localização atual: Novela Mágica Moderno Herança de Sangue e Traição PARTE 6

《Herança de Sangue e Traição》PARTE 6

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Jonathan Andrade passou a madrugada olhando para a fotografia.

Ana.

O nome escrito atrás da imagem parecia pequeno demais para carregar tanto peso.

Mas carregava.

A mulher sorria diante do portão da antiga fazenda dos Andrade, em Minas Gerais.

Um sorriso tímido.

Quase escondido.

Como se naquela época ela ainda acreditasse que o mundo podia ser justo.

Jonathan não conseguia desviar os olhos.

A semelhança com Lucas era impossível de ignorar.

Os mesmos olhos escuros.

O mesmo formato do rosto.

A mesma expressão silenciosa de quem aprendeu cedo demais a não pedir nada.

Ele virou a fotografia novamente.

Ana.

Treze anos atrás.

Mas a lembrança vinha de muito antes.

Quase vinte anos.

Jonathan se levantou da cadeira.

O escritório estava escuro.

Apenas a luz da luminária iluminava a foto sobre a mesa.

Do lado de fora, a mansão Andrade permanecia silenciosa.

Mas dentro dele, um passado inteiro começava a acordar.

Ele pegou o celular.

Ligou para Sérgio Duarte.

A voz do chefe de segurança surgiu rouca, sonolenta.

"Senhor Andrade?"

"Quero tudo sobre uma mulher chamada Ana."

"Qual Ana?"

Jonathan fechou os olhos por um segundo.

"Ana que trabalhou para minha família na fazenda Santa Clara, em Minas."

Sérgio ficou em silêncio.

"Quando?"

"Vinte anos atrás."

Houve uma pausa longa.

"Isso vai exigir acesso aos arquivos antigos da família."

"Então acesse."

"Alguns documentos ficam na sala subterrânea da mansão."

Jonathan abriu os olhos.

"Eu sei."

"E outros podem ter sido transferidos para o escritório do doutor Henrique Tavares."

Jonathan apertou a mandíbula.

O advogado da família.

Sempre impecável.

Sempre calmo.

Sempre perto demais dos segredos dos Andrade.

"Comece agora."

"Sim, senhor."

Jonathan desligou.

Mas não se sentiu melhor.

Pelo contrário.

A fotografia parecia agora mais perigosa.

Como se Ana estivesse voltando dos mortos para cobrar algo.

Na manhã seguinte, Jonathan chamou Célia, a governanta mais antiga da casa.

Ela entrou no escritório com o rosto fechado.

"Chamou, senhor?"

Jonathan colocou a foto sobre a mesa.

"Célia, você conhece essa mulher?"

A governanta olhou rapidamente.

Rápido demais.

Depois desviou o olhar.

"Não lembro."

Jonathan ficou imóvel.

"Olhe de novo."

"Senhor, passaram muitos anos."

"Eu perguntei se você conhece."

Célia respirou fundo.

Então olhou para a foto outra vez.

Sua boca ficou tensa.

"Ana."

Jonathan sentiu o peito apertar.

"Então você lembra."

"Ela trabalhou na fazenda."

"Fazendo o quê?"

"Serviços da casa. Cozinha, limpeza, essas coisas."

Jonathan observou cada movimento da mulher.

"E por que foi embora?"

Célia demorou.

"Não sei."

"Não sabe ou não quer dizer?"

A governanta apertou as mãos.

"Ela sumiu."

Jonathan se inclinou para frente.

"Sumiu como?"

"De uma noite para outra."

"Sem aviso?"

"Sem nada."

"E ninguém procurou?"

Célia engoliu seco.

"Naquela época, as coisas eram diferentes."

Jonathan soltou uma risada amarga.

"Diferentes para quem?"

Célia não respondeu.

Ele pegou a foto.

"Ela tinha família?"

"Não que eu soubesse."

"Namorado?"

"Senhor Jonathan..."

"Célia."

A voz dele ficou baixa.

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"Meu filho quase morreu duas vezes dentro desta casa. Um menino sem passado salvou Miguel. E agora descubro que esse menino parece com uma antiga empregada da minha família que desapareceu."

Célia empalideceu.

"Então eu vou perguntar uma vez."

Ele levantou a foto.

"O que aconteceu com Ana?"

A governanta baixou os olhos.

"Eu não sei tudo."

"Então diga o que sabe."

Ela respirou fundo.

"Ana era boa menina."

A voz saiu mais fraca.

"Calada. Trabalhadora. Nunca respondia ninguém."

"E?"

"Um dia, começou a passar mal."

Jonathan franziu a testa.

"Passar mal?"

"Enjoos. Tontura. Desmaios."

O silêncio ficou pesado.

Jonathan já sabia para onde aquilo apontava.

"Ela estava grávida?"

Célia fechou os olhos.

"Foi o que disseram."

Jonathan sentiu o sangue gelar.

"De quem?"

Célia abriu os olhos, assustada.

"Eu não sei."

"Quem disse que ela estava grávida?"

"Dona Beatriz."

A madrasta de Jonathan.

Beatriz Andrade.

Viúva de seu pai.

Mulher elegante, religiosa diante das câmeras e cruel dentro de casa.

Jonathan ficou rígido.

"Beatriz sabia?"

"Todos souberam depois."

"E o que fizeram?"

Célia apertou os lábios.

"Chamaram o doutor Henrique."

O advogado.

De novo ele.

Jonathan levantou-se devagar.

"Por quê?"

"Porque dona Beatriz disse que Ana estava tentando arrancar dinheiro da família."

Jonathan fechou a mão.

"E você acreditou?"

Célia não respondeu.

Jonathan bateu a mão na mesa.

"Você acreditou?"

A governanta tremeu.

"Eu era funcionária, senhor."

"Isso não é resposta."

"Era perigoso discordar de dona Beatriz."

A frase caiu como uma confissão.

Jonathan caminhou até a janela.

Por um instante, viu não a mansão, mas a fazenda de vinte anos atrás.

Corredores grandes.

Empregados em silêncio.

Uma moça pobre acusada.

Uma família poderosa decidindo seu destino.

"Depois disso, Ana desapareceu?"

"Na mesma semana."

"E ninguém mais falou dela."

Célia balançou a cabeça.

"Era proibido."

Jonathan virou lentamente.

"Proibido por quem?"

Célia sussurrou:

"Pela família."

Enquanto Jonathan cavava o passado, Lucas fazia o mesmo de outro jeito.

Naquela tarde, ele percebeu que a porta do corredor inferior ficava destrancada por poucos minutos quando a equipe de limpeza descia.

O corredor levava ao subsolo.

E o subsolo guardava os arquivos antigos da mansão.

Lucas não sabia exatamente o que procurava.

Mas sentia que precisava entrar ali.

Desde que vira Jonathan com aquela fotografia, alguma coisa dentro dele havia se agitado.

Uma lembrança quebrada.

Um cheiro de terra molhada.

Uma mulher cantando baixinho.

Uma voz gritando.

Depois escuridão.

Ele esperou até anoitecer.

Quando a mansão entrou naquele silêncio pesado dos lugares ricos.

Silêncio cheio de câmeras.

Cheio de portas trancadas.

Cheio de gente vigiando.

Lucas saiu do quarto sem fazer barulho.

Desceu pela escada de serviço.

Passou pela cozinha.

Ouviu duas empregadas conversando.

"Esse menino ainda vai trazer desgraça."

"Ele já trouxe."

Lucas parou atrás da parede.

"Eu ouvi dizer que o patrão está mexendo em coisa antiga."

"Coisa antiga não deve ser mexida."

"Principalmente coisa da dona Beatriz."

Lucas sentiu o coração acelerar.

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Dona Beatriz.

Mais um nome.

Ele guardou.

Continuou caminhando.

Chegou à porta do subsolo.

Estava trancada.

Lucas olhou ao redor.

Nenhum segurança.

Nenhuma câmera apontada diretamente.

Ele tirou do bolso um pequeno clipe de metal.

Aprendera aquilo na rua.

Não por diversão.

Por sobrevivência.

A fechadura cedeu depois de alguns segundos.

Lucas entrou.

O ar lá dentro era frio.

Cheirava a papel velho, madeira úmida e segredo.

Prateleiras enormes ocupavam a sala.

Caixas empilhadas.

Pastas com etiquetas antigas.

Fotos.

Contratos.

Documentos que a família Andrade havia esquecido ou fingido esquecer.

Lucas caminhou devagar.

Cada passo parecia alto demais.

Ele procurou nomes.

Ana.

Beatriz.

Fazenda Santa Clara.

Henrique Tavares.

Então encontrou uma caixa com uma etiqueta amarelada.

FUNCIONÁRIOS — FAZENDA SANTA CLARA.

Suas mãos começaram a tremer.

Ele abriu a caixa.

Havia fichas antigas de empregados.

Algumas com fotos.

Outras rasgadas.

Outras manchadas.

Lucas passou uma por uma.

Até parar.

Ana Clara dos Santos.

A foto pequena mostrava a mesma mulher da fotografia de Jonathan.

Mais jovem.

Mais séria.

Mais triste.

Lucas segurou a ficha com força.

Sua respiração mudou.

Ele não sabia por quê.

Mas aquele rosto doía.

Doía como lembrança.

Doía como perda.

Ele leu rapidamente.

Nome: Ana Clara dos Santos.

Função: auxiliar de cozinha.

Admissão: 20 anos atrás.

Desligamento: sem registro oficial.

Sem registro.

Lucas engoliu seco.

Continuou procurando.

Dentro da mesma pasta, havia folhas arrancadas.

Como se alguém tivesse removido partes importantes.

Mas um envelope estava preso no fundo da caixa, escondido entre duas capas duras.

Lucas puxou.

Não havia nome do lado de fora.

Apenas uma marca vermelha.

CONFIDENCIAL.

Ele abriu.

Dentro havia uma cópia antiga de exame médico.

E outro documento.

Um relatório.

Lucas leu a primeira linha.

Seu coração quase parou.

TESTE DE PATERNIDADE.

Ele sentiu as pernas ficarem fracas.

As palavras pareciam se mover diante dos seus olhos.

Havia nomes riscados.

Partes apagadas.

Mas um nome continuava visível.

Ana Clara dos Santos.

E outro sobrenome.

Andrade.

Lucas tentou ler o restante, mas ouviu um som no corredor.

Passos.

Alguém estava descendo.

Ele enfiou o relatório dentro do moletom e apagou a lanterna do celular.

A porta do arquivo rangeu.

Uma sombra entrou.

Lucas se escondeu atrás das caixas.

Prendeu a respiração.

A pessoa caminhou lentamente.

Não parecia um segurança.

Parecia alguém que conhecia muito bem aquele lugar.

A sombra parou perto da caixa que Lucas havia aberto.

Por alguns segundos, não se mexeu.

Depois uma voz baixa murmurou:

"Alguém mexeu aqui."

Lucas sentiu o sangue gelar.

Ele reconheceu aquela voz.

Doutor Henrique Tavares.

O advogado da família.

Lucas apertou o relatório contra o peito.

Henrique começou a fechar as caixas uma por uma.

Como se procurasse algo.

Como se soubesse exatamente o que estava faltando.

O garoto recuou em silêncio.

Passou por trás de uma estante.

Encontrou uma pequena porta de serviço.

Estava enferrujada.

Mas abriu.

Lucas saiu por um corredor estreito e escuro, mal respirando.

Só parou quando chegou ao jardim lateral da mansão.

A noite estava fria.

Ele tirou o papel de dentro do moletom.

As mãos tremiam.

O documento estava incompleto.

Mas o suficiente ainda podia ser lido.

Ana Clara dos Santos.

Teste de DNA.

Compatibilidade genética.

Família Andrade.

Lucas olhou para a mansão iluminada.

De repente, aquele lugar não parecia apenas perigoso.

Parecia familiar.

Como se algo dele tivesse sido enterrado ali.

Como se sua vida inteira tivesse sido escondida atrás daquelas paredes.

Ele dobrou o relatório e guardou novamente.

No mesmo instante, uma luz se acendeu no corredor superior.

Uma silhueta apareceu na janela.

Observando o jardim.

Lucas ficou imóvel.

Alguém sabia.

Alguém sabia que ele tinha encontrado aquilo.

E, naquele momento, o garoto entendeu uma coisa terrível.

O segredo de Ana não estava morto.

Ele apenas estava esperando alguém abrir a caixa certa.

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