retirado.” — ela corrigiu.

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Gabriel levantou o olhar.

“Eu fui escondido.”

No hospital, Henrique começou a suar frio.

“Então o acidente na minha perna…” — ele disse.

Renato ficou em silêncio.

Henrique continuou:

“Não foi acidente.”

Renato hesitou.

E então respondeu:

“Não.”

Silêncio.

Henrique fechou os olhos.

E a memória voltou.

No ano 2016.

Reunião interna do Grupo Vasconcelos.

Seu pai.

Executivos.

Mariana também presente.

Discussão intensa.

“Esse projeto não pode continuar.” — dizia um executivo.

“Ele já passou do limite ético.” — outro respondeu.

Henrique mais jovem assistia tudo.

Confuso.

E então…

o acidente.

Energia instável.

Explosão no laboratório.

Sistemas caindo.

E uma criança desaparecendo.

Henrique abriu os olhos de volta ao presente.

E sussurrou:

“Eles apagaram isso da minha memória.”

Renato ficou imóvel.

“Não só da sua.” — ele disse.

Henrique virou o rosto.

“O que você está dizendo?”

Renato respirou fundo.

“Todos os registros foram alterados.”

Silêncio.

Na favela, o celular de Mariana vibrou.

Mensagem desconhecida:

“Eles lembraram de tudo.”

Ela congelou.

Gabriel olhou para ela.

“Agora eles sabem.”

Mariana sussurrou:

“Isso não era para voltar.”

Gabriel respondeu:

“Mas voltou.”

No hospital, os monitores de Henrique começaram a oscilar novamente.

Sem motivo.

“Pressão instável!” — gritou o médico.

Henrique levou a mão ao peito.

E disse:

“Não é minha perna que está quebrada…”

Renato olhou.

“O que é então?”

Henrique respondeu baixo:

“É a ligação.”

Silêncio absoluto.

Na favela, Gabriel começou a tremer levemente.

Mariana tentou segurá-lo.

“Gabriel!”

Mas ele olhava para o vazio.

E disse:

“Eles estão me chamando de volta.”

No hospital, todas as luzes apagaram ao mesmo tempo.

Renato ficou pálido.

“Senhor… isso não é falha elétrica…”

Henrique olhou para o teto escuro.

E disse:

“Ele está aqui.”

No mesmo instante…

o sistema de segurança reiniciou sozinho.

E na tela principal apareceu uma mensagem antiga, não deletada:

“PROTOCOLO GABRIEL — REATIVAÇÃO INICIADA”

E Henrique Vasconcelos finalmente entendeu:

o acidente nunca foi acidente.

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